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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Registro

                              Resultado de imagem para registro de gas



Choveu bastante e o frio continua.
Acho a chuva tão bonita.
Fui trocar o botijão de gás e estava muito duro; acabei quebrando um dos bracinhos do registro. Foi preciso comprar outro, pois além de quebrado, já estava perto do fim da garantia de cinco anos.
O simpático funcionário da distribuidora de gás fez um comentário interessante: disse que as coisas têm um tempo de vida útil e quando quebram ou começam dar trabalho, é melhor se desfazer. Às vezes não vale a pena tentar arrumar, concertar ou dar um jeito; é pior.
Penso que o mesmo vale para relacionamentos de todo tipo.
O simpático e falante funcionário ainda fez outro comentário, na verdade, uma pergunta: "A senhora é professora?". Respondi afirmativamente e perguntei o que o levou a fazer a pergunta:"É que a senhora fala direitinho, fala bonito".
Puxa, que legal!
Foi muito bacana e inusitado uma pessoa perceber isso, já que vivemos em uma época de abusos contra a inculta e bela Língua Portuguesa. São tantos absurdos: " pra mim fazer, com migo, concerteza, mim falaram, falo (falou), ela vai fala (falar)".
Não, não sou esnobe ou algo assim, apenas procuro respeitar minha língua pátria.
É tarde. Já é um novo dia, uma nova data.
Vou para a cama, me virar de um lado para o outro até o sono chegar. O dia vai amanhecer e a rotina acontecer.
Tenho mais pequenas coisas para resolver e vou aos poucos. Sou só e esses ossos e articulações doloridos não me dão uma trégua.
É isso.


                                    Resultado de imagem para chuva bonita

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Pastel de Belém

                                 


Adoro doces e tenho queda especial pelos doces portugueses.
Vi uma matéria na TV falando sobre o tema e foi mostrado como são feitos os pasteis de Belém, que em Portugal são chamados pasteis de nata.
De nata ou de Belém, o que sei é que são deliciosos e calóricos.
Os pasteis são na verdade tortinhas recheadas com creme à base de ovo e não têm nada a ver com nosso pastel brasileiro.
Um conhecido meu questionou o porquê de um doce ser chamado de pastel e lembrei que bolo também é chamado de pastel nos países hispano americanos.
Já falei aqui sobre a engraçada confusão entre papai e uma boliviana; ela queria pastel (bolo) e papai ofereceu-lhes os mais variados tipos de bolachas; demorou um pouco até a confusão linguística ser resolvida.
Brasil e Portugal falam a mesma língua, mas a nossa língua portuguesa é brasileira e carrega influências indígenas, africanas e de outras línguas, povos e culturas.
É isso.


                                      



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Será que errei?

                              



Falava com acromegálicos brasileiros de uma página destinada a pacientes lusófonos (que falam a Língua Portuguesa).
Trocamos muitas informações e experiências e foi por meio disso tudo que consegui contato com uma médica especialista em doenças raras e conheci um paciente que é músico e toca Rock & Blues em uma banda aqui em São Paulo.
Assisti ao depoimento desse colega acromegálico, li as histórias de outras pessoas com Acromegalia e suas batalhas até terem o diagnóstico correto.
Provavelmente iremos ver esse colega tocar com sua banda em um bar; ele já havia nos convidado antes, mas eu ainda não pude ir.
Bom...
Estou verificando informações sobre o bar, como endereço, telefone, média de preços etc..., quando uma moça de um grupo de acromegálicos de Língua Inglesa puxa conversa comigo.
Até aí tudo bem, falo quase que diariamente com acromegálicos norte americanos, africanos, britânicos e geralmente falamos sobre remédios, procedimentos, sintomas e tudo o que envolve a Acromegalia. Mas de repente essa moça começa a fazer perguntas estranhas e a mostrar um comportamento estranho; eu, hein!
Ela fala sobre morte, diz que tirou o tumor e a hipófise há dois meses e que, segundo soube, quem faz esse tipo de cirurgia tem apenas nove meses de vida. Discordei dela!
Fiz a cirurgia há quatro anos, depois fiz mais duas correções de fístula liquórica e uma Radiocirurgia (Gamma-Knife) e estou bem viva, obrigada.
Ela reclamou da ubíqua falta de energia que nós acromegálicos sentimos, do cansaço, do desânimo e de outros sintomas que compartilhamos. Tudo bem até aí.
Mas percebi que ela estava fora de si, meio desesperada, ou talvez solitária ou ainda sob efeito de drogas ou álcool. Ela não me parecia nada normal.
Respondi à suas perguntas de modo educado e pedi licença. 
Achei estranho o fato de ela puxar assunto comigo, que falo outra língua e sou de outro país. Ela tem amigos mais próximos que moram no mesmo país ou estado e falam a mesma língua.
Muito estranho tudo isso.
É claro que a cada dia que passa ficamos mais velhos e obviamente ficamos mais próximos da morte, mas não do modo estranho com o qual ela falou.
Como dizem os jovens: "Me inclui fora dessa!".
Procuro ser sempre educada, compreensiva e respeitar o problema dos outros, mas ainda não tenho formação acadêmica ou elevação espiritual suficientes para lidar com esse tipo de gente ou situação.
Divido minhas experiências e histórias nesse blog e sempre que alguém me procura com dúvidas e receios eu respondo com educação, atenção e respeito, mas eu acho que essa moça gringa extrapolou.
Ou talvez eu não estivesse preparada para ajudá-la uma vez que eu mesma batalho há mais de duas semanas com a pressão alta, dores articulares e uma certa melancolia, confesso.
Acho que têm certas coisas só nossas que devem ser mantidas dentro de nós e só dividida com quem temos confiança e intimidade. Nem tudo deve ser posto e exposto na Internet.
Será que errei?


                                  


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sobre Livros

Ganhei de minha irmã Rosi uma tigela com esses dizeres. Amo livros, flores e gatos também!
                                 

Amo livros. É público e notório.
Estava na escola e me deparei com maravilhosos livros largados sobre a mesa de uma sala destinada à leitura. Lá se encontram também revistas e jornais, mas os "inguinórantes" pegam o jornal para usar na casinha do gato ou do cachorro e outros levam apenas a parte que contem as tirinhas e o horóscopo.
Achei interessante um livro infanto-juvenil de uma autora portuguesa, lembrou-me os livros Pollyana. Um detalhe chamou-me a atenção: foi mantido o Português de Portugal, assim como fazia José Saramago, não sendo o texto adaptado para o Português falado no Brasil.
Achei a leitura difícil e imaginei que a leitura seria ainda mais difícil para uma criança ou adolescente brasileiro. São termos e expressões usados e conhecidos em Portugal, não no Brasil. Havia palavras desconhecidas e estranhas para mim e outras palavras que têm uma conotação diferente em determinada região do Brasil.
Um outro livro parece-me bem interessante e inicio a leitura ali mesmo; é um livro sobre o papel da mulher na machista, preconceituosa e supersticiosa Idade Média. Fala sobre a primeira e única mulher papa (papisa) da História e da igreja católica.
Naturalmente a igreja católica nega a existência dessa mulher e se mantem até hoje com seus dogmas tolos, sem sentido e fora de contexto para o moderníssimo século XXI (21).
O livro a que me refiro é "Papisa Joana" de Donna Woolfolk Cross, uma autora americana.
Outros dois livros estão na fila de espera para serem lidos e também os encontrei juntos com o livro sobre a papisa. São: "A bela senhora Seidenman" do autor polonês Andrzej Szczypiorski, tradução de Henryk Siewierski, e "O Português da Gente" de Renato Basso e Rodolfo Ilari.
Ambos tratam de assuntos dos quais gosto muito, os horrores sofridos pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial e a variedade linguística no Brasil.
Tenho tantos livros para ler; tantos aguardando sua vez, mas fica difícil seguir uma certa "ordem de leitura". 
Amo livros.
Fiquei até com raiva de uma mulher que convenceu/obrigou seu marido a se desfazer de boa parte de seus amados livros. Explico.
Assistia a um programa sobre casais em crise e enquanto a maioria dos casais briga por ciúmes ou dinheiro, esse brigava por livros.
Os pombinhos se casaram e foram morar em um apartamento pequeno e, segundo a esposa, os livros não caberiam no lar doce lar deles e assim ela o fez desfazer de sua paixão maior.
Acho que não conseguiria me desfazer de meus livros, principalmente meus grandes clássicos da Literatura. Deus me livre e guarde!
E acho que se alguém gosta mesmo de alguém deve estar preparado/a para conviver/entender/respeitar os gostos e manias do outro. A não ser, claro, que essas manias sejam nocivas e aí sim requere diálogo e pensar bem antes de tomar qualquer decisão. Ou fazer besteira mesmo.
Mas no caso dos livros...
Minha moradia tem que caber meus livros... Eles entraram na minha vida primeiro.
Desculpem os mais românticos.
É isso.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Fazer

                              

Já fui chamada de radical, inclusive por meus professores.
E sou radical assumida, declarada, juramentada e outros "adas".
Explico.
Sempre procurei e procuro respeitar a Língua Portuguesa, seja no falar ou no escrever. Gosto de ler e leio desde pequena e acho que é por isso que implico com erros tolos e toscos cometidos pelas pessoas.
Dá até raiva ver coisas como: "Vai faze(r), Deixa te protege(r)..."
Sempre "comendo" a letra "R" do Modo Infinitivo. Já falei sobre isso aqui.
Alguns dos meus professores diziam que as pessoas não usam a norma culta da língua e sim a norma não culta. Tá.
Mas o problema é que vejo essas aberrações linguísticas escritas por estudantes de Direito, Enfermagem ou até mesmo por profissionais de outras áreas como Engenharia, Informática etc...
Bom...
A minha nova implicância é quanto ao uso do verbo "fazer" no lugar de outros verbos que eram adequadamente usados para dar sentido à frase. É a mais nova invencionice criada para parecer mais moderno, bacana, legal e detonar a língua. Explico.
Assistia ao programa "Esquenta" da Regina Casé, gosto muito dela, e ela falava sobre como pacientes com câncer são às vezes culpados pela doença que têm. Eu li artigo no New York Times e no Estadão falando sobre isso.
Regina Casé disse: "Alguém chega pra você e diz que fulano fez um câncer. Imagina! Ninguém faz um câncer, ninguém escolheu ter câncer!".
Concordo com ela, mas não entendi bem o que fazia ali o verbo "fazer".
A pessoa, o paciente tem câncer, tem gripe, tem pressão alta, tem diabetes...
A pessoa, o paciente não faz câncer, não faz gripe, não faz pressão alta, não faz diabetes...
Se tivéssemos esse poder de fazer alguma coisa nesse sentido, certamente faríamos a cura de todos os males e de todas as doenças.
Li agora a pouco a postagem de uma pessoa que fala sobre a necessidade de tomar a vacina da gripe, como é popularmente chamada.
Ela escreveu: "Já fiz a vacina e acho que todos vocês deveriam fazer também".
Acho que ela quis dizer: "Já tomei a vacina e acho que todos vocês deveriam tomar também".
Eu não faço vacinas, não sou bioquímica, não sou formada em farmácia, medicina ou o que valha. Não tenho formação para isso.
Eu tomo vacinas.
Mania besta que o povo tem de mudar a língua sem se preocupar se isso está correto ou não. Basta um abestado falar qualquer porcaria e lá vai um famoso e repete isso e pronto, está na boca do povo, literalmente!
É por isso que implico mesmo. Pelo amor de Deus!
Estou com fome e acho que vou fazer um café, um bolo...
É isso.

                          
                                   


terça-feira, 19 de março de 2013

Diferente

                            



Sempre leio mensagens de acromegálicos comentando sobre o blog e fazendo perguntas sobre minha história com a Acromegalia. Respondo à todas elas educada e respeitosamente, como acho que deve ser.
Participo de um grupo de apoio a acromegálicos, mas o problema é que esse grupo é de pessoas falantes da língua inglesa e nem todos os pacientes falantes da língua portuguesa falam ou entendem a língua.
Decidi criar um grupo para falantes da língua portuguesa e o grupo assim foi batizado: "Acromegálicos de Língua Portuguesa".
O grupo está no Facebook e aos poucos recebe novos participantes que dividem suas experiências e trocam informações com os demais.
Lendo o que dizem os outro acromegálicos, cheguei à conclusão, até onde sei, que a cirurgia para a remoção do adenoma (tumor) de hipófise deu certo para todo mundo, menos para mim.
Todos relatam uma cirurgia sem complicações e rápida e que tiveram alta três ou quatro dias depois. Menos eu.
Por que não deu certo comigo?
Será que alguém teve culpa nisso?
Eu sempre acho que o neurocirurgião que realizou minha cirurgia exagerou, errou e quis mostrar serviço; ou todas as alternativas estão corretas.
Meu tumor era grande, estava muito próximo à veia carótida e ao nervo óptico e foi retirado aproximadamente noventa e cinco por cento (95%).
Será que não foi muito?
Será que o forte sangramento foi causado pela retirada excessiva do tumor?
Será que o forte sangramento foi causado por estar em um local muito arriscado?
Será que se tivesse retirado menos quantidade do tumor tudo o que passei teria sido evitado?
Será que o médico era inexperiente, embora muito autoconfiante? Até demais.
Muitos profissionais orgulham-se de suas profissões e dizem de boca cheia: "Sou um neurocirurgião! Sou um dotô adevogado! Sou isso, sou aquilo..."
Mas o fato de carregar um diploma ou um título não é garantia de sabedoria, capacidade e experiência.
Arrogância e falta de conhecimento podem ser uma combinação fatal, ou quase.
Como falei em postagens anteriores, têm médicos que se acham Deus.
Ou será que a Acromegalia pegou mais pesado comigo?
São tantas perguntas sem respostas claras e objetivas!
Todos os outros pacientes acromegálicos com quem converso batalham contra a doença e seus efeitos, como eu, mas a maioria leva uma vida razoavelmente tranquila; trabalham, cuidam de suas famílias etc...
Nenhum deles têm uma artrose galopante que lhes rouba os movimentos lenta e dolorosamente.
Nenhum deles têm dezenas de parafusos sustentando suas colunas.
Sei lá.
Ás vezes acho que todos estão em melhores condições físicas que eu.
Acabei de me levantar do sofá para colocar mais ração para Léo Caramelo e não foi fácil não. Demorou até conseguir ficar de pé e sem apoio, minha perna direita dobra e é difícil esticar a perna com o joelho a doer.
Não, não estou reclamando disso. Não sou de chorar as pitangas, mas acho mesmo que a Acromegalia pegou pesado comigo, bem pesado.
É isso.


                                

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Nogueira

                            

Lembrei de um texto em meu livro de Língua Portuguesa da quarta série; falava sobre um idoso de um vilarejo que plantava uma nogueira.
Lembro do desenho, um velho barbudo e magro arrumando a terra em volta da pequena planta.
As pessoas em volta observavam e não entediam porque o ancião plantava uma árvore que levaria décadas para frutificar e todos sabiam que ele não veria isso acontecer. A professora leu o texto e pediu para que falássemos sobre o que entendemos da história, se havia alguma mensagem naquela história e qual.
Os alunos do "fundão", os mais terríveis e engraçadinhos, disseram que o ancião estava maluco e onde já se vira alguém plantar um árvore que demoraria um tempão para crescer e dar frutos sabendo que ele mesmo morreria  bem antes disso. Outros alunos mais ecologicamente corretos, incluindo minha pessoa maluquetes e amante das coisas da Natureza, dissemos que o importante era plantar a árvore e mesmo que o velhinho morresse, a árvore ficaria para as pessoas do vilarejo. A árvore daria frutos e sombra nos dias de calor.
Eu não conhecia a palavra ancião e quando cheguei em casa, perguntei a mamãe o significado e ela me disse que ancião era o mesmo que velho e idoso.
Achei a história do ancião e a nogueira tão linda, tão forte e tão real.
Adorava os textos dos meus livros de Língua Portuguesa e analisando baseando-me nos livros de hoje, acho os textos do meu tempo de escola bem mais instigantes, inteligentes e fortes.
Acho que a Educação atual passa muito a mão na cabeça dos alunos e os trata como seres frágeis, bonzinhos, carentes e meiguinhos. Acho que isso subestima a capacidade e a inteligência dos alunos e os deixa acomodados e preguiçosos.
E além do mais, os alunos são lobos em pele de cordeiro.
Acorda Brasil, a tua educação está em péssima posição no ranking mundial!
É isso.