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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Polenta

                                 



Estava exausta, de verdade.
Passei o fim de semana arrumando as coisas pela casa e nem cheguei na metade. 
Próximo fim de semana de Carnaval e aproveitarei para concluir o serviço. Assim seja.
É que sou lenta, entrevada e canso rápido. 
Dormi pouco noite passada, apenas três horas. O casal de vizinhos resolveu discutir a relação bem na hora de deitar! A troca de elogios, ciúmes e acusações começaram logo de manhã cedo e se arrastaram pelo dia, intensificando a partir das onze da noite e indo até as duas da madrugada, quando finalmente consegui dormir.
Acordei às cinco e me levantei um pouco mais cedo para colocar o lixo para fora, trocar a areia dos gatos, colocar comida e água fresca.
É uma baita correria todas as manhãs.
Fui para a escola e recebi o entregador que descarregou duas toneladas de livros didáticos; livros que serão jogados pela janela das salas de aula sobre os carros dos professores.
As frutas frescas, caras e saborosas que são distribuídas na hora do lanche também são jogadas uns nos outros, pisoteadas... uma diversão para esses idiotas que não valorizam o que têm.
Bom...
Voltei para casa muito cansada e deitei no sofá para um cochilo rápido; ligaria para minha irmã Rosi depois. Acordei com o toque do telefone e era minha irmã. Estranhou meu "sumiço"; só porque eu não liguei ontem. Falamos bastante.
Senti fome  e fiz uma polenta mole com molho de tomate. Tive aquelas dorzinhas chatas de estômago após comer um pão de queijo, coisa que adoro, na escola na hora do intervalo. Abusei da lactose ontem ao fazer suco de coco batido com leite de vaca, acabou o leite de soja.
Abusei do café, que também adoro.
O resultado de tudo isso não foi nada adorável.
Por que as coisas que mais gostamos nos fazem mal?
Vou tomar um banho e depois vou para cama, amanhã tem mais.
É isso.





quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Esfiha

                                   


De volta ao trabalho. Legal.
A moça da cozinha trouxe apenas café; não havia lanche e a cantina estava fechada, só segunda-feira.
Alguém teve a ideia de fazer "vaquinha" para comprar esfiha e refrigerante; 99.99% dos refrigerantes comprados são Coca-Cola. Não sou muito fã.
Em poucos minutos chega a encomenda e peguei minha esfiha de queijo; esfiha fechada, não gosto muito da aberta.
Como não tinha outra coisa, o jeito foi tomar Coca-Cola mesmo. Tomei só meio copo, não gosto muito.
A tarde seguia normalmente, mas lá pelas quatro horas começo a sentir umas pontadas no estômago que evoluíram para uma dor aguda e insistente.
Termina mais um dia de trabalho. Vou para casa, mas antes passo no Pet Shop para comprar ração molhada para a gataiada.
Alimento meus felinos muito bem tratados, mimados, queridos e amados. Faço um chá de erva cidreira (capim santo) e começo a me sentir melhor.
Amanhã talvez vá ao supermercado para comprar grãos e legumes. Adoro vagem, grão de bico, beterraba, mandioquinha, ervilha, tomate...
Preciso preparar algo para levar de lanche, comer guloseimas e tomar refrigerante não me apetecem muito.
Meu estômago que o diga.
É isso.


                                       

sábado, 13 de abril de 2013

Natureba, Fast Food, Gatos...

                                  
Aurora e Alice



Estava separando o lixo comum e o lixo reciclável e os colocando em sacos de cores diferentes para sinalizar ao carroceiro que cata lixo pela cidade.
Os carroceiros que passam na minha rua sabem que no saco preto contem lixo comum, de cozinha e banheiro; e no saco azul tem lixo reciclável. Assim eles não precisam abrir o lixo sujo e fedido para procurar algo que lhes sirva.
Coloco o lixo pra fora e observo o lixo da vizinhança e a maior parte é composta por embalagens vazias, claro, de pizza, beirutes, esfihas, salgadinhos, lanches de redes de fast food, garrafas PET de refrigerante e afins.
Como dizia papai: "Estou virge (virgem)" de ver esse povo comprar frutas e verduras, é tudo pronto e industrializado. 
Ninguém quer ter trabalho de botar um feijão no fogo, como diria mamãe. Ninguém quer ter trabalho de descascar uma fruta, lavar uma verdura, cortar um legume. Ninguém quer esperar, querem abrir a embalagem, colocar o produto no microondas e o consumir em segundos.
Vejo os vizinhos voltando do supermercado e padaria trazendo pães, frios e refrigerantes para o almoço, lanche ou janta e quando não querem ir buscar, ligam para o delivery e pedem pizza, esfiha, lanches...
A desculpa para tanta comida pronta, rápida, cheia de gordura, sal, açúcar, conservantes etc... é a tal da pressa e da correria da vida moderna. Tá.
Pode ser que de vez em quando nos rendamos ao pecado da gula e da preguiça juntos e em vez de cozinharmos, pediremos uma pizza. Nada contra.
Mas o problema da sociedade atual é o comodismo e o não querer ter trabalho com o preparo dos alimentos. Vejo crianças pequenas que levam como lanche uma garrafinha de refrigerante e um pacote de salgadinho.
Essas mesmas crianças não conhecem frutas, legumes e verduras. Não sabem diferenciar uma beterraba de uma maçã!
Sei de pessoas que estão com problemas renais seríssimos porque não comem e não gostam de frutas, verduras e legumes e não bebem água! Mas comem salgadinhos fritos de botecos e tomam litros de refrigerante tipo cola!
Depois reclamam.
Sei de pessoas que tomam perigosos medicamentos para emagrecer enquanto consomem o mesmo tipo de alimento engordativo, como lanches, pão com isso, pão com aquilo, refrigerante... Pergunte se esse povo cozinha ou come comida caseira de verdade? Como e onde esse povo consegue tanto dinheiro para comprar essas refeições rápidas, prontas e práticas?
Não estou querendo bancar a perfeita; não o sou e não quero ser e ninguém é, graças a Deus.
Mas acho estranho o modo de vida das pessoas tão preocupadas com a aparência que fazem exatamente o contrário do que é recomendado para se ter uma vida e aparência saudáveis.
Adoro frutas, verduras e legumes, exceto brócolis, couve-flor e abacate.  E comendo meio natureba já não é fácil manter o corpinho acromegálico em ordem, quem dirá comendo fast food!
Lascou-se!
E por falar nisso, aquele desembesto e "dizagero de fruita" que comprei já está quase acabando, é preciso comprar mais. É preciso comprar mais bagel, granola, leite de soja, café, areia e ração.
A areia e a ração são para os gatos, claro.
É isso.




                            




quarta-feira, 3 de abril de 2013

Melão

                             


Estava na sala dos professores e o funcionário da cantina traz café, chá e o lanche do dia. O lanche varia de frutas a bolachas, entre outros.
A fruta do dia foi melão e eu gosto bastante. Peguei duas fatias, o melão estava docinho e delicioso.
Os professores se serviram de uma ou duas fatias da fruta, exceto uma professora ranzinza, gulosa, grosseira e que se parece com a Bruxa do 71 do  Chaves.
Ela comia as fatias do melão como se nunca tivesse comido aquela fruta antes ou como se não comesse nada há uns três dias, pelo menos.
Como diz um conhecido meu: "Que falta de classe!"
Enquanto devorava a fruta, dizia que aquilo seria sua janta e isso às três e meia da tarde.
Engolia e falava: "Estou de regime. Eu não vou jantar, isso aqui é minha janta. Melão é bom pra emagrecer, já emagreci dez quilos. Melão é bom pra pressão alta, eu tenho pressão alta. Vocês são ruins de boca, então vou comer tudo. Tem muito melão...blá, blá, blá..."
Pensei comigo: "Eita mulherzinha mundiçada, acanalhada; (gulosa, mal educada, porca)!"
Como dizia mamãe, essa professora deve ser do tipo de pessoa que come tudo o que estiver pela frente só para economizar e não gastar o que tem em casa. 
Eita mundiça!



                                       



sábado, 2 de junho de 2012

Frango

                                                 


Não gosto de frango, principalmente se for ensopado.
Não gosto muito de molhos, acho que é trauma do lanche aguado da escola e dos desastres culinários de papai.
Gosto de carne mais sequinha.
Mamãe cozinhava a carne e depois a fritava ou assava no forno com legumes; ficava muito bom.
Houve uma época na qual comíamos muito frango, galo, galinha, peru e tudo que tivesse asa e não fosse urubu, avião ou morcego.
Era comum em nosso bairro a compra e venda de galináceos penosos vivos; comprávamos, levávamos para casa e lá mamãe matava, depenava, limpava, preparava... Enjoamos.
Mamãe e papai diziam que o frango resfriado não tinha gosto bom, gostoso mesmo era uma "galinha viva". Brincávamos com ela e dizíamos: "Oxe, mãe, onde já se viu comer a galinha viva?".
Minha sobrinha Maria Julia era pequena e eu cantava para e com ela canções antigas, ela gostava de uma do Caymmi que dizia assim:
Minha jangada vai sair pro mar
vou trabalhar
meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
um peixe bom
eu vou trazer...
Maria Julia tinha sua própria versão para a música: "...Se Deus quiser quando eu voltar do mar um franguinho eu vou trazer..."




                                      

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Hora do Recreio

                                           


Na nossa época de escola o intervalo para o lanche era chamado de hora do recreio.
Eram curtos quinze ou vinte minutos onde podíamos conversar com nossos colegas, alguns corriam pelo pátio e a maioria ficava na imensa fila da cozinha para pegar o lanche e repetir. Quando alguém dizia que ia ter repetição todos corriam para garantir o lugar na fila.
Via os alunos com seus pratos e canecas nas mão a esperar a tão desejada vez de comer ou beber mais um pouco da gororoba chamada lanche.
Eu raramente pegava lanche, só quando era bolo ou bolacha wafer.
Eu tinha certo nojo das refeições preparadas pelas merendeiras da escola; a sopa era um caldo marrom com uns grãozinhos estranhos a boiar e chamávamos "sopa de Bonzo". Bonzo era uma ração para cães, uma das primeiras a surgir no mercado.
O arroz doce e a canjica era ralos caldos brancos e para encontrarmos um grão tínhamos que pescar com a colher.
Só sobrava mesmo o bolo e as bolachas, porque o resto...
A coordenadora ia de sala em sala para falar sobre a importância de uma boa alimentação, que estávamos em fase de crescimento  e que precisávamos comer. Eu não comia aquela gororoba de cor estranha.
Mamãe foi chamada e informada sobre minha recusa em comer o lanche oferecido pela escola e eu continuei me recusando, mas chegava à casa e só não comia as paredes.
Algumas vezes comprava Lanche Mirabel (já falado sobre em postagem anterior), mas comia no caminho para a escola.
Nossa turma era dividida em riquinhos e pobres e as filas do lanche eram compostas por estes; os riquinhos levavam seu próprio lanche e eu achava chic e delicioso o embrulho em papel alumínio. Outros levavam iogurte e eu achava lindo lamber a tampa do pote e dizia comigo mesma que um dia eu também levaria um delicioso lanche embrulhado em papel alumínio e um pote de iogurte.
Cresci e hoje a variedade de ração e iogurte é imensa.
Mas ainda acho que o lanche embrulhado em papel alumínio fica muito mais gostoso.


                                                         

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Escola

Mamãe foi professora.
Era muito querida pelos alunos e suas famílias.
Eu gostava de andar pela sala de aula entre as mesas dos alunos; queria ver o caderno de um, o lápis do outro.
Me pegavam no colo e me deixavam rabiscar seus cadernos.
Mamãe tinha que interromper a aula para dar um jeito em mim; ela chamava alguém da casa para vir me buscar, pois eu estava tirando a concentração dos alunos e atrapalhando a aula.
A escola ficava na fazenda e os alunos eram os trabalhadores e seus familiares.
Vinham me buscar e eu ia sob protesto.
Mas dali a pouco eu voltava; ia para outra sala de aula pentelhar outra professora e seus alunos.
Chegava a hora do intervalo e o lanche era distribuído; eu pegava meu lance e saía.
Dali a pouco sentiriam minha falta, procurariam por mim.
Eu ia pra casa e meu Paipreto estava de pé à porta a me esperar com um sorriso e um balançar de cabeça.
Me sentava no batente da porta e comia meu lanche.
Mamãe e os alunos me encontravam e ficavam danados comigo.
Paipreto dizia para todos voltarem às suas obrigações, sua neta estava muito ocupada comendo o lanche. Mamãe reclamava: "Essa moleca danada não deixa ninguém estudar, pega o lanche e sai sem falar nada; só para me deixar preocupada!".
Mamãe voltava para a escola e eu ficava com meu Paipreto, tinha concluído mais um dia de aula.


                                     

sábado, 28 de abril de 2012

Lanche Mirabel

                                                


Era uma marca de biscoitos tipo wafer e tinha apenas os clássicos sabores morango e chocolate.
Não gosto muito de bolacha recheada, mas gosto muito de wafer.
O Lanche Mirabel vinha em embalagem pequena com oito unidades e era o lanche favorito da molecada na hora do recreio.
Mamãe tinha conta no Bar da Viúva e todas as manhãs eu pegava meu lanche e pedia para marcar na conta dela.
O bar ficou conhecido como o Bar da Viúva após o assalto que terminou com a morte do dono do bar, deixando a esposa e um casal de filhos.
Eu comia o lanche no caminho para a escola, demoraria muito para chegar a hora do recreio.
E por falar em lanche , havia também uma outra marca de wafer da qual gostávamos muito, era Recreio.
Bons tempos aqueles.




                                               

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lixão

Uma das marcas de iogurte de nossa época.
                                              


Havia muitas chácaras e muitos terrenos baldios no meu bairro que hoje é dos caminhões e das transportadoras.
O terreno em que hoje está localizado o Hospital Vermelhinho era um campo de futebol onde meus irmãos e meus primos batiam uma bolinha e também onde os supermercados grandes jogavam seu lixo, principalmente de produtos com prazo de validade vencida ou prestes a vencer.
Era muito iogurte, requeijão, manteiga, margarina; basicamente laticínios.
Sempre tinha alguém de olho quando os caminhões se aproximavam e descarregavam seu lixo no terreno e éramos avisados a respeito. Saíamos de casa munidos de carrinhos de feira, sacos, sacolas, caixas e tudo o que desse para colocar e trazer os laticínios do lixão.
Era uma festa!
Íamos com a nossa vizinha, a Dona Maria, e ela organizava o trabalho. Não podíamos ir sozinhos porque éramos crianças e deveria ter sempre um adulto junto conosco. Organização e segurança no trabalho infantil. Tá certo.
Dona Maria tinha mais experiência e nos ensinava como escolher o melhor iogurte, requeijão etc. Dizia para evitarmos os potes muito amassados, com tampa estufada e com validade muito vencida. Mas a grande maioria dos produtos estava ainda com a validade para vencer, questão de um ou dois dias e segundo soube, não é porque a validade de um produto vence hoje que amanhã ele estará estragado, ainda dá para consumir se for bem armazenado.
Bom...
Voltávamos para casa algumas horas depois e carregados com iogurtes, requeijão, manteiga... Trazíamos tudo sujo e lavávamos um por um; depois colocávamos na geladeira para podermos consumir bem geladinho. Delícia!
O requeijão vinha em copos de vidro e depois de vazios e lavados serviam como copos para tomar café, suco, água...Reciclar é preciso.
Até leite em pó nós trazíamos algumas vezes, mas o forte mesmo eram os iogurtes naturais, os requeijões, manteigas e os iogurtes tipo petit suisse, meus favoritos.
Chamávamos o iogurte petit suisse de Danoninho e ainda hoje chamamos. Adorava a embalagem com ondulações rosa e branca e nosso sabor favorito era o de morango. Nossa irmã caçula era pequena na época e só comia o sabor morango, não gostava dos outros sabores. Mas nós comíamos por ela. Para não estragar, claro! Evitamos o desperdício.
Levávamos iogurte na lancheira e nos exibíamos para nossos coleguinhas que diziam: "Nossa! Você é rico hein, trazer Danone de lanche!".
Na nossa época não havia tantas marcas e variedades de iogurte como há hoje e é por isso que a maioria das pessoas falam Danone em vez de iogurte.
Iogurte era produto caro e supérfluo para nós que só tínhamos o prazer e o luxo do iogurte quando mamãe recebia o vale e o pagamento nos benditos dias dez e vinte e cinco de cada mês.
Sabe que me deu vontade de comer um petit suisse? Não tenho aqui, mas posso fazê-lo. É assim:
1 pote de iogurte natural,
1 lata de creme de leite,
1 lata de leite condensado,
1 pacotinho de suco em pó sabor morango (ou outro sabor que desejar).
Mistura tudo no liquidificador, mas é melhor adicionar o suco aos poucos para não ficar muito doce, e despeja em vasilha e leva para gelar. Pronto.