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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Professor

                                       

Mamãe ligava a TV e ia para o tanque lavar roupas.
Terminava a programação do rádio e mamãe iria assistir aos telejornais da tarde; mamãe mais ouvia a TV do que assistia.
Acaba o Jornal Hoje e eu colocava na TV Cultura, tinha um programa educativo com aulas pré vestibulares. Os alunos/pessoas mandavam perguntas e os professores esclareciam suas dúvidas.
Tinha um professor de História ou Geografia, não lembro bem, que era engraçadinho; ele dizia: "Opção A de Ailóviu". Era engraçado.
Tinha um professor de Biologia que cantava musiquinhas para melhor expressar seus conhecimentos: "O músculo relaxa, contrai...Contrai, relaxa..."
Tinha uma professora de Língua Portuguesa que lembrava muito a cantora Nara Leão, o cabelo lisinho, os dentes enormes e a voz delicada.
Mas tinha um professor bonitão de inglês que mamãe adorava; nos dias que tinha aula dele nós chamávamos mamãe: "Manhê, vai começar a aula do professor bonitão". Ela deixava suas roupas de lado, sentava-se no sofá e assistia à aula de inglês do professor bonitão. 
Perguntávamos a ela o que foi que o professor havia ensinado e ela respondia: "Oxe, sei não. Eu gosto é de ver esse homem bonito. Eita homem bonito, minha Nossa Senhora!".
Ríamos desse gosto de mamãe por professores bonitões.
Ainda hoje gosto de assistir ao Telecurso que passa tanta na Globo como na TV Cultura. Adoro. Acordo cedo e ligo a TV e assisto ao Telecurso, depois ao Globo Rural e SPTV.
Adoro.
É isso.

                                     

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mais uma noite de insônia

                                                


Estou pensando em me mudar para um país longínquo onde se cultuem o silêncio e o respeito pelos outros.
Dormir, para mim, é um desafio. Somam-se à minha insônia crônica, minhas dores de cabeça, minha sudorese noturna o falar alto da vizinha esganiçada, o simpático menino que atazana a vida da vizinhança mas que o pai jura de pés juntos que o filho é apenas uma doce e inocente criança. "Tem pai que é cego", já dizia uma personagem de programa humorístico.
Fico na cama lendo e lá pelas duas horas da manhã algum silêncio faz-se sobre a Terra, mais precisamente sobre minha rua, e finalmente adormeço. Mas eis que...
Lá pelas cinco e meia, Alice pula sobre o criado mudo improvisado (fiz com uma gaveta de uma cômoda velha; reciclar é preciso) e derruba o que tem em cima: livro, revista, óculos, porta retratos e meus remédios. A intenção dela é me acordar; não precisa muito esforço.
Levanto e Alice me segue miando e caminhando em direção ao pote de ração. Dou-lhe comida, troco a água e já aproveito que estou de pé mesmo e começo minha arrumação diária e obrigatória do quintal da gataiada. Manter as coisas em ordem é preciso.
Depois assisto TV, os jornais matinais e o Globo Rural. Assisto também o Telecurso. Adoro.
Tomo meus remédios, faço meu bom e forte café e prossigo com meu dia. Mas por volta das três ou quatro horas da tarde já estou muito cansada; moída, como diz meu cunhado Pepê. 
É isso.
Agora todos dormem e eu... Eu escrevo.


                                                       





sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Visão

                                        


Estou muito mole hoje; não tive uma boa noite de sono.
As dores de cabeça voltaram há alguns dias e ontem à noite foi pior. Além da dor tive a visão embaçada e dificuldade até mesmo para assistir TV. As imagens pareciam "quebradas" e "faltando pedaços". Como se a imagem estivesse incompleta.
A sensação que se tem é de que bolas coloridas de luz ficam a flutuar à nossa frente.
A cabeça fervia, doía e as bolinhas de luz brilhavam e incomodavam. Tomei meus remédios, como sempre faço, mas precisei tomar um mais forte. Pensei comigo: "Se essa dor não passar e a minha visão não voltar ao normal, terei que ir ao Santa Helena (hospital)".
Fui para a cama e graças a Deus não havia tanto barulho. Essa é a parte boa do frio e da chuva, as pessoas se recolhem mais cedo.
Acordei cedo e fui para a sala para assistir TV e ver se conseguia enxergar direito. Assisti ao Telecurso e ao Globo Rural. Gosto desses programas.
Fiquei feliz em ter minha visão de volta; sem dor e sem bolinhas coloridas. Graças a Deus.
Agora a cabeça não dói tanto e enxergo bem; só estou me sentindo cansada e molenga. Deve ser efeito do remédio mais forte.
É esse o problema da Acromegalia: um dia estamos bem e em outros nos sentimos um caco.