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sábado, 25 de janeiro de 2014

Ajax

                                                                   


É sempre tão bom sonhar com mamãe.
Mamãe nunca está parada, quietinha... não. Mamãe está sempre pra lá e pra cá, sempre agitada, esperta, viva, animada, trabalhando e trabalhadora.
Sempre mamãe.
E mais um sonho com mamãe me ajudando a limpar e a arrumar a casa. Qualquer casa, onde quer que eu esteja.
Eu dizia para mamãe não se preocupar tanto, não trabalhar tanto, a casa estava limpa, era só tirar o pó dos móveis e passar um pano no chão, mas ela insistia.
Hoje existem inúmeros produtos de limpeza para os mais variados fins, mas na nossa época tínhamos poucas opções. Mamãe gostava de lavar roupas com o sabão em pó OMO e com sabão em barra, ou sabão de pedra, como ela dizia. Ela nos mandava comprar duas ou três pedras de sabão da marca Rio, tinha que ser sabão Rio, outro não prestava não, dizia ela.
Detergente era ODD azul e os desinfetantes de pinho, jasmim e lavanda eram comprados do senhor que passava na rua com sua Perua Kombi sempre tão cheirosa.
Anunciam na TV um novo produto de limpeza; um produto com cheiro forte que limpa, desengordura e deixa tudo brilhando! AJAX. 
Mamãe gostava do AJAX, principalmente para limpar o banheiro. Mas o cheiro do produto era tão forte que nos deixava meio tontos. E isso somado ao inseticida que ensopava nossos cabelos na infindável luta contra os piolhos. Não era à toda que éramos tontos. Éramos?
Bom...
Estou na casa com mamãe, vamos lavar a garagem. Pego um AJAX e mostro pra ela: "Olha o que eu comprei pra nossa limpeza, mãe. Eu sei que a senhora gosta desse".
Coisa tão boba e tão simples, mas tão boa de sentir.
Livros espalhados pela casa. Livros sobre a mesa da sala, estante, rack, sofá... pela casa toda. Meu irmão, minha cunhada e minha sobrinha estavam sentados no sofá maior e a pequena Rafaela brincava com os gatos. Mamãe pegava dois livros que eu havia separado para emprestar para meu irmão e cunhada: livros sobre como cuidar de crianças; da alimentação à educação.
Crianças sempre bem vestidas, bem calçadas e sempre com boa aparência é até legal, mas será que essas mesmas crianças são bem alimentadas e bem educadas?
Eis a questão.
Bom...
Foi e é sempre tão bom sonhar com mamãe.
E eu agora vou para o segundo "round", vou terminar de limpar a casa e finalmente lavar a garagem. Hoje é sábado e têm menos carros na rua.
E tem a parte chata também: passar a roupa nesse calor! Vou passar a roupa de trabalho, graças a Deus!
É isso.


                                          


                                     

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Barata

                                        


Deixo a TV ligada enquanto ando pela casa e hora ou outra paro para dar uma espiadela. Passava o chato, hipocondríaco e fraco Bem Estar e me chamou a atenção um dos temas do dia: A que distância devemos lançar o spray (inseticida) em direção à barata!
Nossa!
Acho que ninguém, mas ninguém mesmo, jamais parou para pensar e/ou calcular a distância correta para apertar o botãozinho da lata de inseticida em direção à barata ou qualquer outro inseto, a velocidade do jato de spray, a reação da barata, a velocidade da barata em fuga, o percurso da barata em fuga etc... Fez me lembrar das aulas de Física e da Primeira Lei de Newton, (Princípio da Dinâmica ou Princípio da Inércia).
Então...
Se a barata estiver parada, permanecerá parada, e se, está em movimento, permanecerá em movimento em linha reta e sua velocidade se mantém constante.
Há controvérsias...
O calorão que está fazendo atualmente tem atraído pernilongos e baratas e tenho usado bastante inseticida para afastar esses bichos escrotos que saem dos esgotos para atormentar a vida do cidadão civilizado. 
Os insetos não ficam parados, não movimentam-se em linha reta e não mantém velocidade constante. Ao contrário, aumentam a velocidade e dão no pé, ou nas patas.
Sei lá. Impliquei com o programa e com o desperdício de verba, material e talento dos apresentadores que se saíam muito melhor em suas funções anteriores.
É isso.


                                        





terça-feira, 22 de maio de 2012

Bacia e Tecido

                                            


Deveria estar na terceira ou quarta série e teríamos aula de geografia onde estudaríamos bacias hidrográficas, lençóis freáticos, rios, floresta...
Abro o livro e vejo mapas coloridos de rios, lagos, cursos d'água etc...
Fico encucada com aquilo, pois imaginava que se tratava de bacias de metal, daquelas que mamãe colocava a roupa para quarar. Achava que lençol freático era o lençol que cobria a cama e imaginava um enorme lençol cobrindo uma enorme bacia para ser quarado ao sol no meio da Floresta Amazônica!
Era cada viagem! Deveria ser efeito dos inseticidas em nossas cabeças para matar os piolhos.
Leio o livro, estudo os mapas e entendo que se tratava dos meios hídricos do Brasil. 
Tinha medo e vergonha de perguntar à professora e lá em casa também.
Na aula de ciências estudamos tecidos, formação de órgãos, sangue...
Eu olhava para a figura representando um tecido e achava aquilo muito estranho e não tinha nada a ver com os tecidos que tia Antônia costurava em sua máquina, que Mãevelha remendava, fazia barras, colocava elástico no cós. Tecido para mim era para fazer roupa, lençóis, toalhas, cortinas...
Hoje eu sei.
Ainda bem.


Tecido do corpo humano

Tecido para costura



                                               
                                   

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Insetos e Inseticida

                                          


No calor os insetos saem de seus esconderijos e vêm nos atacar. O pior deles é o pernilongo, que além de picar, ainda faz aquele irritante barulho no ouvido da gente.
Papai chegava do trabalho e espalhava inseticida pela casa toda. Na época tínhamos um troço chamado bomba de fritz ou flitz. Já falei sobre isso aqui.
Eram raros e caros os inseticidas em práticas latas de spray e por isso comprávamos o inseticida em latas de meio litro e depois despejávamos na tal da bomba de fritz.
Lembro das marcas da época: Detefon e Baygon líquidos e o SBP spray. Chiquérrimo. Meu sonho era fazer igual a moça do comercial; apertar o botão da lata e espalhar o inseticida pela casa.
Um dia Mãevelha me manda ir ao mercadinho para comprar inseticida, mas ela não sabia falar a palavra inseticida e dizia remédio ou veneno para muriçoca. Ela disse: "Olhe, tu peça remédio pra matar muriçoca, visse?"
Eu chego ao mercadinho e fico com vergonha de usar as mesmas palavras que Mãevelha disse, então olho em volta e procuro pela já familiar lata de inseticida das marcas Baygon ou Detefon. A moça do mercado percebe que procuro por algo e pergunta o que eu quero: "Quero remédio para matar muriçoca"
"O quê?".
Repito e ela diz que não tem o que procuro e me aconselha a voltar para casa e perguntar direitinho para minha mãe o que foi que ela me mandou comprar.
"Minha mãe está no trabalho. Foi minha avó que me mandou vim aqui".
Eu não queria voltar para casa com as mãos vazias, sabia que a surra seria garantida e mais os adjetivos e os sermões. 
A moça do mercadinho me pede para repetir exatamente o que minha avó disse: "Remédio pra matar inseto, barata, purga e muriçoca".
"Você não é daqui, né?"
"Não".
"O que são purga e muriçoca?"
"Acho que é pulga, aquilo que todo cachorro tem. E muriçoca é aquele inseto que chupa o sangue da gente e faz barulho".
Ela me conduz ao corredor do inseticida e aponta para várias latas de Baygon  e Detefon. Vejo a embalagem esverdeada com a imagem de vários insetos e digo, aliviada: "É esse mesmo! Graças a Deus!"
"Você vai levar Baygon ou Detefon?"
"Qual deles serve para matar muriçocas?"
"Todos servem para matar vários insetos. Pernilongos também".
Mas pernilongo lembrava Pernalonga, o coelho esperto do desenho animado.


 



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Piolhos



Houve uma época em que estávamos empesteados de piolhos.
Mamãe cortava nosso cabelo o mais curto possível, cuidava, colocava remédio, mas mesmo assim não conseguíamos nos livrar desses insetos nojentos.
E nem tinha como; mamãe como todos os seus cuidados e nós ignorando seus conselhos e brincando com a molecada da rua e da escola e todos naturalmente piolhentos.
Em casa tinha inseticidas que eram usados para matar muriçocas, baratas, pulgas e insetos dessa categoria. Na época esses inseticidas vinham em latas e o líquido era despejado em bombas de spray chamadas "Fritz" e depois aplicados nos cômodas da casa.
Mamãe pensou e chegou à seguinte conclusão: se esses inseticidas matam  insetos então serviriam também para matar piolhos. Piolho também era inseto, não era?
Mamãe despejava o conteúdo do inseticida nas nossas cabeças e ficávamos durantes horas com os cabelos ensopados com aquele líquido fedido que nos deixava tontos. 
Era uma coisa quase insuportável. Uma agonia mesmo. Coçava, irritava o couro cabeludo e não sei quem ficava mais agoniado com aquilo, nós ou os piolhos.
Depois tomávamos banho, mamãe olhava nossas cabeças e nos mandava para a escola. 
Na sala de aula disfarçávamos a coceira e aguentávamos o máximo que podíamos. Quando não dava mais para aguentar, pedíamos para ir ao  banheiro e lá dentro nos entregávamos ao prazer de coçar a cabeça com as duas mãos ao mesmo tempo! Era um alívio! Um prazer!
Mas esse alívio tinha duração muito curta e alguns minutos depois voltava a coceira. 
E lá íamos nós para o banheiro de novo.