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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Borboletinha

                                 


Volto de Santana de Parnaíba e encontro meus gatos ouriçados, olhando para cima, subindo nos móveis e muito interessados em algo; o que será?
Olho na mesma direção que eles e vejo uma borboletinha preta com uma bolinha branca em cada asa, linda.
A borboletinha voava com dificuldade, era muito novinha e inexperiente e não conseguia encontrar a saída. Abri todas as portas e janelas mas mesmo assim ela voava sempre em volta do mesmo lugar.
Volto da escola e a encontro atrás da torradeira e imaginei que ela já demonstrava os primeiros sinais de fraqueza, desidratação e fome, tadinha. Molhei as mãos e deixei as gotas d'água caírem naturalmente, formando poças que para o inseto pareceriam um grande lago. Ela esticou sua língua comprida e sorveu o precioso líquido.
Borboletinha hidratada agora teria que encontrar alimento para ela. Mas o que as borboletas comem? Néctar igual às abelhas? 
Tenho lindas flores vermelhas que atraem beija-flores e insetos, mas com essa gataiada não têm inseto ou ave que resistam. 
Fiz como sempre faço com as abelhas que pousam perto de mim, dei-lhe açúcar. Coloquei um pouco e logo ela se animou. Aproveitei para colocá-la sobre as plantas suspensas e assim ela tomaria sol e ar fresco, é bom para a saúde e ajuda na recuperação de enfermos.
Dever cumprido, mais uma vida salva e gatos doidos para pegar a pobrezinha, deixei não.
Dizem que sou louca, dizem que animais não falam, não sentem; dizem que planta é tudo mato, dizem que é besteira olhar o por do sol e achá-lo lindo, dizem, dizem, dizem.
Falam tanto porque perderam a capacidade de olhar e enxergar e em contrapartida, desenvolveram a capacidade de falar demais sem nada sentir.
Louca ou normal, vivo minha vida, procuro não incomodar ninguém e respeitar a todos.
Estou bem na minha loucura, é só o corpinho que anda falhando.
É isso.



                                        

sábado, 27 de outubro de 2012

Sereno

                                


Nos tempos de mamãe e Mãevelha os recém nascidos só eram mostrados às pessoas quando completassem sete dias de vida. Antes desse período só a mãe, claro, e a avó ou pessoas que cuidavam da parida é que podiam ficar próximas do rebento.
Diziam que nesse período de sete dias a criança era muito frágil e suscetível à doenças e "mal olhado" e muitas morriam do "mal de sete dias", que era o tétano umbilical.
As visitas lotavam as casas para poder ver o bebê que só saía de casa após o "resguardo" de quarenta dias. Nem mãe nem bebê saíam de casa antes desse tempo. Os cuidados eram extremos e um tanto quanto exagerados.
Mesmo quando o bebê já estivesse grandinho só saía com a mãe até a hora do por do sol, pois com a chegada da noite vinha o sereno e isso poderia "ofender" a criança.
Hoje em dia tudo é diferente. Vejo bebezinhos recém nascidos nos braços das mães passeando pelos Shopping Centers, restaurantes e eventos externos.
Acho uma judiação porque me remete aos cuidados exagerados dos tempos de mamãe e Mãevelha.
Os recém nascidos são expostos à mudanças bruscas de temperatura, ao frio forçado do ar condicionado, ao contato com pessoas estranhas que podem ou não estar doentes, fumaça de cigarro, poluição e barulho.
Sei lá, mas acho melhor esperar um tempinho e levar o pimpolho só ao médico e/ou lugares necessários. 
Acho que é por isso que não fui mãe, se o fosse, seria daquelas mães hiper-ultra-super-mega cuidadosa.
Hoje em dia o que mais vejo são mães apenas parindo seus filhos e os largando aos cuidados das avós.
Meu, se não tem paciência para cuidar de alguém, não coloque filhos no mundo! Parto do seguinte princípio: se você se compromete a cuidar de uma vida, seja esta humana ou animal, que cuide bem. 
Penso assim.
É isso.