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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Ladrões de Bicicleta

                                      



A violência é crescente e preocupante nas grandes cidades e até no interior.
A "moda" agora é ladrão de bicicleta. Não o ladrão que "apenas" rouba bicicletas, mas que usa a bicicleta como meio de transporte para efetuar seus delitos.
A maioria desses ladrões de bicicleta é de jovens e adolescentes; geralmente menores de idade, porque sabem que a lei os protege.
Há cerca de um ano sofri uma tentativa de assalto e os dois moleques conseguiram "apenas" arrancar a maçaneta da porta do carro. Paguei em torno de cem reais para ter o concerto feito. Para quem devo mandar a conta? Para os defensores dos "de menor"?
Pretendia lavar a garagem, mas não tem vaga na rua para estacionar o carro. Ia deixar o carro sobre a calçada até terminar o serviço, mas a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), está na rua e adjacências controlando os caminhões folgados que estacionam na contra mão, param em frente às garagens das casas, bloqueiam a visão da rua etc...
Isso vai durar só até a hora em que o "marronzinho" estiver nas imediações, assim que virar as costas o oba oba de caminhões volta.
Fui até a papelaria e, como sempre faço, paro o carro na rua estreita e desço para abrir o portão da garagem. A rua é pequena, estreita e de mão dupla e toda vez que volto para casa sou obrigada a ocasionar um pequeno congestionamento duplo. Alguns motoristas mais educadinhos esperam eu guardar o carro, outros buzinam e querem passar a qualquer custo. Por onde? Só se for por cima! Será que os carros deles têm propulsão a jato?!
Desço e abro o portão; volto para o carro e vejo dois jovens de bicicleta que intimidam suas vítimas pelo olhar. Fazer cara, gestos, expressões e olhar de mau é a primeira tática para assustar as potenciais vítimas.
Fechei rapidamente o portão e voltei para o carro; olhei para o "marronzinho" do CET, que entendeu a situação, e dei uma volta. Os pobres, inocentes e adoráveis "de menor" passaram a mil em suas bicicletas. Os caras deveriam participar de competições de ciclismo; vai pedalar rápido assim no inferno!
Dei uma volta, olhei bem e só então desci de novo para abrir o portão.
Guardei rapidamente o carro e tranquei o portão.
O susto e o nervoso desconcertam a gente.
Não levarei multa por deixar o carro sobre a calçada, não serei assaltada por esses ladrões de bicicleta e não lavarei a garagem, por enquanto.
Os vagabundos foram embora, mas ninguém garante que não voltem mais tarde para "filmar" o movimento.
A violência está à solta não só em São Paulo e quando nos tira o sagrado direito de ir e vir, aí a coisa complica ainda mais.
Ainda tem gente que me chama de radical e que acredita em medidas socioeducativas para educar e inserir esses vagabundos na Sociedade.
Nas festas de fim de ano centenas de presos foram soltos para poder passar as festas com a família e a grande maioria cometeu crimes apenas horas depois de estarem em liberdade! O crime corre no sangue desses m...
Desculpem o radicalismo e não me envergonho de assumir o que penso, mas bandido bom é bandido morto!
Pronto, falei!
Não se tem nem o singelo direito de ir e vir e nem de lavar a própria garagem em paz?!
Que @#$%! de país é esse?!
É isso.


                                               

                                      


domingo, 7 de julho de 2013

Encarregado

                               



Hoje os trabalhadores têm seus direitos garantidos, têm benefícios, sindicatos etc...
Mas no tempo de papai e mamãe as coisas eram diferentes e os trabalhadores só tinham obrigação e deveres, direitos quase nenhum.
Eu ouvia e prestava atenção a tudo o que papai, mamãe e os outros adultos falavam sobre o trabalho, os chefes, os patrões e os colegas e na maioria das vezes eu via e sentia o trabalho como um grande fardo e os chefes como grandes vilões malvados.
Os direitos do trabalhador eram poucos e eles tinham que chegar sempre no horário, atrasos eram muitas vezes punidos com demissões. 
O local de trabalho era um local de temor, de medo, insegurança, abuso de poder e arrogância por parte dos chefes e patrões, na maioria das vezes.
Era assim que eu via e sentia como era o trabalho ao ouvir as queixas dos adultos: Um lugar fechado e claustrofóbico, só entra e sai nos horários estipulados, funcionários obedientes e temerosos, chefes e patrões malvados.
A figura que mais me dava medo era a do encarregado. 
Mamãe e papai sempre contavam causos envolvendo a figura do encarregado e eu não sabia bem o que isso significava. O que é encarregado? O que ele faz? Por que ele é tão malvado? Por que ele atormenta os funcionários? Eu me fazia essas perguntas e muitas outras.
Eu imaginava o encarregado como um homem muito mau que ficava andando pra lá e pra cá e observando os trabalhadores e lhes impondo castigo caso cometessem algum erro.
Mamãe sempre falava de um encarregado chamado Wagner e ela dizia "Wagna". Segundo mamãe, o cara era ruim, era o cão figurado em gente. Cobrava demais dos funcionários, fazia relatórios sobre tudo e qualquer coisa, chamava a atenção das pessoas em meio a toda seção, xingava e humilhava. Hoje isso seria taxado como bullying, abuso de poder e assédio moral.
Um dia eu fui com mamãe até a firma onde ela trabalhava e estava doida para conhecer o terrível encarregado "Wagna". Eu queria olhar bem pra cara dele e dizer-lhe poucas e boas, principalmente para respeitar a mãe dos outros! Quem esse cabra pensa que é?!
Estou com mamãe na copa, era hora do café, e dali a pouco entra um homem bem magrinho, com barba e cabelo à la Gonzaguinha, que Deus o tenha.
Fico sabendo que aquele pau de virar tripa que tem mais cabelo na cabeça e na cara do que carne no corpo é o "Wagna", o encarregado terrível.
Olhei bem para ele, o observei, o medi de baixo pra cima e pensei comigo: "Oxe! Mas esse cabra tem que comer muito cuscuz e rapadura pra mandar em alguém!".
Mamãe tinha ido à firma para receber seus direitos; ia agora ficar em casa com a gente e eu adorei saber que de agora em diante esse encarregado metido a besta não iria mais encher a paciência de mamãe e o melhor de tudo era que eu podia ir para a escola sossegada, pois meus irmãos não ficariam mais trancados sozinhos em casa.
É isso.