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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

American Horror Story: Freak Show - Circo dos Horrores

                              


Assisti a dois episódios do seriado American Horror Story cujo tema era o Freak Show - Circo dos Horrores.
Já falei sobre o assunto aqui.
O seriado americano é bom e fala sobre histórias de horror da cultura daquele país. O que me incomoda são as fortes cenas de violência, morte, sangue, essas coisas.
As histórias passam-se nos anos cinquenta, quando ainda era muito comum a exibição de pessoas com deformidade física em circos, o Freak Show.
Pessoas baixas demais, altas demais, com membros deformados, com membros a mais, gêmeos siameses, mulher barbada etc...
As pessoas daquele tempo, nem os próprios "freaks -bizarros", entendiam que as deformidades eram causadas por alguma má formação genética e não por um castigo de Deus, ou porque a mãe teve desejos alimentícios não realizados durante a gravidez, ou porque alguém lançou algum feitiço e uma série de motivos estranhos.
A ganância desumana dos donos desses circos em ganhar dinheiro às custas do sofrimento humano. O preconceito que essas pessoas sofriam. O isolamento, a angústia, solidão, tristeza, dor.
Não concordo com o nome "circo dos horrores". Por que horror? Por que pessoas deformadas ou com alguma condição física que as torne diferentes seriam um horror?
Se recebo olhares de estranhamento e ouço comentários desagradáveis devido à minha aparência acromegálica, imagine essas pessoas naquela época!
As pessoas "perfeitas" se esquecem que os "imperfeitos" têm sentimentos também.
Não sei se hoje terá um novo episódio, mas se tiver, verei. O tema me atrai e, se vivesse naquela época, eu certamente seria personagem desse circo de horrores. Eu seria uma "freak - bizarra".
Em um desses circos tinha a exibição de uma acromegálica e o título da atração era: "A mulher mais feia do mundo". Ela ficava sentada em um banco no palco enquanto a plateia a observava e tecia comentários obviamente maldosos. Essa moça se casou e teve filhos, mas morreu ainda jovem devido às fortíssimas dores de cabeça causadas pelo tumor em seu cérebro.
A Acromegalia altera a aparência, entre outros males, e deixa o rosto mais bruto e nada atrativo. Desde que o mundo é mundo as pessoas têm que seguir certos padrões de beleza e quem não for pelo menos bonitinho, sofre.
E assim caminha a humanidade. Desde que o mundo é mundo.
É isso.


                                   

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Avacalhação.

                                  


Gosto de observar...
Estou há três semanas trabalhando na secretaria da escola e já observei, reparei, notei e me invoquei com muita coisa.
Tem me chamado a atenção a péssima educação dos alunos e mais jovens para com as pessoas, sejam elas seus pais, professores, alunos, funcionários etc...
"Por favor, com licença, desculpe, obrigado/a" caíram em desuso e são coisas raras de se ver/ouvir.
Já falei sobre isso aqui, mas os fatos ocorridos hoje me deixaram ainda mais perplexa; explico.
Aluna do Ensino Médio passa correndo pelo guichê, olha pela brecha da porta de saída e nos diz desesperadamente: "Quem tá lá fora? É o pai do fulano? Abre aí, abre aí, quero falar com ele! É o meu sogro!"
Não sei o que me assustou mais, o tom de voz agoniado e desesperado da moça ou a sua falta de educação e grosseria.
Lamento, mas você está na escola e aqui você é aluna! Resolva seus problemas pessoais na sua casa!
Não vou transcrever o que a aluna respondeu.
Ligamos para alguns pais e mães de alunos e os convocamos para virem à escola para conversar com a direção, coordenação, professores e/ou todos citados, mas a maioria dos progenitores se estressam, dizem que têm mais o que fazer e acreditam piamente que o/a filho/a é perseguido pelo/a professor/a.
Tadinhos.
Outra coisa que me chama a atenção é a avacalhação que está o Ensino e a Educação e em todos os aspectos. Não podemos atribuir falhas e/ou culpa em apenas uma personagem, pois todos são atores nesse circo de horrores que tem se tornado a Escola, o Ensino e a Educação.
Como já falei aqui, a escola recebe jornais, livros e revistas que são ignorados pelos professores; raramente alguém os lê e quando o faz, olham apenas o caderno com o horóscopo e tirinhas. A desculpa clássica é: Não tenho tempo pra ler.
Tá.
Devo ligar para alguns pais de alunos para que venham conversar com os professores; leio antes a ocorrência escrita pelos colegas para poder me inteirar do assunto e responder às possíveis perguntas iniciais e fiquei perplexa com o que li:
"As alunas saiu (saíram) da sala sem falar com o professor... A aluna não respeito (respeitou) o professor".
Um professor escrevendo assim, como se fala?!
Corrigi o texto antes de ligar.
Vivo falando e escrevendo sobre a destruição da Língua Portuguesa. Sim, destruição. O que estão fazendo com a bela língua latina é um crime!
Já me chamaram de radical, chata, implicante e outras coisas. Já falaram que eu fico com a cara enfiada em livros e por isso implico com quem fala "errado" etc...
Não tem falar errado, têm-se marcas de oralidade e devemos respeitar isso, mas deve-se pelo menos escrever de forma correta, e ainda mais para um professor. Não é ser radical demais, é?
Outra avacalhação que vejo muito, desculpem o termo, é a falta excessiva de professores; hoje mesmo faltaram 10 (dez) professores e os alunos do Ensino Médio foram dispensados mais cedo enquanto os do Ensino Fundamental ficam zanzando pelos corredores.
Ontem mesmo uma professora ligou dizendo que não iria à escola porque iria fazer exames e hoje a mesma dita cuja ligou dizendo que iria ao enterro de um parente.
Todos temos problemas e faltar uma vez ou outra no trabalho é normal, mas isso tem se tornado prática corriqueira nas escolas, e não só na minha.
Sou "véia", sou do tempo em que havia respeito, responsabilidade, comprometimento...
No meu tempo de escola nós rezávamos para que algum professor faltasse e assim teríamos aula vaga e iríamos para a quadra jogar vôlei, hoje vejo as inspetoras e coordenadores se descabelando e pedindo pelo amor de Deus para ligar para os professores eventuais e pedir que venham para a escola o mais rápido possível!
Está tudo largado, abandonado, ao Deus dará, um caos. Infelizmente.
É aquela coisa: quando sai-se de um regime ou sistema mais rigoroso e muda-se drasticamente para algo exatamente oposto, ocorre um deslumbramento e, por consequência, uma avacalhação. Fica-se perdido com o excesso repentino de liberdade e descomprometimento e isso não é bom.
Liberdade demais é prejudicial.
Rigor demais é prejudicial.
Tem que haver um equilíbrio ou a vaca vai pro brejo. Aí avacalhou geral.
É isso.


                                       



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Educação

                                             


Educação vem de berço, já diziam os antigos.
Os pais educam, ensinam a respeitar, a cumprimentar as pessoas quando estas vão visitá-los ou são visitadas.
Os pais ensinam os filhos as palavrinhas mágicas e básicas de uma boa educação: "Olá, Com licença, Desculpe, Obrigado/a, Tchau".
Li um artigo na revista Veja onde o autor relata a visita de uma mãe e seu pimpolho ao seu apartamento. O autor tinha um brinquedo de infância guardado na estante e que virou objeto de desejo do pimpolho mal educado.
O menino quis porque quis o brinquedo e a mãe, sem pedir licença e autorização, pegou e deu ao filhinho mimado e sem educação. Na hora de ir embora, o autor esperou que a mãe dissesse para o filho devolver o objeto, mas ela disse: "Quando o fulaninho pega uma coisa, não larga mais!".
Quem está errado, o filho ou a mãe? Quem dá o exemplo? Quem educa? Quem impõe limites?
Fui ao Carrefour da Vila Guilherme/Vila Maria e, pra variar, pouquíssimo caixas abertos, muitos caixas fechados e filas enormes. Só fui ao hipermercado porque estava mesmo na região e precisava comprar ração para meus gatos. A ração acabou e eles se recusaram a comer a ração baratinha que comprei para emergências como essa; ninguém quis comer e todos se uniram e fizeram greve de fome. Quem disse que os animais não têm inteligência?! Os meus são gênios!
Bom...
Estavam na minha frente na fila uma moça com sua filha de sete anos e uma bela moça de nome Renata. A menina me olha, cutuca a mãe, cochicha no ouvido e em seguida ambas se viram em minha direção e me olham demoradamente. Estou absurdamente acostumada com isso, mas igualmente cansada, invocada, de saco cheio mesmo!
Não sou membro de nenhum circo dos horrores (freak show), não sou tão estranha assim. Sou?
Essas pessoas que me devoram com o olhar faminto por defeitos e imperfeições não têm elas mesmas defeitos e imperfeições?!
Que saco!
Sou educada, mas hoje, por alguma razão que só Freud explica, decidi parar de fingir que não percebo os olhares que tanto me incomodam; disse à mãe da menina: "Se você e sua filha quiserem perguntar alguma coisa, perguntem. Ficar olhando não é educado".
A mãe não gostou: "Quem tá olhando? Eu?! Magina! E minha filha só tem sete anos, é uma criança!"
"Pois é, a educação começa cedo".
Não sou de barracos, confusões e afins e procuro me aproximar e falar de uma forma educada e respeitosa, mas as pessoas não pensam e não agem assim antes de me magoarem!
Conheço acromegálicos que se recusam a sair de casa, que ficaram depressivos e com síndrome do pânico. Eu respeito e entendo perfeitamente bem essas pessoas, não é fácil ser celebridade às avessas, ser observado com uma espécie rara de animal.
Eu fico muito triste muitas vezes, mas não vou deixar de sair de casa, resolver meus problemas só porque ignorantes julgam sem se preocupar em conhecer o problema dos outros.
Pânico tenho eu quando não consigo pagar minhas contas no dia do vencimento; os juros são de dar medo!
Pânico me causa a Sociedade consumista, egoísta, autocentrada, fútil e ostensiva que temos hoje. Gente cuja maior preocupação é o status, o exibicionismo, a arrogância e se achar melhor que o outro. São tão vazias.
Como diz o ditado: "Comem mortadela e arrotam caviar".
E eu não gosto de nenhum dos dois.


                                         

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Rotina

Saí de casa hoje cedo e fui à escola para levar alguns papéis e depois fui à casa do meu irmão Fubá.
Meu irmão tem um pequeno mercadinho e é um entra e sai de pessoas comprando de tudo um pouco, principalmente crianças atrás de doces e balas.
Conversava com Fubá quando entram no estabelecimento dois rapazes querendo comprar cigarros. Eles param, cochicham, olham para mim e continuam a cochichar. Ouvi o de sempre: "É mulher ou homem?".
Eles nem se preocuparam em disfarçar ou parecer elegantes; agiram como gentinha mesmo.
Alguns minutos depois vem uma garotinha para comprar balas, ela sai e volta dali a pouco acompanhada de um senhora que deveria ser sua avó. Ambas ficam na calçada a olhar e a apontar para mim e não precisa ser gênio para adivinhar sobre o que elas falavam.
Isso já virou rotina. Todo santo dia é a mesma coisa.
Acho que se eu vivesse na época do Freak Show/ Circo dos Horrores, acharia normal o comportamento das pessoas ditas normais, mas vivemos em pleno século XXI (21) e numa era de informação rápida e tecnologia cada vez mais moderna e mesmo assim as pessoas cultuam, alimentam, perpetram a ignorância, o preconceito e a intolerância.
Talvez eles não tenham espelhos e, se tivessem, viriam quão doentes são.