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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Folhagem

                             


O sol brinca de esconde-esconde e a chuva diz que vem, mas não vem. E ficam ambos nessa brincadeira de criança teimosa.
O tempo está mudando, sinto as mudanças.
Sinto a presença do tempo, da vida, das mudanças, das coisas...
Para pessoas "normais" é apenas chuva, é apenas sol, é apenas frio, é apenas calor... Plantas são apenas mato verde, flores morrem rápido e por aí vai.
Não vejo e não sinto assim. Para mim tudo é mais intenso, mais vivo e mais real.
As pessoas são e estão tão práticas nesses tempos modernos.
Tive uma forte dor de cabeça ontem; tomei remédio e adormeci. 
Estava deitada e mamãe se aproxima; deita-se em meu lugar, coloca umas folhagens no travesseiro, levanta-se e vai embora. Eu volto a me deitar e adormeço profundamente; acordo sem dor e me sentindo bem. Cadê mamãe?
É isso.



                                 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Onírico

                                     


Março chegou trazendo suas águas. 
Março traz dias nublados, cinzentos e chuvosos. Precisamos da chuva; estava tudo tão seco.
Ontem fui à casa da minha irmã Rosi para um delicioso churrasco maravilhosamente preparado pelo cunhado Pepê. Churrasco, farofa, salada, arroz e até uma cervejinha!
Gelada, deliciosa e que combina mais que perfeitamente bem com uma carne salgadinha. Adoro doces mas o sal é minha perdição.
Levei mousse de morango (Danoninho caseiro) de sobremesa e minha cunhada Preta levou manjar branco com bastante coco.
E para arrematar, o café forte e amargo da minha irmã.
Fim de tarde cinzento com algumas aberturas de sol, tão lindo. Trechos com nuvens carregadas e outros trechos de céu azul. 
Uma luminosidade onírica, bonita, calma, tranquila...
Parei por um momento para apreciar essa beleza simples e natural.
Entrei em casa, alimentei os gatos e viajei pelas páginas de "Incidente em Antares" de Erico Verissimo.
Amo a Natureza, os livros e as coisas simples.
É isso.


                                     


                                 

domingo, 27 de outubro de 2013

Avesso

                                  



Dia quente e bonito. 
Céu azul, gatos espalhados pelo quintal e tomando banho de sol, a exuberância em vários tons de verde de minhas plantas, flores do meu jardim.
Estou exausta e tenho tido dias bem ruins com dores físicas e outras não.
Mas por mais difícil que seja, mando a bola ao gol e bem melhor que o Pato no jogo do Curinthia contra o Grêmio.
Pelo amor de Deus, mano, o que foi aquilo?
Vi uma piadinha dizendo que o Pato só usa chuteira de outras marcas, porque se usar da Penalty, vai acabar perdendo. Sacanagem.
Tive mais uma semana difícil e depois de tudo que passei e estou passando, começo a desejar cada vez mais que a médica me chame, faça os benditos dos exames, me vire do avesso do avesso do avesso e encontre o melhor diagnóstico, tratamento e o que for necessário. Pelo amor de Deus!
Estou com medo, assumo, admito. Sou humana, demasiado humana.
Fiquei com trauma após tudo o que passei na cirurgia para remoção de adenoma (tumor) de hipófise.
Mas se preciso for, farei novamente. É o jeito.
Preciso ter saúde, preciso voltar ao trabalho, preciso viver minha vida como qualquer pessoa saudável.
Não tenho milhões em dinheiro nem em amigos e ficar sem saúde só complica ainda mais as coisas.
Fiz arte hoje, como dizia um dos médicos. Tirei a roupa da cama, lavei, estendi o que coube nos varais que sobreviveram aos ataques das unhas e dentes de Branca Maria.
Deixei o resto de molho para amanhã.
Limpei o quintal dos gatos, coloquei água fresca, me cansei, me sentei na cadeira que deixei ao lado do tanque e da máquina de lavar. Me canso muito fácil e rapidamente e não consigo continuar. É preciso parar e descansar para depois voltar. Coisa chata.
Tomei café com Panetone de manhã e à tarde comi mamão e banana.
Fiquei com vontade de comer pizza. Hoje é sábado, dia mundial da pizza e São Paulo tem a melhor pizza do país.
Também pudera, a Itália é aqui e até falamos bem parecido.
Mas acabou o dinheiro; paguei as contas, comprei meus remédios, a ração e a areia dos gatos. É preciso ver nossas prioridades.
Deitei no sofá e me sentia tão mal e cansada que parecia que havia enchido uma laje.
Adormeci.
Amanhã é outro dia e será melhor.
É isso.


                                       



sábado, 3 de agosto de 2013

Sábado de Sol

Meu avô Paipreto dizia que os raios de sol eram as asas dos anjos.
                                     

Essa semana teve dias quentes e noites frias. Assim é bom.
O frio polar se afastou mas promete voltar nas próximas semanas, segundo meteorologistas.
Dormi mal, pra variar, mas levantei, fiz meu café forte e adoçado na medida, comi meu pão integral de linhaça e amaranto e me preparo para fazer o restante da limpeza de sábado. Sexta-feira é tradicionalmente o dia da limpeza, mas eu trabalho e só sobra o sábado mesmo.
Depois de tudo isso, ficarei moída, obviamente. Mas se entregar é pior, então, vamos à luta que a vida é curta.
E por falar em dia de limpeza... Preciso voltar aos afazeres domésticos e estou a escrever!
É isso.
Um bom sábado se sol a todos.



                                           

sábado, 11 de agosto de 2012

Sol & Lua

                                               

Dizem que a lua é feita de queijo. Adoraria ir pra lá, ainda mais se tiver queijo coalho.
Dizem que São Jorge mora na lua. Adoraria conhecer Jorge. Salve Jorge!
Dizem que o mar da tranquilidade fica na lua. Adoraria navegar por esse mar e encontrar alguma tranquilidade para essa minha alma inquieta, agoniada, angustiada, maluca, esperançosa e às vezes feliz.
Noite de lua clara, caminhos iluminados pela luz prateada.
Meu Paipreto contava um causo sobre a lua e o sol, e era assim: "O sol e a lua eram namorados, se amavam muito. Mas havia uma bruxa malvada e invejosa (sempre há) que lançou um feitiço sobre os amantes: Eles nunca mais se encontrariam!
Durante o dia, o sol.
Durante a noite, a lua.
Quando um chegasse, o outro iria embora.
Mas como o amor vence tudo, (há controvérsia), os amantes conseguiram a ajuda da Mãe Terra e vez ou outra acontece um eclipse e sol e lua se unem por algum tempo.
Lindo isso.
Quando eu estava em coma vi o sol da meia noite. Tanto frio, tanta luz, tanta escuridão, tanta solidão.
O sol da meia noite é um fenômeno natural que ocorre durante o verão em países próximos ao Círculo Polar Ártico e Círculo Polar Antártico.
O filme Insônia mostra esse fenômeno; já são dez horas da noite, mas ainda é claro feito dia.
A Natureza é mesmo encantadora!
Eu gostava de me sentar sob o sol e ouvir o ruído dos aviões pequenos cortando os céus. Eu imaginava quem estava naqueles aviões, para onde iriam...
Li um livro chamado "O Demônio do Meio Dia", de Andrew Solomon onde ele relata sua brava luta contra a depressão, o mal do século.
Demônio do meio dia porque não ataca apenas de noite, de madrugada, nas longas noites de insônia; ataca a qualquer hora, a qualquer momento, mesmo ao meio dia.
Une-se à culpa, solidão, ao sentimento de rejeição e esquecimento. 
Mas adoro admirar o dourado e o prateado dos amantes Sol e Lua.
É isso.

O Sol da Meia Noite
                                            

terça-feira, 22 de maio de 2012

Bacia e Tecido

                                            


Deveria estar na terceira ou quarta série e teríamos aula de geografia onde estudaríamos bacias hidrográficas, lençóis freáticos, rios, floresta...
Abro o livro e vejo mapas coloridos de rios, lagos, cursos d'água etc...
Fico encucada com aquilo, pois imaginava que se tratava de bacias de metal, daquelas que mamãe colocava a roupa para quarar. Achava que lençol freático era o lençol que cobria a cama e imaginava um enorme lençol cobrindo uma enorme bacia para ser quarado ao sol no meio da Floresta Amazônica!
Era cada viagem! Deveria ser efeito dos inseticidas em nossas cabeças para matar os piolhos.
Leio o livro, estudo os mapas e entendo que se tratava dos meios hídricos do Brasil. 
Tinha medo e vergonha de perguntar à professora e lá em casa também.
Na aula de ciências estudamos tecidos, formação de órgãos, sangue...
Eu olhava para a figura representando um tecido e achava aquilo muito estranho e não tinha nada a ver com os tecidos que tia Antônia costurava em sua máquina, que Mãevelha remendava, fazia barras, colocava elástico no cós. Tecido para mim era para fazer roupa, lençóis, toalhas, cortinas...
Hoje eu sei.
Ainda bem.


Tecido do corpo humano

Tecido para costura



                                               
                                   

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mar

                                       
Sonhei de novo com o mar.
Mar bravio, forte, azul, intenso.
Mar de águas aconchegantes.
Vou ao litoral para apreciar o mar e sua bela fúria, não vou para torrar sob o sol. 
Estou louca para ver o mar.



                                       

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Galego

Beatriz, galega neta de nordestinos.
                                             


No Nordeste as pessoas loiras, de olhos e pele clara são chamadas de galegas.
Mesmo aquelas que têm cabelo escuro mas que têm pele clara também são chamadas de galegas.
Nas nossa última viagem a Buíque, Pernambuco, saímos papai, eu e Renata pelas ruas da cidade. Era um sábado, dia de feira e já às oito horas da manhã o sol e o calor eram de rachar.
Papai, Renata e eu passamos protetor solar e saímos  paramentados com chapéu, óculos e sombrinha (guarda chuva); chamamos a atenção dos buiquenses. Mas também não era para menos: três branquelos galegos sob sol quente, vestidos como turistas de países frios e papai falando seu português rápido e quase totalmente ininteligível!
As pessoas nos paravam e algumas perguntam: "De que canto do mundo são vocês?".
Ninguém acreditava que éramos brasileiros e nordestinos!
Havia ido à praia da Boa Viagem com minhas primas de Recife e lá chegando fui assediada pelos vendedores de água de coco e toda a parafernália praiana; eles falavam comigo em um portunhol estranho e eu dizia que era pernambucana: "Oxe, é não! Na terra que tu veio não faz sol não, é?".
Faz sim, e muito.


Praia da Boa Viagem. Recife - PE
                                      

sábado, 28 de abril de 2012

Mar

                                                                                  


Sonhei mais uma vez com águas, com o mar.
Águas aconchegantes como as águas do útero materno.
Aconchego, proteção, segurança, amor...
Estou louca para ver o mar e ao contrário da maiorias das pessoas, não faço questão de dias quentes e ensolarados para ir à praia, se enrolar na areia e ficar parecendo um bife à milanesa. Gosto do mar, apenas isso.
Sol e calor não me apetecem muito.
O mar ficar mais bonito em dias cinzentos e chuvosos.


                                             

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ritinha

                                                


Estava em um hospital e tive alta. Fubá veio me buscar e deixa Rafaela com mamãe a brincar nas areias de uma praia. Sol de um dourado lindo e aconchegante.
Estou vestida elegantemente e usando sapatos de salto alto. Eu fiquei tão feliz por estar calçada com sapatos normais; isso queria dizer que eu estava boa e não cresceria mais!
Estou pronta para ir embora mas me chama a atenção uma menina negra de uns cinco ou seis anos que está sozinha em um quarto do hospital.
Eu a chamo para vir comigo, mas ela não pode sair dali. Por quê?
Procuro por algum médico, enfermeiro ou alguém que possa me explicar porque a menina não pode sair dali, porque a menina está sozinha, porque ninguém está com ela e me recuso a deixar o hospital enquanto alguém não me explicar direitinho o que está acontecendo. Deixar uma criança sozinha! Que absurdo! E por que não posso leva-la comigo?
A menina continua no quarto e no corredor vejo um homem negro, alto e vestido com jaleco branco a se aproximar de mim. O homem conversa comigo e explica a situação, mas eu não consigo ouvir e entender o que ele diz. 
Deixo o hospital com meu irmão Fubá e vamos ao encontro de mamãe que brincava com Rafaela na areia da praia numa belíssima e aconchegante tarde de sol.
A menina negra que ficara no quarto do hospital era Rita; Ritinha.
Ritinha tinha vergonha por ser negra; ela vivera em uma época de muito preconceito. Não é muito diferente hoje.
As pessoas deveriam ser julgadas por seu caráter e sua conduta e não pela cor de sua pele.
Ritinha era doente e vivia internada.
Ritinha morreu no hospital um mês antes de completar seis anos.
Que Ritinha tenha paz, aconchego, amor, alegrias e esteja sempre na companhia de Deus e do Povo lá de Cima.
Amém.


                                                
                                          

quarta-feira, 21 de março de 2012

Outono

                                           


O Outono chegou, que bom.
Céu de intenso e belo azul, sol e ventos frios.
Folhas que mudam de cor e caem. Belo espetáculo da Natureza.
Outono, Primavera e Inverno sim, Verão não.
Mas o Outono e as estações frias me dão uma certa melancolia, então...
Verão sim, mas com moderação. Nada de temperaturas ferventes. Deus me livre!
É isso.


As quatro estações