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domingo, 21 de abril de 2013

Natureza Humana

                              



Assistia ao programa Super Nanny no SBT, gosto de observar como os pais educam seus filhos no moderno e tecnológico século XXI (21).
O caso de hoje foi o de uma família de pais e quatro filhas, sendo três do primeiro casamento da mãe e uma do casamento atual.
A mãe mima e super protege a caçula, que aos dois anos já xinga a mãe de surda, boba, feia e desafia a autoridade do pai, que por sua vez é um mosca morta, boi sonso, devagar quase parando e sem participação ou autoridade nenhuma sobre as filhas.
Mas o que mais me chamou a atenção foi o comportamento psicopata da filha mais velha. A menina é cruel, perversa, cínica, dissimulada, manipuladora, provoca as irmãs, puxa o cabelo delas assim do nada, desliga a TV quando elas estão assistindo e muitas outras artes supostamente "normais e inocentes" para crianças da idade dela.
A menina foi ao guarda roupa de uma das irmãs, tirou a roupa que estava bem dobrada e levou para o outro quarto, a irmã reclamou e a mãe a mandou arrumar a gaveta e colocar a roupa de volta. A pequena psicopata negou o que fez e disse que a gaveta já estava bagunçada quando ela abriu. A mãe mandou mais uma vez que ela arrumasse, mas ela se negou e não foi de jeito nenhum e continuou mentindo.
A família estava na sala e de repente a psicopata puxa o cabelo da irmã que estava lendo um livro, a atacada reage, a mãe grita e o padrasto fica com cara de abestado.
O que me incomodou nessa menina, que ainda é uma criança, foi o seu olhar maquiavélico, frio, perverso e de quem estava se divertindo e tendo prazer em fazer o que fazia. Ela atacava as irmãs, a mãe ia ver o que estava acontecendo e a menina psicopata negava de pés juntos que não havia feito nada, enquanto sorria cinicamente e olhava com prazer as irmãs chorando e pedindo ajuda da mãe.
Outro detalhe que observei é que são todos gordinhos e as meninas já têm altas taxas de colesterol. A janta consiste basicamente de pizzas e esfihas, tanto as doces como as salgadas.
Haviam jantado e perto da meia noite a psicopata liga para a pizzaria e pede uma pizza doce, meia brigadeiro e meia MM. A pizzaria já havia encerrado as entregas. 

Bom, voltando aos psicopatas, dissimulados e caras de pau.
Conheço gente que é assim desde sempre.
Gente que mente, não assume o que faz, compara-se com outro quando é questionado sobre seus atos ilícitos, irrita-se quando é confrontado, não aceita críticas e jura por Deus e por tudo o que é mais sagrado que não foi ele/ela que fez aquilo.
Conheço gente que cresce o olho pra cima do que é do outro, finge amizade para conquistar o outro e tirar-lhe aquilo que não conseguiu ter. Isso vai de um objeto caro a um simples secador de cabelo.
Gente que não admite seus erros, que não aceita ouvir conselhos, críticas e opiniões, que acha que pode agir como bem entender e depois age naturalmente como se nada tivesse acontecido.
Gente que usa, manipula, mente, pega algo emprestado e não devolve, pega dinheiro emprestado ou compra algo no cartão de crédito do outro e nunca paga. Finge-se de morta, finge que esqueceu a dívida e quando é cobrada, arruma uma briga para romper com a amizade e assim não ter que pagar o que deve.
Mas o que mais irrita mesmo é a cara de pau e a dissimulação; é acabar de fazer uma coisa errada e jurar ali mesmo que não foi ele/ela que fez aquilo.
É ser falso, mentiroso, caloteiro, pegar o que não lhe pertence e ainda assim achar que o outro e todo mundo têm a obrigação de aceitá-lo como é e  perdoá-lo sempre por seus erros e atos ilícitos eternos. 
Conheço gente que pediu dinheiro emprestado porque o filho estava internado e precisaria fazer uma cirurgia urgente. Mentira, o filho estava bem, graças a Deus.
Gente que pediu dinheiro emprestado para comprar remédios para o pai que estava muito doente; detalhe, o pai estava falecido há mais de um ano.
Essa menina psicopata dará trabalho às irmãs e será capaz de cometer absurdos, irá culpá-las e no final jurar de pés juntos que é inocente.
Há duas correntes que tentam explicar a Natureza Humana, é a Natureza versus Criação (Nature versus Nurture). 
Para uns a pessoa já nasce boa ou má e para outros é a criação que ela recebe que a torna boa ou má.
Ambas as correntes respondem a algumas perguntas, mas nenhuma delas é a mais certa. 
Um bom debate sobre isso é quando usam a pobreza para justificar o fato de algumas pessoas tornarem-se bandidas, criminosas, trambiqueiras e afins. Discordo totalmente.
Pobreza não justifica e não é motivo ou desculpa para o cabra ser safado; tem muita gente que teve uma vida de dificuldades e nem por isso virou bandida.
Venho lá do Nordeste, fugindo com minha família de uma seca que assolava nosso Sertão. Chegamos a São Paulo e moramos em um barraco que fedia a sangue, por mais que mamãe e minha avó Mãevelha o mantivesse limpo. Esse barraco era usado como local de abate de porcos, cabras e ovelhas.
Não tive infância nem adolescência; responsabilidades de adulto foram deixadas em minhas mãos de criança: cuidar da casa e dos irmãos menores e aí de mim se algo não estive como deveria estar.
Passei por muita coisa e nem por isso tornei-me bandida, criminosa ou uma pessoa ruim.
Mas cada um, cada um. 
As pessoas são diferentes, têm valores diferentes e têm famílias diferentes.
Mas vivemos todos em Sociedade, não nos esqueçamos disso.
É isso.


                                     



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Idiota

                                           


Copiei, colei e publiquei aqui texto cuja autoria é atribuída a Arnaldo Jabor.
Achei o texto inteligente e interessante, se não o fosse, não o publicaria aqui no blog.
É muito comum pessoas escreverem algo e atribuí-lo a outra pessoa, principalmente se for uma pessoa pública, famosa, conhecida por sua inteligência e por suas críticas ao governo e à Sociedade do país.
Conforme texto escrito, também e supostamente por Arnaldo Jabor, há muitos idiotas que escrevem textos e os publicam como sendo de Arnaldo Jabor.
Bom, talvez eu tenha sido idiota também, pois copiei, colei e publiquei aqui neste blog um texto supostamente escrito por Jabor. 
Só publiquei porque gostei da crítica inteligente, sendo de Arnaldo Jabor ou não.
E por falar em idiota, eu ia comprar o livro "O Idiota" de Dostoiévski quando fui à Bienal do Livro, mas desisti ao ver a qualidade ruim da impressão. Parece que alguém pegou o texto e disse assim: "Tó, imprime aí, vai".
Não deve-se julgar um livro pela capa, e não julguei! A capa até que estava bonitinha, mas o interior do livro, não!
Até entendo ser questão de economia, de ecologicamente correto e blá, blá, blá, mas economizaram muito em qualidade e ficou um livro impresso de qualquer jeito, sem respeito às margens, com letras quase caindo para fora do livro, papel ruim e otras cositas mas.
Desconfio de livros muito baratinhos demais, desconfio que o texto seja integral, desconfio que seja algum resumo resumido de algum resumo. 
Bom, os livros vendidos naquelas máquinas do metrô são baratinhos e de boa qualidade.
Eu sempre comprava quando andava mais de metrô.
E por falar em metrô, quando o governo vai perceber que o transporte público de São Paulo está sobrecarregado? E quando chegar a Copa do Mundo e esse povo todo indo pra ZL para o estádio do Curinthia, mano? Vixe! Vai parar a Radial Leste!
E falando ainda sobre livros...
Gosto de comprar os livros vendidos nos catálogos da Avon, os preços são bons e a qualidade é boa; o problema é que já comprei e li todos os livros que me interessaram e o outro problema é que são poucos os títulos que me interessam, pois 99% dos livros são sobre temas que não me interessam.
Nem vou colocar aqui para não parecer intolerante e "inguinórante" demais.
Bom...
Vou fazer meu café forte e doce na medida, igual ao da minha avó Mãevelha.
Acho que vou fazer um pão de ló (bolo sem leite) com raspas de limão e laranja.
É isso.
Bom dia a todos.

                               


sábado, 11 de agosto de 2012

Limite

                                          

Há limite pra tudo, já diziam os antigos e dizem as pessoas bem educadas.
Mas parece que a Sociedade atual faz questão de ultrapassar todos os limites do bom senso, do bom gosto e da educação.
Consumismo, ostentação, exibicionismo e futilidade extremos.
Para onde caminha a Humanidade?
Que país é esse?
A Economia mais forte e o poder de consumo maior também. População das chamadas classes C, D e E tendo acesso a bens que outrora eram só possíveis aos bem nascidos.
Consumo, consumo e mais consumo.
Há uma corrida frenética para se adquirir bens, produtos e serviços. Muita coisa supérflua, das quais podemos muito bem viver sem.
E a Educação? Onde podemos encontrá-la? Vende-se? Vem junto com as TV gigantes, com os potentes aparelhos de som, com os celulares de última geração e com toda a parafernália eletro-eletrônica?
A falta de limite não fica apenas presa ao consumo de bens, produtos e serviços, encontra-se também nos programas de TV, nas músicas, nos shows de humor, os chamados Stand Up Comedy.
Já falei sobre o humor atual e o de antigamente.
Falei sobre Os Trapalhões, Chico Anysio e Jô Soares.
Os programas de humor apelam para o sexo, para o vulgar; usam mulheres seminuas para atrair a audiência.
Os humoristas fazem piadas grosseiras, humilham, ofendem e não se desculpam.
Há um limite sim, entre fazer piada e fazer ofensa a alguém.
Estamos habituados a piadas sobre portugueses, loiras, gays, nordestinos, judeus, e outros grupos sociais. Sobre animais também: papagaios, macacos, jumentos...
Eu particularmente sou péssima para contar piadas, gosto mais de ouvir.
Mas acho desagradável fazer piadas sobre pessoas que sofreram horrores nas mãos de algozes, como no caso do povo judeu.
Acho desagradável fazer piadas sobre pessoas que não são bonitas fisicamente, principalmente mulheres. Não sou uma mulher fisicamente bonita, e piadinhas assim me incomodam.
Agora me pergunto: E esses que fazem piadas sobre pessoas feias, gordas, defeituosas e com outras "imperfeições", são eles mesmos muitos lindos e perfeitos?
Assisti ao filme "O amor é cego -Shallow Hal" com o ator gordinho, baixinho e atrapalhado Jack Black. Fiquei intrigada com o fato de os atores do filme, o próprio Jack Black e seu amigo Jason Alexander não serem primores da beleza masculina e mesmo assim falarem mal de mulheres feias! 
Tenho a impressão de que a ideia e a imagem passadas é que as mulheres têm a obrigação de serem e estarem sempre bonitas mas os homens podem ser baixinhos, gordinhos, carecas e sem graça como os dois atores supra citados. Só porque são homens? Homem manda? Define? Mulher obedece? Concorda sem contestar?
Me marcou a cena em que os atores conversam sobre a namorada do Hal (Jack Black) e o amigo Maurício (Jason Alexander) a chama de hipopótamo! O cara não é nenhum Brad Pitt!
Na boa.
Semana passada tentei assistir a um programa de humor com um quadro de Stand Up Comedy. Muito ruim!
Piadas cheias de referências sexuais, preconceituosas, ridículas.
As pessoas riam e eu não entendia do que elas riam.
Será que estou ultrapassada? Será que estou ficando velha? 
Não sei.
Sei que sou do tempo em que piadas e shows de humor eram para nos fazer rir, hoje são para ofender, humilhar e extrapolar todos os limites.
É isso.

                                            


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Educação

                                             


Educação vem de berço, já diziam os antigos.
Os pais educam, ensinam a respeitar, a cumprimentar as pessoas quando estas vão visitá-los ou são visitadas.
Os pais ensinam os filhos as palavrinhas mágicas e básicas de uma boa educação: "Olá, Com licença, Desculpe, Obrigado/a, Tchau".
Li um artigo na revista Veja onde o autor relata a visita de uma mãe e seu pimpolho ao seu apartamento. O autor tinha um brinquedo de infância guardado na estante e que virou objeto de desejo do pimpolho mal educado.
O menino quis porque quis o brinquedo e a mãe, sem pedir licença e autorização, pegou e deu ao filhinho mimado e sem educação. Na hora de ir embora, o autor esperou que a mãe dissesse para o filho devolver o objeto, mas ela disse: "Quando o fulaninho pega uma coisa, não larga mais!".
Quem está errado, o filho ou a mãe? Quem dá o exemplo? Quem educa? Quem impõe limites?
Fui ao Carrefour da Vila Guilherme/Vila Maria e, pra variar, pouquíssimo caixas abertos, muitos caixas fechados e filas enormes. Só fui ao hipermercado porque estava mesmo na região e precisava comprar ração para meus gatos. A ração acabou e eles se recusaram a comer a ração baratinha que comprei para emergências como essa; ninguém quis comer e todos se uniram e fizeram greve de fome. Quem disse que os animais não têm inteligência?! Os meus são gênios!
Bom...
Estavam na minha frente na fila uma moça com sua filha de sete anos e uma bela moça de nome Renata. A menina me olha, cutuca a mãe, cochicha no ouvido e em seguida ambas se viram em minha direção e me olham demoradamente. Estou absurdamente acostumada com isso, mas igualmente cansada, invocada, de saco cheio mesmo!
Não sou membro de nenhum circo dos horrores (freak show), não sou tão estranha assim. Sou?
Essas pessoas que me devoram com o olhar faminto por defeitos e imperfeições não têm elas mesmas defeitos e imperfeições?!
Que saco!
Sou educada, mas hoje, por alguma razão que só Freud explica, decidi parar de fingir que não percebo os olhares que tanto me incomodam; disse à mãe da menina: "Se você e sua filha quiserem perguntar alguma coisa, perguntem. Ficar olhando não é educado".
A mãe não gostou: "Quem tá olhando? Eu?! Magina! E minha filha só tem sete anos, é uma criança!"
"Pois é, a educação começa cedo".
Não sou de barracos, confusões e afins e procuro me aproximar e falar de uma forma educada e respeitosa, mas as pessoas não pensam e não agem assim antes de me magoarem!
Conheço acromegálicos que se recusam a sair de casa, que ficaram depressivos e com síndrome do pânico. Eu respeito e entendo perfeitamente bem essas pessoas, não é fácil ser celebridade às avessas, ser observado com uma espécie rara de animal.
Eu fico muito triste muitas vezes, mas não vou deixar de sair de casa, resolver meus problemas só porque ignorantes julgam sem se preocupar em conhecer o problema dos outros.
Pânico tenho eu quando não consigo pagar minhas contas no dia do vencimento; os juros são de dar medo!
Pânico me causa a Sociedade consumista, egoísta, autocentrada, fútil e ostensiva que temos hoje. Gente cuja maior preocupação é o status, o exibicionismo, a arrogância e se achar melhor que o outro. São tão vazias.
Como diz o ditado: "Comem mortadela e arrotam caviar".
E eu não gosto de nenhum dos dois.


                                         

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Família

                                    




Assistia ao programa "Encontro com Fátima Bernardes" e me chamou a atenção uma matéria feita sobre família.
Foram entrevistados jovens e seus pais e falado sobre mesada, sobre filhos que já constituíram família mas que moram com seus pais.
Uma mãe estava em um shopping com o marido, o filho, a nora e o neto e todos moram na mesma casa. A mãe alegou: "Ele ainda não tem condições de se manter sozinho, por isso nós resolvemos ajudar e todos moramos juntos na mesma casa".
Bom, na minha humilde e "inguinórante" opinião, se esse rapaz teve condições de engravidar uma moça então deveria ter condições de assumir sua própria família!
Filhos não brotam em árvores, nós os fazemos.
Filhos não pedem para nascer e nem para serem feitos, nós os fazemos.
Penso assim: se não temos condições de nos manter, para que então trazer outra pessoa ao mundo? Para empurrar para os avós criarem? Conheço muitos casos assim.
Mamãe dizia: "Mateo que o pariu, Mateo que o balance"
Mas esse é um comportamento recorrente na sociedade atual; jovens fazendo filhos e deixando a responsabilidade para seus pais. 
Acho que já falei aqui, mas vejo muitas avós em porta de escolas para levar e buscar os netos enquanto os filhos e filhas trabalham, estudam, se divertem e agem como se seus filhos fossem apenas um acidente de percurso e obrigação e responsabilidade dos avós. E não duvido nada que em apenas alguns anos esses netos seguirão o exemplo dos pais e trarão bisnetos para os avós cuidarem!
Vida longa aos avós!


                                  

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Falta

                                     


Tive uma noite de insônia.
Para isso também tive a colaboração dos vizinhos, que à uma hora da manhã conversavam animadamente como se estivessem em um churrasco com pagode na lage.
Vivemos na Sociedade do barulho, da falta de educação, do "estou nem aí" pro outro.
Vivemos na Sociedade do culto ao corpo, ao belo, à forma. 
Somando-se tudo isso e temos pessoas sem noção e com muita falta de educação.
Sim...
Tive também a colaboração de Ébano, meu gato afrodescendente. Ele dorme o dia inteiro e à noite tem energia e disposição para brincar com os outros gatos.
Ébano brincava de perseguir a bolinha com guizo. O barulhinho o faz correr atrás. Já comprei uma meia dúzia de bolinhas com guizo e Seu Ébano quebra todas.
Levantei, andei pela casa, dei broncas em Ébano e disse que era hora de dormir. A bronca não era apenas para meu gato...
Volto para a cama e finalmente começo a cochilar. Sinto um peso fofo sobre meu peito e dois bracinhos em volta do meu pescoço. Ouço um ronronar discreto. Era Alice Maria, minha gata.
Ela sentiu minha melancolia e o abraço com o ronronar foram para dizer: "Você não está só. Eu estou aqui".
Sim, conheço gente que acha que não; bichos são apenas bichos e só. Eu discordo.
Acredito que todas as coisas são e estão interligadas; é um ciclo, um círculo. Um coisa termina para outra começar. Um coisa completa o que está a faltar na outra. A Vida, A Natureza são assim para mim.
Bom... Mas cada um cada um e eu respeito isso.
Hoje estou um tanto quanto carente e se eu jogasse futebol e o juiz me dissesse: "Você fez falta", acho que o abraçaria.


                                       

sábado, 29 de outubro de 2011

Tempos de Escola II (continua)

Antes, havia poucas e sérias faculdades e universidades e a formação dos professores era de boa qualidade; hoje há uma proliferação maciça de faculdades "Tabajara" que oferecem inúmeros cursos de qualidade duvidosa.
Antes os professores se dedicavam e se esmeravam para ser um profissional capaz e capacitado; hoje o que temos são alunos de todos os níveis escolares copiando, colando e imprimindo informações tiradas da Internet. Não se preocupam nem sequer em ler aquilo que acabaram de imprimir. É uma fartura de trabalhos escolares iguaizinhos, gêmeos idênticos.
Antes os professores formandos prestavam atenção nas aulas, respeitavam seus professores enquanto estes lecionavam; liam, produziam seus próprios textos, trabalhavam de verdade.
Hoje é um entra e sai da sala de aula, estando o professor presente ou não. As alunas estão mais preocupadas em combinar a cor da roupa com o sapato, a bolsa e a maquiagem. O corredor da faculdade mais parece uma passarela de moda. É um desrespeito tremendo.
Os alunos ficam mais tempo nos botecos em torno na faculdade do que em sala de aula e ainda pagam para aquele colega CDF fazer o trabalho para ele. Tem preguiça até para pesquisar o que precisa num site da Internet. 
Que profissionais serão esses no futuro? 
Aqueles que escrevem "trousse" em vez "trouxe"?
Aqueles que criticam os colegas que leem bastante e que querem aperfeiçoar a carreira?
Aqueles que dizem: "Estudar mais pra quê? Já estou formado/a mesmo?"
Já ouvi essa barbaridade inúmeras vezes.
E eu querendo tanto fazer um mestrado ou uma simples pós graduação mesmo, mas o excesso de falta de dinheiro não me permite. Ando numa dureza que não estou nem pagando promessa pro santo!
Vixe Maria.
Claro que há exceções. Claro que há gente boa, competente, dedicada e interessada em melhorar o ensino, a educação e assim saber entender e evitar a violência nas escolas e na sociedade.
Ainda bem.









segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Barulho, Educação & Maracujá

Tentava dormir e não conseguia. Levantei e preparei um suco de maracujá; com a fruta mesmo,não gosto muito de sucos químicos.
Enquanto aguardava o efeito calmante do maracujá, concluía a leitura de "Relato de um náufrago" de Gabriel Garcia Marquez.
O sono se aproxima e quando finalmente começo a enveredar pelo mundo diáfano dos sonhos, eis que chega o vizinho como o som ligado em altíssimo volume e tocando música de péssima qualidade. É aquele tipo de música monótona, chata, repetitva; ouviu uma ouviu todas.
Enquanto toca a música de gosto duvidoso, o vizinho conversa com algumas pessoas como se estivesse em uma reunião de família num domingo à tarde.
Era domingo, só que era 1 hora da manhã!
Vivemos na sociedade do barulho e da falta de educação. Lembro que há uns vinte anos não vivíamos com tanto barulho. Lá pelas 22hs só se ouvia o apito do guarda noturno. Era praxe, acabava o Fantástico e todos íamos para a cama. Nós e os vizinhos!
Hoje não. As pessoas perderam o bom senso, o respeito e a educação. Ligam seus aparelhos de som em qualquer lugar, qualquer hora, qualquer ocasião. Agradeço a boa vontade dessas pessoas barulhentas em dividir conosco seu gosto musical. Agradeço, mas é NÃO, OBRIGADA!
Outros vizinhos discutem de madrugada; brigam com os filhos, xingam, falam palavrões e no dia seguinte não têm o menor pudor em nos cumprimentar e agir como se nada tivesse acontecido. Cadê a vergonha?
Será que as pessoas perderam o medo e a vergonha de se expor ao rídiculo? Será que gostam mesmo de chamar a atenção? De se exibir?  Por quê?
Parece-me que a Sociedade desatou-se das amarras impostas pela religião, política, cultura etc... e não sabe o que fazer com o excesso de liberdade recém adquirida.
Liberdade demais, educação de menos. Mete-se os pés pelas mãos.
Parece que essa liberdade toda é uma forma de a sociedade dizer: "Problema seu!". Mas se vivemos em sociedade o problema é nosso, é de todos!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Palavras



Voltei do trabalho agora a pouco. Tento organizar a casa, deixar as coisas em ordem.
Não pretendia escrever hoje, mas algumas situações me fizeram mudar de ideia.
Uma vez li um texto no livro de Língua & Literatura do Ensino Médio que me marcou até hoje. Era um texto sobre o poder das palavras; o poder que elas têm de levar um homem ao deleite ou espicaçá-lo até a morte. Eu tinha 15 anos e esse texto ficou gravado na minha memória assim como as belíssimas letras de canções de Zé Ramalho e Djavan. Lembro-me de "...Eu entendo a noite como um oceano que banha de sombras o mundo de sol. Aurora que luta por um arrebol de cores vibrantes e ar soberano..."
Entrava na sala de aula e vi escrito na lousa esse trecho da canção Beira-Mar de Zé Ramalho e encantei-me.
Ouvi no rádio AM de papai a bela e poderosa canção Faltando um Pedaço de Djavan:
"O amor e a agonia cerraram fogo no espaço, o cio vence o cansaço e o coração de quem ama fica faltando um pedaço..." Essas belas palavras cantadas nas belas vozes de Djavan e Zé Ramalho me elevam ao deleite ainda hoje.
Temos cada vez menos cantores de verdade.
Sempre as palavras...
Sejam elas escritas, ditas, sugeridas, insinuadas. Sempre o poder destruidor ou deleitoso das palavras.
Li algo agora a pouco que me desconcertou.
Por que as pessoas insistem em viver presas a um mundo particular onde elas estão sempre certas e o restante da humanidade está errado? Elas são as vítimas e os outros são os vilões?! E aí de quem tentar mostrar um outro ponto de vista a essa pessoa!
Não creio que as pessoas façam o que fazem sem querer; creio que fazem de caso pensado. Tudo calculado, concebido, manipulado. É uma coisa maquiavélica, maniqueísta mesmo. Mas o que mais me incomoda é o fato de a pessoa ofender e magoar o outro e depois agir como se nada tivesse acontecido. Tudo bem? Tudo bem nada!
Mas de quem é a culpa? Da Sociedade, da educação?
Será mesmo, Jean-Jacques Rousseau que o homem nasce bom e a Sociedade o corrompe?
Mas e se continuar no erro mesmo sabendo que pode e dever mudar? E se optar por viver no mesmo mundo infantil e tacanho, onde todas as mazelas são culpa dos outros?
O desperdício de talento e inteligência; o comodismo, a preguiça desmedida. Meu Deus!
Bom...
Estava a caminho da escola e parei para um senhor passar. Ele puxava uma carroça e deveria estar procurando material reciclável. Atrás de mim para uma mulher nervosinha que buzinava para eu sair da frente. Não podia sair; esperava o senhor completar sua lenta caminhada. E além do mais essa criatura mal educada deve desconhecer a Lei do Trânsito que obriga motoristas a dar preferência aos pedestres.
Fiquei observando o idoso enquanto ele esperava uma chance para atravessar. Vinha carro de todos os lados.
Era um homem negro ou (afro-descendente, se assim o preferirem) que aparentava uns 70 anos. Roupa velha e puída. Nos pés um par de sandálias gastas, muito usadas. A boca sem dentes, os cabelos brancos.
Respirava com dificuldade, fazia um esforço grande para puxar aquela carroça que ainda não estava cheia.
O que mais me marcou em sua aparência frágil, envelhecida e sofrida foi o olhar. Um olhar melancólico de alguém que quer, precisa e merece descansar, mas que não o faz porque tem que trabalhar para no mínimo sustentar algum marmanjo crescido que não tem a mesma coragem e disposição para trabalhar. Vejo muitos casos assim: idosos trabalham para sustentar filhos e netos acomodados. Idosos que deveriam descansar após ter criado seus próprios filhos, mas que agora têm que criar os filhos dos filhos.
Mamãe dizia: "Mateo que o pariu, Mateo que o balance".
Não sou contra esse comportamento, sou contra o comodismo e a exploração de idosos que deveriam descansar e não trabalhar.
O comodismo e cara de pau de gente saudável que tem a coragem de usufruir de um salário mínimo de gente que trabalhou o máximo!
Meu Deus!
As palavras...
Falei com o médico hoje e ele pediu novamente, mais uma vez de novo a liberação para a cirurgia. Temos que aguardar. Mais palavras...

Preto Velho

 O senhor afro-descendente que vi puxando carroça lembrava um Preto Velho.
Trabalhador. Sofredor. Forte.
Que Deus abençoe a todos nós. Sejamos pretos ou brancos, velhos ou jovens. Amém