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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Andanças

Rafaela
                                         

Ontem bati os quatro cantos do mundo, andei mais que "tiradô de esprito", como dizia mamãe. Fui ao laboratório fazer exames, fui ao ortopedista, voltei ao laboratório para a segunda parte dos exames, fui à clínica veterinária para buscar o laudo médico de Aurora e depois fui ao Pet Center da Marginal para comprar a ração da gataiada. Ufa!
Aurora está se recuperando bem, graças a Deus.
Ainda passei na lojinha do meu irmão Fubá e beijei muito as pernas e os braços roliços de Rafaela, que está cada dia mais linda.
Adoro meus sobrinhos mas tenho queda maior pelas sobrinhas; meu cunhado Pepê havia notado isso. Acho que é porque eu quis tanto ter minha própria filha, Mariana, mas como ela não veio, eu "babo" nas sobrinhas. É uma forma de compensação.
Bom...
Saí de casa bem cedinho e a chuva que caíra no alvorecer dava um clima natalino ao dia. Sei explicar não, só sei sentir.
Subi pela Rua Tuiuti e admirei os eucaliptos do Parque do Piqueri molhados de chuva; lembrei do perfume exalado por eles. Borboletas coloridas passeavam pra lá e pra cá, um espetáculo de dança. 
Passo pela Melo Peixoto e observo a relva coberta de pequenas flores amarelas; lindo.
Jacarandás e Ipês floridos, lindos. O roxo das flores do jacarandá mimoso contrastava com o cinza do céu chuvoso. Das paineiras começam a brotar folhas novas e em breve teremos o espetáculo de suas flores róseas.
Então...
Fui ao ortopedista e levei exames pedidos pelos outros médicos; mudei de convênio, como já citei.
Cheguei ao local e de cara não gostei da desorganização das recepcionistas, era um "Toma lá da cá dos infernos"; cada uma que pegasse um documento, uma ficha; um caos. Pensei comigo: "Se eu não gostar do médico não volto mais aqui, muita bagunça".
Aguardo ser chamada e observo o teto decorado com gesso trabalhado em desenhos elegantes e antigos. O consultório fica em uma "casona" bonita no Tatuapé; casa antiga dos tempos em que prédio era coisa rara na região e só tinha no centro da cidade, mas hoje a ZL está invadida por prédios lindos e novinhos em folha. Prefiro casa.
O médico me chama e faço um breve relato do meu histórico: acromegalia, cirurgias, hipertensão, artrodese.... O doutor foi bem simpático, direto, sincero e papo reto, bem ao contrário do médico caminhoneiro e do médico galã. 
Ele leu os laudos dos exames e disse: "Palavras bonitas e difíceis mas que se resumem a um único problema: artrose". Gostei do cara, meu.
O doutor ortopedista foi muito claro e não usou de metáforas para explicar o caso; gosto assim. Ele disse que o remédio que atualmente tomo para controle da artrose está aumentando minha pressão; por isso que essa infame não sai do 17x11 de jeito nenhum! Os anti-inflamatórios aumentam a pressão.
Ele mudou para um medicamento mais leve e disse que devo fazer hidroginástica e fisioterapia pelo resto da vida. Já estou ficando "véinha" e com o avançar da idade o entrevamento das juntas só piora. A fisioterapia é processo longo e lento mas as melhorias são para sempre. 
O ortopedista ainda fez piadinha: "Evite chás e ervas do 'Tio João', se erva fosse boa, vaca não ficaria doente". Rimos.
O doutor tem pacientes mais idosas que adoram um chazinho e uma ervinha, no bom sentido, claro. Sabe essas pessoas que adoram simpatias, chazinhos e garrafadas e outras gororobas indicadas por "entendidos"? Tem sempre alguém que conhece alguém que tem problema igualzinho o nosso e que fez isso ou tomou aquilo e melhorou! Nossa!
Sou meio cética com essas e outras coisas, embora respeite.
É isso.
Voltarei.

                                

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pronúncia & "Cow Center"

                                    

Essa semana que passou me arretei-me e me estressei com atendentes de telemarketing, que agora são operadores de call center. Tá.
Comentei com minha irmã Rosi e já falei aqui também sobre a má qualidade do atendimento, produtos e serviços prestados e oferecidos por esses profissionais. Não são todos, claro, há exceções.
Parece que São Paulo se transformou nos Estados Unidos no quesito importação de mão de obra barata e de qualidade duvidosa, pois com o salário de um bom profissional pode-se pagar o salário de meia dúzia de pessoas inexperientes e mal treinadas. As empresas querem lucro fácil e rápido mas se esquecem de que é preciso treinar seu pessoal.
Liguei para o Call Center, pronunciado "cau center" e cuja pronúncia deveria ser algo como "cól", pois "cau" é a pronúncia de "cow", vaca em inglês. Por exemplo: "cowboy - caubói".
O mesmo acontece com celulares colocados no modo "vibra call" e pela pronúncia das pessoas, vira uma vaca vibradora, ou seja: "vibra cow/cau".
Beleza?
Bom...
Liguei, fui transferida inúmeras vezes e tive que repetir nome, CPF, data de nascimento, endereço de instalação, blá, blá, blá...
Quando dizia os números pedidos pela operadora de call center, fui interrompida e "corrigida" pela simpática e lenta mocinha: "É trêis e deiz, senhora?"
"Não. São três e dez".
A mocinha não entendeu e me corrigiu repetindo o "trêis e o deiz".
Muitas pessoas me perguntam se sou do Sul do Brasil e digo que não, sou pernambucana. Tenho parentes no Paraná e tive contatos com famílias gaúchas quando era jovem.
Aí dizem: "Ah, então é por isso que fala assim". Assim como? Dez, três, paz, vez e não trêis, deiz, veiz,  paiz?
Mas essa é a pronúncia correta e não quero consertar o mundo, mas muito orgulho-me de minha língua pátria e procuro respeitá-la, ao contrário dos abusos que estão cometendo contra a inculta e bela Língua Portuguesa. Já falei sobre isso aqui na postagem com o sugestivo título "Língua Portuguesa". Confere lá.
Também não quero ser maluca igual à personagem do livro "Triste fim de Policarpo Quaresma" de Lima Barreto, um de meus autores nacionais favoritos.
Policarpo Quaresma era um nacionalista apaixonado por sua pátria. 
Não vou falar mais sobre o livro, ler é mais interessante.
Bom, depois de tudo isso ainda estou no aguardo do "problema vai estar sendo resolvido, senhora".
Como dizia papai: "Espero em Deus que sim".
Amém.

                                    

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Passeio

                                         


Beatriz foi a um passeio da escola; foram à uma fazendinha em Cotia, São Paulo.
Beatriz conta que tirou leite da vaca, andou de charrete, pintou um vaso de barro, passou por sobre uma ponte, almoçou, comeu tudinho e ainda fez pão. Ufa!
Foram muitas novidades excitantes, exceto pelo fato de que Beatriz já sabia fazer pão: "Eu já sei fazer pão, faço pão com minha tia".


                                         

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Zé Claudino

Era um dos muitos nordestinos que passaram por nossa casa antes de terem suas próprias casas. Vinham de Pernambuco, ficavam em nossa casa e depois de algum tempo trabalhando,  arrumavam o próprio espaço.
Zé Claudino já era um senhor quando veio para "Sum Paulo" e era famoso pelo apetite insaciável; vivia sempre com fome.
Zé Claudino não saia de casa sem antes comer um "pratão" e onde chegasse comia o que lhe era oferecido e ainda saía falando mal: "Me deram só um bocadinho de cumê. Eu tô verde de fome, aquele povo come muito pouco, não sei como pode"
Curiosamente, mesmo comendo muito e sempre, Zé Claudino não era gordo, tinha o peso considerado normal; mamãe achava que ele tinha uma solitária na barriga que comia a maior parte da comida que ele ingeria, por isso a fome constante.
Mamãe contava um causo de um conhecido lá em Pernambuco que também comia muito mas era magérrimo; um dia alguém teve a ideia de fazer um teste: o doente adormeceu encostado à uma árvore e esse alguém colocou uma tigela com leite fresco recém tirado da vaca. A solitária saiu pela boca da vítima atraída pelo cheiro do leite e as pessoas em volta a mataram. O doente recuperou a saúde depois disso.
Não sei até que ponto é verdade, mas ficávamos impressionados com a história.
E por isso mamãe achava que Zé Claudino tinha solitária e papai para fazer graça, dizia que não era solitária, era acompanhada.
E o nome Zé Claudino virou sinônimo de gula e apetite guloso, quando alguém é muito esfomeado, nós dizemos: "Calma, Zé Claudino!".


                                                 

Docinhos

                                              


Fomos à uma festinha de aniversário muito simples. Era apenas um bolinho, alguns docinhos e refrigerantes.
A casa do aniversariante era bem simples também, quase nem cabia todos os ilustres convidados.
Fomos papai, mamãe, eu, Rogério, Naldão, Fubá e a pequena Rosi, na época.
Seria um pedaço de bolo, um beijinho e um brigadeiro para cada convidado e pronto. 
Aguardávamos impacientes pelo "Parabéns a você..." para podermos finalmente comer o bolo e os docinhos. Rosi queria um dos doces: brigadeiro e beijinho, mas a dona da casa disse que não podia comer ainda e colocou as bandejas em cima da geladeira, fora do nosso alcance. Mas ela não contava com nossa astúcia!
Rogério, Naldão e eu éramos grandões já naquela época e podíamos alcançar a geladeira. Como a casa era muito pequena, ficamos espremidos na cozinha bem ao lado da geladeira e era exatamente o que precisávamos.
Disfarçamos e pegamos alguns docinhos, mas o auge da gula somada à esperteza e falta de educação foi quando apagaram as luzes para cantar o "Parabéns...".
Eu, Rogério e Naldão alcançamos as bandejas com os doces e atacamos o mais rapidamente que pudemos. As luzes são acesas e tentamos disfarçar nossas bocas cheias e nossa cara de pau. 
O aniversariante corta o bolo e a dona da casa vai pegar os doces, mas cadê?! As duas bandejas com brigadeiro e beijinho estavam vazias! 
A mulher ficou doida: "Mas que falta de educação! Que coisa feia! Quem fez isso?! Gentalha! Bando de @#$%¨*!"
Nós tentávamos segurar o riso e ao mesmo tempo fazer cara de indignação.
Voltamos para casa e papai e mamãe perguntam: "Foram vocês que comeram escondido os doces da festa, não foram não? Vocês me matam-me de vergonha! Isso é coisa de gente amundiçada!"
"É mãe, mas a mulher é a maior mão de vaca, a gente pediu um docinho só e ela falou que não podia, então nós catamos e comemos tudo. Bem feito! Só pra deixar de ser miserável!".
Ainda hoje Rogério lembra desse causo e damos boas gargalhadas.