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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cinza e Rosa

                                 



Estou tão cansada.
Escreverei mais amanhã; vou para a cama com a gataiada.
As pernas pesavam e formigavam, o joelho direito estava duro e era como se minhas pernas não obedecessem.
Tontura, o velho conhecido "soco" na nuca...
Tive dificuldade para me levantar daquelas cadeiras do banco, que estava lotado, e ninguém ofereceu ajuda.
Caminhei cambaleante até o estacionamento e me joguei dentro do carro. Disse ao senhorzinho do local que ele poderia cobrar os minutos a mais que eu ficasse ali, eu não estava bem e precisava descansar um pouco antes de sair.
Vi belíssimas paineiras carregadas de flores róseas a enfeitar seus galhos e o chão à volta. O dia estava cinza, chuvoso e frio e o rosa das paineiras contrastavam com todo aquele cinza. 
Cheguei em casa e agradeci a Deus; cheguei bem.
Tomei mais uma dose dos anti hipertensivos e me deitei no sofá; acordei agora a pouco e não vi nenhum dos programas que costumo ver.
Vou para a cama agora, ainda estou meio zonza.
Amanhã será outro dia e será melhor.
Amem.


                                

terça-feira, 1 de julho de 2014

Framboesa

                              



Um dos meus maiores sonhos, se não o maior, é o de ter um espaço grande que desse para construir uma casa simples, porém confortável, um quintal grande para plantar flores, frutas e outras plantas e uma parte para abrigar animais desamparados.
Simples assim. 
Não sonho nem desejo "buniteza", realeza, magreza, ostentação e futilidades afins. Todos meus sonhos e desejos têm a ver com saúde, paz, bem estar, sossego e as coisas que eu mais gosto nesse mundo de meu Deus: animais, plantas e livros.
Simples, creio eu.
Queria poder caminhar entre canteiros de flores coloridas, flores do campo frescas e bonitas. Colher grandes ramalhetes e espalhá-los pela casa em vasos bonitos.
Melancolia besta.

                                

Canteiros - Fagner                      




Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Cedo, claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem
Me faz sentir alegria
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração


                                                                    

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Hibisco

                                




Tarde belíssima.
Sempre gostei da tarde e há um que de solidão, saudade e melancolia, mesmo que seja ensolarada, dourada e bela, como a de hoje.
Sinto como se tivesse outras pessoas sentindo e percebendo o mesmo. Outros seres solitários e melancólicos em outras dimensões e espaço-tempo apreciando tardes bonitas...
Reguei as plantas, varri as folhas secas e observei as cores do meu jardim: rosinha, amarelo, lilás, vermelho, verde... Muito verde.
Meu hibisco está cheio de botões a se abrir e a se transformar em uma exuberante flor vermelha, mas os gatos tiram os botões e os fazem de bola, brincando e os jogando para todos os lados.
Gatos danadinhos.
Deitei agora a pouco no sofá e Ébano Nêgo Lindo deitou comigo. Ele adora se aconchegar em mim e apoiar sua patinha fofa e peluda em minhas mãos.
Dormi mal a noite, para variar. Joelho direito dói muito. 
Ando meio cansada e sem muito ânimo.
Molecada barulhenta, falante, mal educada... A vizinha botou o bebê para dormir e mandou a molecada calar a boca! Taí, gostei; um pouco de um bem vindo sossego nessas paragens tão barulhentas.
Vontade de tomar um mingau de aveia ou amaranto com leite de coco.
Começa a esfriar...
É isso.



                                 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Galinha Pintadinha

                              




Recesso escolar antecipado devido à Copa do Mundo.
Época de pipas nos céus, molecada de cara pra cima, carros no chão e motoristas a buzinar e a gritar: "Sai da rua, moleque!".
Abertura da Copa bonitinha, mas ordinária. Muito insossa, repetitiva, sem muita graça.
Mas o pior mesmo foi o trio parada dura de engolir: Claudia Leite, Jeniffer Lopes e o cantorzinho vira lata com alcunha de Pit Bull.
Três branquelos sem graça que, ainda por cima, não cantaram, dublaram.
Se dizem latinos. 
Bom...
Temos artistas bons, que somam talento à brasilidade e latinidade natas, não precisava chamar dois gringos sem graça para fingir que cantavam e fingir que estavam animados ao lado de Claudia Leite, que, com seu maiô azul, mais parecia a Galinha Pintadinha. Na boa.
Não gosto das músicas de Ivete Sangalo e Gaby Amarantos, mas ambas sabem cantar e tem a tal da brasilidade e latinidade morenas que tanto representam esse país mestiço. Mas parece que insistem em um branqueamento do país, haja vista o casal de galegos que participou do sorteio dos times da Copa, Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert. 
Bom...
Fizemos um bolão, apostei 3x2, mas foi 3x1 no Brasil x Croácia.
Torcemos, comemos e bebemos. Tomei guaraná e água de coco.
Eu não estava muito bem, as dores articulares e os movimentos reduzidos e dolorosos roubam meu dia, e noite também.
Tomei café com queijadinha, receita que peguei com o professor coordenador do Ensino Médio.
A princípio fiquei com medo de não dar certo, pois a massa fica bem líquida, mas ficou bonito e gostoso.
Reguei as plantas. Besouros e borboletas sobrevoando minhas pequenas flores e a gataiada doida para pegá-los.
Como dizem os alunos: "Vou ficar de boa hoje".
É isso.





Queijadinha
                                     


terça-feira, 29 de abril de 2014

Pedido

                              




Tarde belíssima. 
Vento frio, céu azul...
Dores no corpo, principalmente no local da queda. Caí duas vezes em apenas oito ou nove dias.
Gosto do frio, mas sofro com as dores nas articulações, principalmente joelhos e coluna.
Tomei remédio e me deitei no sofá para assistir TV e acordei duas horas depois com a gataiada ao meu redor; tinham frio e fome, eles e eu.
Alimentei, coloquei a ração nova que eles gostam e dei a ração menos apreciada para os cachorrinhos da rua. Coloquei água também.
Basta virar na esquina que a cachorrada vêm ao meu encontro e mesmo eu estando no carro. Acho que eles sentem o meu cheiro e/ou o cheiro do possante cheio de pelos dos gatos, caquinha dos passarinhos e flores vermelhas a mim presenteadas pelas plantas e árvores que ficam no estacionamento da escola.
Gosto de passar pela "Marginalzinha" da Via Dutra e cumprimentar a belíssima paineira de flores róseas. Reduzo a marcha, passo em frente à querida árvore e a pedido dela os ventos me trazem flores róseas e formosas.
Sou normal, apenas sei ver, ouvir, apreciar e respeitar as coisas da Mãe Natureza.
Se eu pudesse fazer um pedido e se tivesse a certeza de que esse pedido seria atendido, eu pediria saúde.
Que não houvesse sofrimento, dor, angústia.
Que não houvesse doença nenhuma. Nenhuma!
Queria ter saúde, mais saúde.
Estou até que bem, mas têm dias que são bem difíceis.
Deus, dai-me força e saúde para seguir em frente.
Seguirei.
Tenho vidas inocentes, fofas, peludas e lindas que dependem de mim.
A vida é assim.
É isso.


                             

                                 


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Agradecer

                           


Bati os quatro cantos do mundo, como diria mamãe. Mas, na verdade, bati só uns dois cantos e amanhã baterei mais.
Não está fácil dirigir e limito-me em ir à escola, à casa da minha irmã Rosi e a cumprir as obrigações de quem vive em Sociedade e é responsável por seus atos, seu sustento, sua vida: aluguel, supermercado, carro, gatos...
É o nem tão bom e velho joelho direito.
É a coluna "bichada", parafusada, fraca, dolorida.
Bom...
Dirigindo por uma São Paulo caótica, apressada, séria e às vezes cinzenta, vejo verde, rosa, amarelo, branco e outras cores.
Paineiras com suas flores róseas, jacarandás e ipês...
E, o que me chamou a atenção foi um dupla bela e harmoniosa lutando para sobreviver e sobressair em meio ao asfalto e cimento paulistano: um girassol e um pé de milho. Lindos!
Passo todos os dias pelo mesmo caminho só para vê-los viçosos, fortes e lindos. 
Flores vermelhas que os ventos trazem e as depositam sobre meu possante estacionado. Agradeço sempre.
Flores róseas que os ventos trazem e as depositam sobre meu possante parado no trânsito. Agradeço sempre.
É isso. Meu corpinho acromegálico está em uma queda de braço com minha mente saudável, viva, ativa. 
Ainda verei muito verde, vermelho, róseo... todas as cores.
É isso.