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domingo, 23 de dezembro de 2012

Cássio Antônio

                             


Sexta-feira à noite recebo uma mensagem de um conhecido falando sobre uma gatinha abandonada que seguiu a sua namorada até em casa. A suposta gatinha tinha frio, fome, estava molhada pela chuva e tinha sinais de abuso. Algum infame, nojento, filho duma égua manca, sem Jesus no coração queimou o bigodinho do pobre felino.
Eu respondi-lhe dizendo que já tenho seis gatos e não estou segura quanto ao nosso futuro residencial. Disse-lhe que procurasse outras pessoas, quem sabe não encontraria alguém bacana, simpática, meiga e gentil, humilde e amante de animais como eu. Ele tentou.
Isso era umas oito horas da noite, fiz minhas coisas e lá pelas dez fui para cama. Li até as duas da manhã e depois adormeci. Às sete da manhã o celular toca e era meu conhecido desesperado dizendo que o pai da namorada havia dado um ultimato: ou arrumava um lugar para a gatinha ou a colocaria na rua de novo! A moça se debulhou em lágrimas e pediu ao namorado para me procurar. Precisavam chegar aqui cedo e retornar para casa até as dez horas, pois o pai dela usaria o carro que emprestou para que trouxessem a gatinha.
Pediram mil desculpas pelo transtorno, choraram e eu disse que podiam ficar sossegados, eu cuidaria do bichano e procuraria alguém que o quisesse.
Foram embora mais aliviados e eu preparei um cantinho para a dita gatinha. Resolvi conferir se ela era fêmea e vi que não, é um gatinho. Se fosse gata receberia o nome de Azaleia Cássia ou Cassiopeia, mas como é gatinho, dei-lhe o nome de Cássio Antônio.
Cássio em homenagem ao goleiro do Corinthians e Antônio em homenagem ao meu bisavô Antônio Francisco.
Ontem ele estava tímido e assustado mas hoje pela manhã já ganhou confiança e brincou com as plantas, "atacou" a árvore de Natal, dormiu no meu colo, pediu carinho e agora dorme sobre a almofada de Branca Maria.
Cássio Antônio é amoroso, dengoso, charmoso, brincalhão e muito lindo, claro.
Obviamente já ouvi sermões sobre a quantidade de gatos, que custa caro manter tanto gato, que isso que aquilo.
Eu o ofereci ao vizinho, que o achou lindo, mas o problema é que ele está com uma gata e quatro gatinhos.
Complicou.
Minha gataiada está toda enciumada e só Ébano Nêgo Lindo que tenta uma aproximação. Ébano é muito meigo, dócil, charmoso e lindo.
Todo mundo aqui é lindo.
Cássio Antônio é preto e branco, as cores do Poderoso Timão.
Estou preocupada, minha Nossa Senhora!
Cássio Antônio dorme agora.

                                 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Libertadores

                                        


Final da Libertadores no Pacaembu: Corinthians X Boca Juniors.
Agora é em casa e os curinthia são maioria.
Saio de manhã para resolver algumas coisas: banco, médicos, supermercados... Ando mais que "tiradô de espríto", como dizia mamãe.
Sou igual ao meu Santo São Paulo: não paro.
Sou igual ao Poderoso Timão: não para, não para, não para.
Tomo meu banho sagrado pela manhã e outro à noite; faça chuva ou faça sol, calor ou frio.
Começo a me vestir e percebo que estou com as cores do Boca: azul e amarelo. Penso comigo mesma: "Vixe! Da não! Vou trocar de roupa". Tiro a camisa amarelinha e visto uma branca, mais neutra. "Oxe! Até parece que vou torcer para los hermanos. É ruim, hein!!!"
Saio e bato os quatro cantos de Sum Paulo; vou do Mandaqui à Vila Romana, volto para o Tatuapé, depois Cangaíba, Vila Maria e depois para casa. Ufa!
Sim, mas antes passei pela Avenida Conceição e parei para comprar uma camiseta do Corinthians. O farol abriu, fechei o trânsito, comprei a camiseta e xingaram minha mãe. Exatamente nessa ordem. Alguns motoristas mais educadinhos diziam: "Da-le Boca!" e outros menos educados diziam: "Vamo $#@%¨&!".
Saí xingada mas saí com minha linda camiseta do Corinthians que faria par com minha bandeira do Corinthians; meus mantos sagrados. Corinthians é raça, é sofrimento, é agonia, é alegria, é dor. Graças a Deus. Amém.
Chego moída, como diz meu cunhado Pepê.
Tomo meu sagrado banho noturno, janto meus deliciosos legumes com arroz integral e suco de fruta com soja, chupo umas laranjinhas e até me lembrei de mamãe e as laranjas...
Vou para o sofá, ligo a TV, leio o Estadão, assisto depois ao Jornal Nacional e aguardo ansiosamente o fim da novela para poder começar o jogo, a grande final. 
Vai Curinthia!!!!!!
Pego meu São Jorge e o coloco perto da televisão. Começa o jogo. Zero a zero no primeiro tempo. Começa o segundo tempo e os argentinos causando no campo; agrediam fisicamente e verbalmente os manos do Corinthians. Os caras não sabem jogar, só sabem chutar, bater, agredir. Bando de hermano inguinórante!
Olho para São Jorge e digo: "Aê mano, só lembrando: olha o pescocinho! Na boa, sem violência, tá ligado? É nóis. Amém".
Corinthians 2 x Boca 0. Chuuuuuuupa!
Campeões invictos!
Claro que depois vieram as piadinhas, que o SPFC foi campeão não sei quantas vezes, que o Santos isso, que o Palmeiras aquilo.
Secar o Timão eu até entendo, mas torcer para argentino?!
E se esquecem que o Boca já ganhou em cima do Santos, do Palmeiras, Grêmio e do Cruzeiro e os caras ainda torcem para os hermanos?! 
Esse anticorinthianismo no fundo é inveja e incapacidade de assumir e admitir o amor e a admiração pelo Corinthians, tá ligado?
Nóis é raça, é garra, é força. Nóis é Curinthia, mano!
Sem violência e com todo o respeito aos antis: Vai Curinthia! Campeão invicto!
Chuuuuuuupa antis!!!!!!!!
Desculpem, foi mais forte que eu.