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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Milagre da Multiplicação

                                     



Os filhotes de Boreal completarão três meses no próximo dia quinze e levarei a mãe ao veterinário amanhã pela tarde. Depois será a vez dos filhotinhos, principalmente as fêmeas.
Li no Estadão e vi na TV notícias sobre o novo hospital público veterinário que foi inaugurado no Tucuruvi, bairro da Zona Norte, mas é tão difícil e complicado agendar uma consulta tanto quanto a gente que precisa agendar uma consulta pelo SUS. Pessoas chegando de madrugada para poder pegar uma senha só para depois, sabe lá Deus quando, finalmente ter seu animalzinho atendido.
Segundo o diretor do hospital veterinário, é dado prioridade a pessoas carentes, dependentes (usuários? não vejo muita diferença entre as palavras) do Bolsa Família etc... e tal.
A única bolsa da qual dependo é a minha e faço milagre da multiplicação do meu rico salário de professora, da ração, areia sanitária e ainda me desdobro para pagar minhas contas e manter meus gatos saudáveis, alimentados e bem tratados.
Conheci uma moça gateira que participa e ajuda ONGs e associações que ajudam e protegem animais e ela me indicou uma veterinária que cobra mais barato para castrar a bicharada. É lá que vou amanhã.
Como sempre, somos criticadas por ajudarmos, protegermos e/ou por termos muitos gatos e/ou cães.
Tenho minha gataiada e ainda alimento e dou água fresca para cachorros de rua. O problema é os carroceiros jogam a água fora e pegam os potes pra eles. Ainda bem que tenho bastante potes de sorvete para reciclar.
É isso.


                                            



terça-feira, 21 de maio de 2013

Bolsa Qualquer Coisa

                                  



Assistia ontem ao Fantástico e por um momento cochilei; acordo com uma cena dantesca na TV: uma multidão invadindo agências da Caixa Econômica Federal. 
Não entendi bem o que acontecia e quando acordei, vi que eram pessoas correndo desesperadas para sacar o dinheirinho do Bolsa Família; não se sabe como nem quem, mas circulava à boca pequena que o Bolsa Família seria extinto e quem tivesse alguma merrequinha lá, que corresse o mais rápido para sacar.
Nooooooooooooooossa!
Multidões se acotovelando para entrar nas agências do banco, filas homéricas, pessoas preocupadas, agoniadas. Seria mesmo o fim de mais uma "ajuda" do governo paternalista?
Curioso é que pareciam todos animais furiosos correndo atrás da presa que não seria facilmente largada. Vergonhoso, no mínimo.
Nunca vi tanta saúde, energia, garra e vitalidade juntas!
Acho que se essas pessoas direcionassem essa energia toda para arrumar um emprego e trabalhar de verdade a Bolsa Família não seria mais necessária. Ou talvez pudessem participar de campeonatos de atletismo, maratonas e a corrida da São Silvestre; energia, velocidade e preparo físico já demonstraram que têm.
É Bolsa Família, é Bolsa Crack pra vagabundo se drogar com patrocínio do governo, é auxílio reclusão para os filhos dos vagabundos que estão na prisão...
É muita bolsa, muita bondade, muito paternalismo de um governo carinhoso.
Concordo com a tal da bolsa em casos extremos, como para as vítimas da Seca que assola o Nordeste, mas na maioria dos casos, é apenas mais um método "sustenta vagabundo-garante voto" do governo que mantém o povo no comodismo, na preguiça, na miséria e na espera.
Muita gente ali naquela multidão me parecia jovem, saudável e apta a trabalhar, mas trabalhar pra quê? Basta fazer cara de cachorro que caiu da mudança, danar a botar filho no mundo, cruzar os braços e abrir as pernas, literalmente, e depois se inscrever para receber o benefício. Fácil.
Tem bolsa alguma coisa para quem estuda, trabalha e é honesto?
"Muidifici", diria meu povo antigo.
Tenho vergonha dessa gente tacanha que vive catando as migalhas que lhes jogam em vez de trabalhar pelo próprio pão.
É isso.








segunda-feira, 25 de março de 2013

"De Menor"

                                



Voltava da perícia médica e entro na rua onde morei por muito tempo. Reduzo a marcha para o caminhão terminar a manobra.
Esse bairro já deu o que tinha que dar! Isso aqui se transformou em uma gigantesca transportadora a céu aberto.
Ruas lotadas de caminhões estacionados irregularmente que impedem a visão de quem dirige e não consegue ver quem vem no sentido contrário.
Barulho, sujeira, incômodo.
Assim que saio da Marginal Tietê e entro na rua percebo dois adolescentes andando de bicicleta; achei estranho e perigoso "duas crianças" andando por uma rua cheia de carros e caminhões circulando freneticamente. Estranhei também andarem em volta do carro, pensei que também aguardavam a manobra do caminhão para poderem seguir. Pensei também que fossem os moleques que jogam futebol na rua com os filhos dos vizinhos.
Andam em círculos, fazem que vão seguir em frente mas voltam. O mais gorducho com camiseta de listras pretas e amarelas puxa a maçaneta da porta do carona e diz: "É um assalto!".
O outro menor e mais magrinho posta-se ao meu lado.
Não conseguiram abrir a porta; eu tenho hábito de travá-las sempre.
O enorme caminhão ainda fechando metade a rua e os "de menor" ao meu redor. Meti a mão na buzina e gritei "pega ladrão!". Acelerei e não sei como consegui passar entre os carros estacionados e a porcaria do caminhão que não acabava nunca a bendita manobra.
Viro à direita na próxima rua e mais um caminhão parado, @#%$!.
Buzinei mais e gritei e as pessoas à volta pararam para ver o que estava acontecendo.
Faço mais uma manobra doida e encontro um camburão da polícia. Eles param e eu relato o ocorrido.
Falam mal da polícia paulista/paulistana. Falam que é bruta, violenta, injusta às vezes. Será?
Como deveria a polícia tratar criminosos? A pão de ló?!
Como os criminosos tratam suas vítimas? A pão de ló?!
Fiquei possessa, revoltada e com um sentimento imenso de ódio, raiva, ira...
Medo não senti na hora, senti raiva e nojo desses "de menor" dos infernos.
Eu sinto mais é raiva mesmo diante de situações como essas. Mas depois que passa tudo, volto para casa um caco e a pressão lá nas alturas.
Cadê o pessoal dos Direitos Humanos quando os "de menor" assaltam, estupram, matam?
Os "de menor" vão para a Fundação Casa, a antiga FEBEM, e de lá saem com a ficha limpa quando completam dezoito anos. É justo isso?
Saem como se cidadãos de bem fossem. É ridículo, é hipócrita isso.
Aí vem gente dizer que são crianças, que vêm de lares pobres, violentos e/ou desfeitos, que isso, que aquilo.
E isso tudo justifica cometer crimes?
Crianças?!
Não para mim!
Crianças brincam, não são criminosas.
As leis desse nosso país foram feitas para proteger criminosos; dá até a impressão que o crime compensa, pois o cabra mata, estupra, rouba, corrompe etc, e depois ou paga fiança ou cumpre uma pequena parte da pena e logo logo está em liberdade.
Então pra que condenar o cara a trinta, cinquenta ou até cem anos de reclusão se nem dez anos na cadeia o desgraçado fica?
E ainda tem o tal do "bom comportamento", que alivia a pena do criminoso.
Esse país imita tanto os Estados Unidos da América; é sua colônia cultural, mas pergunto: "Por que não copia coisas boas?"
Não! Só copiam gírias, gestos, hábitos alimentares e inutilidades afins".
Nos Estados Unidos não tem essa de o cara ser "de menor". Não importa se é criança, adolescente ou adulto; cometeu crime é punido! Cadeia!
As penas são cumpridas integralmente e não tem essa de bom comportamento não.
Lembro de um caso de uma garotinha de seis anos que fora algemada pela  polícia porque estava agressiva e batia nos coleguinhas e professores. Causou comoção mundial, pois onde já se viu algemar uma criança de seis anos?! 
É?
Se deixa pra lá e segue o mantra de que é apenas uma criança, essa garotinha poderia se tornar uma adolescente problemática e até uma criminosa.
Radical?
Sim, sou sim. Sou radical assumida. 
Pra mim não tem essa "de maior ou de menor", cometeu crime é bandido e tem que pagar por isso!
Mas nosso país varonil tem leis brandas para criminosos e leis rigorosas para o cidadão de bem.
O nosso país incentiva a pobreza, a preguiça, o comodismo e o botar filho no mundo com sua Bolsa Família, Programa Mãe Paulistana, Auxílio Reclusão...
O Auxílio Reclusão é o mais revoltante de todos, acredito eu. É um, como o nome já diz, auxílio aos dependentes do segurado recolhido à prisão; presidiário mesmo!
E sabem qual o valor desse auxílio? R$ 971,78! Mais que o salário mínimo, que é R$ 678.00.
Então nos parece que ser um cidadão de bem, um trabalhador honesto e cumpridor de seus deveres não está com nada. O negócio é ser bandido, paga muito mais e melhor!
E com bolsas, programas e auxílios a população acomodada se acomoda mais ainda e dana-se a botar filho no mundo para ser mais uns "de menor" e seguir com o ciclo de comodismo, vagabundagem e criminalidade.
E para ajudar à criminalidade, fazem campanha para o desarmamento da população. 
Eu já fui a favor da campanha, mas depois de hoje e dos "ataques" mequetrefes ao meu portão e à tampa do relógio da luz, mudei e tenho outra visão.
Uma bala bem colocada no meio dos cornos de quem merece resolveria o problema da superpopulação nas cadeias.
É isso.


Foto: Sou da paz, e estou pronto para defendê-la. (Contribuição de Luciano Menegucci)

                                   








quarta-feira, 25 de abril de 2012

Idosos

                                               


Saí do prédio da perícia e fui ao prédio da Farmácia Alto custo.
Vou para a fila especial e o segurança me diz: "Essa fila é especial!"
"Eu sei. Eu tenho direito de estar aqui".
O segurança e as pessoas em volta me olham meio incrédulos e procuram em mim sinais de alguma deficiência física. Não encontram tão aparente.
O segurança me encara e eu digo: "Tenho parafusos e em minha coluna e um tumor no cérebro. Tá bom pro senhor? Posso ficar na fila?"
Uma senhora que estava na minha frente cedeu-me o lugar e eu a agradeci. Conversamos e ela falava sobre ter trocado o carro pela moto para encarar o caótico e quase sempre engarrafado trânsito de São Paulo. Eu invejei sua coragem, pois nem de bicicleta eu sei andar (talvez com rodinha, quem sabe?).
Mostro meus laudos, exames e documentos para Renovação e sigo para a outra sala com senha na mão para pegar meu remédio alto custo: Sandostatin - LAR.
A sala estava lotada e a demora foi grande; havia caído o sistema. Vixe!
Uma senhora idosa entra falando alto, gesticulando e reclamando do atendimento e da falta de boa vontade dos funcionários. Foi chamado o gerente e outras pessoas responsáveis pelo local, mas a idosa não parava de falar. 
Ela cismou que o pessoal da Farmácia Alto Custo estava com seus exames e laudos médicos e se negavam a lhe dar o remédio.
A farmacêutica veio falar com a idosa e disse que ela deveria retornar ao seu médico e fazer novos exames para então voltar à farmácia e assim pegar seu remédio.
Mas a idosa não arredava pé e dizia: "Eu sou velha, mas não sou louca não!".
Um senhor que estava sentado ao meu lado comentou comigo: "Gente idosa assim não deveria sair sozinha; alguém deveria acompanhá-los".
Concordei.
Todo mês vou à Farmácia Alto Custo e vejo a mesma cena: idosos atrapalhados com documentos, laudos e papelada para retirar seus remédios. Os olhos fracos que não enxergam direito o local da assinatura no papel, as mãos trêmulas que mal conseguem segurar a caneta, os ouvidos quase moucos que não ouvem direito o que as pessoas falam.
Mas o mesmo não acontece quando os idosos vão aos bancos nos dias de pagamento da aposentadoria e outros benefícios. Os idosos estão quase sempre acompanhados de filhos/as e netos/as aguardando ansiosamente para abocanhar o dinheirinho do parente idoso. Vi uma moça apressando a pobre mãe para sacar logo o dinheiro porque ela queria sair logo dali para ir ao cabeleireiro e depois e encontrar fulano. No mínimo ia fazer mais um filho para deixar para a mãe cuidar e viver de Bolsa Família,  Enxoval da Mãe Paulistana, Kit uniforme, Kit material escolar...
É fácil ter filho assim, basta parir e largar para a mãe e o governo cuidarem.
Reclamam que o governo não entregou isso, não entregou aquilo, que não tem vaga nas escolas e creches, que não podem pagar por escolas e creches particulares, blá blá blá... mas estão com cabelinhos esticadinhos e loirinhos e isso custa muito dinheirinho! Dinheiro da aposentadoria dos idosos que trabalharam a vida toda e em vez de descansar, vão cuidar dos filhos dos filhos.
Acho que já falei sobre isso aqui, mas fico indignada quando vejo tanta moleza, tanta cara de pau, tanta gente robusta e saudável explorando seus idosos. 
E com cabelinho lisinhos e loiríssimos!
É isso.