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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Preocupação

                                  


A vida é feita de escolhas, já diz o ditado.
Se conhecemos o ditado, sabemos que ele está certo e se sabemos disso, por que fazemos tudo errado?
Outro ditado: A gente colhe aquilo que planta.
Se sabemos disso, por que plantamos discórdia, mentiras, falsidade e tantas outras coisas ruins?
Por que tem gente que gosta de incorrer no erro? 
Por que tem gente que não aprende nunca com os próprios erros? Seria burrice, ignorância, comodismo, mal caratismo mesmo ou o quê?
Por que a gente vê o óbvio mas quem deveria vê-lo faz-se de cego?
Medo de encarar a realidade? Comodismo? 
Estou preocupada, inquieta, desassossegada... Não gosto de me sentir assim.
Saí rapidamente à tarde, voltei para casa e me deitei no sofá. Dorzinha de cabeça chata que dura uma semana e que começou a se intensificar na sexta-feira. 
As coisas estão difíceis. São fases boas e ruins e agora parece que é a vez das fases não muito boas. Meu Deus.
Como diz a canção: "É preciso ter força. É preciso ter raça. É preciso ter gana sempre..."
Não é fácil não.



                                           




terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Aluguel

                            

Ando meio preocupada. Muito preocupada, para dizer a verdade.
O contrato da casa onde moro vence em seis meses e a proprietária não vai renová-lo, pois segundo ela, o filho irá morar no imóvel.
Já comecei a procurar outras casas para alugar e o preço dos aluguéis é bem caro. Aí complica.
Fui à escola para levar mais um bendito laudo e na saída, passo em frente a um sobrado que está para alugar; liguei para a imobiliária e o valor do aluguel é de mil e oitocentos reais mais o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
Mas o sobrado é muito grande: três quartos, sendo uma suíte, sala, cozinha, banheiros, garagem para dois carros e quintal dos fundos com churrasqueira.
É muito pra mim.
Depois vi uma casa térrea com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e garagem, mas o detalhe sórdido é que fica em um terreno com mais outras quatro casas! Dá não.
Já morei assim, em cortiço mesmo, e toda vez que ia somar e dividir as contas de água e luz, alguém sempre reclamava: "Imagina que eu vou pagar tudo isso! Eu não gasto tudo isso de água e luz. Fulano gasta mais, Ciclano tem família grande e gasta mais..."
Além das contas tem o fator privacidade. Em quintais assim, tem sempre um curioso que quer ver os móveis, as coisas que o vizinho tem etc... Se cozinhar alguma coisa diferente então! Forma-se uma fila para curiar.
E quando algum dos moradores dá uma festa? Jesus! É aquele entre e sai de gente procurando banheiro, música alta, barulho, o caramba!
Não. Dá não.
Sou muito reservada e adoro minha paz e minha solidão, principalmente quando quero escrever, ouvir minhas músicas, ler, cuidar do jardim etc...
Mas o detalhe mais importante de todos é: Para onde vou com oito gatos?!
É agora, José?
Lascou-se!




                             

domingo, 23 de dezembro de 2012

Cássio Antônio

                             


Sexta-feira à noite recebo uma mensagem de um conhecido falando sobre uma gatinha abandonada que seguiu a sua namorada até em casa. A suposta gatinha tinha frio, fome, estava molhada pela chuva e tinha sinais de abuso. Algum infame, nojento, filho duma égua manca, sem Jesus no coração queimou o bigodinho do pobre felino.
Eu respondi-lhe dizendo que já tenho seis gatos e não estou segura quanto ao nosso futuro residencial. Disse-lhe que procurasse outras pessoas, quem sabe não encontraria alguém bacana, simpática, meiga e gentil, humilde e amante de animais como eu. Ele tentou.
Isso era umas oito horas da noite, fiz minhas coisas e lá pelas dez fui para cama. Li até as duas da manhã e depois adormeci. Às sete da manhã o celular toca e era meu conhecido desesperado dizendo que o pai da namorada havia dado um ultimato: ou arrumava um lugar para a gatinha ou a colocaria na rua de novo! A moça se debulhou em lágrimas e pediu ao namorado para me procurar. Precisavam chegar aqui cedo e retornar para casa até as dez horas, pois o pai dela usaria o carro que emprestou para que trouxessem a gatinha.
Pediram mil desculpas pelo transtorno, choraram e eu disse que podiam ficar sossegados, eu cuidaria do bichano e procuraria alguém que o quisesse.
Foram embora mais aliviados e eu preparei um cantinho para a dita gatinha. Resolvi conferir se ela era fêmea e vi que não, é um gatinho. Se fosse gata receberia o nome de Azaleia Cássia ou Cassiopeia, mas como é gatinho, dei-lhe o nome de Cássio Antônio.
Cássio em homenagem ao goleiro do Corinthians e Antônio em homenagem ao meu bisavô Antônio Francisco.
Ontem ele estava tímido e assustado mas hoje pela manhã já ganhou confiança e brincou com as plantas, "atacou" a árvore de Natal, dormiu no meu colo, pediu carinho e agora dorme sobre a almofada de Branca Maria.
Cássio Antônio é amoroso, dengoso, charmoso, brincalhão e muito lindo, claro.
Obviamente já ouvi sermões sobre a quantidade de gatos, que custa caro manter tanto gato, que isso que aquilo.
Eu o ofereci ao vizinho, que o achou lindo, mas o problema é que ele está com uma gata e quatro gatinhos.
Complicou.
Minha gataiada está toda enciumada e só Ébano Nêgo Lindo que tenta uma aproximação. Ébano é muito meigo, dócil, charmoso e lindo.
Todo mundo aqui é lindo.
Cássio Antônio é preto e branco, as cores do Poderoso Timão.
Estou preocupada, minha Nossa Senhora!
Cássio Antônio dorme agora.

                                 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Coma: Imagens e Visões

                               

Falei sobre meu coma nas primeiras postagens desse meu humilde blog e falei sobre os temores, imagens, visões e lembranças que me atormentaram e assustam de vez em quando.
Às vezes estou naquele estado em que estamos meio dormindo e meio acordados e vejo as terríveis imagens que me assombraram durante os vinte e sete dias de coma. Mesmo quando acordei ainda tinha medo e não sabia se estava no mundo real ou ainda presa ao mundo de terror. Meu Deus.
Falei sobre isso com minha amiga Silvia, a responsável por esse blog, a ideia foi dela, e ela disse para eu esquecer e/ou não pensar mais nisso, mas o problema é que não penso, as imagens e lembranças vêm sozinhas.
Estou parada aguardando o farol abrir, rádio ligado nas estações que tocam MPB ou Rock'n'Roll e a mente longe, mas de repente as imagens aparecem do nada! 
Tento esquecer, evitar, pensar em outras coisas, mas não tenho muito poder sobre isso.
Acordo assustada, suada, agoniada; acendo a luz, faço minhas orações e peço a Deus e ao Povo lá de Cima que afastem de mim esse cálice, que eu nunca mais tenha que passar por isso, que quando chegar a minha hora eu vá em paz e atravesse os umbrais e encontre meu Paipreto, meu povo antigo que tanto gosto.
Morreram os corpos físicos, mas o espírito não.
Acredito nisso e respeito quem não acredita.
Quando acordei do coma pedi com gestos papel e caneta para a enfermeira, eu não conseguia falar por causa da traqueostomia e me comunicava pela escrita. Meu peito doía, parecia que tinha passado um caminhão sobre mim e soube depois que fui reanimada e recebi massagem após a parada cardiorrespiratória.
Nasci de novo, graças a Deus.
A primeira coisa que escrevi e perguntei foi se dois dos meus sobrinhos e duas conhecidas nossas estavam vivas, minhas irmãs estranharam a pergunta. Eu não podia falar e explicar para elas o que vi e até hoje, após pouco mais de três anos do acontecimento, não falei ou escrevi tudo que vi. Tem coisa que dá não. Por enquanto dá não.
Previ, vi, foi-me mostrada muita coisa que já aconteceu e outras que estão acontecendo, infelizmente. Peço a Deus que o que for ruim seja destruído antes de acontecer, mas já está acontecendo...
Vi minha meia irmã grávida de outra menina, vi a filha de uma amiga grávida de outro menino e isso foi em 2009 e as crianças nasceram em 2010 e 2012, respectivamente.
Uma das piores coisas que vi e nunca tive coragem de falar, por medo de achar que as pessoas me achariam louca ou picareta, foi a horrível, violenta, sangrenta e injusta morte de inocentes sob os ataques de uma facção criminosa daqui de São Paulo.
A facção criminosa toca o terror nas noites paulistanas e a polícia reage com igual ou pior violência e nessa briga quem sofre são inocentes, na maioria dos casos. Infelizmente.
Em maio de 2006 houve ataques violentos, ônibus incendiados e a maior e mais rica cidade do país parou. São Paulo não para, diz a canção, mas parou naquele fatídico mês de maio.
Em outubro desse ano os ataques recomeçaram; são ônibus queimados, policiais e civis mortos. 
Semana passada os ataques ocorreram em bairros próximos ao meu e fiquei e estou preocupada. 
Deus, proteja a todos, a minha família, a mim e que essa violência toda chegue ao fim. Amém.
Fiquei indignada quando o governador do Estado, o digníssimo senhor Geraldo Alckmin, disse que São Paulo é maior que muitos países e as mortes estão de acordo com demografia local. 
Entendo que para esse senhor está tudo certo e essas mortes são "normais".
É normal perder entes queridos, muitos ainda tão jovens e com um futuro pela frente?
Não sei o que pensa o governador, mas eu penso e peço que essa violência toda deveria acabar. 
Quem sou para decidir, mas não haveria um modo de resolver essa pendenga político-criminosa sem derramar sangue? Mas aí não seria nem política nem criminosa. 
Com todo o respeito ao governador e à facção.
Era essa uma das piores visões e imagens que vi e que tinha medo de falar a respeito.
Não sou louca, exibicionista ou mentirosa. Juro por Deus.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós,
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz
                                


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Tia Filomena, Sol da Meia Noite,

                                     

Tia Filomena era irmã de mamãe e morava no Paraná com o tio Francisco.
Falei brevemente sobre ambos aqui e falei sobre a fuga para poderem ficar juntos, pois em uma época de muito racismo, preconceito e ignorância, relacionamentos de pessoas de etnias diferentes não eram tolerados. Não uso o termo raça, porque como já disse aqui, só existe uma raça: Raça Humana.
Bom...
Tia Filomena era galega, clarinha, cabelos louros avermelhados, olhos azuis e tio Francisco era negro. Precisa dizer mais?
Tio Francisco vive no Paraná, na cidade de Jaguariaíva, e mora com os filhos depois que tia Filomena foi para o céu.
Sonhei com a tia hoje e no mundo dos sonhos não há tempo, espaço, certo ou errado; as coisas são, simplesmente são.
Havia uma casinha simples e pequena à beira do mar e no céu brilhava o sol da meia noite. Minha sobrinha Michelle pedalava um pedalinho (sic) e eu ia com ela dar uma volta pelas água gélidas e azuis do oceano. Eu ficava preocupada e não permitia que minha sobrinha fosse para muito longe, tinha medo de entrar em oceano aberto e nos perder. 
Amarrávamos o pedalinho à doca no deck da casa e tia Filomena ficava a nos observar, eu dizia: "Olha só para aquelas explosões solares!".
O sol e a lua eram uma coisa só, uma luz quente e amarela em um céu azul que se encontrava com o mar; lindo e assustador.
As águas do mar oceano e os ventos eram gelados e eu estava preocupada com algo e me sentia muito insegura.
Observava a pequena casa à beira do oceano imenso, azul e gélido e me preocupava com a segurança de tia Filomena; será que a casa estaria bem presa às docas, ao deck?  Será que a pequena casa era forte o bastante para suportar a fúria dos elementos da Natureza? Por que a tia fora morar em lugar tão distante desses? Tão perto do mar, tão perto do sol com suas poderosas explosões? Por que eu tinha tanto medo de me perder no mar? Eu que amo o mar tão intensamente?
Eu olhava à volta e via policiais passando alegremente pela rua atrás da casa; eles riam e cantavam. Todos estavam tranquilos, menos eu.
Como já falei aqui, eu vi o sol da meia noite quando estava em coma, vi o mar de águas geladas, estive em países gelados onde brilha o sol da meia noite e vi homens branquelos e galegos iguais a tia Filomena. Será que a tia foi para as terras do sol da meia noite?
Será que a tia virou estrela e por isso não se preocupa com o sol tão próximo?
Quando era criança ouvia dizer que quando as pessoas morrem vão para o céu e viram estrelas. Será que tia Filomena virou estrela? Em que constelação ela estará? Órion, o grande caçador? As três Marias? Andrômeda? Cassiopeia?
Não sei.
Sei que a tia está em um bom lugar. Um lugar onde já estive, já senti muito frio e muito medo. 
Já se passaram três anos, mas às vezes os temores e terrores do coma voltam e me assustam.
Que Deus cuide bem de tia Filomena.
Que Deus cuide bem de minha família e das pessoas queridas.
Que Deus cuide bem de mim.
Amém.