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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Maritacas

                                 



Fim de tarde e o som da passarada a ecoar pelas poucas árvores que ainda restam nas ruas do bairro.
Poeira e terra acumuladas nas guias das calçadas e os pardais a ciscar e a brincar. São tão bonitinhos.
Pardais a brincar na correnteza da água que ficou da chuva ou de algum quintal que foi lavado.
Maritacas no paredão do prédio vizinho. Verdinhas, barulhentas, bonitinhas.
Meus gatos ficam doidos, sobem no muro, descem, miam, me chamam, olham para mim, olham para as maritacas como quem diz: "Pega pra mim"
Alice ficou brava comigo; queria porque queria que eu pegasse uma das maritacas para ela.
Não tem como pegar, Alice. Nem que tivesse! Desculpe.
Alice fica brava e me olha como quem diz: "Vá se lascar".
Assovio e as maritacas respondem e assim ficamos nessa comunicação sonora por alguns momentos. Os gatos me olham como se eu fosse maluca. Talvez.
Não estou bem fisicamente e isso afeta o emocional também.
A Natureza me acalma.
Meus gatos, os pardais, as plantas, as maritacas...
É isso.


                                  


                                     

domingo, 3 de março de 2013

Visita de Rafaela

Rafaela
                                  

Meu irmão Fubá veio aqui em casa essa semana e trouxe Rafaela, minha linda, inteligente e fofa sobrinha.
Rafaela quer tomar a iniciativa sozinha, decide o que quer fazer e para onde quer ir, adora os gatos e ficou encantada com os peixes e as flores do meu jardim.
Andou pela casa, pediu água, me mandou sentar, me chamava quando precisava de ajuda para ultrapassar um grande obstáculo para suas pequenas pernas.
Olhava para os gatos e dizia "Oi" e não parou um minuto. 
Os pequenos têm uma energia que não acaba, enquanto nós adultos nos cansamos rapidamente.
Mas será que nos cansamos ou somos impacientes?
Será que a energia dos pequenos é bem maior que a nossa que só está voltada aos problemas do dia a dia?
Não estamos tão velhos assim, estamos impacientes. Perdemos o encantamento, o deslumbrar-se ao descobrir algo novo, por mais simples que seja.
Estamos mais frios, endurecidos e sempre sem tempo.
Vejo mães e pais dizendo aos filhos para não perturbar, não fazer tanta pergunta; dizendo para ficar quietinho, pois a novela já vai começar.
Pais e mães que não leem para os filhos porque não têm tempo ou que não ajudam os filhos com as tarefas escolares porque não sabem de nada.
Mas esses mesmos pais e mães têm tempo para a TV, para bater perna, para passar longas horas no cabeleireiro, com os amigos etc...
Mas eu falava sobre minha sobrinha Rafaela.
A pequena andou e explorou todos os cantos possíveis da casa e não queria ir embora quando a mãe chegou para buscá-la com pai.
Rafaela colocou a mochila nas costas, entrou e fechou o portão atrás de si, jogou beijos aos pais e os deixou do lado de fora.
A mãe a chamou para ir embora e a pequena dizia "não".
Depois de um tempo, Rafaela abre o portão, segura na minha mão e me leva até o carro do pai; queria eu entrasse e fosse junto com ela.
Acho que ela gostou da minha casa e da casa da minha irmã Rosi porque têm mais espaço. Rafaela mora em uma casa pequena e não tem quintal para brincar e correr.
Rafaela foi embora com os pais e eu pedi a Deus que os proteja a todos assim como toda a minha enorme família.
Que o amor de Rafaela pelos bichos e pelas flores continue a crescer com ela.
Que Rafaela torne-se uma pessoa boa e amante da Natureza.
Tomara que quando ela crescer e escolher uma profissão, escolha Veterinária, só para pagar a língua do seu pai.
Deus permita e os anjos digam amém.
Assim seja.

Flores do meu jardim
Rafaela jogando beijos aos pais
Rafaela fechando o portão depois de se despedir dos pais
  

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Nogueira

                            

Lembrei de um texto em meu livro de Língua Portuguesa da quarta série; falava sobre um idoso de um vilarejo que plantava uma nogueira.
Lembro do desenho, um velho barbudo e magro arrumando a terra em volta da pequena planta.
As pessoas em volta observavam e não entediam porque o ancião plantava uma árvore que levaria décadas para frutificar e todos sabiam que ele não veria isso acontecer. A professora leu o texto e pediu para que falássemos sobre o que entendemos da história, se havia alguma mensagem naquela história e qual.
Os alunos do "fundão", os mais terríveis e engraçadinhos, disseram que o ancião estava maluco e onde já se vira alguém plantar um árvore que demoraria um tempão para crescer e dar frutos sabendo que ele mesmo morreria  bem antes disso. Outros alunos mais ecologicamente corretos, incluindo minha pessoa maluquetes e amante das coisas da Natureza, dissemos que o importante era plantar a árvore e mesmo que o velhinho morresse, a árvore ficaria para as pessoas do vilarejo. A árvore daria frutos e sombra nos dias de calor.
Eu não conhecia a palavra ancião e quando cheguei em casa, perguntei a mamãe o significado e ela me disse que ancião era o mesmo que velho e idoso.
Achei a história do ancião e a nogueira tão linda, tão forte e tão real.
Adorava os textos dos meus livros de Língua Portuguesa e analisando baseando-me nos livros de hoje, acho os textos do meu tempo de escola bem mais instigantes, inteligentes e fortes.
Acho que a Educação atual passa muito a mão na cabeça dos alunos e os trata como seres frágeis, bonzinhos, carentes e meiguinhos. Acho que isso subestima a capacidade e a inteligência dos alunos e os deixa acomodados e preguiçosos.
E além do mais, os alunos são lobos em pele de cordeiro.
Acorda Brasil, a tua educação está em péssima posição no ranking mundial!
É isso.




 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Encantamento, Máscaras e Ilusões

                              

Tive uma professora na faculdade que um dia falou sobre encantamento; ela disse que as crianças se encantam com tudo, com as novas descobertas e adoram assistir ao mesmo filme dezenas de vezes. Elas repetem as falas das personagens e adoram "adivinhar" qual será a próxima fala e dizem orgulhosas: "Não falei?"
Os adultos se perguntam como que é que as crianças podem assistir ao mesmo filme tantas vezes e ainda assim acharem tão divertido e interessante como se o vissem pela primeira vez. É que crianças se encantam, elas têm o dom ininterrompido do encantamento. Cada vez para ela é uma descoberta, um aprendizado.
Adultos são práticos, apressados, "secos", não se encantam.
Acho que carrego comigo uma parte infantil e outra parte muito ligada à Natureza e ambas se compõem para me fazer quem sou.
Digo infantil no sentido de se encantar, admirar, gostar, apreciar as coisas da Natureza, ver coisas que só crianças veem, que só crianças entendem e não no sentido de ser uma pessoa infantil aos quarenta e cinco anos! Não dá, né? 
Sou adulta e sou normal, graças a Deus.
Como eu falei em postagem anterior, assisti ao programa no NatGeo ou Discovery, não recordo, falando sobre adultos se vestindo, falando e comportando como crianças. Em bom paulistanês dos manos: "Vá se ferrar, meu!".
Todo mundo tem problema, mas não precisamos extrapolar. Tá, sei que todos têm direito à liberdade de expressão então por que não se expressam trabalhando, fazendo trabalho voluntário ou qualquer coisa de útil?
Na boa.
Tenho meus problemas, e quem não os têm? Mas procuro encará-los e resolvê-los e não me escondo sob máscaras, fugas ou desculpas. Ao contrário, vou firme e forte com meu carão acromegálico e encaro o problema; não é fácil, sou muitas vezes observada, magoada, fico chateada, arretada, mas estou sempre pronta para a batalha.
Sonhar é legal e permitido, mas não dá para viver no mundo da Lua eternamente.
Não é fácil ser eu, mas estou na luta.
É nóis.
Me desculpem os que vivem de ilusão escondidos sob máscaras, mas o mundo lá fora é real e se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.
Sejamos bichos.
É isso.

                                    

sábado, 24 de novembro de 2012

Horas

Meu lindo e vesgo Léo Caramelo

Gosto de levantar cedo. Desligo a lâmpada que fica acesa durante a noite; mamãe dizia para sempre dormirmos com uma luz acesa, pois assim os anjos encontrariam nossos lares para levar nossos pedidos e trazer-nos as bençãos divinas. Já falei sobre isso aqui em postagem anterior.
Bom...
Vi uma entrevista do cantor com bela e poderosa voz, Zé Ramalho. Ele disse que todo nordestino gosta de se levantar cedo, e eu concordo. Também pudera, num calor arretado daquele não tem como o cabra ficar mais tempo na cama não!
Levanto, apago a luz, vou ao quintal, dou bom dia às coisas da Natureza, agradeço por mais um dia de vida, coloco ração para os gatos e os peixes, arrumo e limpo o quintal dos bichanos, pego o jornal na garagem, ligo a TV e tento assistir aos telejornais matinais.
Tomo meus remédios e alguns deles me deixam sonolenta e com tontura; volto para a cama e tento assistir TV.
A gataiada, que já dormira a noite toda ao meu lado, volta de barriguinha cheia e começa a disputar o espaço mais próximo a mim. Branca Maria deita-se no travesseiro ao lado e encosta a cabeça na minha; muito lindo. Aurora e Alice disputam o velho edredom, Morena Rosa deita-se aos meus pés, Léo Caramelo ronrona e encosta em minha barriga e Ébano Nêgo Lindo fica em frente à TV, impedindo que eu veja alguma coisa. Eles querem atenção total e irrestrita e eu lhes dou.
Fico assim por algumas horas, cercada de gatos manhosos, ciumentos e lindos  e tentando assistir TV.
O chamego é tão bom e o amor, carinho e confiança são recíprocos.
Li em algum lugar que pessoas que têm muitos gatos são solitárias, não sei se concordo. Sou solitária por opção, gosto do meu canto, do meu espaço, do meu sossego.
Sou normal, embora não pareça; saio, interajo com as pessoas, me arreto com os olhares de estranhamento dos ignorantes, embora não diga nada, sou educada, mas quando volto para casa, quero paz. Minha tão almejada paz.
Passo minhas horas cuidando do meu jardim, das minhas lindas plantas; adoro sentar-me no chão e folhear meus amados livros enquanto tiro o pó de suas preciosas páginas, adoro ver as fotografias da minha grande família, dos lugares lindos por onde passei, adoro ouvir minhas músicas em um volume que não incomode ninguém, bem ao contrário dos meus vizinhos.
Pego o telefone e tento falar com alguém, mas as pessoas estão tão ocupadas, apressadas, sem tempo... E eu queria falar sobre um livro que li, um filme que vi, uma notícia, uma coisa, qualquer coisa... Volto para minha solidão...
Vou até a cozinha, faço chá agora, o café me dói o estômago; faço bolos, pudins e outras guloseimas apreciadas por minha gulosa e "zoiuda" família.
Pego meu laptop, que decidiu funcionar por um pouco mais de tempo, e escrevo. Adoro escrever.
Estou bem assim, vivo bem assim. Não é porque gosto do meu espaço que sou antissocial, arrogante ou outros adjetivos pelos quais me chamam.
Sou boa pessoa, apenas gosto de ficar só por algumas horas.
Adoro estradas, caminhos e estou doida para pegar uma estrada sem destino. Já fiz muito isso. Enchia o tanque e saía sem destino e descobria lugares lindos, cidadezinhas graciosas...
É disso que eu gosto. Coisas simples, sem barulho, sem riscos, sem bebedeira, sem baladas. Deixo isso para os jovens sem juízo que acham que podem tudo e que são imunes aos problemas e perigos.
Eles são jovens e um dia aprenderão. Espero.
É isso.


Minha terrível Aurora
Morena Rosa, minha Rosinha no meu lindo jardim

                           
                                   

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cavalos

                                                


Amo animais, é público e notório.
Amo cavalos e eles para mim simbolizam força e coragem.
Sempre sonhava com um cavalo amarrado, açoitado e preso ao chão. Eu tentava ajudá-lo a sair dali e ele fazia o que podia, mas amarras eram muito fortes e os prendiam bem firme.
Durante os terríveis momentos, visões e sensações vistas e sentidas em meu coma, vi esse mesmo cavalo sofrendo, sendo açoitado, impedido de seguir seu caminho, tentando se desvencilhar, se soltar... 
"Esse cavalo é você", disse alguém.
Fui podada, roubada do meu direito de ser, fui roubada de minha liberdade e tantas coisas ruins que não vou colocar aqui. Dói.
Amo cavalos...
Cavalos que me levavam ao encontro do meu amado avô Paipreto.
Cavalos que me traziam meu melancólico e coruja avô José.
Passei pelas ruas do bairro e reparo que cada vez há mais prédios, além dos onipresentes caminhões, claro. Em um grande terreno onde estão alguns desses prédios hoje, havia cavalos. Cavalos soltos, livres e a correr lindamente.
Os cavalos não tinham amarras, não tinham freios, selas e nada que os prendesse; eram livres. Corriam e o vento a soprar suas belas crinas e caudas. 
Eu estava a caminho da escola e parei para observar esse belíssimo espetáculo da Natureza. 
Os cavalos pararam para descansar, mas um jovem corria prazerosamente, livremente e lindamente.
Tenho forte sensibilidade e coisas corriqueiras que não significam nada para as pessoas práticas e "normais", significam muito para mim. Marcam.
Minha amiga Cleusa diz que sou uma "esponja" e absorvo tudo à minha volta e não sei se isso é bom ou ruim. Expressões faciais, tom de voz, expressão corporal etc, são percebidos por mim com muita intensidade e posso jurar que o que senti ou percebi não é cisma ou mera implicância; tem alguma ali, sim.
Às vezes, muitas vezes, queria ser prática, fria, menos sensível, durona, "seca", mas não consigo.
Sei lá.
Mas eu dizia que amo cavalos...
É isso.


                                 

domingo, 28 de outubro de 2012

Pertencer

                                


Domingo muito quente, temperatura acima dos trinta graus, dá não.
Segundo turno das eleições para prefeito e fui votar. No primeiro turno minha seção ficou no térreo, mas nesse segundo turno tive que subir escadas.
Eu pensei que nada mudaria e eu poderia votar no mesmo lugar de antes, mas como diz meu irmão Naldão: "Si ferrei!".
Subi degrau por degrau e me apoiei na parede, não havia corrimão. A coluna e os joelhos reclamaram, doeram.
Votei e voltei para o carro e saí à procura de um lugar para almoçar, cheguei aos restaurantes lá pelas dezesseis horas mas fui informada que o local acabara de fechar e só abriria de noite, que falta de sorte. Nesse ínterim desaba uma chuva forte com ventos poderosos e furiosos. Lindo espetáculo da Natureza.
Aguardei a chuva passar para eu poder sair à procura de um lugar aberto para poder almoçar. Tenho o péssimo hábito de não comer de manhã, só tomo café preto, puro e forte.
Observei a chuva, os ventos balançando as árvores, o céu cinzento e lindo. A chuva despede-se e um sol tímido esconde-se atrás das nuvens ainda cinzentas e carregadas; que coisa linda!
Às vezes acho que não sou desse planeta, não pertenço a esse mundo. Acho que sou de outra dimensão, outro plano, outra galáxia... sei lá.
Sou sempre incompreendida, quero dizer uma coisa e tento explicar mas algumas pessoas não entendem e pensam que as estou desmerecendo ou duvidando de sua inteligência. Não é isso não.
Tenho esse hábito de explicar, acho que é pelo fato de ser professora, não tenho a intenção de chamar, pensar ou dizer que as pessoas são burras, longe disso.
Às vezes acho que caí de paraquedas nesse mundo, fui jogada aqui por acaso e à própria sorte e sempre acompanhada pela minha fiel companheira, a solidão.
Sempre fui muito responsável por coisas, pessoas e situações que não deveriam ser jogadas nos ombros de uma criança; nasci uma criança velha.
As cobranças, críticas e defeitos. Nada nunca estava bom.
As responsabilidades...
Fiz e faço quase tudo sozinha, vou pra lá e pra cá sozinha, não tenho um/a personal acompanheitor sempre à disposição... Não gosto de incomodar, atrapalhar, sou muito na minha.
Bom...
Mas eu falava da chuva, do céu e dos ventos...
Acho que não sou daqui, não pertenço a esse lugar.
Um dia irei caminhar pelas terras frias do sol da meia noite, vou com os ventos anunciar chuvas e tempestades, vou andar pelo meu Sertão, vou caminhar pela praia de mar azul, vou voltar a conviver com as coisas da Natureza, de onde devo ter saído meio sem querer e sem saber.
Acho que é isso, não sou daqui e por isso sou incompreendida.
Afasto-me e aguardo o dia de voltar para onde pertenço.
Sou normal, embora possa não parecer. 
Só estou cansada.
E a vida segue.
É isso.

                                 

                                 

                              

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

São Francisco e o Dia dos Animais

                                   

Hoje é dia dos animais, dos cães e de São Francisco.
São Francisco falava com os ventos, com os animais e com as coisas da Natureza.
São Francisco entendia as necessidades dos bichos e reza a lenda que tranquilizou um lobo feroz e tornou-se seu amigo.
Foi assim: O lobo faminto e feroz atacava o pequeno vilarejo em busca de alimento. As pessoas temiam o lobo e o odiavam pela bagunça, temor e destruição que ele deixava pelo caminho.
Houve um reunião no vilarejo onde todos concordaram em preparar uma armadilha para pegar o lobo e destruí-lo, mas Francisco estava por perto e decidiu ajudar ambas as partes: lobo e vilarejo.
Francisco espera pelo lobo e quando este se aproxima, inicia-se uma conversa: "Por que você ataca a vila de pessoas humildes que batalham pela própria existência, irmão lobo?"
"Mas eu também batalho por minha existência, irmão Francisco! Não faço por mal, faço porque tenho fome".
Esclarecidas as razões dos ataques do lobo, Francisco volta ao vilarejo e explica a situação às pessoas de lá e desse dia em diante o lobo não precisou mais atacar, pois os moradores deixavam comida para ele.
Francisco, o lobo e o povo do vilarejo tornaram-se amigos e viveram em paz.
Basta conversar.
Que São Francisco abençoe minha casa, minha gataiada e meus dois peixes; eram três, mas Bianca faleceu e ficaram apenas Betanilson e Betânia.
Que São Francisco abençoe a todas as pessoas que amam os animais.
Que São Francisco abençoe também as pessoas que não gostam de animais e que as faça entender que respeitar é preciso.
Como eu sempre digo, não precisa amar, mas tem que respeitar!
É isso.

Preta Maria e sua coruja de estimação
                             

sábado, 28 de julho de 2012

Mega Sena

                                              


Fui ontem ao Pet Center da Marginal para comprar ração dos meus gatos.
Nos Pet Centers do bairro vendem ração solta e em pacotes de três quilos; os pacotes maiores de dez e vinte quilos são bem mais caros.
O preço do Pet Center Marginal é meio abusivo, muito caro mesmo.
Fomos eu, Beatriz e minha irmã Rosi.
Beatriz se incumbiu de mostrar o aquário e os animais da "selva", como ela diz. Coelhos, porquinhos da Índia, ratos, aves, peixes...
Fiquei comprando as rações enquanto as duas foram ver os bichos e dali a pouco Beatriz volta até onde eu estava e diz: "Mostrei tudo para minha mãe, tia Rejane. Sabia que aquele lagarto gorducho está mais gordo ainda?! Tem um monte de passarinho colorido, vem ver".
Mas antes paramos em frente ao aquário para que ela mostrasse à mãe o preguiçoso tubarão e os outros peixes. Notei que o simpático e sorridente baiacu não circulava pelo aquário e estava deitado quietinho entre algumas pedras. Ele não veio nos cumprimentar, ele não parou para me ouvir, ele não sorriu. Será que está doentinho?.
Que Deus cuide dele e ele fique bom. Amém. 
(Juro que sou normal, apenas acredito que tudo nesse mundo, nessa vida é e está conectado. Essa é minha crença, minha religião. Com todo o respeito a todos, como sempre digo. Encontro Deus nas coisas da Natureza e no silêncio; Deus não é surdo, não precisa de tanta gritaria. Na boa).
Bom.
Fomos ver as aves e lá encontramos uma linda arara vermelha que virava a cabeça para nos ouvir melhor e dizer: "Oi, tudo bem?". Conversei com a belíssima ave e ela ouvia atentamente. Disse-lhe: "Vou jogar na Mega Sena e se eu ganhar eu venho te buscar".
A ave disse: "Por quê?"
"Porque eu adoro bichos e quero você pra mim". 
A arara riu, abriu as asas e exibiu sua belíssima plumagem.
Minha irmã acha que sou meio maluca.
Eu sou normal.
É isso.


                                              

terça-feira, 19 de junho de 2012

Aquário

Baiacu
                                     
Fui ao Pet Center da Marginal Tietê.
Tarde chuvosa, cinzenta, melancólica; diferente das ensolaradas e frias tardes outonais. Mas antes da chuva havia uma bela luminosidade onírica.
Observo muito e me encanto com as mudanças e as nuances da Natureza e isso para mim é Deus, como todo respeito à todas as religiões, fés, crenças etc...
Acredito que Deus fala por meio de Suas criações e não precisamos, na minha opinião, de templos de pedra, cimento, cal, adornos e luxo para encontramos o Criador, Ele está em tudo, basta nos despir de nossas certezas absolutas, de nossa arrogância, petulância e outras manias erradas e negativas para vê-lo, senti-lo, ouvi-lo. Somos parte de um todo, estamos interligados, conectados. 
Não pretendo aqui catequizar ou converter ninguém, já fizeram isso séculos atrás e continuam fazendo.
Bom...
Falei tudo isso como uma introdução para o fato ocorrido hoje; mais um causo da minha mente e espírito maluquetes.
Foi assim: Fui comprar ração para a gataida e encontrei o Pet Center mais vazio e fácil de circular por entre seus corredores; fins de semana fica difícil.
Parei em frente ao aquário e observei os diversos peixes coloridos e o preguiçoso tubarão que está sempre deitado a cochilar. Um simpático baiacu dava voltas pelo aquário e parava perto de mim, parecia que me observava. Eu dei uma volta em torno do aquário e o baiacu fez o mesmo; parei e ele parou, fiz um carinho pelo vidro e ele ficou parado exatamente onde estava minha mão a "acariciá-lo". Ele parecia sorrir.
Ficamos um tempo assim: eu e o baiacu. Nos olhamos, sorrimos, conversamos, nos  acariciamos. Um enorme sentimento de comunhão, de união, de fazer parte de algo, de um Todo. 
A pessoa que me acompanhava disse que eu devia estar maluca, pois onde já se viu falar com peixes?! Eles não sabem de nada! São apenas animais com cérebro pequeno e que não sabem do que eu estou falando!
Pode ser.
Enquanto trocava uma ideia com o baiacu simpático, lembrei de um trecho do livro "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury, falecido há algumas semanas, e que diz mais ou menos o seguinte: Os livros serão queimados por serem uma ameaça à humanidade. As pessoas devem sair do trabalho e ir direto para casa e vice versa; pessoas caminhando tranquilamente pelas ruas e apreciando o por do sol e a paisagem, serão presas e multadas. Os carros serão extremamente velozes, que é exatamente para ninguém parar para apreciar o que quer que seja; sentimentos não existirão e as pessoas não conhecerão a palavra felicidade e não saberão seu significado. Telões enormes em casa para confirmar a presença do poder político dominante por meio de novelas, jogos e outras programações cuidadosamente preparadas pelo governo para garantir seu domínio e a segurança nacional.
Acho que já vivemos algumas dessas tiranias: temos lixo na TV e na música que encanta milhões; temos carros velozes que honestamente não sei para que servem se não passam da segunda marcha quando a Marginal Tietê está congestionada, o que é praticamente todos os dias!
Acho que as pessoas estão mais distantes, estão conectadas à uma realidade virtual usando inúmeras parafernálias internéticas-cibernéticas e na verdade a realidade de suas vidas não é tão linda e glamourosa como a feliz e efêmera realidade virtual.
Sim, eu faço parte da modernidade, mas prefiro o contato real com a vida real, com gente real e até mesmo bater um papo agradável e real com um simpático baiacu.
Ah, sim...Eu já disse que sou normal?
É isso.


Foto tirada da varanda da casa do meu irmão; belo pôr do sol
                                

domingo, 27 de maio de 2012

Fim de Tarde

Fim de tarde do meu portão
                                              


Adoro fins de tarde.
Paro para observar a claridade dourada, a luz, a sombra, o comportamento dos pássaros e da Natureza.
Tem gente que não liga para isso, acha que é bobagem; gente que apenas vive a vida prática, fria, insensível às vezes.
Fui tomar minha dose mensal de Sandostatin LAr e claro, teve alguma burrocracia até eu conseguir tomar a bendita injeção.
Volto para casa. Era um belo fim de tarde.
Observo o movimento das folhas das árvores sob o sabor dos ventos, o azul do céu, o dourado da tarde que se despede aos poucos para dar lugar à noite. É o crepúsculo.
Tudo e todos dormem. Tudo e todos precisam descansar. Tudo e todos amanhecem até o dia que cumpram seus ciclos e não amanheçam mais por aqui, mas em outro lugar.
A passarinhada corre para as árvores, é hora de dormir, de se aconchegar em um cantinho e descansar; amanhã mais uma batalha pela vida.
Observo esse movimento, essa mudança diária. Observo a Natureza, a vida, o ciclo.
Às vezes acho que não sou muito normal.
Mas normal é ser frio, prático demais, insensível? 
A vida não é apenas trabalho, obrigações, convenções, muitas vezes fingir aquilo que não é apenas para ser aceito em um grupo, por exemplo. 
Não, isso não é para mim.
Gosto dessa minha relação com as coisas da Natureza.
A vida moderna é tão rápida e tão corrida que são taxados de loucos aqueles que desaceleram um pouco para apreciar a dádiva da vida.
Agradeço por poder ver, ouvir, sentir e viver.
Sou normal.
É isso.


                                               

terça-feira, 22 de maio de 2012

Lagarta

A lagarta e seu casulo em meu quintal

Reparei que as folhas das minhas plantas estavam murchas e enroladas; culpei meus gatos, principalmente Léo Caramelo e Ébano Nêgo Lindo.
Eles têm a mania de sentar em cima das plantas e adubá-las naturalmente.
Estou estendendo as roupas no varal e percebo uma fila indiana de pequenas lagartas saindo das plantas e indo em direção à parede da área de serviço. Elas procuravam um cantinho seguro e aconchegante para construir o casulo e dar início à metamorfose, serão borboletas.
Fotografei um dos casulos e todos os dias observo para acompanhar a transformação.
Tenho um pequeno jardim que é visitado por abelhas, borboletas e outros insetos, o problema são meus gatos que praticam salto em distância para alcançar os inocentes bichinhos.
Observando o casulo lembrei de um livro que li quando estava na quinta-série, "O caso da borboleta Atíria", e me encantei com a metamorfose dos insetos.
Meus primeiros livros tinham animais e outros elementos da Natureza como personagens principais: O peixinho sonhador, A abelhinha feliz, Meu pé de laranja lima, O caso da borboleta Atíria, O escaravelho do Diabo, A Ilha perdida...
A maioria dos livros era da Coleção Vaga-lume da Editora Ática, assim como os livros do peixinho e da abelhinha.
Bom, tomara que do casulo da lagarta devoradora de folhas saia uma bela borboleta.
É isso.


                                           

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Muriçocas

O aquecimento global, o buraco na camada de ozônio, desmatamentos, poluição...Tudo afeta a Natureza de forma negativa e altera o curso das chuvas, das floradas, da própria vida.
Isso explica a presença voadora, sugadora e barulhenta de muriçocas (pernilongos) nas noites frias do outono/inverno paulistano. 
Antes elas apareciam só nos dias quentes de verão, mas agora aprenderam a driblar as estações e atacam em todas. 
É a evolução das espécies.


                                                 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Flamboyant

Flamboyant
                                          
Estava na terceira série do Ensino Fundamental e a professora Dona Maria Tereza nos levou para passear no bosque da escola.
Além do bosque, havia também um jardim enorme, lindo e florido. Hoje tem muita grade, lembra uma prisão, infelizmente.
A professora nos mostrava as plantas, as flores e as árvores e entre elas havia uma chamada pau brasil; árvore que dá nome ao nosso país.
O pau brasil era pequeno ainda e segundo Dona Maria Tereza, dali a uns trinta anos a pequena árvore cresceria e ficaria grande e forte, assim como nós. Tínhamos na época entre nove e dez anos.
Voltamos para a sala de aula e a coordenadora de alunos, a Dona Xyla, veio nos dar uma palestra sobre Natureza, plantas, oxigênio...Fiquei admirada com todas as coisas boas que as árvores nos dão: sombra, oxigênio e frutos!
Ao final da palestra Dona Xyla entrega para cada um de nós um pacotinho com algumas sementinhas de árvores e nos ensina sobre como plantar, regar e cuidar delas.
O meu pacotinho era com sementes de Flamboyant e eu não sabia que planta era essa e Dona Xyla diz que é uma árvore muito linda e suas flores têm cores fortes e bonitas; disse também que deveríamos primeiro plantar as sementes em um vaso e regar diariamente, mas que deveríamos tomar cuidado para não colocar água demais. Quando a plantinha estivesse com uns quinze centímetros de comprimento, aí deveríamos transplantá-la no jardim para que ela crescesse forte e bonita.
Chego em casa toda feliz e mostro a mamãe e a Mãevelha meu pacote com sementes de Flamboyant. Mãevelha me ajuda a plantar e me diz para não colocar muita água.
Todos os dias eu me levantava e ia regar minha futura árvore, mas reparei que os dias se passavam e nada do meu Flamboyant brotar. Fiquei tão triste.
Falei para Mãevelha e ela disse: "Tu bota água demais na bichinha, assim tu sufoca ela".
Meu Flamboyant não brotou e mamãe disse que um dia compraria mais sementes para mim e que eu deveria tomar cuidado para não colocar muita água.
Hoje passo pela minha antiga escola e vejo as árvores do jardim e do antigo bosque espremidas entre as horrendas grades. O pau brasil já está adulto e maduro, assim como os pequenos alunos que um dia foram pequenos como ele.
O Flamboyant cresceu nos meus sonhos e está forte, bonito e florido.
Flores de Flamboyant


Pau Brasil