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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Acumuladores

                                   



Assisti ao programa "Acumuladores" do Animal Planet que traz histórias de pessoas que têm muitos animais em casa: cães, gatos, aves e até bichos nem tanto de estimação como ratos e repteis.
Meu irmão caçula diz que sou acumuladora e eu acho que não sou, claro. Tenho apenas dez gatos e conheço pessoas que têm até mais que eu! Dificilmente sei de pessoas que têm um gato só, geralmente são de dois ou três e mais.
Mas alguns fatores me chamaram a atenção nas histórias desses acumuladores: são pessoas solitárias, que se afastaram da família e amigos por se sentirem não amados, não queridos, não valorizados etc...que têm medo de serem magoados e se sentem mais seguros e queridos com animais.
Animais não julgam, nos amam pelo que somos, não se importam com nossa aparência etc...
Esses são alguns dos argumentos mais fortes usados pela grande maioria dos acumuladores e vejo que por trás dessas justificativas escondem-se sentimentos, mágoas, problemas não resolvidos e outras mazelas (emocionais/sociais/familiares...) que afetam a todos nós.
Cada um tem seu jeito próprio de lidar com problemas e ninguém tem o direito de julgar ou criticar; ninguém é perfeito e mesmo aqueles que se acham perfeitos também têm seus problemas. 
Outro fator marcante nas histórias dos acumuladores é que muito raramente alguém os visita e isso aumenta o sentimento de solidão, abandono, de não ser importante, mágoas...
Há casos extremos de acumuladores que se isolam do mundo e perdem a noção do tempo e do espaço e toda sua existência gira em torno de seus bichos de estimação. Nesse caso há a necessidade de tratamento psiquiátrico.
Todos os acumuladores mostrados no programa conversaram com psicólogos que os ajudaram a lidar com seus demônios internos e esses demônios não são coisas atuais, de pouco tempo atrás; são dores antigas que vêm se acumulando no decorrer do tempo e geralmente começam na infância.
Rejeição, auto aceitação, auto crítica, insegurança são alguns dos sentimentos que povoam a mente de alguém que não está bem consigo mesmo.
Não sou acumuladora. Tenho muitos gatos, mas não sou acumuladora. E, ao contrário deles, vivo batendo perna em busca de ração de boa qualidade e areia sanitária para a higiene de meus gatos. Ultrapasso o limite do cartão de crédito comprando ração, areia, medicamentos, consultas com veterinários etc... Às vezes pego dinheiro emprestado também e pago depois. Sou honesta.
Voltando aos sentimentos dos acumuladores...
Em grande parte me identifico com os sentimentos dos acumuladores e, sem querer bancar a vítima, digo o porquê.
Sou de pouquíssimos amigos e posso contar nos dedos de uma mão os amigos que tenho.
Sempre fui solitária por natureza e nunca gostei de muita muvuca, muito barulho, muito exagero etc...
Sim, gosto da companhia das pessoas, gosto das reuniões familiares, dos encontros com amigos, conhecidos e afins, gostos das festinhas, bingos, churrascos e uma boa bagunça, mas gosto de voltar para meu canto solitário quando chega a hora de ir embora.
Tem algo errado com isso? Acho que não.
Algumas muitas vezes, porém, sinto-me muito só e o peso da solidão me incomoda. Procuro alguém para conversar, penso para quem poderia ligar e não encontro muitas opções.
Às vezes eu queria falar apenas sobre amenidades, sobre a novela, sobre um acontecimento, sobre qualquer coisa; o que eu queria mesmo era falar com alguém, ser ouvida de verdade e não ser julgada ou criticada. Mas nem sempre isso é fácil ou possível.
As pessoas andam tão apressadas, ocupadas, impacientes e às vezes, sem querer querendo, acabam nos magoando ainda mais. Melhor deixar o telefone no gancho e falar com os gatos, as plantas, ouvir Rock, escrever, ler, cozinhar, encarar o trânsito caótico de São Paulo...
É madrugada. São três e meia da manhã e nada de o sono chegar. Estou na fase da insônia de novo, graças a Deus. Trabalhei o dia todo pela casa para me cansar bem e assim poder dormir de noite, mas não deu certo.
Hoje tenho muita coisa a fazer: pagar contas, separar o dinheiro para pagar a moça que vem fazer a limpeza, comprar mais ração, comprar meus remédios...
Faço a limpeza mais leve e a moça faz a parte pesada.
Eu acho que até abuso e faço demais para quem tem uma coluna podre e joelhos idem.
É isso.


                                        



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Boreal

Barriguinha cheia
Boreal
                           

Sábado passado escuto a cachorra do vizinho latir muito e quando ela para um pouco, ouço um miado fraquinho, amedrontado e que pedia ajuda.
A princípio pensei que a cachorra latia por causa da molecada que joga bola na rua e que o miado do gato vinha da casa do outro vizinho, que tem gatinhos. Ignorei.
Dali a pouco toca a campainha e é o vizinho dono da cachorra, que me chama enquanto segura um gatinho pequeno, magro, pele e osso, miando muito e em pânico. Tadinho.
Algum nojento, criminoso cruel e malvado largou o gatinho na calçada e atemorizado, o pobrezinho entrou na primeira garagem que viu. Entrou na garagem do vizinho e se escondeu atrás de umas caixas que ele deixa lá.
A cachorra ficou doida e latia muito. O vizinho resolveu verificar e encontrou o pobre felino encolhidinho num canto atrás das caixas.
Ele entregou-me o gatinho, que estava faminto; dei-lhe ração, água e leite e o bichano provou de tudo um pouco. Em menos de uma semana dobrou de peso e está lindo, forte e saudável, graças a Deus.
Dei-lhe o nome de Boreal, em homenagem à minha terrível Aurora. Ele se parece muito com ela, exceto pelas patinhas brancas, que o faz parecer que está usando meias e luvas.
Assistia ao programa ABC Felino do Canal Animal Planet e aprendi que minha Aurora é da raça Seringuete. Essa raça de gatos é muito inteligente, gosta de pular nas costas do dono e adora passear de carro, igualzinho minha felina terrível e favorita.
Dei ao novo felino o nome de Boreal em homenagem a Aurora.
Na Mitologia Romana, Aurora é a deusa do amanhecer e Bóreas é seu filho, o Vento Norte.
Boreal, lembra da Aurora Boreal?
Boreal é o oitavo felino a me adotar. Sei que pode ser exagero, mas o que eu deveria fazer? Largar o gatinho na rua?
Não. Nunca. Tem muita gente ruim nesse mundo véio marvado de meu Deus.
Não posso salvar todos os animais do planeta, mas salvo os que posso.
E sonho em um dia ter meu próprio abrigo para animais abandonados, maltratados e abusados pela pior espécie de animal que tem na Terra, o bicho Homem.
Quisera eu, meu Deus, que todos os bichos do mundo tivessem o cuidado, o respeito e o amor que eu tenho pelos meus. Amém.
Gente? Gente pode trabalhar, gente tem bolsa alguma coisa, gente pode se virar, bicho não.
É isso.


Charmoso
Ainda tímido
                                 

                               


sábado, 15 de setembro de 2012

Preta, Preta, Pretinha... Preta Maria

Preta Maria
                                            
Estamos no século XXI (21), o século da tecnologia, do conhecimento, do estreitamento das relações humanos, da aldeia global. Será?
Na Baixa Idade Média, século XIV (14), a peste bubônica dizimou um terço da população europeia; a peste bubônica é causada pela pulga de ratos.
A falta de higiene, muito comum à época, somada à ignorância e ao fanatismo religioso, isso na minha opinião, foram os principais causadores e espalhadores da peste pela Europa, explico. Os ratos procriavam e se espalhavam abundantemente pelo continente porque os gatos foram perseguidos e banidos pela população porque acreditavam que os felinos era animais diabólicos, principalmente os gatos pretos.
Sem os gatos, seus principais predadores, a rataiada fazia a festa e suas pulgas causaram a morte de milhares de pessoas. 
A infestação da peste negra ou bubônica dava-se mais rapidamente pelo fato de as pessoas lotarem as igrejas e rezarem pedindo perdão de seus pecados; a proximidade dos corpos era o facilitador da epidemia.
O nome Peste negra ou bubônica da-se porque surgem protuberâncias (bubos) azulados na pele.
Bom...
Falei sobre isso porque na noite de quinta-feira, quando eu ainda estava adoentada, escuto uma voz chamar: "Professora!". Olhei no relógio e já passava das vinte e duas horas; abri a janelinha da porta e vejo meu aluno segurando desajeitadamente um gatinho preto, pergunto o que houve e ele diz: "Esse gatinho apareceu no meu quintal e eu estou com medo dele porque ele é preto e tem cara de mau. Gato preto dá azar, não dá, professora?"
Abri a porta e fui ao encontro do meu aluno munida com potes de água e comida e disse a ele que o que dá azar são o preconceito, a ignorância e o medo infundado de coisas que não conhecemos e acreditamos só porque alguém disse. Animais não são maus, são criaturas inocentes que usam suas defesas para protegerem suas vidas e sua prole.
Enquanto conversávamos, o gatinho, que depois vi que era gatinha, devora o pote de ração. Deixei-a na garagem e preparei uma caminha fofa e confortável, coloquei mais ração e outro pote com leite.
Amanhece o dia o percebo que minha gata Branca Maria não dormiu em casa e nem apareceu para o café da manhã e está sumida desde então. Já fui de casa em casa e perguntei aos vizinhos se alguém tinha visto minha gata branca; um dos vizinhos me pergunta se tenho um gatinho pequeno para doar, pois sua esposa quer um bichinho para fazer-lhe companhia. Disse-lhe que tenho uma gatinha pequena, filhote ainda, e ele pergunta que cor que ela é, pois se ela for preta, a esposa não vai querer. Uma outra vizinha havia oferecido um cachorrinho preto, mas a esposa também recusou.
Eu disse: "O senhor me desculpe, mas isso é preconceito e ignorância. Bichos pretos não dão azar, pois se Deus criou todas as coisas, criou bichos pretos, brancos, amarelos...Isso é muita ignorância e preconceito bobo por parte de sua esposa".
Penso comigo: "Se o cabra está lascado a culpa é do gato preto?! Me pópi!, como diria papai".
Voltarei a oferecer a Preta Maria a quem quiser e não tiver preconceito, mas acho difícil que a aceitem.
Além disso, ela já se apegou a mim e hoje pela manhã eu a procurei e pensei que tivesse passado pela grade do portão e ido embora, mas não, a espertinha estava deitada confortavelmente em minha cama, para horror e ciúmes de Aurora e do resto da gataiada.
Continuei com meus afazeres e me senti mal, tomei o remédio da pressão e deite-me um pouco, estou cochilando e sinto uma coisa fofa ronronar, era Preta Maria encostada em mim e lançando olhares graciosos de cumplicidade.
Acho que ela quis agradecer pelo acolhimento, pelo alimento do corpo e da alma, por eu não ter preconceito besta, graças a Deus.
Meu Paipreto dizia e já falei aqui que Deus manda seus anjos ou alguém lá de cima disfarçado de bicho para ver como nós o tratamos.
Assisti a um programa no Animal Planet sobre um homem que mora há vinte e cinco anos no Alaska cercado por wolverines e não achei má ideia.
O bicho homem é tão complicado, tão tacanho e tão preconceituoso, minha Nossa Senhora! E isso porque é o animal racional e o ser superior! Superior em bestagem? Oxe!
Estou brutalmente cansada, fisicamente e emocionalmente. Estou cansada de parar o trânsito, o movimento, as pessoas e não por causa da minha estonteante beleza, mas sim por causa da minha aparência acromegálica.
Sou humana, demasiado humana.


Preta, Preta, Pretinha