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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Até quando?



                            


Mais um dentista morto após ser queimado por marginais só porque ele não tinha dinheiro.
Mais um "de menor" que dirige o carro da mamãe, atropela e mata um inocente que voltava ou ia para o trabalho. 
Já virou rotina atropelar as pessoas, arrancar-lhes membros, andar alguns metros com elas presas ao carro, jogar fora seus membros arrancados, abandonar os corpos em qualquer lugar.
O absurdo maior foi a coragem monstruosa de despir a vítima já falecida e levar-lhe o dinheiro.
Em que espécie de monstros estamos nos transformando?
Um conhecido comentou: "Lá em casa ninguém nunca tem dinheiro e estou com medo. Se forem nos assaltar, vão colocar fogo na gente". Deus nos livre a todos.
Vejo na TV as reportagens e alguns criticam e dizem que a polícia não faz nada. Mas aí fica um paradoxo: Se a polícia age, a polícia é bruta, os policiais são afastados, julgados. Se a polícia não age, é porque a polícia não faz nada.
Cada vez mais o crime cresce e a impunidade aumenta e é exatamente essa matemática perversa que nos mantêm presos em nossa própria casa e os criminosos livres, leves e soltos para cometer suas atrocidades.
Matar virou coisa comum, rotineira. Mata-se por um celular, por uns trocados, por nada. 
Filho playboy de milionário atropela e mata com seu carrão super potente um pobre que andava de bicicleta.
Bandido pega o carro da mãe, um modelo Audi, assalta e queima dentista.
Bandido "de menor" pega o carro da mãe, atropela e mata garçom que voltava do trabalho.
Quando criminosos serão tratados como criminosos e pagarão por crimes, sendo esses monstros maiores ou menores de idade?
Até quando os defensores bonzinhos continuarão a defender essas criaturas maléficas?
Aí dizem: "Mas tem que investir mais em educação. A culpa é da escola, é do governo, é do sistema, é do Papai Noel".
A escola onde trabalho ficou dois dias sem telefone e serviço de Internet; como?
Os adoráveis alunos destruíram a caixa com cabos, fios e conexões. Outros arrebentam a tomada, puxam os fios para fora e ao sair a faísca, comemoram juntos com os outros tolos que observam.
A escola liga para os pais e lá vão alguns. Uma mãe diz que não pode fazer mais nada e que está mais preocupada em cuidar do corpo e de tirar sua carta de motorista.
Que pai é mãe são esses que são incapazes de cuidar de suas próprias crias?!
Voltávamos pela Marginal Tietê e dois carros passam entre os outros, mudam de faixa sem sinalizar ou reduzir a velocidade; isso vai dar m..., dizemos.
Um rapaz jovem e bonito perseguia o outro motorista que dirigia um carro popular. Não pensaram nas consequências que essa briguinha boba poderia trazer.
Lembro que Ziraldo falou durante a Bienal do Livro, que os jovens de hoje são burros. Muitos criticaram o que ele disse e disseram que Ziraldo é velho e ultrapassado, pois os jovens de hoje já nascem sabendo usar computadores, tablets e afins.
Mas inteligência não é só saber mexer em um computador; o que fazem com a informação que surge a cada segundo? Usam para alguma coisa? Aprendem alguma coisa com ela?
Essa é  diferença.
É isso.


                                     
                                   

sábado, 15 de dezembro de 2012

Livros Didáticos

                                




Eu adorava ir para a escola; adorava arrumar meu material escolar antes de sair de casa e quando chegava na sala de aula, colocava tudo sobre minha carteira. Tudo arrumadinho e bonitinho.

Nunca tive todo o material escolar, papai só comprava o básico do básico e mamãe era mais condescendente, graças a Deus.
Cobria minha carteira com a toalha plástica e colocava sobre ela meu caderno, lápis e borracha. Meu sonho era ter um estojo duplo cheio com os mais coloridos e diversos lápis de cor, canetas pretas, azuis, verdes e vermelhas, lápis preto, borracha bicolor, régua... Era tudo tão lindo!
Adorava quando chegavam nossos livros didáticos; os encapava com o maior cuidado, escrevia meu nome, número e série. Até hoje tenho meus livros de Ciências e História da sétima e oitava série; estão bem conservados e não os vendo, dou ou troco. De jeito maneira jeito qualidade.
Os livros de Língua Portuguesa tinham ilustrações feitas pelo Ziraldo e a capa de um deles era o Menino Maluquinho. 
Amava os textos, lia todos. Devorava os livros e quando a professora finalmente iria para aquela parte do livro, eu já tinha lido tudo!
Têm textos que lembro até hoje e adoro. Já mencionei o "Pombo Enigmático" de Paulo Mendes Campos, "O Penteado", trecho do livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis.
Um texto que adorei e que até hoje viaja na minha imaginação é "A Serra do Rola Moça" de Mário de Andrade. Fiquei tão triste ao saber que os noivos haviam caído ladeira abaixo. Tadinhos. E os pobres cavalos então?
Esses textos e livros todos foram usados, trabalhados, lidos e adorados durante o ensino fundamental. Imagina hoje se um aluno sabe quem raios é Paulo Mendes Campos, Mário de Andrade ou Machado de Assis?! Devem achar que são cantores de funk, pagode ou sertanejo ou que são novas famosidades. Na boa, os alunos de hoje da escola pública deixam muito a desejar; a grande maioria, infelizmente. E fica aquele empurra-empurra de jogo de culpa. O Estado é culpado, a Escola é culpada, os pais são culpados, os alunos são culpados, os professores são culpados...
Em vez de apontar o dedo por que não buscam soluções coerentes?
É crescente, frustrante e me entristece muito os rumos que a escola e a educação estão tomando.
É cada por si e o mundo contra todos.


Ziraldo e seu Menino Maluquinho