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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Espelho d'água

                                 


Troco a água dos gatos duas ou três vezes por dia, embora eles adorem tomar água diretamente da torneira do banheiro ou do tanque.
Acho que foi o Marcelo Rubens Paiva, em sua coluna no Estadão, que disse que gatos adoram tomar água corrente.
Arrumo o quintal, troco a areia sanitária, rego as plantas, tiro as folhas velhas e amareladas de algumas e me encanto com o florescer de outras.
Léo Caramelo toma muita água; dizem que a ração é muito seca e salgada, não sei se é verdade.
A gataiada corre assim que coloco o pote com água fresca no chão e forma-se fila para tomar. Observo.
Reparo que Clara Blue vai até o pote, olha, observa e depois coloca a patinha na água e faz um movimento para afastar as folhas que caem das plantinhas e para "quebrar" aquela película que se forma na superfície, o que mamãe chamava de espelho d'água.
Acho esse nome bonito.
Achei tão bonitinho e interessante!
Os outros gatos também olham, mas escolhem um cantinho onde a água esteja mais limpa para beber, mas Clarinha mexe o líquido com a patinha.
Lembrei dos açudes e cacimbas cheias de pasta, planta aquática muito comum no Nordeste, e de ver mamãe e o povo da fazenda mexendo na água para afastar as plantas e depois encher potes e dar de beber aos animais.
Eu achava tudo aquilo tão bonito.
Às vezes, quando mamãe estava ocupada com os afazeres da casa, eu ia sozinha para a beira do açude ou cacimba e brincava com as plantas e as águas. 
Quando percebiam que eu não estava por perto, sabiam que eu estava aprontando alguma arte envolvendo água, animais e as coisas da Mãe Natureza, que sempre exerceu enorme fascínio sobre mim.
Mamãe ficava brava, minha avó Mãevelha me chamava de "menina impussivi" e meus avôs João e José achavam muita graça naquilo tudo.
Mamãe tinha medo da minha atração pela água ou da atração que o precioso líquido exerce sobre mim.
Mamãe não confiava em mim sozinha perto de rio, mar, açude ou o que fosse.
As águas atraem, são sedutoras e traiçoeiras, dizia ela.
Tive um dia pesado hoje e lembrar dessas histórias e causos de infância me fazem bem. Me trazem saudades, mas me fazem bem.
É isso.



                                      

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Opções

                                       



Sou da paz.
Embora meu carão acromegálico possa, talvez, mostrar o contrário, eu sou da paz. 
Trato a todos com educação e respeito, só não gosto de muita "firula, lero-lero, nhem-nhem-nhem, blá,blá,blá, tal e coisa, coisa e tal". 
Pronto, falei.
E julgar os outros pela aparência é um grande erro, a não ser que a pessoa esteja acima do peso e insista em usar legging quase transparente mostrando as coisas. Jesus, Maria José!
Bom...
Estou na sala dos professores lendo o jornal "A Folha de São Paulo; sou assinante do "Estadão", mas gosto de ler os fabulosos textos de Contardo Calligaris, colunista do jornal.
Jornais e revistas são assinados pela escola, mas são pouquíssimos os professores que se dão o trabalho de ler. Eu devoro tudo o que vejo largado ali na mesa.
Uma professora senta-se ao meu lado e puxa conversa e eu deixo o jornal de lado e bato um agradável papo com a colega. Ela se surpreendeu com minha educação, simpatia e ausência de preconceito e disse que muitos colegas a evitam por não gostar ou concordar com sua opção sexual.
Eu disse-lhe que ali dentro somos todos professore e a opção sexual, religiosa ou seja lá o que for de qualquer um, não me diz respeito; nem a mim nem a ninguém. Estamos ali para fazer nosso trabalho da melhor maneira possível, não estamos ali para julgar ou sermos julgados.
"Poxa, você é mente aberta mesmo! Só pessoas cultas têm essa visão de mundo. Você lê bastante né?..."
E aí a conversa prosseguiu; falamos sobre jornais, revistas, livros, autores, jornalistas, cultura... Assuntos que adoro falar a respeito.
Mamãe nos dizia: "Saibam entrar e sair dos lugares, a gente é pobre, mas tem que mostrar que tem educação".
Acho que ouvi mamãe.
É isso.


                                          



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Fazer

                              

Já fui chamada de radical, inclusive por meus professores.
E sou radical assumida, declarada, juramentada e outros "adas".
Explico.
Sempre procurei e procuro respeitar a Língua Portuguesa, seja no falar ou no escrever. Gosto de ler e leio desde pequena e acho que é por isso que implico com erros tolos e toscos cometidos pelas pessoas.
Dá até raiva ver coisas como: "Vai faze(r), Deixa te protege(r)..."
Sempre "comendo" a letra "R" do Modo Infinitivo. Já falei sobre isso aqui.
Alguns dos meus professores diziam que as pessoas não usam a norma culta da língua e sim a norma não culta. Tá.
Mas o problema é que vejo essas aberrações linguísticas escritas por estudantes de Direito, Enfermagem ou até mesmo por profissionais de outras áreas como Engenharia, Informática etc...
Bom...
A minha nova implicância é quanto ao uso do verbo "fazer" no lugar de outros verbos que eram adequadamente usados para dar sentido à frase. É a mais nova invencionice criada para parecer mais moderno, bacana, legal e detonar a língua. Explico.
Assistia ao programa "Esquenta" da Regina Casé, gosto muito dela, e ela falava sobre como pacientes com câncer são às vezes culpados pela doença que têm. Eu li artigo no New York Times e no Estadão falando sobre isso.
Regina Casé disse: "Alguém chega pra você e diz que fulano fez um câncer. Imagina! Ninguém faz um câncer, ninguém escolheu ter câncer!".
Concordo com ela, mas não entendi bem o que fazia ali o verbo "fazer".
A pessoa, o paciente tem câncer, tem gripe, tem pressão alta, tem diabetes...
A pessoa, o paciente não faz câncer, não faz gripe, não faz pressão alta, não faz diabetes...
Se tivéssemos esse poder de fazer alguma coisa nesse sentido, certamente faríamos a cura de todos os males e de todas as doenças.
Li agora a pouco a postagem de uma pessoa que fala sobre a necessidade de tomar a vacina da gripe, como é popularmente chamada.
Ela escreveu: "Já fiz a vacina e acho que todos vocês deveriam fazer também".
Acho que ela quis dizer: "Já tomei a vacina e acho que todos vocês deveriam tomar também".
Eu não faço vacinas, não sou bioquímica, não sou formada em farmácia, medicina ou o que valha. Não tenho formação para isso.
Eu tomo vacinas.
Mania besta que o povo tem de mudar a língua sem se preocupar se isso está correto ou não. Basta um abestado falar qualquer porcaria e lá vai um famoso e repete isso e pronto, está na boca do povo, literalmente!
É por isso que implico mesmo. Pelo amor de Deus!
Estou com fome e acho que vou fazer um café, um bolo...
É isso.

                          
                                   


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Construção




Passava pela Avenida Celso Garcia, Zona Leste de São Paulo. Observo tudo à minha volta enquanto aguardo o farol abrir e reparo nas construções pelos bairros, pelas cidades, por aí.
Procuro com os olhos a casa antiga em estilo Rococó que ficava na mesma avenida e vejo uma construção a todo vapor.
A casa antiga de São Paulo, com seus detalhes na fachada e janelas, com a data de sua construção destacada em uma estrela bem acima da janela principal: 1917.
Certamente era a casa de uma família de italianos, que naquela época vieram trabalhar nas lavouras de café de São Paulo.
Eram casas e sobradinhos bem feitinhos, com detalhes em sua construção que denotavam uma preocupação com o local onde iriam morar.
Adoro casas antigas, mas as vejo cada vez menos e em seus lugares são erigidos prédios altos.
Gosto de olhar fotografias da São Paulo antiga à época em que homens usavam terno e chapéu e as mulheres usavam vestidos bem comportados. O transporte antigo puxado a cavalo, os bondes, os trens...
Quando vou ao consultório do médico que fica bem em frente à igreja nova da Penha, fico imaginando como deveria ser lindo e difícil subir todo aquele morro com mercadoria, mudança e pessoas.
Como deveria ser lindo ver de lá do alto o entardecer por entre as árvores, os pássaros a cantar sua canção de ninar enquanto se empolavam nos galhos, o velho Rio Tietê, vivo e limpo a correr livremente.
Papai contava que quando chegou aqui por essas terras paulistanas os córregos do bairro eram limpos e tinham peixes, hoje só têm lixo e poluição.
Outra coisa que reparei em meio ao boom imobiliário são as derrubadas de casas antigas para a construção de quadrados a que chamam de novo design em moradia. Até lembro de um arquiteto antigo que foi entrevistado na rua, na região dos Jardins, pelo CQC e ele criticou essa construção desenfreada de casas em forma de quadrado.
Vejo esses quadrados no caderno imobiliário do Estadão e não acha nada bonitos ou interessantes.
Sou meio à moda antiga.
Fiquei meio decepcionada quando vi a casa antiga dos italianos sendo derrubada para dar lugar a mais um prédio com inúmeras opções de lazer. Opções que poucos moradores usam, pois como está em voga hoje em dia, pagam para não usar, só para dizer que têm. Um exibicionismo meio besta.
É isso.



                        

domingo, 27 de janeiro de 2013

Ridículo

                              


Li no Estadão que o Estado do Ceará pagará à cantora Ivete Sangalo a pequena quantia de 650 mil reais para ela inaugurar um hospital em Sobral; simplesmente ridículo.
Enquanto isso, hospitais da mesma região sofrem com falta de antibióticos e até soro!
Não seria mais prudente e útil usar esse dinheiro para comprar o material necessário para que os hospitais carentes possam trabalhar com alguma dignidade?
Ou então usar esse dinheiro para aliviar a população que sofre com a seca?
Não. É melhor empurrar a sujeira para debaixo do tapete e mostrar uma casa limpa e bonita.
Pagar tanto dinheiro a essa cantora chata, repetitiva, grosseira e arrogante enquanto poderia-se contratar artistas locais por muito menos e assim valorizar a arte e cultura locais.
O povo besta e iludido vai ser ludibriado com "Tira o pé do chão, Perepepê..." e pérolas afins.
Se fazem questão de contratar artistas nordestinos, como essa baiana saltitante, deveriam lembrar e pensar que existem outros cantores nordestinos muito bons: Gil, Caetano, Bethânia, Zé Ramalho, o forró de Gonzagão cantado por artistas locais, os meninos herdeiros do Chico Science e Nação Zumbi, por exemplo.
Ontem foi aniversário de São Paulo e fiquei feliz em saber quais foram os cantores convidados e agradeci por não ter esses cantorezinhos de m... que só cantam monossílabos. Sei lá, mas às vezes penso que governo, mídia artística e outros desse meio acham que nossos ouvidos são penicos ou achamos dinheiro em árvore para consumir esse lixo atual a que chamam de música. 
Mas na festa paulistana teve Chorinho e Jazz e depois shows de Rita Lee. Zélia Duncan, Samba Paulistano e outros. Aí sim.
É isso.

                             
                                       


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ano que vem, se o mundo não acabar

                              

Ligo para os consultórios médicos e tento agendar consultas, mas ouço: "Só no ano que vem, senhora".
Beleza. E se eu ficar sem meus exames e remédios?
Bom, isso se o ano de 2012 acabar mesmo no dia vinte e um de dezembro; falta uma semana!
Desde que o mundo é mundo ouve-se falar sobre o fim. Papai dizia que o mundo tinha se acabado em água e que nessas épocas modernas se acabaria em fogo, ou vice versa, não sei.
Mas ele mesmo dizia: "Oxe, isso é besteira! O mundo acaba pra quem morre".
Assistia ao seriado "Perception" do cana AXN e a personagem principal, um cientista brilhante e esquizofrênico irrita-se com a pseudo religiosidade de um grupo que é investigado pela polícia: "Já se provou tantas vezes que era charlatanismo mas mesmo assim as pessoas continuam insistindo e acreditando nisso!"; mais ou menos assim, pelo que me lembro.
Eu gosto dessas séries inteligentes e até li um artigo no Estadão, acho, dizendo que o público está mais sabido e exige uma programação que aguce sua inteligência. Adoro Criminal Minds, SCI, Perception; ver novelinha besta da Glória Perez não dá! É sempre mais do mesmo: um país exótico, dancinhas e expressões idiomáticas, musiquinhas típicas... uma chatice só.
Já foram Marrocos, Índia e agora Turquia e o povo viaja pra lá e pra cá como se fosse rápido e barato um voo para esses belos lugares. E os atores são sempre os mesmos de suas outras novelas.
Fico pensando: "E quando não tiver mais país exótico? Sobre o que ela vai escrever? Quem sabe não decida fazer novela sobre tribos indígenas isoladas na Floresta Amazônica, ou talvez sobre o interior isolado de algum lugar do Brasil... Quem sabe?"
Se a Globo quisesse, eu escreveria uma novela mais normalzinha.
Sei lá.
É isso.


                                 

sábado, 24 de novembro de 2012

Chocolate

                              


Amo chocolate e não entendo como alguém pode não gostar desse alimento dos deuses. 
Leio no Estadão (Jornal O Estado de São Paulo) que o chocolate pode virar raridade e custar tão caro quanto o caviar!
Isso não pode não!
Até entendo o planeta ficar sem água, petróleo e outros recursos naturais, mas sem chocolate... Não, dá não!
Acho que vou começar a fazer meu estoque de chocolate para o futuro.
Vai que...