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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Fome

                             


Não tenho tido muita fome ultimamente, principalmente de manhã. Começo a tomar os remédios a partir das seis horas e até o meio dia já tomei a metade da cota diária.
Com o estômago cheio de água e remédios, quem é que vai conseguir comer alguma coisa? Ou sentir fome?
Bom, conheço gente que sentiria fome sim.
Me levanto após tomar as primeiras doses e sigo minha rotina diária: alimentar peixes, alimentar gatos, limpar o quintal dos gatos, separar o lixo comum do lixo reciclável, nos dias em que passa o caminhão da coleta, tomar meu banho e depois fazer meu café forte e adoçado na medida; nem doce demais e nem amargo demais.
Tomo café, apenas café. 
Não sinto fome e só depois, no início da tarde, é que sinto vontade de comer.
Sei que está errado, mas não consigo.
Minha avó Mãevelha dizia que quando a gente vai ficando velho muda alguns hábitos, principalmente os alimentares. Não temos a mesma fome e a mesma gula de antes.
Nunca fui muito gulosa com todo tipo de comida, mas sempre adorei um docinho e uma coisinha salgadinha.
Eu era bem magrinha e engordei bastante quando adquiri a Acromegalia. Aliás, um engorde rápido demais e sem aparente explicação é um dos primeiros sintomas da Acromegalia e isso aconteceu comigo e com todos os acromegálicos que conheço.
Mas depois da descoberta da doença iniciei tratamento, fiz cirurgias e agora mantenho um peso razoável. Não sou magrinha como antigamente e também não sou obesa, é preciso ter um certo controle porque peso demais faz mal e afeta todo o corpo, internamente e externamente.
Ainda não sinto fome mas ando com muita vontade de comer frutas.
É isso.



Jaca, pinha e pitomba.

                                  

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Para Sempre

                              

Eu era criança e achava que tudo era para sempre.
Achava que mesmo envelhecendo, as pessoas seriam para sempre.
Temos tanta certeza disso que um dia quando alguém se vai repentinamente, tomamos um choque de realidade e ficamos pasmos. Nos perguntamos: "Como?! Por quê?!".
Eu era criança e achava que meu avô Paipreto, minha avó Mãevelha, papai e mamãe seriam para sempre. 
Meu Paipreto partiu quando eu tinha de cinco para seis anos; Mãevelha partiu aos oitenta e quatro anos, mamãe partiu brutalmente cedo, aos cinquenta e cinco anos e papai aos sessenta e nove anos.
Vejo parentes meus envelhecendo e ficando doentes. Pessoas que um dia foram tão fortes, batalhadoras, trabalhadoras.
Uma coisa que me irrita e já falei sobre é o fato de avós cuidarem de seus netos. Explico.
Esses parentes e parentas que trabalharam a vida toda e que hoje deveriam descansar, seria o certo, não descansam porque têm que cuidar de neto. Como dizia papai: "Me pópi!".
Cuidar de criança dá muito trabalho, exige energia e saúde e é óbvio que os mais velhos não dispõem de tudo isso. 
"Mateo que o pariu, Mateo que o balance", dizia mamãe.
Acho uma baita injustiça roubar a liberdade e o merecido descanso de quem trabalhou tanto a vida toda para encher-lhes a casa com netos.
Sou meio radical, "inguinórante" e implicante, mas têm coisas com as quais eu implico mesmo e acho que estou com a razão.
Sei lá, acho injusto abusar dos mais velhos e além do mais, eles não são para sempre.
É isso.