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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Caminhão

                                  

Fui ao banco e achei uma vaga na rua, mas tive que aguardar para estacionar porque um idoso estava tendo dificuldades para colocar seu carro em uma vaga onde cabia um caminhão. Tadinho.
O idoso manobrou inúmeras vezes mas sempre acabava no mesmo lugar e na mesma posição, por fim, cansou e deixou o carro do jeito que estava: a meio metro da guia.
Ele desceu do carro sem jeito, sorriu e disse: "Não vou demorar muito, é rápido".
E eu disse que estava tudo bem.
Na saída do banco tive que dar ré para que o idoso saísse sem problema e não batesse no meu possante. O coitadinho é muito "bração", na boa.
Ele manobra para poder sair da vaga e no sentido contrário vem uma carreta e o motorista percebe que o idoso vai invadir a pista; o carreteiro para e aguarda. Melhor assim.
Observo a carreta enquanto o idoso "se mata" para tirar o carro da vaga e vejo um adesivo com a imagem do seu Zé Pelintra que diz o seguinte: "Quem pode mais é Deus".
Observo também um adesivo do Corinthians oposto à imagem do seu Zé Pelintra e pensei comigo: "Só podia ser: Pobre, corinthiano e macumbeiro".
É nóis!
Com todo respeito a todos e às suas fés.
Salve seu Zé!
É isso.

                                



quinta-feira, 26 de abril de 2012

Zé Pelintra

                                         


É um homem negro, alto, elegante e que traja terno e chapéu brancos com fita e gravata vermelhas. Sapatos bicolores: branco e vermelho.
Zé Pelintra é da Umbanda, do Catimbó e está presente em vários outros cultos brasileiros.
Conheci Zé Pelintra depois de adulta, pois quando era criança, achava que ele era um homem comum.
Mamãe chamava muito por Zé Pelintra e papai o chamava de Mestre Zé. Salve seu Zé Pelintra!
Mamãe chamava seu Zé Pelintra quando queria nos fazer medo e assim obedecê-la. Aprontávamos nossas artes e deixávamos mamãe louca com nossas teimosias e malcriações.
Mamãe já não tendo mais argumentos para nos fazer comportar, dizia ameaçadoramente: "Vou chamar Zé Pelintra para dar um jeito em vocês! Só assim vocês obedecem!".
Corríamos para o quarto e fechávamos a porta. Olhávamos por uma brecha para ver se tinha alguém se aproximando. Ninguém.
Naldão, Rogério e a pequena Rosi ficavam atrás de mim enquanto eu abria lentamente a porta e caminhava em direção aos outros cômodos da casa; cadê esse Zé Pelintra? Queria vê-lo, encará-lo, desafiá-lo. Dizia para mim mesma e para meus irmãos: "Mas quem esse Zé Pelintra pensa que é? Vir à nossa casa para dar ordem na gente?! Manda ele vir aqui que eu quero ver!"
Zé Pelintra. Sempre simpático, elegante e educado.
Salve Zé!