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quarta-feira, 6 de março de 2013

Tapeçaria Chic

                               



Mamãe gostava de comprar produtos de cama, mesa e banho.
No nosso tempo não havia a enorme variedade de lojas e produtos que existe hoje. Tudo é muito prático, fácil de encontrar em um só lugar e difícil achar vaga para estacionar. Sempre.
Mamãe gostava de cortinas e sempre comprava na Tapeçaria Chic, que fica na Antonio de Barros, Tatuapé.
As cortinas eram sempre com tecido duplo; um tecido mais grosso geralmente na cor rosa e o forro mais leve de renda branca. Eu adorava arrumar a cortina e deixar de um jeito que os tecidos rosa e branco ficassem à mostra ao balançar dos ventos. Achava muito chique.
As compras de cortinas e artigos de cama, mesa e banho eram geralmente feitas no final do ano, com o décimo terceiro salário.
Final de ano era época de renovar, de pintar a casa e comprar coisas novas.
Lembro do comercial da Tapeçaria Chic feita pelo casal Airton e Lolita Rodrigues, que apresentavam o programa "Almoço com as Estrelas".
A Tapeçaria Chic tinha lanchonete, uma novidade moderníssima para a época. Lembro de outro comercial feito pelo casal onde Airton Rodrigues está na Tapeçaria Chic e lembra a Lolita Rodrigues que precisam ir porque está na hora do jantar e ela diz que não precisam se preocupar porque tem lanchonete na tapeçaria. 
Às vezes passo pela Antonio de Barros e passo em frente à Tapeçaria Chic, me lembro de papai e mamãe escolhendo as cortinas. Eu ia junto para ajudar a escolher e sonhava com uma casa grande onde pudesse espalhar todos aqueles tapetes e cortinas tão lindos.
Tempos bons aqueles.
É isso.


                             

                                  

                                   
                                

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sapato para criança

                                        


O Natal se aproximava e papai e mamãe conversavam sobre como usar o dinheiro do décimo terceiro salário.
Comprariam roupas e sapatos para os filhos. Fariam uma grande compra no supermercado.
Era nossa época favorita.
Uma vez mamãe foi às compras acompanhada por nosso primo João; ele a ajudaria a carregar as sacolas.
Caminhavam por ruas e calçadas cheias de gente com suas compras de Natal quando mamãe decide entrar em uma loja de calçados e verificar os preços e ofertas.
O vendedor, sempre simpático, fala para mamãe sobre preços, promoções e facilidades no pagamento.
Mamãe diz ao falante vendedor: "Tá certo, meu filho. Mas...você tem sapato pra criança?"
"Sim, senhora! Temos sim! Que números?"
" 38, 39, 40, 41, 42..."
"A senhora tem certeza que quer sapato pra criança?!"
Nosso primo João sempre que visitava mamãe lembrava desse causo e ria muito; pois onde já se viu sapato pra criança com números tão grandes?
Mas as crianças de mamãe eram grandes, porém crianças.