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terça-feira, 22 de maio de 2012

Bacia e Tecido

                                            


Deveria estar na terceira ou quarta série e teríamos aula de geografia onde estudaríamos bacias hidrográficas, lençóis freáticos, rios, floresta...
Abro o livro e vejo mapas coloridos de rios, lagos, cursos d'água etc...
Fico encucada com aquilo, pois imaginava que se tratava de bacias de metal, daquelas que mamãe colocava a roupa para quarar. Achava que lençol freático era o lençol que cobria a cama e imaginava um enorme lençol cobrindo uma enorme bacia para ser quarado ao sol no meio da Floresta Amazônica!
Era cada viagem! Deveria ser efeito dos inseticidas em nossas cabeças para matar os piolhos.
Leio o livro, estudo os mapas e entendo que se tratava dos meios hídricos do Brasil. 
Tinha medo e vergonha de perguntar à professora e lá em casa também.
Na aula de ciências estudamos tecidos, formação de órgãos, sangue...
Eu olhava para a figura representando um tecido e achava aquilo muito estranho e não tinha nada a ver com os tecidos que tia Antônia costurava em sua máquina, que Mãevelha remendava, fazia barras, colocava elástico no cós. Tecido para mim era para fazer roupa, lençóis, toalhas, cortinas...
Hoje eu sei.
Ainda bem.


Tecido do corpo humano

Tecido para costura



                                               
                                   

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Piolhos



Houve uma época em que estávamos empesteados de piolhos.
Mamãe cortava nosso cabelo o mais curto possível, cuidava, colocava remédio, mas mesmo assim não conseguíamos nos livrar desses insetos nojentos.
E nem tinha como; mamãe como todos os seus cuidados e nós ignorando seus conselhos e brincando com a molecada da rua e da escola e todos naturalmente piolhentos.
Em casa tinha inseticidas que eram usados para matar muriçocas, baratas, pulgas e insetos dessa categoria. Na época esses inseticidas vinham em latas e o líquido era despejado em bombas de spray chamadas "Fritz" e depois aplicados nos cômodas da casa.
Mamãe pensou e chegou à seguinte conclusão: se esses inseticidas matam  insetos então serviriam também para matar piolhos. Piolho também era inseto, não era?
Mamãe despejava o conteúdo do inseticida nas nossas cabeças e ficávamos durantes horas com os cabelos ensopados com aquele líquido fedido que nos deixava tontos. 
Era uma coisa quase insuportável. Uma agonia mesmo. Coçava, irritava o couro cabeludo e não sei quem ficava mais agoniado com aquilo, nós ou os piolhos.
Depois tomávamos banho, mamãe olhava nossas cabeças e nos mandava para a escola. 
Na sala de aula disfarçávamos a coceira e aguentávamos o máximo que podíamos. Quando não dava mais para aguentar, pedíamos para ir ao  banheiro e lá dentro nos entregávamos ao prazer de coçar a cabeça com as duas mãos ao mesmo tempo! Era um alívio! Um prazer!
Mas esse alívio tinha duração muito curta e alguns minutos depois voltava a coceira. 
E lá íamos nós para o banheiro de novo.