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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Milagre da Multiplicação

                                     



Os filhotes de Boreal completarão três meses no próximo dia quinze e levarei a mãe ao veterinário amanhã pela tarde. Depois será a vez dos filhotinhos, principalmente as fêmeas.
Li no Estadão e vi na TV notícias sobre o novo hospital público veterinário que foi inaugurado no Tucuruvi, bairro da Zona Norte, mas é tão difícil e complicado agendar uma consulta tanto quanto a gente que precisa agendar uma consulta pelo SUS. Pessoas chegando de madrugada para poder pegar uma senha só para depois, sabe lá Deus quando, finalmente ter seu animalzinho atendido.
Segundo o diretor do hospital veterinário, é dado prioridade a pessoas carentes, dependentes (usuários? não vejo muita diferença entre as palavras) do Bolsa Família etc... e tal.
A única bolsa da qual dependo é a minha e faço milagre da multiplicação do meu rico salário de professora, da ração, areia sanitária e ainda me desdobro para pagar minhas contas e manter meus gatos saudáveis, alimentados e bem tratados.
Conheci uma moça gateira que participa e ajuda ONGs e associações que ajudam e protegem animais e ela me indicou uma veterinária que cobra mais barato para castrar a bicharada. É lá que vou amanhã.
Como sempre, somos criticadas por ajudarmos, protegermos e/ou por termos muitos gatos e/ou cães.
Tenho minha gataiada e ainda alimento e dou água fresca para cachorros de rua. O problema é os carroceiros jogam a água fora e pegam os potes pra eles. Ainda bem que tenho bastante potes de sorvete para reciclar.
É isso.


                                            



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Lotação

                                          


Temos dois tipos de lotação: a primeira é substantivo feminino e se refere à soma total ou capacidade máxima de algo.
O segundo é substantivo masculino e se refere a um meio de transporte. Aqueles buzão menorzinho mesmo, tá ligado?
Bom...
O lotação é menor e mais prático e passa em ruas estreitas, coisa que o ônibus tradicional e grandão não consegue fazer.
Uma vez tomei o lotação sentido Metrô Tatuapé e não sabia que havia mais de uma linha até o metrô. O lotação que tomei fez um caminho diferente ao que eu estava habituada e confesso que fiquei preocupada. Pensei comigo mesma: "Meu Deus, pra onde esse buzão está indo?". 
Fiquei com vergonha de perguntar ao motorista e/ou cobrador e fingi que estava apreciando a viagem olhando calmamente pela janela do coletivo.
Mas para meu alívio havia mais pessoas com a mesma preocupação que a minha. Acho que essas pessoas, assim como eu, não sabiam da diferença de rotas e linhas dos lotações.
Um rapaz alto, magro e vestido elegantemente olha ao redor com olhos e expressão questionadores e se dirige à senhora sua mãe: "Mainha, tem certeza que estamos no ônibus certo? Eu desreconheço esse caminho".
E mainha responde: "Sei não, meu rei. Melhor perguntar ao motorista".
Após ouvir esse diálogo, eu e outros passageiros do lotação nos imbuímos de coragem e perguntamos ao motorista se aquele ônibus nos levaria de fato ao Metrô Tatuapé. O simpático condutor do coletivo nos disse que sim e explicou que há mais de uma linha para o mesmo destino. Ah bom. Que alívio. Ufa! 
De outra feita estou no metrô Tucuruvi e devo tomar o lotação sentido Avenida Roland Garros ( a pronúncia correta do nome francês é "rolân gárrô, mas as pessoas falam como se escreve mesmo). O coletivo se aproxima, para no ponto e eu entro, certa de que iria sentido à avenida supra citada. Mas o lotação dá umas voltas, passa por umas ruas estranhas e nada de chegar ao destino pretendido por mim. 
O lotação chega ao ponto final e todos os passageiros descem; menos eu. Pensei que dali iria prosseguir viagem até chegar na avenida com nome francês. O motorista e o cobrador entreolham-se e se dirigem até a mim: "Senhora, a senhora tem que descer. Aqui é o ponto final".
"Mas esse ônibus não vai até a avenida Roland Garros?"
"Não, senhora. Não vai não. A senhora teria que ter pego o Vila Sabrina, esse aqui é o Vila Albertina. Mas aquele ônibus ali vai até o Metrô Tucuruvi e de lá a senhora toma o Vila Sabrina, certo?"
O motorista fez sinal para o lotação que se preparava para sair, eu agradeci e fui a caminho de meu destino. Entrei e quis confirmar com o motorista: "Moço, esse ônibus passa mesmo na avenida 'Rolân Gárrô'?". O motorista pensou um pouco, coçou a cabeça e disse: "Olha, moça, na avenida Roland Garros passa sim, mas nessa "Rolân Gárrô" não sei não".
"Tudo bem, qualquer uma das duas serve. Obrigada.