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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bolo de Coco de Beatriz

                                 


Minha sobrinha Beatriz adora o bolo de coco que eu faço. Fica fofinho, molhadinho e muito gostoso.
Fiz o bolo e levei para ela, mas acabou, claro. Ela me liga e pede outro e prometi fazer e levar, mas ainda não deu.
Voltei a trabalhar e agora vivo numa correria que só.
Passei hoje na casa de Beatriz e ela recusou-e a falar comigo; ficou emburrada e fingi que não sabia o que estava acontecendo.
A convidei para fazer um bolo e ela me ajudou. Não sei se prestou, pois fiz meio improvisado só para agradá-la.
Vou fazer um bom bolo de coco e levá-lo para Beatriz.
Gosto de preparar minhas guloseimas em minha cozinha, estou acostumada ao meu forno, batedeira e apetrechos culinários. 
Pretendia ir ao supermercado comprar algumas coisas, principalmente a ração dos gatos, mas não estava com muito ânimo para esperar na fila do caixa. Passei pelo pet shop do bairro e encontrei o dono, um simpático jovem senhor, fechando o estabelecimento. Pedi-lhe que me vendesse um pacote de três quilos de ração e um saco de areia sanitária e ele voltou à loja e me trouxe a encomenda.
Muito legal da parte dele.
Enquanto eu aguardava, a cachorrinha brincava comigo. Fiz minhas compras mais urgentes e mais importantes e ainda fiquei devendo noventa centavos.
Depois irei ao supermercado, que além de ração, comprarei os ingredientes para um delicioso bolo de coco de Beatriz.
Já coloquei a receita aqui, mas quem quiser conferir de novo, cá está:

4 ovos grandes
150 gramas de açúcar
170 gramas de farinha de trigo
1 colher de café de fermento

Bater as claras em neve, adicionar as gemas. Bater até ficar um creme clarinho. Adicionar açúcar, bater. Adicionar a farinha de trigo e o fermento. Bater.
Levar para assar em forma untada e enfarinhada ou usar papel manteiga.
Depois de frio e assado, molhar o bolo com leite. Leite de soja o deixa com um gostinho de vanila.
Evite molhar com refrigerante, o bolo fica meio amargo e com um gosto estranho quando o gás da bebida evapora.

Para o Chantilly

1 lata de creme de leite (gelado) sem soro
2 colheres de açúcar
1 colher de manteiga

ou

500 ml de creme de leite fresco gelado
2 colheres de açúcar

Bater na batedeira até formar o chantilly, durante uns cinco minutos. Evite bater por muito tempo, vira manteiga.

Quem quiser, pode usar o chantilly pronto vendido em supermercados e padaria.
Os ingredientes do bolo devem estar em temperatura ambiente e o creme de leite dever estar bem gelado.
Aproveitem.


                                   
Beatriz com Olho Azul e Bira Pirata (Ubirajara)





quinta-feira, 28 de março de 2013

Quaresma

                               



Finalmente encontrei as sardinhas que tanto queria. Havia pouca quantidade e o preço dobrara.
É a velha lei da oferta e procura.
Cheguei em casa e pus-me a limpá-las e a gataiada ficou extasiada.
Cortei uma sardinha em pedacinhos e dei a eles; comeram de lamber os beiços.
Estava lembrando que no nosso tempo não havia essa variedade de ração para cães e gatos e eles comiam a sobra de nossa comida.
Os gatos adoravam quando mamãe comprava baciadas enormes de sardinha, cavalinha, pescada branca, peixe seco e outros, principalmente durante a Quaresma.
Mamãe afiava a faca para começar a tratar dos peixes e ao ouvir o som da faca sendo afiada, os gatos corriam para dentro de casa e ficavam miando desesperados aos pés da pia e de mamãe.
Não sobrava uma cabeça de peixe para contar a história. As tripas eram chamadas de "fato" por mamãe, minha avó Mãevelha e meu povo antigo; diziam: "Limpe e bote os fatos do peixe pros gatos comerem".
Os peixes maiores tinham as cabeças conservadas e depois cozidas em sopas. Eu tinha nojo de ver aquela cabeçona de peixe envolta em caldo e legumes, eca.
O consumo de coco e seus derivados era e ainda é muito grande durante a Quaresma, principalmente no Nordeste.
Tia Antonia acabava com o estoque de coco seco dos feirantes e mercados locais, ela já fazia a encomenda um mês antes e víamos caixas e mais caixas de madeira cheia de cocos.
Eu adorava furá-los para tomar a água e Mãevelha ficava doida comigo, dizendo que isso estragaria o coco.
Até enjoava.
E tudo era de coco: arroz de coco, feijão de coco, cuscuz de coco, peixe de coco...
Algumas pessoas não comem carne apenas na Sexta-Feira Santa, mas meu povo antigo não comia carne de jeito nenhum durante a Quaresma inteirinha.
Então da-lhe peixe e coco.
Minhas sardinhas serão fritas e o coco será usado para colocar sobre o chantilly do bolo de coco, claro.
Esse bolo bateu recorde de público e crítica e até superou o "pudinho" de Natal de papai.
Minha sobrinha Beatriz adora e daqui a pouco irei prepará-lo para ficar bem geladinho para amanhã.
É isso.
Desejo uma Boa Páscoa a todos.