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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Toalha plástica

                                            


Na lista de material escolar tinha um item que era meu sonho de consumo: a toalha plástica para cobrir nossa carteira na escola.
Cada professora pedia uma cor, mas os alunos que já tivessem a toalha do ano anterior poderiam usá-la sem problema.
Era um metro quadrado de plástico quadriculado nas cores amarela, azul, vermelho ou rosa; algumas cores eram lisas e em tons claros.
Algumas professoras adotavam a cor rosa, mas os meninos se recusavam a usar e o jeito foi adotar duas cores: rosa e azul.
Eu achava lindo olhar meus coleguinhas abrir as mochilas, tirar a toalha plástica, desdobrar e abrir sobre a mesa. Colocavam seus lápis, estojo, cadernos e livros sobre a mesa forrada com a toalha tão bonitinha. Eu gostava das amarelinhas.
Cobrir a mesa era hábito dos alunos até a quarta ou quinta série e depois dessas fases os alunos já se achavam grandes e maduros o bastante para usar a carteira sem toalha nenhuma, toalha era coisa de criança do primário, diziam eles.
É isso.


                                           





terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Cuscuz

                                          


Quando papai era solteiro morava com seu pai, meu avô José e com seus irmãos Genaro, Manoel e Severino.
Avô José era viúvo e papai e seus irmãos eram solteiros e não havia mulheres na casa. Tio Manoel era o cozinheiro oficial da residência que mais parecia o Clube do Bolinha.
Tio Manoel preparava o jantar e decide fazer um cuscuz e procura uma toalha de prato.
O cuscuz nordestino é diferente do cuscuz paulista. É feito com farinha de mandioca, fubá, sal e água. Umedece a mistura e a coloca em um prato e depois a envolve com um pano úmido e leva para cozinhar no vapor.
Tio Manoel havia preparado o cuscuz, só faltava encontrar um pano de prato. Não encontrou.
Tio Manoel pensou e teve uma ideia: pegou um de seus cuecões samba canção, umedeceu, envolveu o cuscuz e o colocou no vapor. O cuecão, segundo ele, estava limpo e era do tamanho perfeito para envolver o cuscuz.
E a quem interessar possa, não houve alteração na cor, cheiro, forma ou sabor do cuscuz que foi comido normalmente.