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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Dia Bom


                              




Fui ao banco e estacionei o carro sob um jasmineiro, um dos poucos sobreviventes nesse bairro cheio de cimento, asfalto e caminhões.
Já falei sobre o tema e volto a ele.
Concluo meus afazeres bancários e vou até o carro, que está cercado por belíssimos jasmins branco amarelados. Me apoiei na bengala e colhi as delicadas flores a mim presenteadas pela árvore mãe e a mim entregues pelos ventos brincalhões.
Cheguei em casa e as coloquei em uma graciosa tigela cor de rosa.
Sempre ganho flores da Mãe Natureza e, se não são depositadas sobre meu possante, são trazidas pelos ventos. Belíssimo regalo.
Foi um dia de presentes simples e sinceros. Pequenos presentes que tornam o dia grande e nos engradece a alma.
Alunos da aula de sabonete nos entregam lindos saquinhos de filó recheados com delicados sabonetinhos feitos por eles mesmos e nos desejam um Feliz Dia das Mães; foi um gesto tão bonito.
Não sou mãe de verdade, mas tenho um forte sentimento de cuidado, amor e proteção para com aqueles que gosto, sejam estes família ou não.
Acho que ser mãe é isso.
Foi um dia bom.










                               

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Insônia e Saudades

                                


Consigo pegar no sono quando o dia está para amanhecer. Ouço os sons da noite, os caminhões que chegam para trabalhar, as pessoas que passam na rua a caminho do trabalho, o motoboy que joga o jornal, a cachorrada que late, a passarinhada a cantar...
Lá pelas cinco horas da manhã consigo adormecer e me levanto à oito. Às vezes durmo e acordo, cochilo, desperto e sigo nesse vai e vem insone e infame.
Tenho tido sonhos intensos e visitas boas nessas poucas horas de sono.
Hoje sonhei com minha prima Sônia, que já faleceu há dezoito anos, e ela conversava comigo animadamente.
Chovia, terra molhada e objetos espalhados pelo grande quintal. Uma enxada largada, uma cuscuzeira suja de tinta branca e outros objetos espalhados numa grande bagunça.
Papai tinha feito a bagunça e eu ficava brava e começava a arrumar tudo. Fiquei brava porque papai usara a cuscuzeira para misturar a tinta; papai fazia isso mesmo e deixava mamãe doida. Papai ia pintar a casa e mais se pintava do que às paredes. Era engraçado. Era uma bagunça danada, tinta por todos os lados, mamãe reclamando e nós correndo pra lá e pra cá para atender aos pedidos de café e cigarro de papai. Isso sem falar no colorido berrante que ficava a casa. Acho que papai era um desconhecido e moderno artista avant garde para sua época e hoje em dia seria um destacado artista plástico ou pichador fashion.
Eu pegava a enxada, carpia, juntava o lixo e tentava colocar fogo, mas estava tudo úmido por causa da chuva.
Depois saía dali e andava com meu irmão Fubá pelas ruas do bairro e notava que nossos pés estavam sujos de lama. Entrávamos em uma casa bem simples e observei uma gaveta cheia de sabonetes. De uma pequena escada desce uma pessoa que pega dois copos e despeja um líquido escuro e nos oferece; não sei se era café ou Coca Cola.
Eu me sentia envergonhada por estar com os pés descalços e sujo de lama.
Depois outra pessoa vinha e me dizia algumas coisas que nunca lembro na hora, só depois de alguns dias.
Sei lá, preciso dormir direito pois isso está afetando minha saúde e me deixando mais cansada ainda.
Gosto das visitas e adoro sentir o abraço e o bem querer de papai, mamãe e do meu povo antigo.
Saudades arretadas de grandes, Nossa Senhora.
É isso.