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terça-feira, 5 de março de 2013

Ovo de Páscoa

                                 



Há um movimento no Facebook sobre não comprar Ovos de Páscoa e sim barras de chocolate.
Se pararmos para pensar e observarmos bem, veremos que pagamos quase trinta reais por um ovo de duzentos gramas enquanto a barra de chocolate de peso igual custa menos que cinco reais! Por quê?
Será que pagamos pelo bonito e colorido papel que embrulha o ovo de chocolate? Mas não comemos o papel, comemos o chocolate!
O que faremos então? Pegaremos barras de chocolate e embrulharemos em bonitos papéis coloridos e os damos de presente?
Não seria má ideia mas não tem a mesma graça e encantamento de abrir um ovo de chocolate.
A História do Ovo de Páscoa tem várias origens e influências mas não vejo relação com o sentido verdadeiro da Páscoa.
Páscoa ou Pessach, significa passagem e está associada à libertação do povo de Israel pelo Egito e à ressurreição de Cristo.
Mas cada um com sua crença, tradição e respeito. Sempre.
O importante é todo mundo estar bem e comemorar da melhor maneira que puder.
Estou louca por uns ovos de chocolate e já tenho meus favoritos: chocolate Alpino, Diamante Negro, Garoto, Lacta, Nestlé e Ferrero Rocher, o favorito da minha exigente sobrinha Beatriz.
É isso.
Boa Páscoa a todos.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Fronha

                                        

Zapeava pela TV, como sempre faço, e decidi parar em uma canal religioso.
Aliás, canais ditos religiosos e canais de vendas são o que mais têm e o que poucos veem, mas temos que pagar por eles, mesmo que não os assistamos.
Falei sobre isso com a atendente da Net e reclamei sobre o fato de pagarmos por algo que não assistimos; não poderíamos mudar? Trocar por outros canais de filmes, por exemplo?
A simpática mocinha disse que não, não pode mudar nada! Que o pacote já é definido e o temos empurrado goela abaixo. Paciência.
Mas quem é o mané que define o pacote? Por acaso ele nos perguntou se queremos assistir a exploração da fé em inúmeros e seguidos canais? Ofertas disso e daquilo?
Isso é uma ditadura, penso eu.
Mas eu zapeava pelos canais, como disse, e me chamou a atenção o relato de pessoas que se diziam curadas de doenças ósseas, tumores, cegueira e até de aleijados que voltaram a andar. Puxa vida!
Como todo o respeito.
Tenho respeito e dó por essas pessoas simples e desesperadas que procuram ajuda para resolver seus problemas.
Tenho asco por essas pessoas que se dizem mensageiras de Deus na Terra e que exploram a fé, a inocência e a ignorância dos desesperados.
E isso não é de hoje.
São garrafinhas de água vinda de Israel, a Terra Santa.
São garrafinhas com óleo ungido também vindas da Terra Santa.
São livros, CD´s, DVD´s e boletos bancários para engordar a obesa conta daqueles que professam uma falsa fé e enchem seus bolsos com suado e honesto dinheiro dos necessitados.
Procuro respeitar a tudo e a todos, como sempre digo, mas há situações que causam revolta, como por exemplo o fato de crianças não poderem comemorar seus aniversários e terem um festinha simples e convidar seus amiguinhos. Por quê?
Festas juninas também são proibidas. Por quê?
Querem transformar as pessoas em zumbis acerebrados?
Já estão.
Querem curar gays?! Desde quando opção sexual é doença?!
Bom, além de toda a parafernália pseudo religiosa que vendem, o que me intrigou foi a oferta de uma fronha milagrosa e que custa o módico preço de noventa e um reais.
Noventa e um reais por uma fronha?!
Costumo pagar entre cinco e sete reais por fronhas bonitas e boa qualidade nas lojas Pernambucanas! 
Bom, as fronhas que compro apenas protegem o travesseiro, não fazem milagres.
Liguei para o número colocado na tela para que as pessoas liguem e adquiram a fronha e façam doações para a obra do Senhor, não sabia que Deus era pedreiro. Arquiteto, talvez?
São várias contas abertas em vários bancos para facilitar a vida do fiel que vai depositar seu rico dinheirinho. 
Deus é fiel.
Fiel? Deus é corinthiano?
Certa vez alguém disse que eu lia demais e que os livros eram inimigos e que a pessoa só deveria ler a bíblia. Não sei por que, mas isso me lembrou os livros proibidos de Fahrenheit 451.
Outro disse que blogueiros são filhos do demo... Não sabia que eu era adotada.
Desde que o mundo é mundo os mais espertos manipulam os mais inocentes. Manipulam, exploram, proíbem, ditam regras, costumes, ideologias...
Cada cabeça uma sentença, já dizia mamãe, mas me incomoda o fato de proibir coisas tão simples e que dão tanta alegria às crianças.
Me incomoda explorar, vender saúde, vender a cura.
Se fosse assim, hospitais, médicos e planos de saúde iriam à falência e deixariam de existir.
Não sei se deveria escrever e publicar essa postagem, mas vejo absurdos demais e que têm me incomodado e preocupado.
Não pretendo ofender a ninguém e muito menos à fé alheia, mas o Deus em que acredito não precisa de dinheiro.
Não encontro Deus em templos de ouro e mármore. Não encontro Deus em proibições absurdas. Não encontro Deus em promessas mirabolantes.
Deus está dentro de cada um, somos sua igreja.
Igreja não é um edifício, um prédio ou um templo; igreja é cada um de nós.
Palavras mal interpretadas, deturpadas, manipuladas.
Deus me livre de todo mal. Amém.


                                              
                                       

terça-feira, 3 de abril de 2012

Seca

                                         


Gosto de assistir ao Globo Rural e já me perguntaram porque assisto ao programa se não tenho fazenda e nem plantação!
Eu gosto de assistir ao programa; simples assim.
Esses dias tenho visto muitas reportagens sobre a Seca no Nordeste; meu querido e tão sofrido Sertão. 
Meu Deus.
É triste e me dói na alma ver pessoas terem que andar quilômetros em busca de água salobra para pelo menos enganar a sede.
Dói ver o gado morrer de fome e sede.
Dói ver a plantação secar e morrer sem dar o tão esperado fruto, o tão esperado lucro.
Lucro no Sertão não se refere unicamente ao luco financeiro, mas à produção dos alimentos plantados: milho, feijão, mandioca, jerimum, macaxeira e batata doce, principalmente.
Isso me lembra mamãe em busca de água, como já falei aqui.
Meu Deus.
Anos e anos de Seca e descaso político. 
Até quando?
Fugimos da Seca em 1973 quando eu tinha apenas seis anos, e hoje, aos quarenta e cinco, vejo que nada mudou, que a miséria, a fome, a Seca e o descaso político continuam os mesmos!
É como um círculo sem começo nem fim, é um Oroboro.
Entre outras teorias e definições, Oroboro, palava de origem grega (oura= cauda, boros= devora), simboliza a eternidade, a evolução, voltando-se sobre si mesmo, eterno retorno.
É a Seca. O eterno retorno nas vidas dos sertanejos que pelejam por água para saciar sua sede, a sede de seu gado e molhar a plantação.
Há países que têm o mesmo problema de falta de água por meios naturais mas que encontraram soluções com transposições de rios e/ou irrigação. Por que isso não pode ser feito no Nordeste Brasileiro? O que é que falta? Dinheiro? Vontade política? 
Quando criança ouvia falar na "Indústria da Seca" e achava o termo estranho, pois eu não vira indústrias no Sertão, só gado, caatinga, açude, Seca, fome e miséria na maior parte do tempo.
A Seca dá dinheiro e garante votos aos políticos que só se lembram do Nordeste e do Sertão seco quando é época de eleição. Compram votos em troca de uns caminhões pipa, umas cestas básicas, muita falsa simpatia e falsos sorrisos.
Essa história de comprar voto é antiquíssima, desde a época dourada dos Coronéis de patente comprada (falo mais sobre o assunto na próxima postagem).
Acredito que se houvesse mais interesse e respeito pelo Nordeste e pelo seu povo, talvez o flagelo da Seca fosse resolvido e assim os nordestinos ficariam em suas terras a cuidar de seu gado, de sua plantação e de suas vidas e diminuiria a migração para "Sum Paulo" em busca de uma vida decente e digna. Pelo amor de Deus!
Evitaria também preconceito de gente tacanha e abestada que se esquece que todo mundo vai morrer um dia e pouco importa se somos nordestinos, sulistas, pobres, ricos...