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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Copos

                                  

Mamãe trabalhava em casas de família e um dia fui junto com ela para ver como era o seu local de trabalho.
Entramos em uma casa grande, branca, espaçosa e moderna para os padrões da época.
A cozinha da casa era imensa, com piso em cerâmica e azulejos do chão ao teto, uma coisa de outro mundo para mim que estava acostumada às cozinhas simples de nossa casa e das casas da parentada.
A dona da casa corta algumas frutas e oferece aos filhos que aguardavam sentados na grande mesa branca; os móveis combinavam e eram tão bonitos.
Peras e maçãs foram oferecidas a mim também e eu não conhecia aquelas frutas estranhas pois estava habituada a mangas, bananas, laranjas, jacas, pinhas, pitombas e outras frutas exóticas, cheirosas e deliciosas do meu Sertão. 
As crianças saem com a mãe e ficamos eu e mamãe na cozinha. Observo mamãe lavar a louça e colocar os copos para secar em uma grande bandeja prateada. Os copos tinham uma cor dourada e na minha imaginação, escorria mel deles. Muitos copos, lindos e dourados copos, copos que escorria mel...
Cheguei em casa toda animada e louca para contar a novidade a Paipreto e Mãevelha e eles ficaram admirados com a história dos copos de mel.
Não tínhamos o hábito de usar copos, usávamos canecas, xícaras, xicrões, canecas de alumínio, ágata e canecas feitas com latas de óleo de cozinha. Paipreto tinha mãos hábeis e transformava as latas vazias em canecas para tomar água. Era a reciclagem antes de virar moda.
Tempos depois vim a saber que dos copos dourados escorriam apenas água e não mel. A água descia pelos copos dourados e o reflexo do sol sobre eles dava a impressão de ser mel.
Coisa mais maluca para os dias de hoje, mas perfeitamente normal para uma criança que descobre o mundo e se encanta com o que é estranho e diferente de sua realidade.
Hoje já somos e estamos um pouco mais civilizados e usamos copos, xícaras, canecas...
Adoro tomar café em copos de geleia ou requeijão; tenho minhas xícaras fashion mas as deixo para as visitas. Minha irmã Rosi e minha cunhada Preta dizem que isso é mania de pobre. 
Mas parece que o café fica tão mais gostoso quando tomado nesses copos.
É isso.

                                   
                                 

                                  

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Blog da Criança: Azulejo

Azulejo
                                               
Uma coisa que sempre me intrigou e intriga até hoje é o nome das coisas; de algumas coisas.
Por exemplo: Por que a palavra azulejo começa com a cor azul se existem outras cores de azulejos?!.
É um caso para se pensar.
Os azulejos da minha casa não são azuis, são brancos. Então deveriam ser "brancolejos"?
E os azulejos coloridos? Deveriam ser "coloridolejos"?
Por que as palavras são tão complicadas?


"Coloridojelos"
                                              

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Zuleika

Havíamos mudado para uma casa que ainda estava em construção. É... tem cada história...
Mamãe tinha ido à loja de material de construção e comprado azulejos entre outros materiais para finalizar a obra.A entrega seria feita no sábado à tarde e mamãe nos avisa para ficarmos atentos à chegada do caminhão.
Ronaldo, meu irmão Fubá, era pré adolescente e estava na fase de mudança de voz. Ora falava grosso, ora falava fino. A voz ainda não estava definida.
Estávamos na sala quando Fubá entra correndo e nos chamando:
"A Zuleika chegou! A Zuleika chegou!"
Nós, os outros irmãos e irmãs compreensivos, pacientes e amáveis não entendíamos nada e muito calmamente e educadamente perguntamos:
"E quem danado é Zuleika, Fubá?!".
"Que Zuleika o quê! O a-zu-le-jo chegou...P...!"
Ahhhhhhhh bom!