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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Novinha

                                       


Perguntei à uma colega de trabalho se ela iria tomar a vacina da gripe e a resposta foi: "Ainda não tenho idade pra isso!".
Eita!
Para não ficar por baixo, respondi: "Eu também não. Tenho quarenta e seis anos e sou mais nova que você, mas tenho doença crônica".
A "novinha", como dizem os jovens, ficou meio sem jeito e disse que não tem nenhuma doença crônica. 
Que bom, né?



Narciso
                               

terça-feira, 1 de maio de 2012

Entrou

Conheço pessoas que gostam de esconder a idade; fazem muita questão disso. Bobagem.
Conheço pessoas que diminuem a idade; fazem muita questão disso. Bobagem.
Tem gente que já dobrou o Cabo da Boa Esperança e está pra lá de Marrakech, mas age como se marinheiro de primeira viagem fosse.
Bom...
Papai adorava aumentar nossa idade e isso nos desagradava um bocado.
Fazíamos aniversário hoje e amanhã já estávamos um ano mais velho do que nossa atual idade, segundo os cálculos de papai, claro.
Por exemplo: Rogério fez vinte anos no dia 29 de fevereiro e papai disse: "Já entrou pra vinte e um!".
Rogério não gostou e disse: "Não senhor! Se eu morrer amanhã morro com vinte anos. Oxe!"
Mas não adiantava, papai sempre tinha seus argumentos: "Não sinhô digo eu! Se tu completou vinte anos hoje quer dizer que tu já entrasse pra vinte um".
"E quando eu fizer vinte um vou entrar pra vinte e dois?"
"Justamente!"


                                               

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.


Tenho muito mais passado do que futuro.


Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.


As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.


Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.


Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.


Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.


Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.


Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.


'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...


Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,


Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,


O essencial faz a vida valer a pena.


E para mim, basta o essencial!
Mario de Andrade (1893 - 1945)