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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Guincho e Farinha Láctea

                                             

Fiquei "ruim" esses dias, como dizia mamãe.
Comprei uma farinha láctea genérica e não me caiu bem; logo de cara não gostei da aparência e para piorar, misturei leite de vaca ao suspeito alimento. O resultado não poderia ser outro: vômito, mal estar, fraqueza, tontura e uma série de outros sintomas.
Eu sempre compro farinha láctea Nestlé, a mais tradicional no mercado, mas acontece que fui a um mercadinho simples do bairro e que só vende marcas mais baratas para atender ao público consumidor da região e comprei o que tinha; não deu certo.
A farinha láctea genérica parecia areia e quando misturada ao leite ficou parecendo massa de pedreiro, dava para encher qualquer reboco. Juro! Dei duas colheradas e joguei fora, nem os gatos quiseram.
Isso foi de manhã.
Saí à tarde com minha irmã Rosi para ir ao banco pagar as contas e depois ir à casa dela para tomar seu forte e amargo café; todo mundo reclama da falta de açúcar, menos eu.
Mas acontece que o carro começou a falhar e a "tremer" e tive que parar e estacionar e chamar o guincho. Liguei para o seguro e fiquei na espera ouvindo a infame musiquinha; desliguei e liguei de novo umas quatro vezes, cansei. Resolvi ligar para corretora de seguros e lá falei com uma funcionária que conseguiu agilizar mais rapidamente a chegada do guincho, acho que se eu estivesse esperando ser atendida pelo seguro estaria lá até agora.
O guincho fazendo a manobra e atrás dele para um abestado reclamando e pedindo que saísse logo da frente, não me contive e movida pelo stress deixei a elegância de lado e disse: "Oh abestado, vou tirar o carro da frente como?! Não está vendo que o carro está quebrado? Oxe!" 
O motorista do guincho, um senhorzinho muito simpático, caiu na gargalhada e aproveitou para contar um causo semelhante: Ele socorria uma moça que era lutadora de Jiu Jitsu e o outro motorista envolvido na batida era um taxista metido a machão; resumo da ópera: o taxista machista ficou pianinho perante às habilidades esportivas da jovem condutora de veículos.
Ele ainda riu quando eu disse que é por essas e outras que não ando armada, valha-me minha Nossa Senhora!
Carro guinchado e levado ao mecânico que descobriu o problema: impurezas no combustível entupiu um bico "não sei das quantas" e isso fazia com que o carro falhasse e "tremesse". O mecânico limpou o tal do bico e o carro voltou a funcionar normalmente, graças a Deus.
Volto para casa e me sinto muito mal; ainda tento fazer as coisas mas me dá uma fraqueza tremenda, deito-me um pouco. Durmo profundamente e acordo com uma ânsia enorme e passo o resto da noite correndo para o banheiro. Chás, água de coco, suco, Mylanta e Buscopan fazem parte do ritual.
Fiquei mal pra caramba e dormi o dia inteiro.
Hoje acordei bem, graças a Deus.
Fui ao banco pagar as contas mas só consegui pagar metade, pois apareceu a seguinte mensagem na tela do caixa eletrônico: "Saldo insuficiente, sua pobre!".
Só faltou aparecer o "pobre".
Esse mês tive despesas extras e o dinheiro não deu, "Si ferrei!".
Mas paguei as contas mais importantes, como aluguel, seguro do carro, plano de saúde e a fatura do cartão de crédito. O mais importante mesmo foi ter comprado a ração da gataiada e dos peixinhos.
Amanhã será outro dia e será melhor. Amém.
É isso.

                                     

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vitamina

                                             


Adorávamos fazer vitamina: maçã, banana, leite e açúcar batidos no liquidificador.
Coloca na mamadeira do meu irmão Fubá e dividia o restante com meus outros irmãos. Somos seis, oficialmente. Extraoficialmente deve ter um bocado espalhado por aí. Só Deus sabe.
Bom...
Nossa prima que já estava em São Paulo há mais tempo que nós aos poucos nos introduzia às "mudérnidades" paulistanas e uma delas foi o liquidificador; ficamos encantados. Era um aparelho pequeno com copo de metal e duas velocidades, depois vieram modelos com copo de vidro ou plástico e mais velocidades e funções, como quebrar gelo.
Eu fazia vitaminas diariamente e as frutas eram compradas na feira de sábado. Às vezes colocava farinha láctea ou Neston o que deixava a vitamina mais gostosa, mais grossinha e com mais "sustança". Usávamos leite tipo C, mais barato e acessível, leite tipo B só quando não tinha mais o tipo C ou quando chegava o bendito dia do pagamento.
A embalagem do leite tipo C era um saquinho com letras azuis e o tipo B em letras verdes.
Um dia fiz vitamina de abacate e coloquei a mesma quantidade de açúcar que colocava nas vitaminas de banana e maçã; ficou ruim e Fubá não quis tomar. Eu tinha pressa, já estava atrasada para ir à escola e portão fecharia às três e cinco. Não me passou pela cabeça provar a vitamina de abacate antes de dá-la a Fubá e eu não entendia porque ele não queria tomar. Disse aos meus irmãos que tentassem dar a mamadeira ao caçula Fubá até a hora de mamãe chegar.
Fui para a escola e deixei meus irmãos em casa com o cachorro Bobbie e graças a Deus mamãe chegou mais cedo aquele dia; ela provou a mamadeira e entendeu porque Fubá não quis tomar, fez outra vitamina mais docinha e mais doce foi a tarde de meus irmãos com mamãe em casa. 
Eu tinha feito tudo muito apressadamente: lavei roupas, arrumei a casa, dei banho em Fubá, fiz a bendita vitamina sem gosto e fui correndo para a escola, era época de provas bimestrais.
Adoro frutas, mas não gosto de abacate. 
Fato curioso é que só nós brasileiros batemos abacate com açúcar e leite; nos outros países Latino Americanos o abacate é comido como salada e é temperado com sal. No México é picado com tomate e cebola e outros temperos é chamado de guacamole.
É isso.