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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Relva

                                



Trânsito terrível, mesmo sendo só terça-feira.
Saí da clínica e desci a Chico Pontes; peguei a Curuçá lotada e a pista lateral da Via Dutra paradíssima. Tudo lento, parado, difícil.
Era aquele vai e para constante e os espertalhões fechando todo mundo e tentando enfiar seus possantes na frente para poder sair daquele caos. Inútil.
Tudo parado e paro para observar à minha volta. Faço muito isso e gosto muito de fazer isso.
Havia chovido e a relva estava fresca, viçosa, bonita. 
Pequenas flores silvestres, amarelas, bonitas.
Observo pequenos pontinhos amarelos em um frenético vai e vem no tronco de uma árvore; são formigas carregando pedaços das flores amarelas. Achei aquele espetáculo tão lindo.
Os outros motoristas e passageiros reclamando do trânsito caótico, da fumaça dos caminhões, da Via Dutra congestionada, dos carros tentando escapar pelas ruas próximas, da chuva que cai todos os dias... E eu ali observando a relva, as flores miúdas e amarelas, as formigas...
Pensei comigo: "Será que sou maluca, meu Deus? Será que tem gente que pensa e sente assim como eu? Se sou maluca, qual o grau da minha maluquez?"
As outras pessoas estressadas, apressadas, nervosas e doidas para chegar logo aos seus destinos e eu observando formigas, flores e relva.
É isso.


                                 




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Toalha plástica

                                            


Na lista de material escolar tinha um item que era meu sonho de consumo: a toalha plástica para cobrir nossa carteira na escola.
Cada professora pedia uma cor, mas os alunos que já tivessem a toalha do ano anterior poderiam usá-la sem problema.
Era um metro quadrado de plástico quadriculado nas cores amarela, azul, vermelho ou rosa; algumas cores eram lisas e em tons claros.
Algumas professoras adotavam a cor rosa, mas os meninos se recusavam a usar e o jeito foi adotar duas cores: rosa e azul.
Eu achava lindo olhar meus coleguinhas abrir as mochilas, tirar a toalha plástica, desdobrar e abrir sobre a mesa. Colocavam seus lápis, estojo, cadernos e livros sobre a mesa forrada com a toalha tão bonitinha. Eu gostava das amarelinhas.
Cobrir a mesa era hábito dos alunos até a quarta ou quinta série e depois dessas fases os alunos já se achavam grandes e maduros o bastante para usar a carteira sem toalha nenhuma, toalha era coisa de criança do primário, diziam eles.
É isso.