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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Comilança

                                   


Fui à clínica para pegar mais um laudo e levar à escola, mas não deu certo.
O tal do laudo era grande e preciso voltar à clínica para pedir um menor.
A parte boa disso tudo é que revi alunos e colegas e ainda saboreei um delicioso sanduíche e frutas.
Melancia, manga e abacaxi dulcíssimos e deliciosos.
Adoro frutas.
A diretora da escola é ótima para preparar essas "comilanças" saborosas, além de ser uma pessoa bem bacana.
Um pouco antes de sair falei com uma paciente acromegálica e ela também sofre com as dores articulares e tem mobilidade reduzida. Ela achou estranho o fato de eu ainda trabalhar mesmo com todos os problemas de saúde; ela se aposentou bem jovem devido aos mesmos problemas que enfrento. 
Falei sobre aposentadoria com algumas pessoas entendidas que trabalham em secretarias de escola e o que ouvi foi: "Ahhhhh, é muito difícil. Nossa!"
Tá.
Acho que vou me informar melhor com quem realmente entende do assunto.
Mas por outro lado, fico tão feliz em ir à escola e em rever os alunos que por alguns momentos esqueço os males que a Acromegalia me causa e sinto uma vontade enorme de voltar a trabalhar em sala de aula.
O trabalho me faz bem. A escola me faz bem.
E voltando ao laudo...
Deveria ficar frustrada por ter que voltar amanhã, mas soube que a "comilança" continuará e terá bolo; diferentes tipos de bolos.
Até que é legal quando as coisas às vezes não dão certo logo de primeira.
É isso.





                                



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Na ativa

                            



Volto à ativa depois de um tempo meio parada.
Fui à clínica, tomei as injeções, falei com o médico, peguei mais um laudo, levei para escola, fui ao banco para pagar as contas e, como era de se esperar, sobrou conta e faltou dinheiro, graças a Deus.
Voltei para casa, liguei para o Estadão; não recebi os jornais de ontem e de hoje. Serão entregues, disse a simpática atendente.
Beleza.
Os efeitos das injeções começam a se manifestar: sono, moleza, cansaço e ânsia de vômito. 
Já tomei bastante água. Aliás, o que mais tem espalhadas pela casa e pelo carro são garrafas d'água. Adoro água, sou a Maria das Águas e não à toa nasci no dia 22 de março, o Dia Mundia da Água.
Encontrei o coordenador pedagógico quando chegava à escola, muito simpático. Falei com o diretor, entreguei o laudo para a secretária, fui abraçada pela inspetora de alunos e fui cumprimentada por alguns dos danadinhos. Saudades...
Vontade louca de subir aquelas escadas, entrar em uma sala de aula, responder às mesmas perguntas de sempre, desde que aluno é aluno e professor é professor: "É pra copiar?... Vai valer nota? Que dia é hoje? É para fazer em dupla? Pode ser dupla de três? Por que a senhora nunca falta?"
E por aí vai...
Mas a senhora aqui tem faltado muito, tem sido afastada muito, tem problemas de saúde muitos, causados por uma doença rara de múltiplas facetas.
Derrubei algumas lágrimas externas; disfarcei.
Desabei por dentro, levantei os olhos aos céus e perguntei: "Deus, por que tu tá fazendo isso comigo, mano?"
Deus é brasileiro, paulistano e corinthiano. 
É nóis.
Senti-me só. Tão só.
Pego o telefone, procuro alguns nomes na agenda, os mais próximos. Estão desligados, fora de área, na caixa postal...
Queria ouvir uma voz, apenas dizer alô, dizer que está tudo bem, falar sobre o tempo, as chuvas, alguma coisa, qualquer coisa.
Consegui falar com meu irmão caçula, que é muito rápido e prático, pelo menos comigo: "Tá tudo bem?... Tá... Então tá bom..."
Deveria ir ao supermercado, mas não deu. Não tenho condições, estou mole, cansada...
Volto para casa, desço para abrir o portão, sou recebida pelo meu séquito felino. Minha terrível Aurora vem na frente, claro. Senta-se em meu colo, me faz um chamego, senta-se no banco do carona enquanto guardo o carro.
Entro em casa, encontro meu negão lindo moído, cansado, sonolento. Não tem jeito, por mais eu fale, peça, ameace botar de castigo, meu neguinho lindo é marrudo por natureza.
Vou deitar um pouco, minha cabeça dói.
Minha alma também.
É isso.



                                   

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Exclamações

                              


Tive uma péssima noite de sono. Insônia seria o mais correto.
Desde segunda-feira que venho tendo dores de cabeça cuja intensidade vai subindo lentamente até atingir um pico fortíssimo e quase insuportável. Pressão alta.
A cardiologista aumentou a dosagem dos remédios, mas algumas vezes é preciso tomar uma dose para elefante hipertenso!
Minha Nossa Senhora!
A dor começou lentamente na segunda-feira e na terça-feira intensificou-se. Tomei os remédios e apaguei.
Quarta-feira e ontem também não foram muito diferentes, só que com novos velhos sintomas que me preocuparam: palpitação, coração batendo rápido, cansaço, falta de ar.
Deitei com a gataiada na cama e por lá fiquei até tudo acalmar. Meu braço esquerdo doía, o peito doía, sensação de enjoo e vômito. Horrível.
Tomei um antiácido, mas não ajudou muito.
Virava pra lá e pra cá, levantava, andava pela casa, ouvia o barulho da chuva e dos ventos e para piorar, as muriçocas me assediando e zunindo no meu ouvido. Taquei inseticida nas infames!
Cochilo, tenho pesadelos, levanto, a escola liga pedindo mais um laudo, os gatos vão atrás de mim, a ração acabara... Ufa!
Será que a escola acha que estou de licença médica porque sou folgada e não quero trabalhar?
Logo eu que amo ser professora?
Senti isso na voz da pessoa irritadinha que me pedia e cobrava laudos, relatórios e o cacete.
Mas oras bolas! Minha avó dizia que quando o coisa ruim não vem, manda o secretário. Oxe!
Noite mal dormida e manhã estressante; que dia meu Deus.
E, claro, vizinhos tocando as mesmíssimas malditas músicas que tocam todo santo dia!
Aí não aguentei, meu. Liguei meu som e toca Black Sabbath. Que alívio.
Liguei pra Deus e o mundo e resolvi parcialmente as pendengas do dia: a ração e areia dos gatos foram entregues, liguei para a moça da limpeza, mandei e-mail para a médica e até pão quente e fresquinho ganhei de novo.
Não fiz café, estava com uma azia danada e agora bem que queria um café quente, forte e doce na medida.
Amanhã vou comprar minhas frutas, verduras, legumes, grãos e granola da semana. Sinto-me melhor e vou sair da toca.
É só não abusar.
Bom, domingo tem festinha de aniversário da minha sobrinha Rafaela.
Beijinhos e brigadeiros, me aguardem!
É isso.


                                  


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Aluguel

                            

Ando meio preocupada. Muito preocupada, para dizer a verdade.
O contrato da casa onde moro vence em seis meses e a proprietária não vai renová-lo, pois segundo ela, o filho irá morar no imóvel.
Já comecei a procurar outras casas para alugar e o preço dos aluguéis é bem caro. Aí complica.
Fui à escola para levar mais um bendito laudo e na saída, passo em frente a um sobrado que está para alugar; liguei para a imobiliária e o valor do aluguel é de mil e oitocentos reais mais o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
Mas o sobrado é muito grande: três quartos, sendo uma suíte, sala, cozinha, banheiros, garagem para dois carros e quintal dos fundos com churrasqueira.
É muito pra mim.
Depois vi uma casa térrea com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e garagem, mas o detalhe sórdido é que fica em um terreno com mais outras quatro casas! Dá não.
Já morei assim, em cortiço mesmo, e toda vez que ia somar e dividir as contas de água e luz, alguém sempre reclamava: "Imagina que eu vou pagar tudo isso! Eu não gasto tudo isso de água e luz. Fulano gasta mais, Ciclano tem família grande e gasta mais..."
Além das contas tem o fator privacidade. Em quintais assim, tem sempre um curioso que quer ver os móveis, as coisas que o vizinho tem etc... Se cozinhar alguma coisa diferente então! Forma-se uma fila para curiar.
E quando algum dos moradores dá uma festa? Jesus! É aquele entre e sai de gente procurando banheiro, música alta, barulho, o caramba!
Não. Dá não.
Sou muito reservada e adoro minha paz e minha solidão, principalmente quando quero escrever, ouvir minhas músicas, ler, cuidar do jardim etc...
Mas o detalhe mais importante de todos é: Para onde vou com oito gatos?!
É agora, José?
Lascou-se!




                             

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Presença

                                       


Tive o dia bem cheio hoje; fui ao oftalmologista, busquei laudo com o ortopedista, levei o carro para a Inspeção Veicular e ainda passei na lojinha do meu irmão Fubá para ver Rafaela Prenda Minha.
A pequena está cada diz mais linda, esperta, inteligente e encantadora; mostra as unhas pintadas e os sapatinhos fashion, uma clara demonstração de peruíce precoce.
Rafaela lembra muito mamãe, as perninhas e os braços gorduchos e roliços, o pescoço fofo, gostoso de beijar.
Tenho tido sonhos com papai, mamãe, tia Filomena e com meu povo antigo. São presenças constantes que me visitam, acalantam, protegem. 
Foi tão bom sonhar com mamãe, havia tanta bondade e tanto amor no ar meu Deus, que nem parecia sonho, parecia realidade. Mas não pode ser, mamãe partiu há onze anos, embora, para mim, pareçam onze minutos, onze dias, onze semanas apenas.
Bati os quatro cantos de Sum Paulo hoje, fui ao Tatuapé, Vila Guilherme, Jardim Brasil, Vila Medeiros e finalmente para casa. Ufa! 
Calor, sol ardente e um dia muito bonito com muito vento, mas esfriou no fim da tarde.
Dirigia pelas ruas e tinha sempre a impressão de ver mamãe nos carros que congestionam a cidade. Em um dos carros tinha uma senhora de óculos, gorducha e cabelos curtos de cor acaju que lembrou muito mamãe.
Levei o carro ao Controlar da Vila Medeiros e o atendimento foi péssimo por parte do antipático funcionário que fica na guarita e tem a difícil função de levantar a cancela para que os carros passem. Parei e aguardei a cancela levantar... Nada. Uma fila se formou atrás de mim e os outros motoristas achavam que eu estava "segurando" a fila e atrapalhando tudo. Fiz gestos com as mãos para dizer que não estava entendo e não sabia porque a cancela não era levantada; uma funcionária conversava animadamente com o funcionário e ambos ignoravam os motoristas enfileirados aguardando entrar.
A funcionária percebeu nossa impaciência e disse: "É troca de turno, gente. Obrigada".
A dita cuja saiu e o funcionário ficou na guarita e falando ao celular; resumindo, ficamos uns bons vinte minutos aguardando a boa vontade de gente má educada e a suposta troca de turno.
Passamos pela cancela e coloquei o carro na posição pedida pelo agente que faria a inspeção; demorou um pouco e fiquei preocupada. Minha Nossa Senhora, mais um problema não. Oxe.
O carro passou e de lá fui à Vila Guilherme e depois ao Tatuapé. Passei em consulta com o oftalmologista e peguei o laudo com o ortopedista para autorização dos exames. O laudo diz, entre outras coisas: "Acromegalia, Doença do Crescimento, Gigantismo". Fiquei triste, bem triste. Onde já se viu o cabra véio com quarenta e cinco anos de idade nas costas e no resto do corpo e ainda crescendo? Oxe!
Mas esse crescimento é perigoso e acarreta inúmeros problemas. Estou com artrose espalhada pelos ossos e sinto-me cada dia mais entrevada, descer do carro ou me levantar de uma cadeira ou um acento qualquer é muito difícil para mim, subir escadas também. A pressão alta continua sempre desembestadamente alta, graças a Deus.
O cardiologista falou sobre os riscos trazidos pela pressão alta associada à minha doença de base, a Acromegalia.
Todos os dias eu saio e vou fazer exames, buscar exames, levar exames, ver médicos, buscar remédio, tomar remédios... 
Mas se isso for uma forma de pagamento por algo bom que virá a seguir, eu faço de bom grado. Tomara Deus que esse final de ano eu faça tudo o que for necessário e que o próximo ano seja melhor e eu tenha mais saúde. Sinto que "desperdiço" muito tempo com essa correria médica e que poderia fazer outras coisas que gosto, como trabalhar, mas se não tenho saúde suficiente, não dá para fazer muita coisa. 
Mas ficarei boa e terei saúde boa. Amém.
Até lá sigo meu caminho e faço o que é necessário.
Sigo meu caminho contando com a presença sempre forte, maternal e protetora de mamãe e de meu povo antigo.
Serei feliz, bem feliz.
É isso.