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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Da padaria

                                 Resultado de imagem para salame com provolone


Bati manga com leite e cozinhei mandioca. Tomates picadinhos com arroz branquinho. Muito bom.
Mas eu queria mesmo era um pão da padaria, talvez mais, com queijo provolone, salame, fatias finas de tomate e um copão de guaraná bem gelado.
Nessa minha vida reclusa, tenho me alimentado muito "natureba" e sinto falta de um pequeno exagero de vez em quando.
Estava meio triste e sei que a tristeza atrai coisas ruins; melhor pensar em coisas boas. Pensei.
Volto no tempo e me entrego às memórias e lembranças da minha curtíssima infância em Pernambuco, ao lado dos meus dois avôs que me amavam tanto.
As pessoas, principalmente os jovens, não têm paciência para ouvir os causos e histórias dos avós e parentes mais antigos; não sabem o que estão perdendo.
Cultura, História e conhecimento de mundo.
Bom...
Tristeza atrai coisas ruins, assim como mágoas e frustrações. Melhor deixar pra lá e seguir em frente. Sigo.
Não podemos mudar o caráter e o coração das pessoas, felizmente ou infelizmente. Melhor mesmo deixar pra lá e seguir em frente, o que é ruim se destrói por si mesmo, diziam meus antigos.
Acho que vou comer um docinho, só pra variar.
É isso.



                                      Resultado de imagem para docinhos

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pão e Bolo de Santo Antonio

                                   



Levanto cedo e ligo na TV nos telejornais. Reportagens direto da igreja de Santo Antonio no bairro do Pari, bairro tradicionalmente italiano.
Vasos com lírios brancos sobre mesa com pães e bolo de Santo Antonio, o santo casamenteiro. Tadinho.
As moças "véia do caritó", como dizia meu povo antigo, fazem tortura física e psicológica com o santo; colocam-no de ponta cabeça em copo com água, tiram-lhe o Menino Jesus e só o devolvem quando arrumarem um marido. Não é fácil ser santo casamenteiro. As encalhadas piram.
Missas a cada hora, hora e meia e as encalhadas participam da maioria e ainda pegam bolo e pão na esperança de terem seu pedido atendido.
Acho que Santo Antonio dever ter o apoio de um grupo de assessores para assuntos matrimoniais, porque sozinho o coitado do santo pira!
Lembro que uma conhecida chegou à nossa casa trazendo pão e bolo de Santo Antonio e mamãe pensou que ganharia as guloseimas, mas ledo engano, a conhecida foi lá com o intuito de vendê-los!
Mamãe arretou-se e disse que sabia fazer pão e bolo muito mais gostosos que aquele e, além do mais, pra que raios ela queria bolo do santo se ela já estava casada há décadas e tinha seus seis filhos?! Oxe!
Pelo menos dessa Santo Antonio estava livre. Ufa!
É isso.


                                    

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Carinho

                              



Estava ainda na cama com a gataiada disputando espaço sobre mim. São pesados e mesmo deitada o peso deles incomoda minha coluna. Eu os tiro de cima de mim, mas eles voltam.
Toca o celular e era meu irmão Fubá perguntando se eu queria pão fresquinho que ele acabara de assar; aceitei, claro.
Ele manda pão, manteiga e banana por um menino da comunidade onde mora.
O menino procura minha casa e os funcionários de uma transportadora vizinha tentam dissuadi-lo a entregar-lhes a encomenda, mas isso não acontece.
Abro a porta e chamo o menino e os marmanjos da transportara disfarçaram dizendo que estavam ajudando o moleque a encontrar minha casa. Tá.
Foi divertido.
Gosto de comer pão com banana, banana frita, banana com farinha e café, banana caramelada (caramelizada?).
Pouco tempo depois recebo a curta visita de uma colega e ela traz goiabinhas pra mim. Ela disse que se lembrou que eu gostava dessas coisas e trouxe pra mim. Achei muito carinhoso da parte dela e do meu irmão também.
Essa semana ainda recebi almoço, pão de queijo e rosquinhas enviados por minha irmã Rosi. Carinhoso também.
É disso que eu gosto e de que a vida é feita: de pequenas demonstrações de carinho e respeito.
Carbohidratos e carinho. 
Carboidratos?
Adoro essas coisas.
É isso.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Produção

                                   


Já falei aqui sobre a rápida e descartável produção de celebridades atualmente.
Parece que basta a pessoa filmar qualquer coisa e lançar na Internet que em questão de tempo se transformará na mais nova sensação celebrativa. 
Semanas atrás um dos vizinhos fez uma festinha em sua casa; aliás, toda semana tem uma festinha com música pegajosa, churrasco e muito barulho.
Primeiro fui obrigada a ouvir, pelos menos umas três vezes seguidas, o inefável CD do Carrossel. 
Na boa, criança cantando é bonitinho só para os pais e familiares verem e ouvirem, já gravar discos...
Depois do Carrossel ouvi uma meia dúzia de vezes o tal do "Prepara..."
Não conhecia a dona da voz até que a vi em entrevista para Marília Gabriela. É uma moça bonita, jovem, carioca e funkeira e atende pelo nome artístico de Anitta com dois "tês".
Entendi.
Vi a entrevista e continuei ouvindo "prepara" por meio dos Gadgets dos alunos e pelo vizinho. 
Dias depois vejo a imagem dessa moça em quase todos os canais abertos e me surpreendeu vê-la na campanha do Criança Esperança.
Parece que até mesmo emissoras de TV tradicionais com a Rede Globo têm sede, fome e uma tremenda necessidade e interesse em mostrar gente que faz sucesso para aumentar os pontos de audiência.
Parece também que o padrão de qualidade dessas emissoras caiu bastante, pois basta alguém fazer sucesso na web e logo aparecerá em programas de TV.
Tive um dia estafante e muito estressante hoje e obviamente a cabeça dói. Volto para casa e ligo a TV; hoje tem CQC. Gosto do programa.
Mas eis que a ubíqua Anitta estava lá também!
Nada contra essa moça, mas me incomoda essa fome desesperada de se mostrar e ser visto e não importa o "talento" da pessoa, o que importa mesmo é que ela tenha bombado em algum veículo da mídia. 
Fama, sucesso, dinheiro, futilidade, pobreza intelectual e cultural e o povão aplaudindo.
Quando começarão a distribuir pão e vinho? O circo já está armado faz tempo!
É isso.


                                      


segunda-feira, 4 de março de 2013

Tombo

                               



Estive bem dolorida essa semana que passou. Tive dores na juntas, nas pernas e nos ossos. Dormir é difícil.
Tomo remédios só quando a dor incomoda muito e mesmo assim procuro tomar os remédios mais leves receitados pelo médico.
Mas as dores não diminuíam e eu tive que tomar o remédio de controle especial; foi o jeito. 
Tomei e adormeci. Acordei meio mole e assim fiquei o dia todo, mas as dores estavam mais fracas.
Assisti ao Globo Rural e depois decidi me levantar, colocar a roupa na máquina para lavar, molhar as plantas e fazer pão. Estou com uma vontade enorme de comer pão caseiro.
Volto para o quarto para tomar o remédio da pressão e de repente me vejo no chão. Tentei me apoiar no sofá, mas a mão estava longe; caí.
Tive muito trabalho para me levantar; eu não tenho força nas pernas nem nas costas para me impulsionar para cima e me levantar. Tive muito trabalho e foi muito difícil.
Fiquei muito cansada e decidi ficar mais um pouco na cama e depois de uma meia horinha, pensei eu, me levanto e termino de fazer as coisas.
Adormeci e acordei depois das onze horas da manhã. Meu joelho doía e estava duro como se estivesse enferrujado.
Meu cunhado Pepê havia me convidado para almoçar e assistir ao jogo do Santos X Corinthians, mas tive que declinar. Eu não estava bem para dirigir e achei melhor ficar em casa.
Amanha vou procurar o ortopedista e tentar marcar um encaixe. Estou lenta e dolorosamente perdendo meus movimentos; minha mobilidade está cada vez mais reduzida.
Mas eu vou ficar boa. Tenho fé.
É isso.

                               
                                       

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Abraço

                                

Sonhei com papai.
Eu caminhava pelas mesmas ruas por onde caminhei em outros sonhos e papai me entregara um pedaço de pão.
Era um dia agradável, ensolarado e bonito. Encontrei algumas colegas da faculdade e passei por uma agitada rua de comércio.
Caminhava, caminhava e caminhava...
Um carro azul vinha no sentido contrário e era dirigido por minha irmã Rosi que levava papai ao médico.
Rosi descia do carro e pedia para eu pegar o volante; papai estava ofegante, fraquinho, cansado, magro. Observava a pele clarinha, enrugada, flácida, cheia de pintas nos braços de papai.
Eu pedia para ele se acalmar, eu o levaria ao médico e ele ficaria bem. Tudo ficaria bem.
Papai colocava o corpo para fora e me abraçava. Um forte abraço. Abraço de aconchego, acalanto.
Acordei com o barulho intenso dos caminhões que passam rapidamente e balançam as casas da vizinhança.
Não acordei triste nem chorando, como sempre, acordei bem.
Acredito que papai me "devia" esse abraço e após dá-lo, prosseguiu em seu caminho de evolução e aprendizado.
Papai seguiu seu caminho e segui o meu.
Continuei caminhando e acordei no nosso mundo "real" de obrigações, responsabilidades, culpas, dor, mágoas, alegrias, esperanças, reparações e a certeza de que dias melhores virão.
Deus, receba bem papai e cuide bem de sua saúde. Papai estava tão fraquinho...
Papai ficará bem.
Nós todos ficaremos bem.
Amém.

                                   

                              
                             

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Liberdade

                                 

Sonhei com mamãe.
Estávamos sentados à mesa onde havia cestas enormes com pães e maçãs.
Adoro pão da padaria; pão crocante, "cascudo", quentinho e com manteiga verdadeira, nada de margarina.
Eu comia um pão e perguntava à mamãe se poderia comer outro, e ela dizia: "Oxe, minha filha, se está na mesa é para comer mesmo".
Isso foi muito libertador.
Meus irmãos Naldão e Rogério estavam presentes e Naldão passava muita manteiga no pão e eu dizia a ele: "É pão com manteiga, Naldaão, e não manteiga com pão".
Eu me levantava e pegava uma maçã e perguntava novamente à mamãe se poderia pegar outra e mamãe ficava brava e dizia: "E eu já não lhe falei que é para comer? Oxe!".
Foi muito libertador.
Papai regulava a comida, ficava nos olhando enquanto comíamos e quando raramente estava de bom humor, fazia piadinhas maldosas. Noventa e nove por cento do tempo papai estava de mal humor e nos atormentava com seus sermões intermináveis. Papai fazia comentários como: "Se trabalhassem o quanto comem, estava bom... É magro/a de ruim, pois come muito".
Acho que isso explica o fato de sermos tão magrinhos quando jovens e hoje meus irmãos se apegarem à comida como quem se apega à tábua de salvação.
Meus irmãos parecem duas dragas, comem como se não houvesse amanhã e vivem tendo piripaco e indo ao hospital com picos de pressão de alta.
Acho que eles querem compensar o tempo perdido e descontar toda a frustração e toda a vigilância terrorista de nosso pai comendo que nem doidos.
Eu disse libertador porque foi tão boa a sensação de comer em paz, em liberdade e sem ninguém nos vigiando e falando em nossas orelhas.
A pura e simples liberdade de saborear um alimento, seja ele um manjar dos deuses ou simples pão com manteiga.
É isso.