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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Carros, Possantes e Carrões

                               


A Indústria Automobilística Brasileira melhorou bastante nas mais recentes décadas, e, de carroças, passou a produzir ou importar carros bem melhores.
Sou da época em que Ford Scort, Santana e Monza eram os carrões da moda e  sonho daqueles que sonhavam em um dia ter um desses, principalmente os jovens, que sonhavam com o Scort Conversível. Nossa!
O Monza e o Santana tinham uma pegada mais austera enquanto o Scort era mais jovem e dinâmico, especialmente o modelo conversível.
Os anos se passaram, os carros melhoram e ficaram mais acessíveis e por conta disso as ruas e Marginais estão sempre congestionadas.
Os modelos SUV (Sport Utility Vehicle - Veículo Utilitário) estão na moda e são o sonho de consumo da maioria das pessoas.
Não havia muitos modelos SUV no país, lembro do antigão Veraneio e da Blazer, ambos da GM.
Hoje tem-se um infinidade de modelos e cada um mais interessante que o outro.
Mas essa evolução automobilística no país trouxe um problema: as pessoas/motoristas não estão aptas e/ou capacitadas a dirigir um carro do porte de um SUV. São carros grandes e fica difícil manobrar para colocar na vaga e estacionar, no caso de quem não tem muita experiência.
Estacionei meu pequeno possante na rua, próximo a uma calçada, e ainda tinha vaga para mais uns dois ou três carros. Aguardo no carro e dali a pouco ouço uma buzina e vejo sinais de luz; era o rapaz pequeno e franzino dirigindo seu Dodge Durango, carro monstruosamente grande e lindo.
O rapaz franzino queria estacionar o carrão em frente à sua empresa e entre o local em que eu estava e o carro da frente, cabia até um caminhão! Mas ele não conseguia fazer a baliza e pediu que eu saísse para ele estacionar.
Saí e voltei, tranquilamente.
Pensei comigo: "Por que esse moço comprou um carro desse tamanho se não sabe dirigir direito?!".
Fui ao consultório do ortopedista e estacionei em uma das três vagas em frente ao local. Dali a pouco alguém me chama e diz que a motorista de um Renault Duster havia encostado no meu carro; fui lá fora e ela disse que não havia encostado, que manobrou novamente até conseguir colocar o carro na vaga. Segundo soube, ela manobrou umas três vezes até conseguir estacionar e isso porque o Duster é de porte médio, se comparado a alguns outros modelos SUV.
As pessoas querem ter um SUV porque está na moda, porque é bonitinho, porque querem se exibir, porque querem competir com alguém que tem e uma infinidade de motivos, mas o problema é que muitas estão habituadas a modelos menores e quando estão em um modelo maior, ficam meio perdidas e fazem burrada. Haja vista a moça do Renaut Duster e o rapaz franzino do Dodge Durango.
Mas eu quero um IX35.
É isso.



IX35, Dodge Durango e Renault Duster


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Xodó

                                             


"Que falta eu sinto de um bem
que falta me faz um xodó
mas como eu não tenho ninguém
eu levo a vida assim tão só..."


Meu Paipreto cantarolava essa música que tocava no inseparável rádio de pilha; era uma composição de Dominguinhos e Anastácia cantada por Gilberto Gil.
Mãvelha lavando roupas no quintal, meu Paipreto sentado no alpendre da casa ao mesmo tempo cantarolando e observando nossas artes, mamãe trabalhando e papai em "Sum Paulo".
Curiosamente, naquela época, homens que tocassem violão e/ou usassem camisas coloridas eram tidos como vagabundos, preguiçosos, malandros.
Tio Nelson gostava de cantar, tocar violão e usar camisas coloridas, tinha uma bela voz também. Mas Paipreto achava que isso não estava certo, não combinava com um homem adulto e pai de família como era o tio e além do mais, não pegaria bem para ele ter um filho malandro e ficar falado pela cidade.
Se Paipreto visse os jovens de hoje com cabelos espetados, calças justas, coloridas e o cofrinho de fora... Vixe! 
Eram outros tempos aqueles.
Tio Nelson cantava uma música de Caymmi que sua mãe, a tia Anália, adorava:


"Eu vou pra Maracangalha eu vou
eu vou de liforme branco eu vou
eu vou de chapéu de palha eu vou
eu vou convidar Anália eu vou
se Anália não quiser ir eu vou só
eu vou só sem Anália 
mas eu vou"


Mamãe gostava de uma música do cantor Evaldo Braga que hoje é tema do comercial do carro Renault Duster e era assim:


"Sorria meu bem, 
sorria,
você hoje chora
por alguém que nunca te amou..."


E o rádio e a boa música popular brasileira sempre presentes em nossas vidas. Era uma época simples em que não existiam Internet, Redes Sociais, e-mails, Ipod, celulares e toda essa parafernália cibernética que faz com que as pessoas tenham um milhão de amigos virtuais e vivam numa solidão real.
É isso.