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quarta-feira, 6 de março de 2013

Tapeçaria Chic

                               



Mamãe gostava de comprar produtos de cama, mesa e banho.
No nosso tempo não havia a enorme variedade de lojas e produtos que existe hoje. Tudo é muito prático, fácil de encontrar em um só lugar e difícil achar vaga para estacionar. Sempre.
Mamãe gostava de cortinas e sempre comprava na Tapeçaria Chic, que fica na Antonio de Barros, Tatuapé.
As cortinas eram sempre com tecido duplo; um tecido mais grosso geralmente na cor rosa e o forro mais leve de renda branca. Eu adorava arrumar a cortina e deixar de um jeito que os tecidos rosa e branco ficassem à mostra ao balançar dos ventos. Achava muito chique.
As compras de cortinas e artigos de cama, mesa e banho eram geralmente feitas no final do ano, com o décimo terceiro salário.
Final de ano era época de renovar, de pintar a casa e comprar coisas novas.
Lembro do comercial da Tapeçaria Chic feita pelo casal Airton e Lolita Rodrigues, que apresentavam o programa "Almoço com as Estrelas".
A Tapeçaria Chic tinha lanchonete, uma novidade moderníssima para a época. Lembro de outro comercial feito pelo casal onde Airton Rodrigues está na Tapeçaria Chic e lembra a Lolita Rodrigues que precisam ir porque está na hora do jantar e ela diz que não precisam se preocupar porque tem lanchonete na tapeçaria. 
Às vezes passo pela Antonio de Barros e passo em frente à Tapeçaria Chic, me lembro de papai e mamãe escolhendo as cortinas. Eu ia junto para ajudar a escolher e sonhava com uma casa grande onde pudesse espalhar todos aqueles tapetes e cortinas tão lindos.
Tempos bons aqueles.
É isso.


                             

                                  

                                   
                                

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Tatuapé

O meu é aquele amarelo ali
                                 

Fui ao consultório do otorrinolaringologista que fica no Tatuapé, bairro dos novos ricos e endinheirados da região. 
Aliás, segundo informações do guia médico, o endereço fica na Vila Formosa, Altos do Tatuapé ou Jardim Anália Franco. É tudo a mesma coisa, tudo lugar bonito e rico cheio de gente fina, elegante e sincera.
A região está cada vez mais tomada pela construção de prédios que pipocam por todos os lados; as casonas grandes, bonitas, com jardins e janela grandes  estão rareando, ou são derrubadas para a construção dos prédios ou se transformam em lojas chiques, consultórios chiques, escolas de línguas chique, academia fitness chique e tudo chique. É uma "chiqueza" só.
Achar vaga na rua para estacionar está cada vez mais difícil e olha que quando comecei ir aos médicos que ficam na mesmíssima rua vaga era o que não faltava e ali não passava apenas de um bairro da ZL. Mas como diz o tio Francisco do Paraná: "Diferençô muito".
O trânsito é caótico e o que se vê é o vai e vem contínuo e constante de carrões com playboys ouvindo música em som altíssimo e/ou dondocas loiras, com óculos fashion e enormes.
Será que essas pessoas são felizes? Será que agem assim para preencher o vazio interior? Gastar, ostentar, exibir as fazem mais felizes? Sei não.
Lojas e mais lojas de carrões caros e importados; não se vê concessionárias básicas com carrinhos populares.
As lojas de roupas exibem roupinhas caras e que poderiam ser compradas por um preço bem menor na Rua José Paulino e no Brás.
Subi a Serra de Japi e viro à esquerda da Emilia Marengo e vejo lojas de decoração, moda, carros, bancos nobres. Reparo em um lojinha tímida que vende miudezas, iguais a essas lojinhas simples de bairro; pensei comigo: "Duvido que o povo rico daqui entre numa lojinha simples dessa, loja de pobre igual as que íamos em nosso bairro para comprar material escolar, papelaria etc".
Olho à volta, observo, comparo, viajo na imaginação.
Aguardo o farol abrir na Itapura para pegar a Radial e dois rapazes em um carrão me olham com ares de estranhamento. Claro, óbvio, público e notório que não se admiravam com minha estonteante beleza nem com meu possante popular, mas sim com meu carão acromegálico.
Voltei para casa e volto cansada dessa via crucix de médicos, exames, laboratórios, laudos etc...
Fiz um cuscuz de coco e vou comer com leite. Estava com uma vontade arretada de comer cuscuz de coco, num sabi?
Sei não... Às fico pensando comigo mesma e pergunto onde foi que falhamos. Nosso sonho, meu sonho, era morar em uma casona grandona e bonita, com piso, azulejo, campainha e um enorme jardim. Mas não deu. Moramos em nossos cafofos nada chique, mas estamos bem.
Acho que ser rico dá muito trabalho e eu não sei se conseguiria manter a estafante rotina de esticação de cabelo, maquiagem, caras e bocas. Isso sem contar que rico é mais contido, ri pouco, nunca dá boas gargalhadas e é cheio de não me toques.
Eu não queria ser rica abestada, queria ter dinheiro para ter uma vida digna, sem preocupações com as contas que se acumulam, sem contar os trocados para de vez em quando comprar um pizza de provolone, minha favorita. 
Queria ter uma casona grandona para poder cuidar da minha bicharada e daqueles que fossem jogados em meu quintal.
Queria que cada irmão e irmã ficasse bem e todos seríamos felizes para sempre.
Já fiz minha escolha e escolhi viver entre os meus entes queridos, meus bichos.
A solidão é minha maior companheira. Meus bichos também.
É isso.

                               

                                     


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Consulta, Cardiologista, Caminhoneiro, Carrões

                                     

Assistia ao programa A Liga que falava sobre baladas. 
Balada para mim é coletivo de balas perdidas. 
Bom...
Mostravam dois tipos de baladas: a dos ricos e a dos pobres da ZL. É nóis.
O que separa essas baladas é o poder aquisitivo das pessoas, porque a futilidade é a mesma. Desculpa aí.
Tanto as meninas pobres quanto as ricas usam salto alto, vestidinhos curtos, muita maquiagem e cabelinho esticadinho. Os meninos ricos usam roupas de marca e os da ala pobre também; todos se esforçam para manter o status, mesmo que para isso todo o salário do mês seja comprometido.
Antes de saírem para a balada param em um bar para um "aquecimento" onde são consumidos litros e litros de bebidas alcoólicas e energéticos. A turma rica gasta mais de dois mil reais nas bebidas do "aquecimento pré balada". 
Só bebem, e se um grupo pedir, por exemplo, cinco garrafas de champagne, o outro grupo pede seis ou sete, é para competir quem gasta mais, quem pode mais.
Futilidade.
Muita bebida, carrões, aparência, exibicionismo, ostentação, vazio.
Como as pessoas podem se esforçar tanto para parecerem aquilo que não são?
Provar o quê pra quem? 
O valor de um produto não tem nada a ver com suas características físicas, já disse Karl Marx.
Assisti parcialmente ao programa, é muita babaquice para meu gosto, mudei de canal e depois decidi me deitar e além do mais, eu teria consulta com o cardiologista na manhã seguinte.
Saio pelas ruas afora no meu humilde possante e vou ao bairro do Tatuapé, o novo Morumbi da ZL. Prédios de luxo, carrões e ostentação. Aguardo o farol abrir e estou entre dois baita carrões, um KIA Sorento e um IX35, e ambos tocam as mesmas musiquinhas chiclete de mal gosto. Nossa! No sentido contrário vem uma Pick Up gigantesca tocando som de balada em altíssimo volume que estrondava os tímpanos dos inocentes ao redor. O dinheiro compra carrões potentes mas não compra bom gosto e educação.
Chego ao consultório do cardiologista, faço a ficha e aguardo. Sou chamada e ao entrar no consultório sou atendida por um homem gorducho, com barriguinha de cerveja que lembrava um caminhoneiro, com todo respeito. O doutor de poucas palavras e paciência igual não usava jaleco, estranhei.
Fez as perguntas de praxe, mediu minha pressão, que para variar estava alta e fiz um eletrocardiograma: Bloqueio divisional antero superior esquerdo. Nada de mais ou de muito grave, apenas um desvio formado pelo esforço do coração para bombear o sangue; esforço acentuado pela pressão alta. 
Segundo o cardiologista, é necessário controlar a pressão e evitar que ela fique nos altos e constantes 16x11, é isso que sobrecarrega o coração. A Acromegalia intensifica o problema já existente e hereditário, papai e mamãe eram hipertensos assim como boa parte da família. 
Às vezes a situação piora e a pressão chega os 22 ou 24x18, aí o risco de um AVC (acidente vascular cerebral) o famoso derrame, é bem maior.
Vou fazer um ecocardiograma e exames de sangue e tomar mais um remédio para o controle da pressão e quando os exames estiverem prontos, os levarei ao lacônico doutor com cara e corpinho de caminhoneiro. 
Aliás, é uma coisa que me incomoda e tira um pouco da credibilidade que poderia depositar em determinado profissional: médicos obesos e/ou fumantes. Não combina. Profissionais da saúde deveriam zelar pela própria saúde para dar o exemplo aos pacientes. Na boa, que moral tem um médico gorducho e/ou fumante? Dá para confiar em um profissional assim? Dá não.
Vou cuidar de mim.
É isso.

                             

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Laboratório

                                              


Fui hoje cedo ao laboratório Nasa na unidade Tatuapé.
O prédio novo está bonito, as instalações modernas, mas o atendimento é o mesmo velho e ruim atendimento de sempre.
Fila para triagem; demora.
Senha nas mãos e aguardar ser chamada para abrir a ficha. Ficha aberta e aguardar na outra sala para ser chamada e aí sim fazer o exame; uma simples coleta de sangue.
Eu costumava ir ao laboratório CDB, também no Tatuapé, mas quando tentei agendar exames, fui informada que a Unimed havia descredenciado planos básicos-simples-de pobre como o meu. Eu fiz exames na CPA da Unimed também no Tatuapé, não gostei. Muita desorganização, muita atendente pendurada ao telefone fingindo tratar um assunto importante e deixando os pacientes plantados em frente ao balcão aguardando a boa vontade de alguém que viesse nos atender. 
Eu sempre utilizei os serviços do Nasa Laboratório até que meu endocrinologista sugeriu o CDB para exames de alta definição, como ressonância magnética e tomografia computadorizada.
Agora não posso mais usar os serviços do CDB com esse meu planinho básico, mas é o que posso pagar, e entre o laboratório da CPA e o Nasa, fico com este último.
Mas a muvuca é triste!
Eu estava preocupada e disse à atendente que eu estava há muito tempo em jejum e isso poderia ser perigoso. Ela verificou que um dos exames pedidos era justamente o teste de glicemia e no final das contas, esperei "apenas" duas horas para levar uma picada de agulha que levou alguns segundos.
Terminado o procedimento saio do local e me dirijo ao elevador. Vou à garagem e entrego a notinha ao manobrista que calcula o valor; um carrão lindo, enorme, poderoso e assustador deixa a garagem e segue na contramão, eu perguntei ao manobrista: "Mas ali não é a entrada? Se vier um carro na mão certa poderá haver um acidente grave! Que irresponsável faria isso?".
"É o filho do dono".
"Claro! Ele não paga impostos como todos nós. Ele anda de carrão Mitsubishi e pode fazer o que bem quer só porque é rico e filhinho do dono. Belo exemplo!".
Voltei para casa com uma dor de cabeça de lascar e muita fome; tomei meu café e depois fui ao Carrefour da Vila Maria/Vila Guilherme para resolver umas coisinhas. Procuro vaga especial e estão todas ocupadas por pessoas sadias, normais e muito cara de pau. Chamei o segurança que por lá passava e perguntei se não havia fiscalização e ele disse: "Oh dona, nóis tenta falá mas os pessoal xinga nóis".
Tá certo.
É o país da sexta economia do mundo mas que está em último lugar em educação, civilidade e cidadania.
É o Brasil.


 


                                               

domingo, 22 de julho de 2012

Põe na conta

                                         


Meus irmãos têm um ótimo apetite, benza Deus.
Comem com gosto, com vontade e comem de quase tudo; têm estômago de avestruz.
Os dois mais velhos, Naldão e Rogério, conseguiram um emprego em uma empresa do bairro mas foram remanejados para a filial do Tatuapé.
Ambos estavam habituados a almoçar em casa mas como foram para outro bairro, o gerente disse a eles para irem almoçar em um bar próximo e colocar na conta da empresa.
Não foi uma boa ideia para nenhuma das partes. Explico.
Naldão e Rogério chegam ao bar e pedem o almoço e se decepcionam com a quantidade de comida: "Oxe, só esse pouquinho?! Pode trazer mais uns dez desse aí que ainda é pouco!".
Almoçaram e trabalharam o resto do dia. 
No dia seguinte vão ambos de volta ao trabalho, mas lá chegando são demitidos: "Não precisamos mais dos seus serviços".
E Rogério disse: "Nem pagaram nosso dia de serviço!".
Acho que não pagaram para poder compensar pelo prejuízo deixado no bar.
Esses meus irmãos...


                                            

terça-feira, 26 de junho de 2012

BuRRocracia

                                            


O Brasil é um país "burrocrata"; adora papéis, carimbos, assinaturas e afins.
Precisei da declaração de imposto de renda detalhada, mas só tinha a simplificada. Fui informada a procurar a Receita Federal que fica na Rua Isidro Tinoco no Tatuapé.
Eu nunca havia pedido uma segunda via de declaração de imposto de renda e naturalmente não sabia como proceder.
Vou ao local, retiro a senha e aguardo. Chega minha vez e a antipática, grosseira e mal humorada atendente pergunta o que desejo e eu digo; ela pega um pedaço de papel, anota algumas informações e fala rapidamente outras, não dava tempo para absorver tudo.
Eu pensei que tudo poderia ser feito ali mesmo: preencher formulários e pagar taxas, simples assim.
"Não, a senhora tem comprar o formulário DARF e pagar dez reais no banco e voltar aqui".
"Pensei que tudo seria feito aqui com vocês".
"Não!"
Fui à Praça Silvio Romero e numa banca de jornal comprei o tal formulário por sessenta centavos. Eu pensei que o formulário custava os dez reais mencionados pela antipática funcionária da Receita Federal e entreguei uma nota de vinte reais ao simpático atendente da banca: "A senhora não tem moedas? O formulário custa apenas sessenta centavos". E ele ainda me orientou em como proceder e disse que só poderia pagar os dez reais do DARF no Banco do Brasil. 
Saio da banca com o formulário em mãos e me dirijo ao Banco do Brasil que fica em frente à praça, na rua Tuiuti.
Pago, volto à Receita Federal, pego nova senha e aguardo; preencho o formulário enquanto isso.
Minha senha é chamada e outra menos antipática funcionária pede meus documentos e me dá mais um formulário para preencher, só que não tem muito espaço para tal e tive que usar o livro que sempre carrego comigo como apoio. Enquanto preencho, sou observada pela funcionária, por uma estagiária que estava treinando e por outras duas pessoas que estavam no guichê ao lado. Acho que elas não podiam preencher os formulários porque estavam muito ocupadas observando minha aparência acromegálica, só que uma delas tinha uma mancha vermelha que tomava metade do rosto (hemangioma)e mesmo assim me olhava como se eu fosse muito estranha. Preencho, entrego e ela me devolve meus documentos com os formulários e uma nova senha. Aguardo em outro local.
Minha senha é chamada e o atendimento fica no primeiro andar; me dirijo até a escada e escuto: "Senhora?"
Era o guardinha que faz segurança do local me chamando para ir de elevador, pois eu estava com minha bengala mágica e teria dificuldade para subir os degraus. O segurança avisa pelo rádio que me acompanhará e quando o elevador chega ao primeiro andar, já havia outro segurança me aguardando.
Sento-me na cadeira a outra mega-hiper-super antipática mal responde ao meu "boa tarde" e pega a papelada que eu trouxe. Depois de alguns segundos me deu mais papeis e disse "É só isso", agradeci e fui acompanhada pelo segurança.
Achei os seguranças muito mas simpáticos que as mal educadas atendentes da Receita Federal.
É praxe, público e notório o fato de servidores/funcionários públicos serem mal educados, grossos, estúpidos, preguiçosos, folgados etc, mas eu também sou funcionária pública e procuro tratar todos com o mesmo respeito com que quero ser tratada.
Bom, resolvi o problema e andei mais do que "tiradô de isprito (tirador de espírito)", como dizia mamãe.
Parei na entrada do prédio e li um enorme cartaz que dizia "Ouvidoria. Queremos saber o que você tem a dizer sobre nosso atendimento para melhorá-lo ainda mais".
É, precisa mesmo! E para começar, umas aulas de boas maneiras para as funcionárias que atendem as pessoas. 
Será que só porque trabalham na Receita Federal se julgam muita coisa?
Ouvidoria: 0800 702 11 11
Site: http://portal.ouvidoria.fazenda.gov.br
É isso.






                           

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Prédios e Apartamentos

                                              


Há um grande boom imobiliário no setor de prédios de apartamentos e até bairros esquecidos como o meu se transformaram e valorizaram no mercado. 
Os preços dos apartamentos aumentaram, praticamente dobraram nos últimos dois anos.
De repente descobriram que meu bairro, além de caminhões e transportadoras, tem fácil acesso à Marginal Tietê, Via Dutra, Fernão Dias, Ayrton Senna...
Bairros como Tatuapé, principalmente o Jardim Anália Franco que é o Morumbi da ZL, valorizaram demais e só os novos ricos da ZL podem comprar.
Um dia, na hora da saída, um coleguinha me chamou, apontou para um prédio do outro lado da Marginal Tietê e disse: "Sabia que a professora mora naquele prédio?"
"É mesmo? Nossa! Então ela deve ser rica, né? Porque só ricos podem morar em apartamentos".
Assistia as novelas e achava chique, bonito e até meio triste morar em apartamento. Lembro de uma cena de uma novela onde a filha rebelde deixa a casa dos pais e vai morar sozinha em um apartamento; achei aquilo tão estranho, tão triste e tão diferente da minha realidade. Morar longe de casa, dos pais, dos irmãos, da família?! Eu julgava essas pessoas, mesmo que personagens de novela, frias, insensíveis e até más.
Hoje eu entendo melhor.
Não sou muito fã de apartamento, prefiro casa com quintal e jardim onde possa cultivar minhas adoradas plantas e onde meus amados bichos tenham espaço para correr pra lá e pra cá.
Mas a tendência atual é a verticalização dos bairros e das cidades.
A segurança é melhor, penso eu, em apartamento, principalmente para quem mora só. 
Mas me preocupa também o grande número de pessoas utilizando mais água, luz, gás; mais trânsito, mais poluição no mesmo espaço onde antes moravam famílias em casas simples com quintal e jardim.
É isso.


                                   

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Enfermeira

                                            


Fui à CPA (Centro de Procedimento e Apoio) da Unimed na Avenida Celso Garcia, Tatuapé.
Fui fazer exames de sangue e tomar minha injeção: Sandostatin-LAR (acetato de octreotide).
Vou direto ao laboratório Lavoisier, faço o exame e sou informada que preciso retornar duas horas após o almoço para realizar exame de glicose. Ok. O problema aqui é que fui atendida por uma enfermeira que não sabia quais tubos usar para depositar o sangue coletado e perguntava tudo à colega que também estava ocupada com outra paciente. A enfermeira atrapalhada também não usou luvas para coletar o sangue, o que traz riscos para mim e para ela também.
Bom...
Vou ao outro balcão e pergunto se é preciso fazer nova ficha para eu ser atendida e tomar meu remédio: sim.
Faço a bendita ficha e aguardo impacientemente meu nome ser chamado. Havia muita gente, muitos bebês chorando e para contribuir com o caos existente, o prédio está em obras. Era praticamente impossível ouvir o nome ser chamado em meio à vozes, choro e marteladas.
Os pacientes se acotovelavam em frente à porta da triagem para poder ouvir seus nomes serem chamados e isso deixou o local parecendo um mercado de peixe na semana santa.
A cada instante saía um médico ou um enfermeiro segurando fichas e berrando os nomes dos pacientes; já outros enfermeiros com voz mais delicada iam mais próximo dos pacientes para chamá-los. 
Sou chamada, entro e aguardo.
A enfermeira me chama e eu entrego a injeção para ela e explico, ou tento explicar, sobre o modo correto de manipular e aplicar o remédio alto custo. A simpática profissional da saúde não gosta que eu explique e acha que eu estou dando-lhe aula sobre como aplicar uma injeção. Mas não é uma injeção comum.
Ela abre a caixa e estranha as duas agulhas, o frasco-ampola e sistema de aplicação. A enfermeira fica sem graça, dá uma risadinha amarela e diz: "Eu nunca apliquei esse remédio, é diferente, eu não conheço".
"Pois era exatamente o que eu estava tentando dizer!".
Deve-se misturar lentamente e delicadamente o pó ao líquido e deixar descansar de dois a cinco minutos para então ser aplicado; é um remédio caro e distribuído pela Farmácia Alto Custo. Eu tomo Sandostatin LAR a cada vinte e oito dias desde 2007 e sei dos cuidados ao manejar o remédio. Não é minha intenção ensinar Ave-Maria a padre velho, mas às vezes surge uma oração nova!


                                        

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Bairro da Penha

Igreja Nova da Penha
                                              

Gosto muito do bairro da Penha; é um bairro com ares bucólicos de cidade de interior. 

Ainda há muitas casas e muitas delas conservam a arquitetura antiga de uma São Paulo charmosa de séculos passados.
Fui ao meu médico endocrinologista que fica na Rua Santo Afonso, em frente à Igreja Nova da Penha, e apreciei um belo entardecer ao sair do consultório. Que tarde linda!
O sol, o céu azul, as ruas estreitas, as ladeiras e as casas da Penha.
Fiquei observando esse espetáculo bucólico e saudosista e torcendo para que não façam com a Penha o mesmo que fizeram com o Tatuapé e adjacências; transformaram a região em uma selva de pedra e o Tatuapé é o Morumbi da ZL (zona leste).
São novos ricos que compram os novos apartamentos em novíssimos prédios cheirando à tinta fresca. Tanto prédio, tanto luxo, tanta ostentação e tanta solidão. Gente trancafiada em apartamentos luxuosos e decorados por profissionais fashion e caros mas que não tem com quem conversar, talvez por medo de sequestro ou por se achar melhor que o outro.
Ser pobre tem suas vantagens; acho que ninguém perderia tempo com planejamento e execução para sequestrar um pobre e os pobres sempre falam com outros pobres. 
A gente é pobre mas é feliz.
Bom...
Mas como eu ia dizendo...
A Penha foi nosso primeiro bairro, moramos na Vila Ré ou Jardim Popular por um curto período de tempo até nos mudarmos para o bairro dos caminhões e transportadoras.
Li um artigo no Estadão sobre o boom imobiliário que tomou São Paulo de jeito. Segundo o artigo, o bairro do Tatuapé já está saturado e as grandes construtoras direcionam seu interesse para bucólico bairro da Penha.
O problema, ainda segundo o artigo, são as ruas estreitas do bairro e o trânsito da região.
Na minha humilde opinião, não basta apenas construir prédio atrás de prédio, é preciso levar em consideração vários fatores como: trânsito, transporte público,  rede de esgoto, o impacto social e ambiental que empreendimentos podem causar e muito mais.
Torço para que a Penha continue sendo a aconchegante Penha de sempre. A mesma graciosa e bucólica Penha de ruas estreitas e ladeiras com o querido Shopping Penha de Beatriz. Mas parece que vai ser difícil.
              
"Monstro da Penha", prédio exagerado que fica na estreita rua do Hospital da Penha, a Rua General Sócrates. O "Monstro" também cobre a visão da bela basílica.