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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Que graça tem?

                                


Falei ontem sobre meu desconforto com palhaços, estátuas vivas, mascarados etc... Não gosto mesmo!
Falei que foram à escola para divulgar atrações do parque de diversões para quem trabalham e ainda avisaram para tirar pessoas sensíveis do local. OK.
Hoje pela manhã atendo ao telefone da secretaria e uma voz delicada e infantil pergunta: "Tia, os monstros do PlayCenter vão estar na escola hoje de novo?".
Play Center foi um parque de diversões daqui de São Paulo e está fechado para reformas, segundo consta.
Respondi à pequena voz que hoje não teria monstro nenhum! Disse-lhe que também tenho medo dessas coisas e fui embora antes de ter o desprazer de vê-los. Ele poderia vir para escola, porque eu estava lá e não tinha monstro nenhum!
O pequeno riu e agradeceu.
Depois fiquei me perguntando: "Por que e para que as pessoas aprontam essas presepadas bestas? Qual é a graça em assustar pessoas fazendo-as encarar/ver/vivenciar aquilo que elas mais temem ou menos gostam? Aonde está a graça disso?
É isso.


                                   


                                          



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Papéis

                               

Fiquei ontem em casa; decidi tirar o dia de folga de minhas andanças.
Arrumei a papelada, joguei papéis velhos fora, organizei...
Falta agora tirar o pó dos meus preciosos livros, arrumar minha árvore de Natal, dar uma geral pela casa.
Faço aos poucos, vou devagar, me canso rápido e fico dolorida.
Queria encontrar uma pessoa para me ajudar, mas as que me foram apresentadas estavam mais preocupadas em saber sobre minha vida pessoal do que em limpar a casa. Fazem perguntas indiscretas, querem saber o CPF, RG, que time torço, qual minha cor favorita...
Sou reservada, na minha, restrita, antissocial, como dizem. 
Gosto do meu canto, da minha privacidade, da minha paz; não sou celebridade para ter a vida esmiuçada.
As pessoas estão muito curiosas, fofoqueiras, futriqueiras.
Sou "inguinórante", então me lasco sozinha para arrumar a casa, mas garanto minha paz. A única voz que quero ouvir é o miado dos meus gatos e minha música a tocar, em volume normal, no aparelho de som.
É isso.

                                 

                           


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Não

vou escrever hoje não.
Estou tão cansada.
Disseste que se tua voz
tivesse força igual
à imensa dor que sentes
teu grito acordaria 
não só a tua casa
mas a vizinhança inteira

                                          

domingo, 12 de agosto de 2012

Zé Ramalho

Eu desço dessa solidão e cuido das minhas coisas mais favoritas: minhas plantas, meus gatos, meus livros e minha música.
Ouço Zé Ramalho; adoro sua voz máscula, poderosa, forte e bonita. Adoro Zé Ramalho.
Músicas lindas com muita poesia e romantismo sem cair no brega. 
Zé Ramalho, Djavan, Caetano, Gil, Chico Buarque falam de amor de uma maneira inteligente, sem precisar usar os batidos e repetitivos "Eu te amo, não vivo sem você, meu amor, minha vida, blá, blá, blá".
Lembro quando comprei o CD de Zé Ramalho e os sobrinhos Marcos Paulo e Demétrius eram pequenos. Ouvimos o CD e eles adoraram a versão de "Knocking on heaven´s door" de Bob Dylan, ficou "Bate bate na porta do céu".
Eu gosto de "Chão de Giz, Jardim das Acácias, Beira-mar, Eternas Ondas, Admirável gado novo..."
Os sobrinhos ouviam o CD e sempre pediam para tocar de novo a música "Bate bate na porta do céu".
Mas eis que levei o CD comigo e um dia eles procuraram e não o encontraram; pediram à minha irmã Rosi para me ligar: "Tia Rejane, você por acaso pegou o CD do Zé Romário?"
Hoje os "negão" estão enormes, lindos e muito danadinhos, mas infelizmente seus gostos musicais mudaram radicalmente para pior; agora eles gostam de cantores com nomes no diminutivo: fulaninho, coisinho, bestinha, rebolativinho, e por aí vai... Gostam também de músicas que até mudos podem cantar: Aê, Aô, Aêeee ooooo... Deus me perdoe.
Bom,
Volto às minhas arrumações.
É isso.

                                             


terça-feira, 8 de maio de 2012

Contos, Cantos, Causos & Histórias

                                             


Gostava de ouvir mamãe contar os causos do seu tempo de menina.
Mamãe sempre começava assim: "Era uma noite de lua claaaaaaaaaaaaaara..."
Ela sempre enfatizava a primeira sílaba da palavra clara; mamãe tinha seu estilo próprio de contar causos, contos e histórias. 
Gostava também de ouvir mamãe cantar canções de ninar e de roda; a voz de mamãe tinha um quê de tristeza melódica e bela. Era emocionante ouvir mamãe cantar:
Se essa rua, se essa rua fosse minha
eu mandava, eu mandava ladrilhar
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
para o meu, para o meu amor passar...


E no mesmo ritmo ela cantava uma canção sobre um anjo que morava em um bosque solitário e triste:


Nessa rua, nessa rua tem um bosque
que se chama, que se chama solidão
dentro dele, dentro dele mora um anjo
que roubou, que roubou meu coração


Se roubei, se roubei teu coração
é porque, é porque te quero bem
se roubei, se roubei teu coração
é porque tu roubaste o meu também.


Eu imaginava um bosque escuro com um anjo triste e solitário a caminhar por seus caminhos tortuosos e misteriosos e perguntava a mamãe: "Mas por que o anjo não sai do bosque? Por que ele não pode sair do bosque? Ele não tem amigos? Família? Por que o anjo é tão só?"
Eu ficava triste com a solidão do anjo.


                            
                                             
                                                 


                                                       

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Voz & Chuva




                                         


Tem gente que não tem noção da altura da própria voz. Fala tão alto e nem percebe que está incomodando os ouvidos alheios.
Não sei se é devido à minha cabeça fervente, mas barulhos e sons muito altos me fazem doer a cabeça. Incomoda mesmo.
Os novos e simpáticos vizinhos têm essa habilidade oral; e quando não estão falando alto estão a tocar músicas de gosto duvidoso em alto e mal som.
Um outro vizinho, que compactua comigo a preferência pelo silêncio , veio conversar e chorar as pitangas. Depois foi a vez da vizinha idosa de brancos e fofos cabelos de algodão.
Ambos disseram que essa rua já foi boa, mas agora o que mais tem são os caminhões que fazem nossas casas vibrarem e o excesso de crianças (uns bem taludinhos e já em idade de trabalhar) mal educadas a jogarem bola e acertarem nossos telhados.
O vizinho e eu tivemos que pagar pela mão de obra e material para consertar nossos telhados. Janeiro é época de chuvas e se não cuidarmos, teremos nossas casas alagadas.
Muita chuva pelo país e muita seca também.
São Pedro, como todo o respeito, deveria distribuir melhor a quantidade de chuva que vai para cada região. Faça chover no meu sertão. E onde estiver carecendo também.


                                  


    

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Zuleika

Havíamos mudado para uma casa que ainda estava em construção. É... tem cada história...
Mamãe tinha ido à loja de material de construção e comprado azulejos entre outros materiais para finalizar a obra.A entrega seria feita no sábado à tarde e mamãe nos avisa para ficarmos atentos à chegada do caminhão.
Ronaldo, meu irmão Fubá, era pré adolescente e estava na fase de mudança de voz. Ora falava grosso, ora falava fino. A voz ainda não estava definida.
Estávamos na sala quando Fubá entra correndo e nos chamando:
"A Zuleika chegou! A Zuleika chegou!"
Nós, os outros irmãos e irmãs compreensivos, pacientes e amáveis não entendíamos nada e muito calmamente e educadamente perguntamos:
"E quem danado é Zuleika, Fubá?!".
"Que Zuleika o quê! O a-zu-le-jo chegou...P...!"
Ahhhhhhhh bom!