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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Passeio

                                         


Beatriz foi a um passeio da escola; foram à uma fazendinha em Cotia, São Paulo.
Beatriz conta que tirou leite da vaca, andou de charrete, pintou um vaso de barro, passou por sobre uma ponte, almoçou, comeu tudinho e ainda fez pão. Ufa!
Foram muitas novidades excitantes, exceto pelo fato de que Beatriz já sabia fazer pão: "Eu já sei fazer pão, faço pão com minha tia".


                                         

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Irmãzinha

E a treta com os moleques da ponte continua...
Era um domingo e fomos ao mercadinho do bairro para comprar algumas coisas para o almoço. Deveríamos também comprar um maço de cigarro para papai.
Fomos eu, Rogério, Naldão e Rosi; Fubá era bebê ainda.
Caminhávamos pelas ruas de terra vermelha cercadas pelo verde das chácaras. Um passeio bucólico.
Tudo ia muito bem até que vimos um grupo vindo em nossa direção. Não demos muita importância, achamos que era apenas pessoas comuns andando pelas ruas.
O grupo se aproxima e reconhecemos: os moleques da ponte! Ferrou!
Os moleques da ponte também tinham uma irmãzinha e ela andava inocentemente com eles naquele lindo e bucólico dia de domingo.
O moleque maior provoca: "Você bateu no meu irmão, agora eu vou bater no seu!".
"Mas ninguém fez nada! Ninguém quer confusão aqui!"
"É, mas nóis qué descontar, então vamos bater naquela pequenininha ali"
"Na minha irmãzinha?! E o que foi que ela fez?! Se você quiser briga, chega junto, agora bater na minha irmã pequena, de jeito nenhum!".
"Ah é?!
"É!"
E o pau comeu de novo. Os dois grupos assistindo à briga entre mim e o moleque grandão da ponte. 
Rosi ficou assustada e se escondeu atrás de Naldão e Rogério correu pra casa pra chamar algum adulto. Veio um primo nosso que apartou a briga e aconselhou que vivêssemos em paz.
Tá.
Mas desde que não mexa com meus e minhas doces e inocentes irmãos e irmãs.
Beleza?

                                         

Moleques da Ponte

Atrás da casa onde morávamos havia um córrego.
Havia também uma ponte de madeira que muitos chamavam de pinguela.
Alguns parentes e conhecidos moravam do outro lado do córrego, mas bastava atravessar a ponte e logo chegaríamos ao nosso destino.
Naldão e Rogério não atravessam a ponte; eles davam a volta pelo quarteirão, o que era mais demorado. Quando voltavam para casa, mamãe perguntava porque demoraram tanto e eles diziam que tinha uns moleques na ponte impedindo a passagem.
Coragem não é a característica mais marcante de nossos irmãos.
Naldão e Rogério já chegaram em casa muitas vezes correndo e fugindo dos moleques da ponte; arrumavam confusão e corriam. Algumas vezes os moleques iam até o portão de nossa casa e esperavam meus irmãos saírem, mas eles não saíam nem por decreto.
Outras vezes os moleques da ponte esperavam meus irmãos na saída da escola.
Quando arrumavam problema e tinham medo dos moleques da ponte, Naldão e Rogério pediam minha ajuda. Eles iam na frente e eu atrás, observando e disfarçando.
A molecada se aproximava. Naldão e Rogério munidos de repentina coragem desafiavam: "Se  vocês baterem na gente eu chamo minha irmã".
"Então chama sua irmã que eu quero ver".
Como reza a cartilha machista, o "certo" seria os irmãos protegerem a frágil e doce irmã, mas com nossos corajosos irmãos, acontecia exatamente o contrário.
Eu me aproximava, a molecada me encarava.
Eu dizia que se encostassem um dedos nos meus irmãos o pau comia!
E o pau comia mesmo! Era porrada para todos os lados!
Quando mamãe voltava do trabalho sempre encontrava a mãe de um dos moleques a esperá-la no portão: "Dona Marlene, sua menina bateu no meu filho, o coitadinho está todo machucado, diga a ela para não fazer isso mais não".
Mamãe desculpa-se com a mãe da pobre vítima, me fulmina com o olhar e entramos em casa; começa o sermão.
Eu tento argumentar dizendo que apenas defendi meus irmãos bundões e que os moleques da ponte eram grandes e muitos, Oxe!
No dia seguinte, mais uma vez os moleques da ponte a ameaçar meus bravos irmãos e mais uma vez os moleques da ponte iriam levar porrada!
Hoje estamos todos adultos e a maioria casada e com família constituída.
Hoje somos todos da paz.
Amém.