Mostrando postagens com marcador sopa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sopa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Hora do Recreio

                                           


Na nossa época de escola o intervalo para o lanche era chamado de hora do recreio.
Eram curtos quinze ou vinte minutos onde podíamos conversar com nossos colegas, alguns corriam pelo pátio e a maioria ficava na imensa fila da cozinha para pegar o lanche e repetir. Quando alguém dizia que ia ter repetição todos corriam para garantir o lugar na fila.
Via os alunos com seus pratos e canecas nas mão a esperar a tão desejada vez de comer ou beber mais um pouco da gororoba chamada lanche.
Eu raramente pegava lanche, só quando era bolo ou bolacha wafer.
Eu tinha certo nojo das refeições preparadas pelas merendeiras da escola; a sopa era um caldo marrom com uns grãozinhos estranhos a boiar e chamávamos "sopa de Bonzo". Bonzo era uma ração para cães, uma das primeiras a surgir no mercado.
O arroz doce e a canjica era ralos caldos brancos e para encontrarmos um grão tínhamos que pescar com a colher.
Só sobrava mesmo o bolo e as bolachas, porque o resto...
A coordenadora ia de sala em sala para falar sobre a importância de uma boa alimentação, que estávamos em fase de crescimento  e que precisávamos comer. Eu não comia aquela gororoba de cor estranha.
Mamãe foi chamada e informada sobre minha recusa em comer o lanche oferecido pela escola e eu continuei me recusando, mas chegava à casa e só não comia as paredes.
Algumas vezes comprava Lanche Mirabel (já falado sobre em postagem anterior), mas comia no caminho para a escola.
Nossa turma era dividida em riquinhos e pobres e as filas do lanche eram compostas por estes; os riquinhos levavam seu próprio lanche e eu achava chic e delicioso o embrulho em papel alumínio. Outros levavam iogurte e eu achava lindo lamber a tampa do pote e dizia comigo mesma que um dia eu também levaria um delicioso lanche embrulhado em papel alumínio e um pote de iogurte.
Cresci e hoje a variedade de ração e iogurte é imensa.
Mas ainda acho que o lanche embrulhado em papel alumínio fica muito mais gostoso.


                                                         

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sopa com farinha

                                    


Papai e seu irmão Manoel Soares moravam em uma pensão na região da Moóca.
Papai sempre falava da Rua Taquari, o mesmo nome da fazenda onde eu nasci. E eu dizia para mim mesma que um dia conheceria essa tal de Rua Taquari.
Bom...
Tio Manoel Soares adaptava-se lentamente aos hábitos alimentares de São Paulo. Estranhava o ritual efetuado durante o jantar servido na pensão.
Após chegarem do trabalho os pensionistas tomavam banho e depois sentavam-se à mesa para jantar.
A senhora dona da pensão servia sopa como o primeiro prato, ou entrada, e depois serviria o prato principal que geralmente era composto de arroz, feijão, carne e salada.
Como a maioria dos pensionistas era de nordestinos, a senhora dona da pensão mantinha um bom estoque de farinha de mandioca em sua despensa.
Tio Manoel senta-se à mesa e repara que todos estão tomando a sopa, inclusive papai. O tio olha para o prato e diz: "E é só isso que tem pra comer, é Dedé? Essa água de lavagem?!"
Papai diz que depois da sopa virá mais comida: arroz, feijão, carne...
Mas tio Manoel prefere não arriscar e pega o pote com farinha que está na mesa e despeja o conteúdo em sua sopa.
Papai olha admirado e pergunta: "Oxe. Mas o que tu tá fazendo, Mané?
Tio Manoel responde: "E tu acha que essa tal dessa sopa é comida, Dedé? O cabra trabalha o dia inteiro e quando chega de noite vai comer isso? Tem que botar bem muita farinha que é pra dar sustança!".
Quando terminou de comer sua sopa com farinha, tio Manoel estava com a barriga cheia de mais para comer o prato principal que a dona da pensão iria servir: arroz, feijão, carne e salada.