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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Polêmica

                              

Falei aqui sobre o comercial de carro da Volkswagen que usa de crendice popular para dizer que gato preto dá azar. Gerou-se uma grande polêmica; polêmica essa que culminou com a retirada do comercial do ar. Ainda bem.
O diretor da agência de propaganda Fischer&Friends, Mario D'Andrea, responsável pelo comercial, disse que isso é um exagero e coisa de gente que não tem o que fazer. Discordo, digníssimo.
Não é exagero coisa nenhuma, é realidade!
Se não fosse uma coisa séria não haveria campanhas educativas em épocas de Semana Santa, Halloween etc,  pedindo que se evitasse a doação ou a compra de animais pretos, principalmente gatos.
Muita gente de má fé ou de determinados cultos religiosos usam esses animais para seus "trabalhos" e, com todo respeito, não gosto de ver ou saber que animais são maltratados.
Animais, assim como crianças, mulheres e idosos, não têm muito respeito em um país machista e preconceituoso como o nosso e por isso faz-se necessário a criação de leis que os protejam. 
Em muitos lugares ainda há o abuso contra animais, é tido como coisa corriqueira e normal, pois para quem faz isso, é apenas mais um bicho e só.
Não à toa, pessoas que vêm dessas localidades para cá, trazem consigo sua cultura de raiva e desrespeito aos animais, mulheres e crianças; uma cultura baseada em machismo, preconceito e ignorância.
É gritar por São Bento antes que a cobra morda, já dizia mamãe.
Mas quem morde aqui não é a cobra, é o bicho homem.
Bom, como eu disse ao meu vizinho que vem dessas localidades, odeia gatos e quer me processar: "Aqui em São Paulo tem leis. No lugar de onde você veio, mata-se qualquer um ou qualquer coisa e fica por isso mesmo, aqui não! E se eu souber de qualquer prática abusiva ou violenta contra animais, crianças, mulheres ou idosos, eu vou pra cima com os meios legais, claro.
Não posso sair por aí dando porrada, nem tenho condições físicas para isso, mas temos leis, graças a Deus.
É isso.

                                  


   Fischer & Friends, Mario D’Andrea,

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Encomenda

                                


Sempre compro frutas de um simpático senhor pernambucano. O conterrâneo é galego, gorducho, faiscantes olhos azuis, bochechas rosadas e corpinho de Papai Noel; lembra meu tio Erasmo, irmão de avó Mariana.
Não vi mais o vendedor de frutas e perguntei a um rapaz que me atendia e ele disse que o senhor pernambucano é pai dele e está descansando na Bahia.
Uma pessoa que estava comigo estranha o fato de um galego, alguém muito claro, ser nortista ou nordestino e eu disse que isso é preconceito e ignorância. Muita gente ignorante acredita no estereótipo de que no Sul do Brasil todo mundo é branco e no Norte/Nordeste todo mundo tem pele escura.
Não é assim não! Vejamos Ronaldinho Gaúcho e Daiane do Santos, são gaúchos e afrodescendentes.
Eu sou pernambucana, com muita honra e orgulho, e sou morena clara.
O povo anda tão "inguinórante", meu Deus.
Comprei coco verde e tomei a deliciosa e refrescante água ali mesmo enquanto falávamos sobre frutas, clima, calor e outras amenidades.
Defendemos nosso Nordeste na produção de frutas deliciosas, atribuímos o sabor e a doçura das frutas ao clima quente nordestino e a terra propícia. Naturalmente, puxamos a brasa para nossa sardinha.
O filho do conterrâneo é gorducho e moreno e reclamava do calor. Eu também detesto calor, passo mal, fico mole, aff!
O rapaz me diz que chegou jaca da Bahia e se vou querer; perguntei o preço e achei caro: "Oxe! Vinte conto por uma jaca?! Está caro demais, colega!"
"Mas tem jaca de 15 também".
"Quero não, ainda está cara"
"Mas está docinha, quer experimentar? Pronto! Lhe faço-lhe por doze reais, certo?"
Trouxe a jaca e já devorei metade.
É assim que trato as pessoas, com educação e respeito. Muitas vezes encontro alguém na rua que conversa comigo, pergunta sobre meus irmãos e meus sobrinhos mas quando a pessoa vai embora eu fico tentando lembrar de onde a conheço. Falo, converso mas não sei quem é. O importante é a educação.
Acho que vou para a segunda metade da jaca.
Delícia!

                                 


domingo, 30 de setembro de 2012

Corujas, Gatos Pretos, Lobos

                                   

Falei aqui sobre o preconceito e ignorância em relação a animais de cor preta, principalmente gatos. Mas não são apenas os felinos que sofrem com esse misticismo tolo e sem fundamento, outros animais também.
Havia levado Aurora à clínica veterinária para fazer ultrassom do aparelho urinário e enquanto a segurava, conversava com os veterinários. Falávamos sobre preconceito, ideias bobas, crendices e tolices afins em relação a determinados animais e um dos médicos disse que estagiava em uma cidadezinha do interior paulista onde havia muitas corujas-de-igreja; as pessoas da cidade diziam que quando coruja pia é sinal de que alguém vai morrer e que por isso mesmo deveriam ser destruídas. Quanta ignorância!
Todo dia morre alguém, é o ciclo da vida, e isso não é "culpa" de nenhum animal. Tenha santa paciência!
Outro animal que foi perseguido durante muito tempo é o lobo, tanto que teve que ser reintroduzido nos Estados Unidos.
O pior animal é o bicho homem. Bicho que destrói, mata, dizima e ainda cria histórias estapafúrdias para incriminar animais inocentes.
Que mal poderia nos fazer um bicho só por causa da cor de seu pelo ou de seu canto?!
O que faz muito mal é a ignorância aliada ao preconceito.
Gatos, corujas, lobos e outros animais são apenas animais e não têm o dom ou o poder de causar mal a quem quer que seja. Quem inventa, complica e estraga tudo é o pior dos animais na face da Terra: o Homem.
Estamos em pleno século XXI (21) e o povo ainda cai nessa esparrela. Oxe!
É isso.

Coruja-de-igreja
                                   

                              

sábado, 15 de setembro de 2012

Preta, Preta, Pretinha... Preta Maria

Preta Maria
                                            
Estamos no século XXI (21), o século da tecnologia, do conhecimento, do estreitamento das relações humanos, da aldeia global. Será?
Na Baixa Idade Média, século XIV (14), a peste bubônica dizimou um terço da população europeia; a peste bubônica é causada pela pulga de ratos.
A falta de higiene, muito comum à época, somada à ignorância e ao fanatismo religioso, isso na minha opinião, foram os principais causadores e espalhadores da peste pela Europa, explico. Os ratos procriavam e se espalhavam abundantemente pelo continente porque os gatos foram perseguidos e banidos pela população porque acreditavam que os felinos era animais diabólicos, principalmente os gatos pretos.
Sem os gatos, seus principais predadores, a rataiada fazia a festa e suas pulgas causaram a morte de milhares de pessoas. 
A infestação da peste negra ou bubônica dava-se mais rapidamente pelo fato de as pessoas lotarem as igrejas e rezarem pedindo perdão de seus pecados; a proximidade dos corpos era o facilitador da epidemia.
O nome Peste negra ou bubônica da-se porque surgem protuberâncias (bubos) azulados na pele.
Bom...
Falei sobre isso porque na noite de quinta-feira, quando eu ainda estava adoentada, escuto uma voz chamar: "Professora!". Olhei no relógio e já passava das vinte e duas horas; abri a janelinha da porta e vejo meu aluno segurando desajeitadamente um gatinho preto, pergunto o que houve e ele diz: "Esse gatinho apareceu no meu quintal e eu estou com medo dele porque ele é preto e tem cara de mau. Gato preto dá azar, não dá, professora?"
Abri a porta e fui ao encontro do meu aluno munida com potes de água e comida e disse a ele que o que dá azar são o preconceito, a ignorância e o medo infundado de coisas que não conhecemos e acreditamos só porque alguém disse. Animais não são maus, são criaturas inocentes que usam suas defesas para protegerem suas vidas e sua prole.
Enquanto conversávamos, o gatinho, que depois vi que era gatinha, devora o pote de ração. Deixei-a na garagem e preparei uma caminha fofa e confortável, coloquei mais ração e outro pote com leite.
Amanhece o dia o percebo que minha gata Branca Maria não dormiu em casa e nem apareceu para o café da manhã e está sumida desde então. Já fui de casa em casa e perguntei aos vizinhos se alguém tinha visto minha gata branca; um dos vizinhos me pergunta se tenho um gatinho pequeno para doar, pois sua esposa quer um bichinho para fazer-lhe companhia. Disse-lhe que tenho uma gatinha pequena, filhote ainda, e ele pergunta que cor que ela é, pois se ela for preta, a esposa não vai querer. Uma outra vizinha havia oferecido um cachorrinho preto, mas a esposa também recusou.
Eu disse: "O senhor me desculpe, mas isso é preconceito e ignorância. Bichos pretos não dão azar, pois se Deus criou todas as coisas, criou bichos pretos, brancos, amarelos...Isso é muita ignorância e preconceito bobo por parte de sua esposa".
Penso comigo: "Se o cabra está lascado a culpa é do gato preto?! Me pópi!, como diria papai".
Voltarei a oferecer a Preta Maria a quem quiser e não tiver preconceito, mas acho difícil que a aceitem.
Além disso, ela já se apegou a mim e hoje pela manhã eu a procurei e pensei que tivesse passado pela grade do portão e ido embora, mas não, a espertinha estava deitada confortavelmente em minha cama, para horror e ciúmes de Aurora e do resto da gataiada.
Continuei com meus afazeres e me senti mal, tomei o remédio da pressão e deite-me um pouco, estou cochilando e sinto uma coisa fofa ronronar, era Preta Maria encostada em mim e lançando olhares graciosos de cumplicidade.
Acho que ela quis agradecer pelo acolhimento, pelo alimento do corpo e da alma, por eu não ter preconceito besta, graças a Deus.
Meu Paipreto dizia e já falei aqui que Deus manda seus anjos ou alguém lá de cima disfarçado de bicho para ver como nós o tratamos.
Assisti a um programa no Animal Planet sobre um homem que mora há vinte e cinco anos no Alaska cercado por wolverines e não achei má ideia.
O bicho homem é tão complicado, tão tacanho e tão preconceituoso, minha Nossa Senhora! E isso porque é o animal racional e o ser superior! Superior em bestagem? Oxe!
Estou brutalmente cansada, fisicamente e emocionalmente. Estou cansada de parar o trânsito, o movimento, as pessoas e não por causa da minha estonteante beleza, mas sim por causa da minha aparência acromegálica.
Sou humana, demasiado humana.


Preta, Preta, Pretinha
                                                                                                
                                               


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Aparência

Somos julgados pela aparência.
Somos agradáveis se somos bonitinhos e causamos certo receio se não somos bonitinhos.
E não somos apenas nós, os seres humanos e animais racionais; a bicharada também sofre com o excesso de falta de beleza.
Por exemplo: Há oito anos peguei na calçada uma cachorrinha magrinha, fraquinha e com as patas traseiras deformadas. Eu estava regando as plantas de mamãe quando vi uma bela moça caminhar pela rua e deixar a cachorrinha na calçada. Chamei a moça e perguntei porque ela fez aquilo e a resposta foi: "Ah, esse cachorrinho é o mais fraquinho de toda a cria, é feio e é aleijado".
Perante motivos são sólidos e sórdidos, concordei com a bela representante feminina da raça humana bonita e perfeita e peguei a cachorrinha. Meu irmão Fubá adora cães e adorou a canina que a princípio recebeu o nome de Clóvis, pois eu achava que era macho. (confesso ter certa dificuldade em saber o que é macho ou fêmea nesse mundo atual e "mudérno").
Verificamos que Clóvis era fêmea e então recebeu o nome de Clotilde.
Clotilde recuperou-se, ficou gordinha e peluda e destruidora de plantas inocentes.
Hoje Clotilde está com oito anos e continua gorduxa, peluda e saudável. Corre com dificuldade, pois as perninhas curtas e atrofiadas não permitem correr longas distâncias por muito tempo. Para mim não importou nem um pouco a "feiúra e a imperfeição" de Clotilde, importou sim o seu agradecimento e o seu apego a mim. O balançar da cauda, o latido e a alegria ao me ver chegando em casa. Isso sim é belo e perfeito.
E eu...
Estou na Farmácia Alto Custo e aguardo minha senha ser chamada. Uma senhora senta-se ao meu lado e puxa conversa. Conta sua história, fala sobre seus netos, sua vida e seus inúmeros problemas de saúde. E eu só ouvindo...
Num dado momento, quando ela havia esgotado sua reserva de queixas e achaques, me pergunta: "Mas porque você está aqui? Que remédio você pega? Você pega remédio pra alguém? Você não precisa tomar remédio, né? Você parece uma pessoa saudável!".
As aparências enganam.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ACROMEGALIA

Doença do crescimento; desfigurante, desagradável. Brutaliza o rosto, as feições. Num homem as deformações não são tão assustadoras quanto numa mulher (na minha opinião). É difícil para uma mulher ter um rosto masculinizado e mais difícil ainda é ter de suportar os olhares das pessoas e seus comentários cruéis. Mas me pergunto se essas pessoas carregadas de preconceito são tão perfeitas assim.
A ignorância aliada ao preconceito é doença mais grave. Então, temos duas opções:
1ª - Deixar que o preconceito nos magoe e nos afaste daquilo e daqueles que gostamos; ou
2ª - Encarar a doença e o preconceito de cabeça erguida, afinal de contas somos doentes e não criminosos!
Crime maior é o descaso, a ignorância, a estupidez, o preconceito.
Não vou me trancar dentro de casa, me isolar do mundo só porque as pessoas me olham de modo estranho. Problema delas!
Saio às ruas, tenho que sair! Tenho que ir às consultas médicas, fazer exames, levar exames, comprar remédios...Minha vida e minha saúde são muito caras, raras e importantes.
Há raros casos de pessoas educadas que vêm até a mim e me perguntam sobre minha aparência.
Há casos numerosos de pessoas que me olham insistentemente e eu as pergunto se posso ajudá-las em algo. Ficam sem jeito e se afastam, outras negam que estivessem me encarando.
De qualquer forma procuro sempre me aproximar da pessoa de forma educada. A educação derruba as barreiras e desarma.
A educação é o melhor tratamento e remédio para a ignorância.
Bom... Essa primeira parte é só uma introdução, um começo. Aos poucos mais informações serão adicionadas.
Voltarei em breve.
Cicinho.
Sofreu preconceito por ser negro e desprovido de beleza física.
Mas Cicinho tomou a atitude correta: Mostrou a língua dizendo: "Olha como estou preocupado! Ignorante!"