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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Bruzundanga

                            



O portão do estacionamento da escola quebrou de novo e, mais uma vez, está no "modo braçal". Demorei para abri-lo quando cheguei pela manhã e depois fiquei dolorida.
Somando-se ao problema estão o eternamente quebrado sinal e o fato de apenas um computador estar conectado à PRODESP.
Claro, aumentando a somatória de problemas, acrescente-se gente folgada, cara de pau, que finge que trabalha, que enrola, que usa desculpas de saúde para se safar das obrigações.
Professores faltosos, outros incompetentes, barraqueiros, metidos a besta e que se acham os donos da escola.
Terreno baldio enorme ao Deus dará; tomado pelo mato e pelos ratos.
Os ratos estão tão acostumados com a presença humana que só falta nos dar "bom dia" quando chegamos. Ficam sob a jabuticabeira e observam tudo à volta com seus olhinhos curiosos.
Estou cansada.
Já falei com toda autoridade hierárquica possível, mas fica só no "Já liguei, já mandei ver, já... já... já..." Mas solução que é bom... Nada!
Por que as coisas não andam nesse país? 
É cultural? É preguiça? É incompetência? Todas as alternativas estão corretas.
Alunos que destroem carteiras e jogam os pedaços pela janela, acertando carros estacionados na rua. Os caras deveriam participar das Olimpíadas.
Aluna que desmaia dia sim outro também.
Alunas que postam fotos íntimas nas redes sociais e depois arrumam briga dentro e em frente à escola.
Isso tudo parece um grande "Bruzundanga".
Será que reclamo demais? Mas o que posso fazer? Já falei com todos os possíveis responsáveis, mas só escuto desculpas e dar de ombros. 
Qual seria a solução? 
Depois eu fico com a fama de chata, de querer mudar o mundo etc e tal. Não, não quero mudar o mundo, só quero que as coisas funcionem! É pedir muito?
Estou cansada.
É isso.




                                     



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Secretaria

                                    



Estou há uma semana trabalhando na secretaria da escola; é uma experiência nova.
É só uma semana, mas eu sei o que sinto e meus sentimentos sempre foram e sempre são fortes, intensos...
Não gosto de atender ao telefone e nem o guichê, pois ainda não domino o conhecimento necessário para atender aos pedidos das pessoas, solucionar dúvidas de pais de alunos e dos próprios alunos. 
Organizo pastas, preencho papelada etc...
É legalzinho, mas não é minha paixão. Não foi para isso que me esforcei tanto. Gosto de estar em sala de aula, em contato com alunos e professores. 
Sinto falta da sala dos professores, das perguntas dos alunos e até da correria para entregar notas e faltas no prazo.
Cheguei e vi uma sala sem professor/a e me deu uma vontade imensa de lá entrar e ficar até bater o sinal e depois ir para outra sala.
Uma funcionária da secretaria perguntou se eu gostaria de voltar para a sala de aula, se eu não estaria apta a voltar... Será que eu conseguiria?
O problema é o vai e vem, sobe e desce, entra e sai de salas quando termina uma aula e devemos ir para outra. 
Outro problema é o medo que tenho de cair, de ser derrubada pelos alunos que têm uma saúde de ferro e adoram correr e pular pelos corredores. Eles sobem e descem aquelas escadas com uma habilidade e rapidez de fazer inveja a qualquer carneiro da montanha. Eu uso bengala para me dar mais apoio e estabilidade e isso também seria um problema.
Eu me canso muito rapidamente e não ando rápido e a troca de salas entre as aulas seria mais um problema. 
Só problemas, meu Deus? Oxe!
Dê-me uma luz.
Não sei se caso ou se compro uma bicicleta!
Nem um nem outro!
Melhor comprar livros, plantas, coisas dos catálogos da Avon, Natura, DeMillus e Boticário que minha irmã vende.
Ah, ração e areia sanitária também!
Não sei... Estou em dúvida e é muito chato, frustante, decepcionante a gente batalhar tanto por algo e quando finalmente consegue, ter que se desfazer. É nadar e morrer na praia.
Há anos estou longe da rotina de escritório e muito inserida na vida pedagógica, por isso sinto-me muito perdida quando atendo ao telefone e as pessoas fazem perguntas cuja resposta eu não tenho. Passo a ligação para outras pessoas, mas nem todo mundo gosta.
E eu vou fazer o quê? Só estou na nova função há uma semana!
E se eu pegasse menos aulas? Uma jornada menor? Será que conseguiria me sair bem e sem problemas?
Mas aí o meu rico salário de professora seria também menor e isso implicaria em mais problemas. Eu pago minhas muitas contas: água, luz, telefones, aluguel, seguro do carro, combustível, TV a cabo, alimentação minha e da gataiada... do peixe também...
Deus, meu Deus.
Comecei o ano bem, e agradeço por isso.
Comecei o ano sem as dores terríveis e sem o entrevamento, graças a Deus, mas tenho minhas limitações.
O tempo não volta atrás e a gente só pode seguir em frente a partir daquilo que temos, somos, fizemos, deixamos...
Mas se eu pudesse voltar no tempo e se pudesse mudar algo eu mudaria minha saúde: seria saudável por toda a vida e seguiria em frente sem nunca ter, sofrer e saber o que raios é Acromegalia.
Como dizia meu povo antigo: "Num tô sastifeita não".
É isso.