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domingo, 29 de dezembro de 2013

Capitu

                                 




Amo Literatura. Amo livros. Amo ler.
Amo a cena do "penteado" entre Capitu e Bentinho no livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis.
Li e reli o livro, li e reli a cena e ainda é mistério o que o autor quis dizer com "olhos de cigana oblíqua e dissimulada".
Acordo todas as manhãs com Branca e Alice deitadas ao meu lado, Ébano Nêgo Lindo aos meus pés, Léo Caramelo do outro lado da cama e os pequenos correndo pela casa, derrubando coisas, quebrando outras...
Passo minhas mãos nos pelos fofos, macios e sedosos de Branca e Alice e esta joga a cabeça para trás, toda lânguida, toda meiga e me olha com seus olhos cinzentos e melancólicos. 
Isso fez me lembrar da cena do penteado e Alice pareceu-me tão dengosa, charmosa e manipuladora, assim como Capitu.
Fiquei um bom tempo assim: na calma, na paz e na tranquilidade que encontro nos meus gatos. Ouvi os sons da rua, o jornal sendo jogado pelo entregador, bebês chorando, pessoas conversando... 
O dia começa.
É isso.



                                      
Alice, minha Capitu.



sábado, 15 de dezembro de 2012

Livros Didáticos

                                




Eu adorava ir para a escola; adorava arrumar meu material escolar antes de sair de casa e quando chegava na sala de aula, colocava tudo sobre minha carteira. Tudo arrumadinho e bonitinho.

Nunca tive todo o material escolar, papai só comprava o básico do básico e mamãe era mais condescendente, graças a Deus.
Cobria minha carteira com a toalha plástica e colocava sobre ela meu caderno, lápis e borracha. Meu sonho era ter um estojo duplo cheio com os mais coloridos e diversos lápis de cor, canetas pretas, azuis, verdes e vermelhas, lápis preto, borracha bicolor, régua... Era tudo tão lindo!
Adorava quando chegavam nossos livros didáticos; os encapava com o maior cuidado, escrevia meu nome, número e série. Até hoje tenho meus livros de Ciências e História da sétima e oitava série; estão bem conservados e não os vendo, dou ou troco. De jeito maneira jeito qualidade.
Os livros de Língua Portuguesa tinham ilustrações feitas pelo Ziraldo e a capa de um deles era o Menino Maluquinho. 
Amava os textos, lia todos. Devorava os livros e quando a professora finalmente iria para aquela parte do livro, eu já tinha lido tudo!
Têm textos que lembro até hoje e adoro. Já mencionei o "Pombo Enigmático" de Paulo Mendes Campos, "O Penteado", trecho do livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis.
Um texto que adorei e que até hoje viaja na minha imaginação é "A Serra do Rola Moça" de Mário de Andrade. Fiquei tão triste ao saber que os noivos haviam caído ladeira abaixo. Tadinhos. E os pobres cavalos então?
Esses textos e livros todos foram usados, trabalhados, lidos e adorados durante o ensino fundamental. Imagina hoje se um aluno sabe quem raios é Paulo Mendes Campos, Mário de Andrade ou Machado de Assis?! Devem achar que são cantores de funk, pagode ou sertanejo ou que são novas famosidades. Na boa, os alunos de hoje da escola pública deixam muito a desejar; a grande maioria, infelizmente. E fica aquele empurra-empurra de jogo de culpa. O Estado é culpado, a Escola é culpada, os pais são culpados, os alunos são culpados, os professores são culpados...
Em vez de apontar o dedo por que não buscam soluções coerentes?
É crescente, frustrante e me entristece muito os rumos que a escola e a educação estão tomando.
É cada por si e o mundo contra todos.


Ziraldo e seu Menino Maluquinho
                              
                                  

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

As moças e os rapazes de antigamente

                                      

Lia "Antigamente", poema de Carlos Drummond de Andrade.
Pensei comigo: "Como as coisas e as pessoas estão tão diferentes!".
Antigamente as moças andavam vestidas e o sonho dos rapazes era poder ver o tornozelo das donzelas quando elas levantavam as saias para subir escadas, entrar no carro ou dar pulinhos para evitar poças d'água.
Mostrar o braço era coisa rara e sinônimo de sedução, como no conto "A Missa do Galo" de Machado de Assis.
Hoje as moças mostram os braços, os tornozelos, a bunda, os peitos e tudo com muita personalidade! Tem que ter personalidade, é o lema atual. 
Antigamente sabia-se quem era moça solteira e quem era mulher casada, hoje está difícil saber a idade da mulherada, pois meninas impúberes vestem-se e comportam-se como mulheres e as mulheres vestem-se e comportam-se como meninas.
Assistia ao "Café Filosófico" da TV Cultura e o convidado do dia, não me lembro quem, disse algo sobre o fato de mulheres de quarenta anos se parecerem com moças de vinte anos.
Ótimo programa.
Via fotografias de São Paulo antiga e era encantadora a moda da época; homens de terno e chapéu. O jeans ainda não fazia parte do nosso vestuário.
Hoje os rapazes usam calças cujos fundilhos batem nos joelhos e o cós não fica na cintura, mas no meio da bunda. Somos obrigados a ver cofrinhos peludos e nada atraentes.
Os bolsos das calças são enormes e começam no cós e vão até quase perto das pernas, isso sem contar as malditas e horrendas calças saruel, que parecem que a pessoa usa fraldas e lembram muito os pijamas (mijões) antigos.
Bonés, tênis coloridíssimos e enormes, relógios de pulso que parecem o relógio do Faustão, correntes de fechar portão e prender pit bull são usadas no pescoço como adereço.
Isso é moda?
E os cabelos então?
São cabelos milimetricamente desarrumados. Cabelos arrepiados que parecem que o cabra ou viu fantasma ou enfiou o dedo na tomada.
Essa moda é muito difundida entre os novos artistas e cantores da atualidade: cabelos arrepiados e roupas justíssimas do tipo "mamãe tô forte".
Essas roupas tão justas não prendem a circulação? Não incomodam? Acho estranho, fica parecendo um frango vestido, sabe? Começa fininho na parte de baixo e vai alargando. 
Eu hein!
A mim incomoda só de ver!
Eu nunca vi um frango vestido, mas que parece, parece.
Acho que estou ficando velha e vendo a inocência e um certo romantismo darem lugar à malícia, à pressa, ao exibicionismo e competição.
Eu gostava mais dos tempos de antigamente.