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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Remédio e Palavras

Acabei de ler uma piadinha postada por minha colega de faculdade: "Que remédio é bom pra formiga?", pergunta o caipira. "Sei não, as formigas lá de casa adoecem e eu deixo elas morrer", responde o outro.
Meu irmão Fubá tem um mercadinho e fomos ajudá-lo a organizar as coisas; minha irmã Rosi encontra um veneno para matar baratas com a data de validade vencida e brincamos: "Já pensou se vem uma barata segurando o veneno e reclamando da validade vencida?"
Lembro de um comercial interessante em que as pessoas perguntavam: "O que é bom para azia?", e as outras pessoas respondiam: "Pra azia é bom torresmo, fritura, pimenta..."
Agora se perguntasse o que é bom para tratar, curar, aliviar a azia aí sim, a resposta deveria ser outra.
As pessoas fazem uso incorreto das palavras, termos e expressões e habituam-se a isso e no final das contas falamos uma língua inversa, reversa, oposta e mesmo assim nos comunicamos. 
Vixe!
Elucubrei agora.
Leio jornal ou assisto telejornais e ouço/leio, por exemplo: "Pessoa leva tiro na Vila Maria". Que parte do corpo é a "Vila Maria"?
Não deveria ser assim: "Pessoa leva tiro em sua residência na Vila Maria"?
Gosto de ler os jornais, principalmente, e me ater a esses detalhes curiosos e interessantes das palavras.
Um dia li um texto que dizia assim: "As palavras têm um poder assustador".
É isso.

                                 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Rosi

Rosi com Bibi no colo e ao lado do meu irmão Rogério e nossa cunhada Vanda
                                    


Hoje é vinte e nove de junho, dia de São Pedro.
São Pedro é o que cuida das chuvas e quem tem as chaves do céu.
São Pedro é padroeiro dos pescadores e o primeiro papa da igreja católica.
Meu Paipreto nasceu em vinte e nove de junho de 1885, dia de São Pedro.
Em vinte e nove de junho de 1974, nasce minha bela, inteligente e culta irmã Rosi. E corinthiana, claro. Graças a Deus.
Já contei aqui sobre o nascimento de Rosi e o motorista de taxi que se perdera no caminho para o hospital, mamãe com dores e papai preocupadíssimo em não passar em frente ao Corinthians para que o bebê não fosse corinthiano.
Minha Mãevelha queria que mamãe batizasse Rosi com o nome de Pedrita.
Rosi é o bebê que mamãe foi buscar no hospital e pedi a ela que mandasse outra pessoa buscar. 
Rosi é a irmãzinha que ficou internada porque ficou com vontade de comer bolo.
Rosi é a irmãzinha para quem comprei uma boneca morena vestida de índia.
Rosi é a irmãzinha para quem fiz mingau e coloquei nos potinhos verdes de iogurte e disse que era iogurte de coco.
Rosi é a irmã que defendeu os pobres gatinhos das artes do nosso irmão Rogério.
Rosi é a irmã que enciumada não gostou nada nada da chegada de Fubá e disse para mamãe devolvê-lo ao hospital.
Rosi é a irmã que despejou o talco em Fubá quando ele era bebê.
Rosi é a irmã que anos mais tarde doaria parte de seu fígado para Fubá. Foi feito um transplante chamado de "entre vivos", pois nosso irmão não suportaria esperar na fila de transplantes.
Rosi é mãe da minha belíssima, inteligentíssima e terrível Beatriz.
Rosi é a menor de nós seis e por isso é chamada de "Formiga" por nós e de "Fuimiga" pelo nosso irmão Cebolinha, o Rogério.
Hoje é aniversário de Rosi.
Peço a Deus, a São Pedro e ao Povo lá de cima que abençoem minha irmã, a protejam, a iluminem. 
Que tua casa tenha paz, tenha luz, tenha alegria, tenha fartura, minha irmã.
Que teus sonhos se realizem, se não todos de uma vez, mas um bocadinho a cada dia.
Amem.




                                      







segunda-feira, 19 de março de 2012

Tanajura

                                           


É uma formiga.
A tanajura aparece em grande número na época das chuvas.
A tanajura é comida por humanos. Pode parecer estranho, mas a bundinha da formiga tanajura é bem gostosa (no bom sentido).
Pode-se comê-la crua ou frita com farinha de mandioca.
Num belo fim de tarde, bonito pra chover, como dizia mamãe, estávamos eu e Paipreto a pegar as tanajuras voadoras.
Mamãe dizia: "A formiga quando quer se perder, cria asa".
Paipreto e eu pegávamos e comíamos a tanajura ali mesmo, na hora.
Mãevelha nos chama: "Venha simbora pra dentro de casa, João. As formigas vão ferroar a menina. E não coma as formigas cruas não, homi. Traga pra eu torrar com farinha".
Paipreto e eu entrávamos em casa com as mão cheias de formigas tanajuras que seriam preparadas por Mãevelha.
Sentávamos à mesa e comíamos enquanto ouvíamos a chuva.


Farofa de tanajura