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sábado, 15 de dezembro de 2012

A Serra do Rola-Moça


                                              

Serra do Rola-Moça - Mário de Andrade


A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...               

Eles eram do outro lado,

Vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo.



Antes que chegasse a noite,
Se lembraram de voltar.
Disseram adeus para todos
E puseram-se de novo
Pelos atalhos da serra
Cada qual no seu cavalo.
Os dois estavam felizes,
Na altura tudo era paz.



Pelos caminhos estreitos, 
Ele na frente ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.
A serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não,
As tribus rubras da tarde
Rapidamente fugiam
E apressadas se escondiam
Lá embaixo nos socavões
Temendo a noite que vinha.



Porém os dois continuavam
Cada qual no seu cavalo,
E riam. Como eles riam!
E os rios também casavam
Com as risadas dos cascalhos
Que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam
Buscando o despenhadeiro.



Ah, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
Precipitados no abismo
Nem o baque se escutou.



Faz um silêncio de morte.
Na altura tudo era paz...
Chicoteando o seu cavalo,
No vão do despenhadeiro.
O noivo se despenhou.



E a serra da Rola-Moça

Rola-Moça se chamou

Livros Didáticos

                                




Eu adorava ir para a escola; adorava arrumar meu material escolar antes de sair de casa e quando chegava na sala de aula, colocava tudo sobre minha carteira. Tudo arrumadinho e bonitinho.

Nunca tive todo o material escolar, papai só comprava o básico do básico e mamãe era mais condescendente, graças a Deus.
Cobria minha carteira com a toalha plástica e colocava sobre ela meu caderno, lápis e borracha. Meu sonho era ter um estojo duplo cheio com os mais coloridos e diversos lápis de cor, canetas pretas, azuis, verdes e vermelhas, lápis preto, borracha bicolor, régua... Era tudo tão lindo!
Adorava quando chegavam nossos livros didáticos; os encapava com o maior cuidado, escrevia meu nome, número e série. Até hoje tenho meus livros de Ciências e História da sétima e oitava série; estão bem conservados e não os vendo, dou ou troco. De jeito maneira jeito qualidade.
Os livros de Língua Portuguesa tinham ilustrações feitas pelo Ziraldo e a capa de um deles era o Menino Maluquinho. 
Amava os textos, lia todos. Devorava os livros e quando a professora finalmente iria para aquela parte do livro, eu já tinha lido tudo!
Têm textos que lembro até hoje e adoro. Já mencionei o "Pombo Enigmático" de Paulo Mendes Campos, "O Penteado", trecho do livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis.
Um texto que adorei e que até hoje viaja na minha imaginação é "A Serra do Rola Moça" de Mário de Andrade. Fiquei tão triste ao saber que os noivos haviam caído ladeira abaixo. Tadinhos. E os pobres cavalos então?
Esses textos e livros todos foram usados, trabalhados, lidos e adorados durante o ensino fundamental. Imagina hoje se um aluno sabe quem raios é Paulo Mendes Campos, Mário de Andrade ou Machado de Assis?! Devem achar que são cantores de funk, pagode ou sertanejo ou que são novas famosidades. Na boa, os alunos de hoje da escola pública deixam muito a desejar; a grande maioria, infelizmente. E fica aquele empurra-empurra de jogo de culpa. O Estado é culpado, a Escola é culpada, os pais são culpados, os alunos são culpados, os professores são culpados...
Em vez de apontar o dedo por que não buscam soluções coerentes?
É crescente, frustrante e me entristece muito os rumos que a escola e a educação estão tomando.
É cada por si e o mundo contra todos.


Ziraldo e seu Menino Maluquinho