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domingo, 19 de julho de 2015

Moleque

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Mais um domingo que se vai e uma semana que começa. Não gosto de domingos.
Mas fez um belíssimo dia hoje. Ensolarado, quente, bonito.
Fui lá fora para colocar ração e água para os gatos de rua e já era aguardada ansiosamente pelo cachorro bobão e simpáticão do vizinho.
Tive dificuldade para subir a pequena elevação que separa a garagem da calçada, coisa pouca, mas que para mim corresponde a subir um morro.
Tinha um menino empinando pipa e eu pedi a ele que me ajudasse pegando o pote que caíra no chão; ele negou-se. Pedi ao malditozinho que chamasse a menina do vizinho e ele negou-se novamente dizendo que não sabia se ela estava em casa.
"Mas você acabou de falar com ela, que eu vi e ouvi! Oxe, menino, chame  agora, por favor!".
Com muita má vontade ele chamou a simpática moça, que veio me ajudar e ainda bateu um agradável papo comigo sobre cães e principalmente gatos, claro.
Fiquei depois pensando em como os tempos mudaram e a Educação vai de mal a pior. Foi-se o tempo em que um adulto pedia para um moleque, uma menina, qualquer criança, um simples favor de ir chamar alguém, de pegar alguma coisa caída no chão e coisas assim e tudo era simplesmente ouvido e atendido. 
Crianças pequenas de nove ou dez anos já com postura sexualizada, falando palavrões, respondendo, desrespeitando. Meninas usando maquiagem, se vestindo como pequenas piriguetes e sensualizando, como dizem.
Depois de cumpridas as obrigações rotineiras, fiz meu café e tomei com pão sovado, adoro esse pão. Uma hora depois, tomei suco de laranja com mamão.
Ando muito fraca, cansada e mole o tempo todo.
Minhas pernas tiveram uma piorada, na verdade é a coluna, e estão mais fracas e pesadas. Não consigo esticar a perna direita, a mais afetada, e ela mantem-se sempre dobrada.
Pelé fez uma cirurgia na coluna semelhante à que preciso fazer, só não colocou pinos e parafusos, acredito. Sentiu dores e dificuldade para andar e já foi operado. Pelé pode pagar um Albert Einstein, a pobre aqui nem um plano de saúde dos mais básicos pode; o jeito é esperar por uma vaga no Servidor.
Amanhã farei, finalmente, a ressonância magnética da coluna e permita Deus que a partir de agora tudo fique mais fácil, ou menos demorado.
Lá vou eu de novo comer arroz com legumes. Queria tanto uma coisinha com mais sustança.
É isso.


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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Criando cobrinhas

                                 


Parece que as pessoas resolvem botar filho no fundo por um modismo, por cobrança da família ou por quaisquer outros motivos, menos por instinto materno ou paterno.
Não educam esses filhos, não lhes dão exemplos, não lhes impõem limites e acabam criando cobrinhas que um dia se virarão contra seu criador.
As crianças não são tão inocentes e bobinhas como pensamos e sabem manipular os pais das mais diversas maneiras.
O menino do vizinho ainda não tem dois anos de idade, fará em março, mas já manipula os pais a fazer o que ele quer e para isso lança mão de suas poderosas cordas vocais. Ele grita por horas a fio; chora, grita e faz "ai, ai" como se estivesse sentindo dor. 
O grito estridente parece não afetar aos pais, que deixa o menino gritar à vontade. Isso dura um tempo enorme e eu preciso aumentar o volume da televisão para poder ouvir.
Crianças mal educadas que não cumprimentam ninguém e aí a falha é dos pais, claro. 
Crianças que se jogam no chão do supermercado e dão um show até convencer os pais a comprar/fazer o que eles querem.
Crianças que não respeitam os outros, que incomodam, que atrapalham a conversa dos adultos e mesmo assim os pais não tomam uma atitude.
Pais que deixam os filhos à vontade para explorar a casa dos outros, para bater nas outras crianças que estão no local, para pegar brinquedos ou objetos sem pedir licença ou por favor.
Quando, finalmente, o pai ou mãe resolve tomar uma atitude em relação ao comportamento do filho, o que se vê/ouve são frases "moles" demais e nada de autoridade e imposição de limites: "Não faz assim que a mamãe não gosta... Você quer apanhar?... Você não vai ganhar presente..." 
Viram as costas e largam a criaturinha atormentando os demais e ainda acreditam que o monólogo surtirá algum efeito.
Crianças que correm pela casa dos anfitriões, esbarram nas coisas e nas pessoas e correm o sério risco de cair e se machucar, mas os pais apenas dizem: "Você vai cair, fulaninho!".
Dá é vontade de bater nos pais!
Têm crianças que se viram sozinhas, explico. Pais e mães que não orientam os filhos a como tomar banho direitinho, escovar os dentes, se vestir, se portar à mesa, a falar com as outras pessoas, a usar a regrinha básica da boa educação: oi, olá, com licença, por favor, obrigado, desculpe.
Essas crianças são mal educadas não apenas por culpa própria, mas porque seus pais não se comunicam, não ensinam e não dão o exemplo. Como poderiam aprender se não têm o exemplo em casa?!
Antes de sair de casa mamãe nos alertava: "Vamos à casa de fulana e quando chegar lá finjam que são educados. Se me fizerem passar vergonha, o couro vai comer quando chegarmos em casa!"
Sou dessa época mais rigorosa e de mais respeito para com os outros. Mas hoje está tudo moderno demais, com liberdade demais e educação de menos.
Depois dizem que sou isso, aquilo...
Mas educação eu tive e tenho.
É isso.



                                        

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma estrada até o mar

                              


Fim de semana chatinho, sem ânimo e com dores. Legal.
As dores aumentam gradativamente e minha coluna dói como costumava doer antes da cirurgia de artrodese.
Fiquei um tempo bem, sem dores e sem entrevamento, mas pouco tempo depois as dores e o entrevamento voltaram lentamente e têm se intensificado.
Minhas mãos doeram muito e não consegui dormir direito; grande novidade.
Fiquei com uma vontade grande de ir ao hospital, falar com médicos, reiniciar os tratamentos e tirar uma necessária licença.
Se o povo da minha escola tira licença por motivos fúteis, por que eu não posso?
Não está fácil e decidi me preocupar comigo mesma; não estou concorrendo ao prêmio "Gregor Samsa" do século.
Se o apontamento dos erros e as sugestões dadas foram ignorados e as pessoas que têm algum poder de decisão nada fizeram, o jeito é entregar pra Jesus. Vou fazer o quê?!
As pessoas se habituaram a viver/trabalhar no erro e parecem não gostar quando alguém com outra visão tenta lhes mostrar o que não querem ver.
Não vou me desgastar mais. Se eu tivesse saúde boa insistiria mais, mas não dá.
Uma colega de trabalho disse algo interessante e verdadeiro: "Pessoas da antiga como nós são mais sérias e responsáveis e se incomodam com coisas erradas".
Só podemos nos incomodar, porque fazer algo de concreto é praticamente impossível: tudo é barrado pela falta de boa vontade.
Vou cuidar de mim. Não posso mudar as pessoas, mas eu faço minha parte: trabalho honestamente e trato as pessoas com educação e respeito, sejam elas uma simples faxineira ou um simples gestor.
A gente fica mais doente ainda e nada muda. Não é problema meu se faltam funcionários e os poucos que têm ainda fazem corpo mole; alguns.
Sou professora e deveria trabalhar na sala de leitura com os alunos, minhas paixões.
Lugar de professores não é na secretaria fazendo serviço burocrático, disse outra colega também insatisfeita.
Mas se acomodaram à situação e atitude nenhuma é tomada.
Vou cuidar de minha saúde e só posso lamentar se faltam funcionários. Vou me solidarizar com os pais simples e humildes que são tratados com impaciência e grosseria pelas outras distintas funcionárias.
Depois acham ruim quando 99.99% das pessoas reclamam dos funcionários públicos!
Parece que é um requisito obrigatório: para ser funcionário público tem quer grosseiro, estúpido, impaciente, mal educado e preguiçoso. Há raras exceções e eu sou uma delas, pois trabalho com todas minhas limitações e nem por isso desconto meus problemas nas pessoas que vão à escola para tratar da vida escolar sua ou de seus filhos.
Frustrações e decepções pesam e cansam e meu corpinho acromegálico já está exausto.
Minha vontade é dirigir por uma estrada até o mar.
É isso.


                                       

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Fios

                           



Ontem fez um calor infernal, 34º (trinta e quatro graus). Honestamente, odeio calor! E tudo piora quando ficamos presos no trânsito de São Paulo.
Dormi mal, como sempre, mas a péssima educação dos vizinhos colabora para tal.
Vizinhos que adoram conversar e falam pelos cotovelos até a uma hora da manhã. Muito legal para quem tem que levantar à cinco.
Vizinhos cujo filho de menos de dois anos já manda e desmanda. O menino faz o que quer, quando quer e como quer e a mãe, do outro cômodo, só grita: "Cauãaaaaaaaaaaaaaa!"
Tanto nome simples e bonito...
O menino aprendeu a ligar o aparelho de som e a aumentar o volume e nessa brincadeira temos que ouvir Patati Patatá, Balão Mágico, O Pintinho Piu uma dezena de vezes ao dia. Acaba, continua, acaba, continua...
Isso começa às sete da manhã, mesmo aos fins de semana, e vai até onze horas da noite, meia noite...
O pai acha graça e a mãe só grita. E nessa brincadeira inocente, o menino cresce com todas as regalias, sem limites e sem educação. Com o passar do tempo se tornará um adolescente folgado que manda os pais ou quem quer que seja a lugares nada educados; vejo isso na escola.
E falando em escola...
Estamos desde sexta-feira passada sem serviço de telefonia e Internet. Já chamamos os técnicos e ninguém conseguiu solucionar o problema, mas descobriram hoje que tudo foi causado por falta de cabos de conexão. Os "nóias" sobem no muro, apoiam-se na árvore e voilá. Nem pra levar um choque, malditos! Ainda tive que ouvir de uma pessoa sonsa, marcha lenta e acomodada: "Noooooooossa! Pra que tanto ódio no coração?"
Não é ódio é indignação. E também não é ela que terá que trabalhar que nem uma cavala para por em ordem todas as pendências quando a Internet voltar. O pior é que tem gente, tanto dentro como fora da escola, que acha que é má vontade nossa quando dizemos que estamos sem Internet.
Estou tão cansada, andei tanto ontem.
Tive que ir ao departamento de perícia médica e, como é de se esperar em São Paulo, não encontrei vaga perto e estacionei longe. Andei, parei, descansei e assim foi até concluir. As pernas fraquejaram e me apoiei no carrinho de vendedor de açaí. Comprei açaí com cupuaçu, para disfarçar. Gosto de frutas exóticas.
Um calor do cão para ajudar, um trânsito terrível...
Fui trabalhar meio a pulso e espero que amanhã já tenham resolvido pelo menos esse problema da conexão.
Nem vou falar do sinal, do terreno cheio de mato e rato, de gente folgada...
Cansei.
É isso.


                                   


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cara de Pau


                             
É bom mudarmos de posição para que possamos ver as coisas por outra perspectiva e assim podemos mudar de opinião.
Tenho trabalhado na Secretaria da escola e tenho visto muita coisa que considero errada: a excessiva falta de professores e o atraso também. Professores que chegam quando querem, nunca ou raramente chegam no horário e estão em sala de aula, assinam o ponto numa boa e assim caminha a humanidade.
Tem professora que toda semana enterra alguém. É tio que morre, é o tio de alguém, é sempre alguém. E ela, claro, precisa participar do velório e do enterro; prestar suas condolências. Imagino como devem ser as aulas dessa criatura. Qualidade zeeeeeeeeeeeeero!
Mas um fato que me chamou a atenção foi a cara de pau de certos professores que tiram licença por todo e qualquer motivo: pressão "um pouco" alta, resfriado comum, tristezinha básica que melhora com uma voltinha no Shopping.
Não estou desmerecendo àqueles que sofrem com a terrível depressão, uma doença grave e séria, mas é que tem gente muito cara de pau, infelizmente.
Um professora tirou nove ou dez dias de licença por estar com a pressão "um pouco alta". A minha vive nas nuvens e eu nunca tirei licença por isso.
A outra tirou licença porque estava "um pouco rouca" e com um resfriado comum. Se é uma gripe forte, vá lá, mas resfriado comum?!
Soube que a enferma viajou ao Rio de Janeiro para se recuperar da enfermidade que a afligia.
Acho que vou me recuperar da osteoartrite no meu amado Pernambuco.
Fico possessa quando sou pré julgada pelo médico perito que me faz perguntas em tom acusatório até se dar o trabalho de ler o laudo do meu médico e ver no sistema as informações a meu respeito.
Bom...
Tem muita coisa errada e isso só prejudica a Educação que está cada vez mais capenga.
Nunca tirei licença por estar com resfriadinho comum, nunca "matei e enterrei" ninguém, sempre procurei chegar no horário e, das vezes que tirei licença, foram por motivos bem sérios. A Acromegalia que o diga!
É isso.


                                



                                

terça-feira, 25 de março de 2014

Se...

                                     

Rebeldia, falta de educação, desrespeito, desinteresse, deboche, desafio...
São alguns termos e palavras que definem a Educação atual. Definem também alunos e até professores.
Já falei aqui sobre a falta excessiva de professores, têm dias que faltam dez professores de uma vez, e a escola fica um caos. Poucos funcionários para botar alguma ordem nos corredores lotados de alunos que correm, pulam, gritam, se provocam...
Salas dispensadas mais cedo. Três aulas consecutivas sem professores e os alunos sem ter o que fazer. 
Escola não oferece opções de atividades para alunos em aula vaga. Têm sim aulas de dança do ventre, violão, sabonete e outras na parte da manhã, mas o local onde são ministradas não oferece conforto e praticidade; são, na maioria, ministradas no pátio e com excesso de barulho, vai e vem de alunos, professores e funcionários.
A escola fica em um terreno grande, um quarteirão, mas o espaço é pessimamente aproveitado. Um grande terreno baldio, vazio e abandonado fica logo atrás da quadra e está tomado por mato e ratos. Mencionei o fato diversas vezes a várias pessoas e todos apenas lamentam e falam a língua do "SE": "Seria bom se nesse terreno fosse construída uma biblioteca, sala de informática, salão de jogos... Seria bom se o estacionamento fosse ampliado, se mais salas de aula fossem construídas..."
Se, se, se.
Soube que a própria comunidade se interessou pelo fato e ofereceu a compra do material de construção e a mão de obra, mas a oferta foi recusada porque seria ilegal e não estaria de acordo com os trâmites burocráticos governamentais. Seria preciso a visita e inspeção de um engenheiro civil, análises, cálculos, riscos, licitações, documentações, assinaturas, carimbos e tudo o que envolve a má vontade, a burocracia e a complicação para se conseguir algo.
Perguntei por que não enviam as sugestões para os órgãos competentes e assim ficaríamos sabendo, ou não, a posição deles, o que acham do projeto, por exemplo.
O terrenão está lá, cheio de mato que só cresce com as chuvas.
Quanto à possibilidade de ampliar o estacionamento, fui informada que isso não seria viável porque ficaria meio distante da entrada e atrairia a atenção de pessoas indevidas.
As aulas iniciaram em janeiro e até hoje o relógio do sinal está quebrado e temos que dá-lo manualmente, ou dedalmente, o que é mais correto.
Falei, questionei, pedi para que um novo relógio fosse comprado e sempre ouço o mesmo: "Tem que aguardar, já encomendamos, mas ainda não chegou"
Encomendaram de quem? De algum país distante?! Será que não encontraria esse bendito relógio em alguma loja de eletrônicos na Santa Ifigênia?!
Para tudo tem uma resposta pronta cheia de má vontade, preguiça, comodismo e até maldade, algumas vezes.
Às vezes sinto-me com um exército de um homem só.
É dar murro em ponta de faca, como dizia mamãe.
É isso.



                                   


                                     


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Caos e Futuro

                                      


Mais um dia de caos na escola. 
Mais um dia de falta de professores; mais um dia de alunos sem aula, saindo mais cedo e/ou zanzando pela escola e atormentando a pouca paz que pode-se ter com adolescentes barulhentos, agressivos, mal educados... A maioria, infelizmente.
São poucos inspetores e tem sempre aquele/a que faz corpo mole e sobrecarrega o outro.
Hoje uma inspetora não aguentou o stress contido e se debulhou em lágrimas; ela reclamava da situação caótica em que se encontra a escola, da falta excessiva de professores, da falta de apoio da direção e coordenação.
Um pai de aluno foi convocado para ir à escola para falar com o diretor, mas ao chegar encontrou pessoas que nada sabiam e com a clássica desculpa: "Não é comigo. Não convoquei pai nenhum. Não sei de nada". 
Fica fácil assim.
O pai pedira para sair do trabalho mais cedo só para ir à escola, mas teve que voltar para trás porque ninguém podia ou queria atendê-lo.
Basta ler o relatório escrito pelo professor e lá consta a situação do aluno! A partir dessas informações, qualquer mortal na face da Terra pode conversar com um pai de aluno, principalmente se for alguém que trabalha em uma escola!
Alunas dançando Funk em salas de aula sem professores. 
Alunos arremessando cadeiras e carteiras, chutando o cesto de lixo, brigando uns com os outros, correndo pelos corredores e escadas... Um caos.
A moça que trabalha comigo na secretaria sentiu-se insegura e com medo; tem toda razão.
Hoje pela manhã não havia ninguém da direção, apenas o coordenador que é um dos poucos que toma uma atitude, que fala, que age e que trabalha.
A outra parte da coordenação passeia pela escola, enrola, está sempre "ocupada" e fica bravíssima se a interrompemos para perguntar alguma coisa, tirar uma dúvida etc... É cada coice! Passeia pra lá e pra cá segurando e comendo um maldito sanduíche que nunca termina.
Cada um com suas manias mas não consigo comer de pé, andando etc... Tenho que me sentar à mesa e fazer as refeições, por mais simples e rápidas que sejam. E depois de comer aí sim volto ao trabalho ou ao que estava fazendo.
Alunos que não ouvem. Ou se ouvem, não escutam, não assimilam o que foi dito; não pensam.
Pouco antes das nove horas da manhã desce um grupo de alunas fogosas e mal educadas e perguntam se a "moça do uniforme" vem hoje; dissemos que a partir das onze horas e ouvimos a pergunta: "Então ela já ta aí?"
A partir das onze horas, agora são nove horas!
Dali há alguns minutos as mesmas criaturas retornam com a mesma pergunta e depois mais umas duas ou três vezes. Isso tudo é só para sair da sala e dar uma rolê pela escola, ninguém está de fato preocupado com o raio do uniforme.
Outro detalhe curioso é que vem um grupo e seu séquito junto para fazer uma simples pergunta.
Ontem deixei na última gaveta da mesa uma pasta com lápis, borracha e canetas, material que usamos para trabalhar, e hoje quando cheguei a pasta estava vazia! 
Deixei um recado na gaveta dizendo que pode usar o material, mas que o devolva e o coloque no exato local onde o encontrou.
Tem muita gente fútil, convencida, cheia de si, mesquinha... não só na escola, mas no mundo todo.
O respeito está cada vez mais indo por água abaixo e foi-se o tempo em que diretor, coordenador, professor eram símbolos de sabedoria e educação e eram respeitados.
Foi-se o tempo em que pedia-se por favor um documento ou uma informação na secretaria da escola.
Foi-se o tempo em que estudar significava estudar mesmo!
Está difícil ver a vida melhor no futuro, principalmente a Educação.
É isso.


                                       

Avacalhação.

                                  


Gosto de observar...
Estou há três semanas trabalhando na secretaria da escola e já observei, reparei, notei e me invoquei com muita coisa.
Tem me chamado a atenção a péssima educação dos alunos e mais jovens para com as pessoas, sejam elas seus pais, professores, alunos, funcionários etc...
"Por favor, com licença, desculpe, obrigado/a" caíram em desuso e são coisas raras de se ver/ouvir.
Já falei sobre isso aqui, mas os fatos ocorridos hoje me deixaram ainda mais perplexa; explico.
Aluna do Ensino Médio passa correndo pelo guichê, olha pela brecha da porta de saída e nos diz desesperadamente: "Quem tá lá fora? É o pai do fulano? Abre aí, abre aí, quero falar com ele! É o meu sogro!"
Não sei o que me assustou mais, o tom de voz agoniado e desesperado da moça ou a sua falta de educação e grosseria.
Lamento, mas você está na escola e aqui você é aluna! Resolva seus problemas pessoais na sua casa!
Não vou transcrever o que a aluna respondeu.
Ligamos para alguns pais e mães de alunos e os convocamos para virem à escola para conversar com a direção, coordenação, professores e/ou todos citados, mas a maioria dos progenitores se estressam, dizem que têm mais o que fazer e acreditam piamente que o/a filho/a é perseguido pelo/a professor/a.
Tadinhos.
Outra coisa que me chama a atenção é a avacalhação que está o Ensino e a Educação e em todos os aspectos. Não podemos atribuir falhas e/ou culpa em apenas uma personagem, pois todos são atores nesse circo de horrores que tem se tornado a Escola, o Ensino e a Educação.
Como já falei aqui, a escola recebe jornais, livros e revistas que são ignorados pelos professores; raramente alguém os lê e quando o faz, olham apenas o caderno com o horóscopo e tirinhas. A desculpa clássica é: Não tenho tempo pra ler.
Tá.
Devo ligar para alguns pais de alunos para que venham conversar com os professores; leio antes a ocorrência escrita pelos colegas para poder me inteirar do assunto e responder às possíveis perguntas iniciais e fiquei perplexa com o que li:
"As alunas saiu (saíram) da sala sem falar com o professor... A aluna não respeito (respeitou) o professor".
Um professor escrevendo assim, como se fala?!
Corrigi o texto antes de ligar.
Vivo falando e escrevendo sobre a destruição da Língua Portuguesa. Sim, destruição. O que estão fazendo com a bela língua latina é um crime!
Já me chamaram de radical, chata, implicante e outras coisas. Já falaram que eu fico com a cara enfiada em livros e por isso implico com quem fala "errado" etc...
Não tem falar errado, têm-se marcas de oralidade e devemos respeitar isso, mas deve-se pelo menos escrever de forma correta, e ainda mais para um professor. Não é ser radical demais, é?
Outra avacalhação que vejo muito, desculpem o termo, é a falta excessiva de professores; hoje mesmo faltaram 10 (dez) professores e os alunos do Ensino Médio foram dispensados mais cedo enquanto os do Ensino Fundamental ficam zanzando pelos corredores.
Ontem mesmo uma professora ligou dizendo que não iria à escola porque iria fazer exames e hoje a mesma dita cuja ligou dizendo que iria ao enterro de um parente.
Todos temos problemas e faltar uma vez ou outra no trabalho é normal, mas isso tem se tornado prática corriqueira nas escolas, e não só na minha.
Sou "véia", sou do tempo em que havia respeito, responsabilidade, comprometimento...
No meu tempo de escola nós rezávamos para que algum professor faltasse e assim teríamos aula vaga e iríamos para a quadra jogar vôlei, hoje vejo as inspetoras e coordenadores se descabelando e pedindo pelo amor de Deus para ligar para os professores eventuais e pedir que venham para a escola o mais rápido possível!
Está tudo largado, abandonado, ao Deus dará, um caos. Infelizmente.
É aquela coisa: quando sai-se de um regime ou sistema mais rigoroso e muda-se drasticamente para algo exatamente oposto, ocorre um deslumbramento e, por consequência, uma avacalhação. Fica-se perdido com o excesso repentino de liberdade e descomprometimento e isso não é bom.
Liberdade demais é prejudicial.
Rigor demais é prejudicial.
Tem que haver um equilíbrio ou a vaca vai pro brejo. Aí avacalhou geral.
É isso.


                                       



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Postura

                                       


Terceira semana na secretaria e estou melhor adaptada. Ligações, fichas cadastrais, guichê etc...
Hoje foi um dia cheio, bastante movimentado e, como sempre, objeto de minhas análises e observações. Não só o dia de hoje, mas todo o período que tenho trabalhado na secretaria e na escola como um todo.
Já falei/escrevi sobre os temas Educação e comportamento dos alunos, crianças e pessoas em geral.
Sempre comparo a minha época escolar com a época atual e, infelizmente, a má educação impera na grande maioria das vezes.
A cada dez minutos desce um/a aluno/a pedindo para ligar para a mãe vir buscá-lo/a e a desculpa para tal é que está com dor de cabeça. A criatura faz cara de sofrimento, dor e agonia e mereceria ganhar um Oscar de melhor atriz/ator. 
Ligado para a mãe, pai ou responsável, o "pobre" aluno enfermo passeia pela escola, ri e brinca com os colegas até a hora de ir embora. A saúde volta como mágica.
Atendo a duas alunas e pergunto o que querem e ouço: "Nóis qué coisá o negóço do SPTrans (vale transporte)".
Acho que vou rasgar meu "diproma".
Além do ataque à pobre e inculta Língua Portuguesa, esses alunos e alunas ignoram, desconhecem ou pouco se importam com a boa educação, o respeito e uma postura correta ao lidar com as pessoas, principalmente professores, funcionários da secretaria, inspetores etc...
Chegam ao guichê já demandando o que querem; não usam "por favor, com licença, obrigado" e agem como se fossem seres superiores e estivessem nos agraciando com suas ilustres presenças.
O modo como falam conosco e chegam até nós é muito diferente do modo educado, respeitoso e até temeroso que tínhamos no meu tempo de escola.
"O tia, vem aqui. Ah, você tá demorando muito! Depois eu venho".
"O tia, liga pra minha mãe vim me buscar... Já ligou?"
Outro aluno assoviou para chamar a nossa atenção. Estávamos todas entretidas com nossos afazeres e não percebemos a doce criatura debruçada sobre o guichê, ele simplesmente assobiou!
Como é que é?! Liga pra minha mãe.
Como é que é?!
Por favor.
Ah, bom!
Falei com a diretora sobre esse oba-oba de aluno ir à secretaria e pedir para ligar para a mãe. Se não sentem-se bem, que fiquem em casa e /ou vão ao médico com a digníssima mãe, mas ficar enchendo nossa paciência com futilidades, falta de educação e arrogância não dá!.
As aulas iniciaram dia 27/01, vinte e sete de janeiro, e na quarta-feira foi entregue o Kit escolar: cadernos, caderno de desenho, lápis, borracha, apontador, régua, caneta etc... Uma semana após a entrega a aluna me pede uma caneta vermelha e eu pergunto pelo material/kit escolar dela e a resposta foi um dar de ombros e um muxoxo seguido de um "Ah!"
No dia da entrega do tal kit a diretora percebeu que "chovia" pedaços/cotocos de lápis e ao verificar, flagrou alunos quebrando seus lápis e jogando ou pela janela ou uns nos outros. Lindo isso.
Já falei o que penso sobre esse passar de mão na cabeça de gente folgada, acomodada e que se faz de vítima para garantir a ajuda perene de um governo paternalista e, em troca, o governo ganha votos e se mantem no poder.
É...
Pretendia falar/escrever mais, mas o calor associado à pressão alta está me deixando mole e com tonturas.
Boa noite a todos.



                                       



                                            


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Molecão

                                     


Um jovem rapaz, um molecão com cara de nerd, de cabelos compridos, vestido com camiseta dos Ramones, me cumprimenta e sobe para a sala dos professores.
Quem é esse moço?
É o professor de Química.
Moleque novo, no bom sentido. Achei isso muito bacana, uma raridade nos dias de hoje.
Subi para a sala dos professores e lá soube um pouco mais sobre o jovem colega.
Falamos sobre a Educação, o comportamento do jovens, o apego exagerado à ostentação, aparência, exibicionismo, futilidades...
O jovem colega foi aprovado entre os cinco primeiros em um concurso público para professores de uma cidade do interior paulista e se mudará para lá a partir do segundo semestre.
Ele poderia ter optado por escolas na capital, mas preferiu deixar a cidade para viver onde ainda haja sossego, paz e respeito pelos outros. Não quer criar a filha pequena em um meio ambiente barulhento, desrespeitoso, ruim e por isso optou pela mudança.
Um rapaz tão jovem e tão adulto, maduro, sábio... E os jovens de hoje estão tão bobos, tolos, fúteis... (a maioria, infelizmente).
Disse que está cansado de ouvir músicas horrorosas de duplo sentido, e/ou recheadas de palavrões, que os vizinhos tocam sem o menor pudor ou sem se preocupar se estão incomodando os outros. Sei muito bem como é isso.
Reclamou do alto custo que é viver em São Paulo, uma das cidades mais caras do mundo.
Conversamos sobre vários assuntos.
Essa primeira semana de volta ao trabalho tem sido de muita conversa e eu gosto disso.
Desço as escadas para falar com a diretora e vejo o oposto do jovem professor: jovens bobos, vestidos e calçados em roupas e sapatos da moda e extremamente preocupados em serem vistos. Famosinhos, exibidinhos, tolinhos. 
Jovens andando pelas ruas da comunidade, segurando e dando tragos no narguilé; acham aquilo bonito e se sentem mais velhos, sábios e experientes.
Mas que bom que ainda têm "molecões e moleconas" como o jovem professor. Nerds, CDFs... Jovens inteligentes, estudiosos e que se preocupam com a vida e com o futuro.
E, claro, já foi cientificamente comprovado: roqueiros são mais inteligentes.
É isso.