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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Bolinhos e Rosquinhas

                              


Fiz bolinhos de chuva e os polvilhei com açúcar. 
Preparei um bom café forte e doce na medida. Tomei deliciosos goles entre uma mordida e outra nos bolinhos.
Minha avó Mãevelha adorava bolinhos com café ou às vezes com chá Mate Leão. 
Em épocas difíceis e de pouco dinheiro, mamãe preparava bolinhos para a mistura. Acho tão estranho esse termo.
Farinha de trigo, ovos, sal, óleo, fermento em pó químico, tomate, cebola, alho, folhas, temperos...
Misturava tudo e despejava colheradas no óleo quente; os bolinhos ficavam macios, deliciosos e devorávamos com o arroz e o feijão de cada dia.
Em dias melhores eu fazia rosquinhas; dava um trabalhão mas o resultado eram roquinhas douradas, fofinhas, polvilhadas com açúcar, deliciosas.
Mamãe nem esperava eu fritar as rosquinhas direito e ia colocando-as em um tigela, polvilhando-as com açúcar e devorando-as.
Era dor de barriga na certa.
Eu dizia para mamãe esperar esfriar, que as rosquinhas estavam quentes, que ia fazer mal... Mas mamãe era gulosa, devorava uma boa meia dúzia de rosquinhas, se não mais, e depois reclamava. E ainda tinha a cara de pau de dizer que não gostava muito de doces.
Era tão bom.
É isso.


                                           

terça-feira, 23 de julho de 2013

Muito, Muito Frio

                            


Faz muito frio hoje em São Paulo e amanhã será mais frio ainda; temperatura máxima de apenas dez graus e mínima de cinco. É frio pra caramba!
A gataiada está toda encolhidinha e enfiada debaixo dos cobertores. Ébano, Cássio e Boreal disputam meu colo quentinho. 
Fiquei pensando comigo mesma e perguntei aos meus gatos friorentos: "Mesmo com todo esse pelo e a gordurinha espalhada pelo corpinho gordo, vocês ainda sentem frio?".
Ninguém respondeu. 
Ainda bem.
Sempre lembro do tio Manoel Soares, irmão de papai, que sempre reclamava do frio paulistano: "Dedé? Que terra de corno é essa para fazer frio?! Oxe! Na minha terra não tem disso não?"
Acho que vou fazer um bolinho para aquecer a casa.
Como diria minha avó Mãevelha: "Está frio por demais! Assim a gente vira picoléu!"


                                        



quinta-feira, 4 de julho de 2013

Rosas

                                 


Amo plantas, flores, árvores e todas as coisas da Mãe Natureza.
Tenho um simples e belo jardim. Tenho algumas flores que atraem borboletas e deveriam atrair beija-flores também, mas a visão de oito gatos faz com que a passarinhada desista.
Passarinho é besta não.
Eu gostava de ajudar minha avó Mãevelha a cuidar das plantas, principalmente de suas adoradas cravinas. Até hoje tenho bem fresca na memória a imagem das cravinas bem fresquinhas e úmidas pela rega recente. Mãevelha tinha tanto zelo e cuidados para com aquelas pequenas flores.
Tenho a mão boa para plantar e acho que puxei isso de mamãe e de minha avó. Mas tenho um problema com rosas; nunca consegui ter uma roseira. Já comprei  várias roseiras, principalmente aquelas rosinhas pequenas e chamadas de "Baby Rose". Elas ficam bonitas no vaso próprio e quando vou transplantá-las para um vaso maior, elas acabam morrendo. Devo estar a fazer algo errado: excesso de água, pouca água, muita luz, pouca luz... Algum motivo deve ter, só não sei qual.
Vi em uma página de proteção ambiental um modo diferente e seguro de plantar rosas: espetar as mudas em batatas e plantá-las.
Vou fazer a experiência e se der certo, ou não (Caetanear é preciso), relatarei aqui no blog.
Abaixo algumas imagens de como plantar rosas em batatas.
É isso.







domingo, 9 de junho de 2013

Os Mais Bonitos

                                


Papai era uma pessoa peculiar. Tinha seu Português próprio com seu modo próprio de escrever e de falar. Tinha suas muitas manias, seus "pantinhos" (dengos e manhas). Papai era único, uma figura.
Havia dias em que nos dava seus intermináveis sermões, cismava com nosso modo de falar, vestir, criticava nossos gostos e achava defeito em tudo o que fizéssemos.
Mas havia dias, raríssimos, em que nos elogiava e nos fazia sentir especiais. 
A boa fase durava pouco e a verdadeira intenção por trás dos elogios era para pura e simplesmente provocar os outros parentes e familiares. O motivo era tolo e simples: implicar com os sobrinhos e filhos dos parentes e familiares, principalmente com seus nomes. Explico.
Nossa família tem o hábito de escolher uma letra para nomear os filhos e todos têm que ter os nomes iniciados por aquela bendita letra. Nós somos todos "R": Rejane, Rogério, Reginaldo, Rosi, Ronaldo e Renata.
Temos uma prima, a Ivete, que ri por todo e qualquer motivo e tem hora que irrita, meu. Sabe aquela pessoa que olha pra você e começa a rir do nada? Já começa a conversar rindo? É chato e irritante, na boa.
Essa prima escolheu a letra "J" para nomear os três filhos e os nomes são peculiares, para simplificar a história.
Ninguém sabe de onde, como, nem porque ela tirou esses nomes estranhos, ou diferentes, para sermos educados: Jacilberg, Jadilberg e Josemberg.
E papai, claro, criticava nossa prima risonha por ter colocado nomes tão estrambóticos nos filhos. Quando não era a gente, papai tinha que encontrar alguém para criticar, pegar no pé, encher a paciência e a vítima favorita, depois de nós, era essa nossa prima. Ele começava: "Vê só se pode uma coisa dessa! Onde já se viu a pessoa botar nos filhos uns nomes doidos desses! Os bichinhos já são
feiinhos, meu Pai do Céu, e ainda mais com uns nomes desses! Meus filhos sim, são bonitos!".
Mamãe admirava-se com os elogios e críticas de papai: "Mas muito me admira tu, Dedé.Tu vive implicando com teus filhos e agora eles são bonitos? Tu cismasse com os meninos de Ivete foi? Por quê?!"
Papai se arretava: "E eu não estou mentindo não senhora, meus filhos são os mais bonitos sim! E se tu quiser saber, nessa família todinha o único que tirou (tem) filho bonito fui eu, porque o resto... Deus me perdoe!".
Era engraçado o diálogo entre papai e mamãe: "Deus te perdoe mesmo, homi!".
"E não é verdade não, mulé? Espia só os nomes dos meninos de Ivete: 'já te pego, vou te pegar, já te peguei".
Papai criava versões dos nomes dos sobrinhos que nem imaginavam que aquele absurdo acontecia e continuava a botar defeitos nos filhos dos outros parentes. Todos tinham defeitos, mas só os filhos dele eram os mais bonitos e tinham os nomes mais bonitos também.
Só papai mesmo. 
De outra feita, mamãe coloca Fubá e Mauricinho juntos, filho de nossa amiga Cleusa, e diz para nossa avó Mãevelha: "Olhe mamãe, não são parecidos?".
E Mãevelha responde: "É, mas meu neto é mais bonito".
É muita buniteza, meu Deus do Céu.
É isso.


                                  

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carão Acromegálico

                          


Sonhei com minha avó Mãevelha, mãe de mamãe.
Mãevelha era trazida por uma parenta nossa, uma jovem senhora hipocondríaca e neurótica.
Nossa parenta não dizia nada mas minha avó reclamava de algumas coisas e dizia que estava tudo errado. Ela tirava uns parafusos de sua sacola e os jogava sobre a cama e dizia: "Isso presta não. Carece de trocar".
Continuo indo ao consultório do ortopedista e continuo com as dores.
Hoje pela manhã sonhei com Mãevelha de novo e a encontrei sozinha em um quarto.
Ela estava sentada na cama e queria ligar a TV mas os controles estavam todos longes dela. Peguei o controle certo e reclamei, perguntei porque havia tantos controles se só um era necessário. Reclamei porque deixaram minha avó sozinha. Dei o controle para ela e me despedi. 
Iríamos em grupo a algum evento, mas quando saio do quarto de minha avó e chego ao quintal, todo mundo já havia saído. Fiquei chateada e me senti traída, pois tudo estava combinado e todos sairíamos juntos para o bendito evento.
Via os carros cheios de gente saindo e ainda tentei correr atrás para tentar sinalizar e fazê-los voltar. Todos seguiram em frente e eu fiquei só. 
Às vezes nos sentimos sós, meio largados, ignorados, esquecidos.
Às vezes nos sentimos desimportantes, desnecessários, não bem vindos, como se atrapalhássemos algo ou se fizéssemos as pessoas sentirem vergonha de nós.
Sei lá.
Procuro não fugir, não me esconder das pessoas que tanto me olham e me julgam por minha aparência acromegálica; como se isso fosse culpa minha.
Mas não é fácil e sinto como se não pertencesse àquele grupo de pessoas, lugar ou situação. Pessoas bonitas ou não, mas com rostos "normais", sem acromegalia.
Às vezes penso que é isso, que sou evitada, ignorada, esquecida devido ao meu carão acromegálico. Deve ser desagradável para os "normais" ficar diante de uma pessoa assim como eu quando podem ter o prazer de desfrutar da companhia de pessoas com seus rostos bonitos e agradáveis, ou pelo menos normais.
Posso estar errada, mas meus sentimentos, cismas e desconfianças raramente me enganaram ou enganam.
Não sou antissocial, como dizem que sou, simplesmente por querer, o carão acromegálico já diz tudo.
Lembro da música "Creep", da banda inglesa Radiohead, que define bastante o que sinto:

"But I´m a creep. I´m a weirdo
What the hell am I doing here?
I don´t belong here..."

"Eu sou uma aberração. Eu sou um esquisito.
Que diabos estou fazendo aqui?
Eu não pertenço a esse lugar"



                                    


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Músicas de Mamãe

Olha só a beleza e elegância dos rapazes. Jesus Maria José!
                                 

Mamãe gostava de música e o rádio de pilha estava sempre ligado.
Aliás, o rádio faz parte da nossa história.
Mamãe gostava de "Primeiros Erros" do Kiko Zambianchi, "Romaria", na bela voz de Elis Regina, de música sertaneja de raiz que falava sobre as coisas do Sertão e não esse lixo que temos hoje e é chamado de "sertanejo universitário".
Se sertanejo é universitário, o Rock é PhD; desculpa aí.
Bom...
Achávamos engraçado mamãe pronunciar os nomes de uma famosa dupla sertaneja, "Milionário e José Rico"; ela dizia "Zé Anrique". Mas o pior mesmo era ela dizer que eles eram bonitos e nossa amiga Cleusa concordar. Jesus!
Certa vez, um dos "primos" que morava lá em casa trouxe um presente de aniversário para mamãe, um disco (LP) de um cantor deficiente físico cuja voz era, digamos, meio difícil de ouvir. O cantor era esganiçado, cantava fino, uma tristeza, mas mesmo assim o artista ganhou vários prêmios durante sua carreira.
O nome do cantor era Barrerito (*1942 +1998), que Deus o tenha. O título do LP era "Barrerito, o cantor das andorinhas...Onde estão meus passos". 
Mamãe colocava o LP para tocar, aumentava o volume, cantava junto e fazia suas tarefas pela casa. 
Nossa Senhora!
Nós aguentávamos por alguns instantes e dizíamos: "Pelo amor de Deus, mãe, desliga isso! Cantor ruim da bixiga!".
Mamãe dava de ombros e dizia: "Oxe, meninos, e vocês não escutam as músicas de vocês? Por que não posso escutar as minhas? Deixem de ser bestas!"
Os meninos iam jogar bola com a molecada da vizinhança e eu com minhas irmãs ficávamos sentadas na calçada a olhar o jogo e contar quantos carros entravam e saiam do motel que ficava no fim da rua.
Contávamos os minutos para que todo o LP tocasse e corríamos para casa para impedir mamãe de tocar o LP de novo: "Não, mãe, de novo não! Pelo amor de Deus!".
O dito "primo" que dera o presente de grego para mamãe chega e fomos falar com ele: "Dá próxima vez que você for comprar um presente para mamãe, compra outra coisa, disco não. Tá? Você não poderia ter dado presente pior, pelo amor de Deus. Se você chegar de novo com outro disco, a gente quebra na sua cabeça! Falô?"
Num outro dia percebemos que mamãe tinha a intenção de ouvir o LP e numa estratégia rápida e inteligente, um de nós correu e escondeu o disco. Ufa!
Mamãe procurou, procurou..."Oxe, mas cadê o disco de Barrerito que estava aqui? Inda gorinha mesmo eu o vi... Vocês viram não, esses meninos, meu disco?"
"Não, mãe".
E mamãe procurava seu disco favorito entre os LP´s do Lobão, Legião Urbana, Lulu Santos, RPM, Barão Vermelho,Titãs e outros.
Mãevelha, que não era mineirinha mas trabalhava em silêncio, tudo observa e diz: "Oh, Marlene, eu vi teus meninos correndo com um disco na mão dizendo que iam esconder, será que não era o teu não, minha filha?"
Mamãe ficava doida e tome Barrerito nos nossos ouvidos.
É isso.

                              


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Pilha

                                     

Minha avó Mãevelha adorava seu inseparável rádio de pilha e quando chegava a hora de trocar as pilhas, as quais chamava de elemento, pedia para algum dos "primos" que moravam em nossa casa fazer o serviço.
Mãevelha não confiava em nossa capacidade e habilidade manual para trocar umas simples pilhas, ela achava que o rádio não funcionaria.
Dizíamos que bastava colocar as pilhas nos pólos certos, negativo e positivo, e pronto, o rádio funcionaria e ela poderia ouvir os programas do Zé Betio, Eli Correa, Barros de Alencar e outros.
Mas não adiantava, Mãevelha não confiava em nós e ficava o dia inteirinho sem ligar seu amado rádio esperando até a hora em que os "primos" voltassem do trabalho. Era muita teimosia e "inguinórança".
Mas nos vingávamos dela roubando suas bolachas para serem devoradas com café ou chá quentinhos. Quem manda duvidar de nóis?
Mamãe ainda tentava convencer Mãevelha: "Mamãe, deixe de teimosia, esses meninos vivem na escola e foram nascidos ou criados em São Paulo e sabem de muitas coisas". 
Nosso pais e nossa avó achavam que o fato se sermos nascidos ou vindos bem cedo para São Paulo nos fazia mais espertos. Sei não, há controvérsia.
Os ditos "primos" chegavam e Mãevelha pedia: "Meu filho, bote os elementos no meu ráido, tu bota?"
Papai, mamãe e Mãevelha falavam um português diferente do que aprendíamos na escola e só quando comecei a estudar é que percebi a diferença e fiquei em dúvida sobre quem falava certo ou errado. Eles falavam "táuba, ráido, Káita, sangre, vinargue...".
Já falei sobre isso aqui e parte disso se deve à variação linguística e a outra ao fato de sermos pobres e falarmos como pobres mesmo.
Bom...
Os elementos/pilhas eram trocados e o bendito rádio era ligado e Mãevelha ficava feliz até o nova troca dos elementos.
É isso.

                               

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Portas

                                        

Estava muito cansada ontem; nem consegui assistir ao CQC. Achei também que o programa estava meio lento, assim como eu.
Antes disso, assisti ao filme "Mudança de Hábito", uma comédia dos anos 90 com a atriz Whoopi Goldberg e ri muito. 
Gosto de rever filmes mais antigos e reler livros lidos há algum tempo, parece que têm algo de novo, algo novo a dizer ou a mostrar.
Fui para a cama e peguei no sono até que rapidamente para meus padrões "insônicos", mas lá pelas duas da manhã tive que me levantar e ir ao banheiro. A gataiada me acompanha, sempre.
Levantei-me de novo às quatro da manhã e pensei que dormiria até às sete, mas me enganei; acordo com vozes que conversam animadamente e isso às cinco e meio da manhã! Era o casal de vizinhos que falam pelos cotovelos, falam alto pra caramba e ouvem música ruim em alto volume. Valha-me Deus!
Detesto ser acordada bruscamente, e me pergunto: "O que madoscachorro esse povo tem tanto pra falar às cinco e meia da manhã?!"
Nesse sono interrompido tive alguns sonhos, algumas visitas.
Sonhei com minha falecida prima Marinês e no sonho ela dirigia uma Perua que nos levava até Pernambuco. Dias antes sonhei com papai caminhando comigo por caminhos tortuosos e eu estava muito apreensiva; vi rios com corredeiras de águas claras e azuis e eu dizia a papai: "Quero chorar mais não, pai. Chega de lágrimas".
Papai andava ao meu lado e paramos em um local muito parecido á região montanhosa da Fazenda Taquari onde nasci, papai dizia: "Essa é a sua terra".
Depois sonhei com minha avó Mãevelha e eu secava seus cabelos compridos e branquinho-azulados com o secador. Mãevelha tinha umas bochechas fofinhas e gostosas de beijar.
Alguém entrava no quarto onde estávamos e dizia que eu ainda tinha uma avó para cuidar, mas eu sabia que Mãevelha já havia partido há mais de vinte anos. 
Depois de secar os cabelos de minha avó eu começava a secar os cabelos de uma menina de uns quatro ou cinco anos e ela tinha cabelos encaracolados, meio acobreados, cabelo de gente galega.
Depois percebi que aquela menina era eu.
Quem consegue entender e explicar o tempo das coisas, dos sonhos, da vida?
Eu fui galeguinha até os cinco ou seis anos e depois fui ficando mais morena. Morena clara.
Adorei as visitas de papai, Mãevelha, minha prima Marinês e de outras pessoas que fizeram (fazem?) parte da minha vida e da minha História.
Estou tentando entender o significado de suas presenças; talvez até saiba.
Mas o chato é que sempre acordo angustiada, assustada às vezes, pois quero entender o que meu povo quer me dizer e quero que fiquem mais tempo. Mas eles não podem e eu também não posso; cada coisa a seu tempo.
Um dia pensava comigo sobre a possibilidade de haver uma porta mágica que se abrisse e nos permitisse entrar na casa daqueles entes queridos que já se foram ou permitir que eles nos visitasse mais e demoradamente. Mas Deus e o Povo lá de cima sabem o que fazem e bem sabem que se eu entrasse por essa porta e encontrasse meu Paipreto, meu avô José e todo meu povo querido e eu fosse criança de novo eu não quereria sair de lá de jeito maneira jeito qualidade.
É melhor assim; visitas rápidas. Já dou trabalho e acordo chorando quando sonho com meu povo, imagine se eu pudesse vê-los sempre que quisesse?! Daria certo não.
Agradeço por suas visitas e peço a Deus que os permita sempre me visitar e que os cubra de Luz, Paz e que eles fiquem sempre bem. E eu também, meu Deus.
Amem.

                                    




domingo, 12 de agosto de 2012

Mãos

                                           

Adoro mãos de bebês e crianças. Os pezinhos também.
Ontem vi minha sobrinha Rafaela e a pequena está crescida, sabida e muito linda.
Beijei suas mãos e seus cabelos negros e macios; cantei "Prenda Minha", sua canção favorita.
Sonhei esta noite com pessoas conhecidas, pessoas por quem tenho muito carinho, apesar de não vê-las sempre. 
Minhas mãos tocavam as mãos dessas pessoas, pediam ajuda.
Acordei meio triste e pedi a Deus que proteja essas pessoas.
Lembrei das mãos fofinhas, gorduchas e pintadas de mamãe e de Mãevelha. 
Mamãe dizia que à medida que envelhecemos mais pintas vão aparecendo pelo corpo e pelas mãos. Mamãe dizia também que quem tem muita pinta é sinal de que vai ficar rico um dia.
Estou esperançosa e confiante!
Vou para a cama, os gatos me esperam.
Não sei o que faço acordada a essa hora, acho que estou adivinhando chuva, como dizia Mãevelha.
É isso.

Rafaela, a corinthiana mais linda que há
                                       

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Rosi

Rosi com Bibi no colo e ao lado do meu irmão Rogério e nossa cunhada Vanda
                                    


Hoje é vinte e nove de junho, dia de São Pedro.
São Pedro é o que cuida das chuvas e quem tem as chaves do céu.
São Pedro é padroeiro dos pescadores e o primeiro papa da igreja católica.
Meu Paipreto nasceu em vinte e nove de junho de 1885, dia de São Pedro.
Em vinte e nove de junho de 1974, nasce minha bela, inteligente e culta irmã Rosi. E corinthiana, claro. Graças a Deus.
Já contei aqui sobre o nascimento de Rosi e o motorista de taxi que se perdera no caminho para o hospital, mamãe com dores e papai preocupadíssimo em não passar em frente ao Corinthians para que o bebê não fosse corinthiano.
Minha Mãevelha queria que mamãe batizasse Rosi com o nome de Pedrita.
Rosi é o bebê que mamãe foi buscar no hospital e pedi a ela que mandasse outra pessoa buscar. 
Rosi é a irmãzinha que ficou internada porque ficou com vontade de comer bolo.
Rosi é a irmãzinha para quem comprei uma boneca morena vestida de índia.
Rosi é a irmãzinha para quem fiz mingau e coloquei nos potinhos verdes de iogurte e disse que era iogurte de coco.
Rosi é a irmã que defendeu os pobres gatinhos das artes do nosso irmão Rogério.
Rosi é a irmã que enciumada não gostou nada nada da chegada de Fubá e disse para mamãe devolvê-lo ao hospital.
Rosi é a irmã que despejou o talco em Fubá quando ele era bebê.
Rosi é a irmã que anos mais tarde doaria parte de seu fígado para Fubá. Foi feito um transplante chamado de "entre vivos", pois nosso irmão não suportaria esperar na fila de transplantes.
Rosi é mãe da minha belíssima, inteligentíssima e terrível Beatriz.
Rosi é a menor de nós seis e por isso é chamada de "Formiga" por nós e de "Fuimiga" pelo nosso irmão Cebolinha, o Rogério.
Hoje é aniversário de Rosi.
Peço a Deus, a São Pedro e ao Povo lá de cima que abençoem minha irmã, a protejam, a iluminem. 
Que tua casa tenha paz, tenha luz, tenha alegria, tenha fartura, minha irmã.
Que teus sonhos se realizem, se não todos de uma vez, mas um bocadinho a cada dia.
Amem.




                                      







segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pão de Ló & Goiabada

                                      


O pão de ló é um bolo fofo e esponjoso e que não leva leite nem margarina ou manteiga.
A receita é muito simples:
4 a 5 ovos
150g de açúcar
170g de farinha de trigo
fermento em pó (opcional)
Bate-se as claras em ponto de neve, adiciona-se as gemas, o açúcar e a farinha. Assar em forma untada e enfarinhada.
Mamãe fazia pães de ló e os assava em formas improvisadas de latas de sardinha e goiabada. Assava no forno à lenha e ficavam fofinhos, cheirosos e deliciosos.
Enquanto mamãe prepara os pães de ló, Mãevelha preparava seu forte, cheiroso e delicioso café e meu Paipreto, Maximino e eu aguardávamos impacientes para saborear tudo.
Na nossa época goiabada em lata era um luxo e as latas eram lavadas depois de vazias e serviam como utensílios domésticos. Eu adora comer na lata.
Gostava também do doce "Marrom Glacê" e o achava menos doce e enjoativo que a goiabada.
É isso.


                               

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ruas de São Paulo

São Paulo
                                             
Papai saía muito cedo para ir ao trabalho. Saía de madrugada e caminhava pelas ruas escuras do bairro de muitas chácaras até o ponto de ônibus.
Papai se despedia de mamãe e Mãevelha, que já estavam de pé preparando o café para quando nós acordássemos.
Lá pelas seis e meia mamãe saía para o trabalho que ficava perto de nossa casa.
Papai nos olhava enquanto dormíamos e fazia seus pedidos a Deus e a Padim Ciço do Juazeiro; pedia que ambos protegessem sua família, sua casa e o acompanhasse até o trabalho e o trouxesse de volta são e salvo para casa. Amém.
Papai sempre trazia um pacote de bolacha ou pão sovado. 
Papai falava sobre as ruas do bairro onde trabalhava e eu adorava ouvir e viajar na imaginação: Rua Taquari, igual ao nome da fazenda onde nasci; Rua dos Trilhos, e eu imaginava trens indo e vindo; Rua da Moóca, e eu me perguntava que nome era esse, Baixada do Glicério e eu me perguntava: "Por que baixada? E o que é Glicério?", Largo da Concórdia, Rangel Pestana, Rua do Gasômetro, Santa Cecília, Brás, Parque Dom Pedro, Vila Maria, Penha...
Eu dizia para mim mesma que um dia iria conhecer todas as ruas de São Paulo, principalmente as que papai tanto falava.
De todos bairros e ruas, gosto do charmoso e bucólico bairro da Penha, foi para lá que fomos quando nesse Santo São Paulo chegamos. Passamos pela longa Avenida Amador Bueno da Veiga, passamos pela Rua Itinguçu até chegarmos à casa do tio Manoel Gomes. O tio dizia que morava na Vila Ré, mas suas filhas diziam que era Jardim Popular. O que importa é que ambos ficam na região da Penha.
Quem sabe um dia eu não volte a morar na Penha?
Tomara meu Deus, tomara.