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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Nascente

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O tempo está seco demais e não chove há mais de dez dias; fica difícil respirar.
O ar seco incomoda nariz e garganta e piora ainda mais a situação para quem tem sinusite e rinite alérgica.
O nível do Sistema Cantareira contínua crítico e temo pelo futuro da água em São Paulo, no país e no mundo.
Irônico, São Paulo das águas está secando e se tornando São Paulo da seca, da poluição e do desperdício. Tantos córregos poluídos, rios, riachos e nascentes; uma pena.
Adoro água, todas as águas, e ficava horas brincando com as águas de uma pequena nascente cercada por avencas, Maria-sem-vergonha e outras plantas graciosas. Essa nascente não existe mais, foi canalizada, cimentada, calada em seu canto aquático e infantil. Era tão bonitinha. Uma pena.
Faz um friozinho leve; acho que vou para a cama.
É isso.



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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Acolhedora

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Muito frio.
Fiz algumas coisas pela casa e lavei roupa; a diarista não veio.
Comecei cuidando dos gatos, como sempre faço, depois fiz meu café e botei a roupa na máquina; esperei a água chegar.
Tirei os lençóis da cama assim que me levantei, contando com a presença da diarista, e pensei que quando ela chegasse, ela colocaria lençóis limpos. Troquei a cama e foi difícil para mim. Empurrar, puxar, arrumar... tudo é mais complicado para mim com essas articulações duras e doloridas, mas eu consegui.
Deitei um pouco para descansar antes de colocar o restante dos lençóis, edredons, cobertores... faz muito frio mesmo!
Blue me vê deitada e me chama, faz um miado diferente como quem pergunta se estou bem. Faço carinho em seu pelo cinzento e macio.
Levanto.
Dor de cabeça forte, marteladas borbulhantes... pressão alta. Tomei os remédios e o cansaço aumentou, junto com uma sonolência. 
Sentei-me na cadeira ao lado do tanque e sempre com minha Rosinha no colo; tinha que esperar a máquina terminar de torcer para eu fechar a torneira, que continua puxando água mesmo com a máquina desligada.
Fazia uma tarde gelada, cinzenta, céu carregado e carrancudo. Um típico dia de inverno paulistano.
Mas tinha uma luminosidade bonita, uma claridade diferente, uma luz onírica. Quem estaria ali?
Fiquei olhando para aquela presença invisível e bonita, acolhedora também.
A máquina terminou de centrifugar. Fechei a torneira, coloquei Rosinha no chão e entrei em casa; era uma boa hora para começar a preparar a janta.
Legumes e arroz cozidos, tudo pronto.
Janto cedo para evitar o refluxo e o ácido que queima a garganta quando janto tarde ou cometo alguns abusos de vez em quando. 
Agora estou com vontade de comer uma coisinha doce.
Gatos no meu colo e espalhados à minha volta; está muito frio.
É isso.



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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Manjericão

                              


Levantei para aproveitar enquanto temos água e coloquei roupas na máquina.
Dormir por aqui é meio complicado: insônia, as dores na coluna e pernas, um maluco beleza que puxa uma carroça de madrugada e falava sozinho e os vizinhos da casa ao lado, que conversam até as duas horas da manhã. O povo mora junto e conversa o dia todo! E a noite também. Que tanto assunto é esse?!
Bom... Fiz café e tapioca, alimentei a gataiada e fui estender as roupas no varal; caí.
As pernas fracas não aguentaram e caí com o edredom sobre meu campo de manjericão. Atingi também uma bonita touceira de quebra-pedra.
O sol, a chuva e o tempo juntos desgastam os varais e os gatos também contribuem para com esse desgaste natural.
Agradeci ao manjericão pelo apoio fofo de suas folhas e me desculpei por ter-lhe amassado e machucado; me desculpei com o quebra pedra também.
Levantei com as pernas trêmulas e o coração acelerado. Agora essa.
Deixei as tarefas domésticas para descansar um pouco e até que os batimentos cardíacos desacelerassem.
Estou melhor e vou fazendo as coisas no meu ritmo lento; daqui a pouco a água acaba mesmo.
Estava meio triste e arretada ontem; ouvi Rock 'n' Roll. Hoje estou mais disposta, apesar de o corpinho acromegálico não cooperar muito. Ouvi canções de ninar africanas, belíssimas.
Tem tanto o que fazer... Casa grande, pouca água, pouca saúde...
Mas estamos na luta. 
Desistir nunca, retroceder jamais! Ou é ao contrário?
Sei lá.
É isso.


                                      

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Óleo

                                 


Estou literalmente ungida: untada, besuntada com óleo.
Não gosto muito de tomar remédios, além dos obrigatórios para controle da pressão alta, por exemplo, e os de controle da dor causam efeitos colaterais como vômito e mal estar.
Passei nas articulações o óleo preparado com cânfora e outras substâncias naturais que têm efeito analgésico e depois disso consegui dar uma cochilada.
Gosto de analisar as palavras e estudar sua formação, mutações etc. Queria fazer Mestrado em Lingüística Aplicada, mas o preço do curso é mais alto que meu rico salário.
Fiquei curiosa e interessada em pesquisar sobre o termo "unção" de tanto ouvir as pessoas falando "unção, ungir, ungido, o mundo é dos ungidos..."
Me transportei aos tempos das festas de fim de ano e untava muitas formas para assar bolos, peru, pernil e outros alimentos natalinos com mamãe.
Untar a forma, besuntar, olear, passar manteiga ou óleo para o alimento não grudar.
Em termos bíblicos o ato de ungir alguém é conferir-lhe proteção divina, purificação, extrema-unção, entre outros significados.
É...
Parece que vai chover de novo e tomara que a chuva traga água suficiente para encher rios e reservatórios. Bom mesmo seria se as pessoas respeitassem a Mãe Natureza e toda essa seca seria apenas uma suposição. Mas é real, infelizmente.
É isso.


                                         

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ouro Azul

                                 


Calorão de quarenta graus; insuportável.
Muita água, muito gelo.
Muita falta d'água também!
Ficamos mais de vinte e quatro horas sem água durante esse fim de semana. Por um lado até achei bom, explico: Assim os vizinhos sem noção e sem educação não desperdiçaram o precioso líquido lavando calçada e carro; hihihi.
E o problema da falta d'água não é novo; é algo que previu-se há muito tempo mas que atitude nenhuma foi tomada. Lembro que em 2004 trabalhei em uma escola particular e já trabalhávamos com os alunos essa questão: O Futuro da Água no Mundo. Água, o ouro azul.
Os alunos fizeram pesquisas e apresentaram propostas interessantes e até óbvias, considerando o presente que naquela época era futuro: Falta d'água, poluição, desmatamento, cidades super lotadas (é junto ou separado? ainda não me adaptei a esse maldito e inútil e besta novo acordo ortográfico!).
Se, há dez anos os problemas já eram apontados, por que nada foi feito? Até a nascente do belíssimo e majestoso Rio São Francisco, o Velho Chico, secou!
Quando a humanidade aprenderá a respeitar a Mãe Natureza?
Quando a humanidade aprenderá que dinheiro compra muitas coisas e traz poder, mas dinheiro não produz água, oxigênio, vida!
E por falar em água, dia oito de outubro foi Dia do Nordestino e li muito preconceito, intolerância, racismo e idiotices contra o Nordeste e o povo nordestino: "Bem que poderiam separar o Brasil do Nordeste... Nordestino não é gente... Tomara que não chova mais no Nordeste!".
Essa última frase só pode ter saído de uma mente estúpida, tacanha e burra, pois não chove há muito tempo aqui em São Paulo e já enfrentamos o racionamento! Pensa antes de falar qualquer porcaria, criatura burra e racista!
Outras tolices que li nas redes sociais são críticas ambíguas aos eleitores do Norte e Nordeste: "Têm orgulho de ser Nordestino mas votou na Dilma, ou, Têm orgulho de ser Nordestino mas apóia o Aécio".
Peraí! Nordestinos e Nortistas são criticados ou por votarem em um ou por apoiarem outro?! Não é preciso tomar uma decisão e escolher um?! Por acaso têm outros candidatos para o segundo turno?! Tem outra opção? Talvez sejamos a tal da margem de erro...
E seguimos em frente com eleições, calorão, falta d'água e gente besta. Arre égua!
É isso.


                                        


                                         

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Idosos: Arrimo de Família

                               



Volto para casa e encontro as torneiras secas; achei normal, pois falta água em São Paulo.
Passadas algumas horas e nada da água voltar, mas ouço o barulho da máquina de lavar da vizinha e estranho: Será que a máquina usa água da caixa ou da rua?
Chamei a vizinha pelo muro e ela disse que não faltou água, o abastecimento estava normal. Oxe!
Liguei para a SABESP ( Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e foi agendada visita para o dia seguinte. Relatei o caso e a companhia também estranhou o fato de os vizinhos terem abastecimento normal de água e eu não.
Bom...
Tive um estalo: Vou verificar o relógio da água para ver se não está fechado; dito e feito! Mas quem o fechou?!
Tentei me abaixar para abrir o dispositivo, mas não consegui, o entrevamento está brabo. Chamei o vizinho e ele resolveu o problema. Ainda bem!
Quem teria mexido ali enquanto eu estava fora trabalhando?
Liguei de volta para a SABESP e pedi o cancelamento da visita mas fui informada que isso não seria possível, uma vez agendado, para sempre agendado!
Eu disse que o problema fora solucionado e a visita não se fazia mais necessária, mas o atendente me disse que não tem como cancelar e avisar aos técnicos sobre o cancelamento da visita. OK.
Já ouviram falar em celular e outras formas de comunicação móvel?
O jeito foi ficar em casa e aguardar.
Toca a campainha e vou atender: dois senhores já idosinhos, com cabelos brancos, bocas sem dentes, pernas tortas, aparência cansada; tadinhos.
Disse que havia cancelado a visita e pedi desculpas pelo ocorrido.
Fiquei com dó dos idosinhos. A dificuldade para descer do carro, o caminhar meio cambaleante, as pernas tortas, o peso da vida, da idade, do trabalho e do cansaço.
Esses idosinhos não deveriam estar em casa descansando ou fazendo algo que lhes desse prazer? Jogando dominó na praça com os amigos? Fazendo algum trabalho artesanal em casa? Cuidando das plantas ou de algo que gostassem?
Mas como viver com uma aposentadoria mínima e injusta após décadas de trabalho?
Muitos idosos, como já falei aqui, são arrimo de família e carregam nas costas cansadas e encurvadas pelo tempo os parentes preguiçosos e folgados. São filhos e netos que dependem do trabalho e do dinheiro desses idosos. Salvo exceções, deveriam tomar vergonha na cara e cuidar da própria vida! Esses idosos não vão durar para sempre!
Mas é a geração Nem Nem, nem trabalha, nem estuda mas bota filho no mundo para que os pais criem.
A geração que cursa faculdade mas não sabe produzir ou interpretar um texto, que não gosta de ler, que só quer saber de diversão.
Longa vida aos idosos e esperar que um dia essa juventude irresponsável e alienada caia na real.
É isso.



                                   

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ombros

                              


Tenho tido tempos difíceis, bem difíceis.
Como dizem os alunos: "Tá a maior zica!".
Tive uma pequena melhora nas articulações e demoro menos para me levantar.
Tem fase boa e outras nem tanto e assim segue a vida.
Tenho andando sem ânimo, motivação, vontade... Os problemas têm tirado de mim o prazer dos meus pequenos prazeres favoritos: ler, escrever, cuidar das plantas, cozinhar...
Mas hoje eu cuidei da baby rose vermelha; podei, tirei galhos e folhas secas e transplantei para um vaso maior.
Pretendia fazer outras coisas, mas não tinha água; vou verificar se já chegou.
São Paulo enfrenta uma das pioras secas de sua História; quem sabe assim o povo daqui aprenda a respeitar o sofrimento do nordestino ao sentir na própria pele a falta d'água. Não é fácil não.
Ontem foi dia dos pais e fui almoçar na casa da minha irmã; ela havia preparado feijoada, gosto não.
Comi arroz, feijão e bife. Gosto assim.
Li algumas bobagens escritas por pessoas que são eternas Peter Pan, recusam-se a crescer. A gente já é gato escaldado, já sabe o final do filme, mas mesmo assim fica chateado com certas tolices, futilidades, infantilidade e por aí vai.
Aí me peguei pensando: "Será?"
Não, não. 
Se a gente começa a pensar na possibilidade de se tornar realidade ou fazer sentido uma tolice dita ou escrita por um tolo, o tolo seremos nós.
Como diziam meus antigos: "Não podem mais que Deus não".
E como dizia meu bisavô Francisco: "O que é ruim se destrói-se por ele mesmo".
É apenas uma fase ruim, vai passar.
Tudo passa nessa vida, até uva passa.
Tem que fazer gracinha para aliviar um pouco esse peso incômodo que fere nossos ombros.
É isso.