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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Xodó

                                             


"Que falta eu sinto de um bem
que falta me faz um xodó
mas como eu não tenho ninguém
eu levo a vida assim tão só..."


Meu Paipreto cantarolava essa música que tocava no inseparável rádio de pilha; era uma composição de Dominguinhos e Anastácia cantada por Gilberto Gil.
Mãvelha lavando roupas no quintal, meu Paipreto sentado no alpendre da casa ao mesmo tempo cantarolando e observando nossas artes, mamãe trabalhando e papai em "Sum Paulo".
Curiosamente, naquela época, homens que tocassem violão e/ou usassem camisas coloridas eram tidos como vagabundos, preguiçosos, malandros.
Tio Nelson gostava de cantar, tocar violão e usar camisas coloridas, tinha uma bela voz também. Mas Paipreto achava que isso não estava certo, não combinava com um homem adulto e pai de família como era o tio e além do mais, não pegaria bem para ele ter um filho malandro e ficar falado pela cidade.
Se Paipreto visse os jovens de hoje com cabelos espetados, calças justas, coloridas e o cofrinho de fora... Vixe! 
Eram outros tempos aqueles.
Tio Nelson cantava uma música de Caymmi que sua mãe, a tia Anália, adorava:


"Eu vou pra Maracangalha eu vou
eu vou de liforme branco eu vou
eu vou de chapéu de palha eu vou
eu vou convidar Anália eu vou
se Anália não quiser ir eu vou só
eu vou só sem Anália 
mas eu vou"


Mamãe gostava de uma música do cantor Evaldo Braga que hoje é tema do comercial do carro Renault Duster e era assim:


"Sorria meu bem, 
sorria,
você hoje chora
por alguém que nunca te amou..."


E o rádio e a boa música popular brasileira sempre presentes em nossas vidas. Era uma época simples em que não existiam Internet, Redes Sociais, e-mails, Ipod, celulares e toda essa parafernália cibernética que faz com que as pessoas tenham um milhão de amigos virtuais e vivam numa solidão real.
É isso.

                                    


                                      
                                    


                                          


                                       





terça-feira, 13 de março de 2012

Verde

                                            


Chovia.
O farol fecha; aguardo abrir.
Enquanto espero observo as árvores e plantas de uma praça e me encanto com seus  diferentes tons de verde; a chuva as deixa mais bonitas.
Observo as quaresmeiras com suas flores roxas e róseas.
Observo as paineiras com suas flores rosa.
Observo os jasmins com seu tom branco amarelado.
Toda essa beleza verde colorida da Natureza me encanta e ao meu lado alguém diz que é apenas mato.
Já ouvi também uma mulher dizer que detesta flores e plantas. Quanta sensibilidade.
Chove lá fora e as plantas ficam mais verdes, mais coloridas, mais viçosas.
Adoro verde.


Quaresmeira