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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Comilança

                                   


Fui à clínica para pegar mais um laudo e levar à escola, mas não deu certo.
O tal do laudo era grande e preciso voltar à clínica para pedir um menor.
A parte boa disso tudo é que revi alunos e colegas e ainda saboreei um delicioso sanduíche e frutas.
Melancia, manga e abacaxi dulcíssimos e deliciosos.
Adoro frutas.
A diretora da escola é ótima para preparar essas "comilanças" saborosas, além de ser uma pessoa bem bacana.
Um pouco antes de sair falei com uma paciente acromegálica e ela também sofre com as dores articulares e tem mobilidade reduzida. Ela achou estranho o fato de eu ainda trabalhar mesmo com todos os problemas de saúde; ela se aposentou bem jovem devido aos mesmos problemas que enfrento. 
Falei sobre aposentadoria com algumas pessoas entendidas que trabalham em secretarias de escola e o que ouvi foi: "Ahhhhh, é muito difícil. Nossa!"
Tá.
Acho que vou me informar melhor com quem realmente entende do assunto.
Mas por outro lado, fico tão feliz em ir à escola e em rever os alunos que por alguns momentos esqueço os males que a Acromegalia me causa e sinto uma vontade enorme de voltar a trabalhar em sala de aula.
O trabalho me faz bem. A escola me faz bem.
E voltando ao laudo...
Deveria ficar frustrada por ter que voltar amanhã, mas soube que a "comilança" continuará e terá bolo; diferentes tipos de bolos.
Até que é legal quando as coisas às vezes não dão certo logo de primeira.
É isso.





                                



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Pobre

                                   


Ouvi alguém dizer: "Queria ser pobre só uma vez na vida porque todo dia é dose!".
Achei engraçado e lembrei de nosso tempo de dificuldades e de fartura; fartava tudo.
Não somos ricos, ainda batalhamos, e muito, por nossa sobrevivência digna e honesta.
Nossa vida de pobre nos deixou alguns traumas e algumas cismas que fazem com que evitemos alguns alimentos e produtos usados em épocas de dureza: gelatina, banana, mortadela, sardinha em lata, Spam (uma gororoba rosada que deve ser carne enlatada).
Quando não dava para comprar mistura, papai passava no mercado e trazia duas latas de Spam; mamãe fatiava e fritava, ficava um cheiro horrível impregnado pela casa.
E o gosto nem se fala! 
Minha irmã Rosi não gosta desses produtos e alimentos porque a fazem lembrar das fases difíceis de nossa vida de pobre.
Mamãe não gostava quando dizíamos que éramos pobres, mamãe dizia que éramos ricos dos poderes de Deus e que pobre é o diabo.
Mas não dizíamos isso por soberba, mas era tão doloroso vermos os coleguinhas na feira com suas mães a comprar maçãs, peras, uvas, ameixas, melões e mamãe só comprava laranja e banana. Os coleguinhas levavam suas lindas lancheiras com garrafinha para suco e espaço para sanduíches e frutas. Uma colega levou seu lanche embrulhado em papel alumínio e achei aquilo tão bonito e tão gostoso só de olhar.
As coleguinhas iam para a escola usando jeans USTOP e calçando tênis Daytona ou Bamba; no verão elas usavam sandálias plásticas Melissa. Eu sempre quis ter uma.
Os coleguinhas moravam em casas bonitas com piso, azulejo, grades nas janelas, portões altos, campainha, jardim e nós morávamos na pequena casa de quintal grande.
Os coleguinhas iam para a escola vestidos em uniformes novinhos e levavam todo o material escolar pedido na lista, nós íamos com roupas doadas e com parte do material.
Pode parecer bobagem, mas tudo isso marcou muito nossas vidas.
É isso.

Lancheira