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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Remédios e Efeitos Colaterais

                               


Tomo muito remédio. Não gosto, mas preciso.
É remédio para controle da hipertensão, remédio para o estômago, para controle da Acromegalia e para controle da Artrose e as dores e entrevamento que ela provoca.
Já não gosto de comer de manhã, raramente como de manhã e agora com esse monte de remédio, aí é que a fome vai embora mesmo.
O ortopedista receitou um remédio caro que necessita de receita com duas vias e mostrar documento para que seja vendido ao paciente/consumidor.
O remédio é indicado para dores neuropáticas e tem efeitos colaterais ruins, como tontura, náusea e vômito. É horrível, sinto-me derrubada, cansada, como se arrastasse um peso amarrado ao meu corpo, principalmente pernas e coluna.
Estou endurecida, entrevada e dolorida.
Com esses sintomas e dores fortes que tenho apresentado, perdi o apetite e até emagreci uns dois ou três quilos nessas mais recentes duas semanas passadas. Não gosto de dizer última semana, última isso, última aquilo. Nada é último, não morri ainda e vou durar muito, se Deus quiser.
O emagrecimento é bom e é necessário manter um peso equilibrado, pois o peso extra sobre as pernas só pioraria as dores e o movimento e prejudicaria o restante do corpo.
Não sei. Não sou alegre nem triste, estou cansada, muito cansada. 
Mas eu acredito que dias melhore virão.
Pelo amor de Deus!
É isso.
                                
                               


domingo, 23 de dezembro de 2012

Múmia

                                 

Estou sentindo-me uma múmia; dura, entrevada, dolorida.
A artrose tem piorado e as dores de minha coluna e joelho estão mais fortes e intensas. O remédio que o ortopedista receitou já não faz o mesmo efeito de antes e o convênio médico não autoriza os exames de imagem que o doutor pediu.
Meu pé esquerdo está bem inchado e dói muito quando o coloco no chão, piso com o pé meio de lado.
Consultas e exames só ano vem, mas ainda bem que só falta uma semana.
Vou ficar bem.
É isso.

                               


                                

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Remédio e Palavras

Acabei de ler uma piadinha postada por minha colega de faculdade: "Que remédio é bom pra formiga?", pergunta o caipira. "Sei não, as formigas lá de casa adoecem e eu deixo elas morrer", responde o outro.
Meu irmão Fubá tem um mercadinho e fomos ajudá-lo a organizar as coisas; minha irmã Rosi encontra um veneno para matar baratas com a data de validade vencida e brincamos: "Já pensou se vem uma barata segurando o veneno e reclamando da validade vencida?"
Lembro de um comercial interessante em que as pessoas perguntavam: "O que é bom para azia?", e as outras pessoas respondiam: "Pra azia é bom torresmo, fritura, pimenta..."
Agora se perguntasse o que é bom para tratar, curar, aliviar a azia aí sim, a resposta deveria ser outra.
As pessoas fazem uso incorreto das palavras, termos e expressões e habituam-se a isso e no final das contas falamos uma língua inversa, reversa, oposta e mesmo assim nos comunicamos. 
Vixe!
Elucubrei agora.
Leio jornal ou assisto telejornais e ouço/leio, por exemplo: "Pessoa leva tiro na Vila Maria". Que parte do corpo é a "Vila Maria"?
Não deveria ser assim: "Pessoa leva tiro em sua residência na Vila Maria"?
Gosto de ler os jornais, principalmente, e me ater a esses detalhes curiosos e interessantes das palavras.
Um dia li um texto que dizia assim: "As palavras têm um poder assustador".
É isso.

                                 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Curiosidade & Banho

                                             


Fui hoje à Farmácia Alto Custo para buscar minha injeção de Sandostatin-LAR.
Eu deveria ter ido ontem, mas o trânsito estava travado; hoje foi melhor.
Entreguei a papelada para conferência e foi-me dada a senha para retirar o remédio na sala ao lado; havia "apenas" cinquenta e três pessoas na minha frente. Esperei uma hora e quinze minutos até chegar minha vez e até que não foi tão demorante assim, como diz Bibi, já esperei mais de três horas.
Estava sentada com a caixa de isopor no colo e um garotinho se aproxima e pergunta o que é que tem ali dentro e eu digo que é gelo.
Acho que ele pensou que na caixa de isopor haveria bebida, sorvetes ou outras guloseimas geladas.
Meu número é chamado e vou ao balcão entregar a papelada mais uma vez, assinar, entregar cartão do SUS e pegar meu remédio. 
Voltei para casa e tomei banho. É uma coisa que aprendi com Mãevelha, tomar banho quando retornar de locais como farmácias, hospitais, cemitérios, velórios e locais onde haja energia forte e carregada.
Não sei se tem fundamento, mas desde criança faço isso e via minha avó, minha mãe, minhas tias velhas fazendo o mesmo.
Mamãe dizia que o banho além de nos limpar fisicamente, limpava as energias pesadas e as mandava para o fundo do mar sagrado e assim ficaríamos limpos e protegidos. Amém.
É isso.




                                        


                                            

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Alho

                                          


Cheguei agora a pouco das minhas correrias diárias.
Cheguei com dor de cabeça, tomei um banho para aliviar um pouco, tomei meu remédio, deitei no sofá e liguei a TV.
Escuto gritaria, palavrões, discussões e muito bate boca e o que mais me chamou a atenção foi o motivo: alho.
A vizinha esganiçada bradava aos quatro ventos que não queria alho, não gostava de alho, não ia comer alho e ninguém a obrigaria a comer alho!
Tive que rir e até me esqueci da minha dor de cabeça.
Tá bom, então. Se ela não quer comer alho, tudo bem.




                                              

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Aqueça antes de usar

                                                


Mais uma com meu irmão Naldão.
Hoje é a vez dele.
Naldão sempre teve dores e inflamações no ouvido e vai à farmácia para comprar um remédio para aliviar o problema.
O farmacêutico mostra-lhe o remédio e recomenda: "Aqueça antes de usar".
Naldão vai para casa e se dirige à cozinha. Papai e Fubá estão na sala assistindo TV.
Dali a alguns minutos ouve-se um estrondo. Algo explodiu. 
Papai e Fubá correm para a cozinha e encontram Naldão em frente ao microondas cheio de fumaça.
Papai pergunta: "Mas que má dos cachorro é isso, Réginado?"
Fubá retira do microondas a embalagem e o remédio retorcidos e enfumaçados e pergunta: "O que é que você fez, Naldão?"
"O cara da farmácia falou pra eu esquentar o remédio antes de colocar no ouvido".
"Caramba, Naldão. Lê a bula antes, né meu? É pra aquecer a dose que você vai usar e não o frasco todo!".
Naldão voltou à farmácia para comprar mais um remédio para dores de ouvido.


                                        

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ano que vem

                                              


Fiz a segunda aplicação do remédio em meu joelho; a próxima dose será ano/mês que vem.
Volto para casa ansiosa no aguardo da ligação do hospital ou do meu médico.
Não consigo mais esperar e ligo. 
A cirurgia foi adiada mais uma vez! Ficou agora para janeiro 2012. Para o ano que vem.
Um dos meu médicos dissera que é muito difícil agendar procedimentos cirúrgicos nessa época do ano. Por quê?
No final do ano ninguém fica doente?
As doenças tiram férias e vão às compras natalinas e de Réveillon?
Talvez acompanhem os médicos às compras e viagens de fim de ano.
Bom...
Fui aconselhada a continuar com os medicamentos, a fazer exames, tomar o Sandostatin- LAR e correr para a emergência do hospital caso aconteça algo. Que algo?
Não dá para correr para o hospital com um joelho atacado pela artrose e uma coluna sustentada por quase duas dúzias de parafuso.
Não dá para correr nesse trânsito caótico de São Paulo.
É isso aí.
Estou cansada, com sono e meio assim assim. Não sei bem o que isso quer dizer, mas sei bem o que isso significa.


                                             

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Remédio

                                           


Tínhamos o estranho costume de tomar refrigerante quando estávamos doentes.
Mamãe tomava Coca-Cola para fazê-la arrotar quando tinha azia e cometia exageros à mesa.
Não sei de onde nem como surgiu essa crendice, mas está na família há gerações.
O refrigerante campeão de consumo para efeitos medicinais era o Guaraná. Bastava um de nós ficar doente, mesmo que fosse um leve mal estar, e a primeira providência a ser tomada, literalmente, era tomar um guaraná.
Nós gostávamos dessa medicina alternativa e gostávamos mais ainda quando alguém ficava doente e mamãe nos mandava comprar guaraná ou Coca. Nosso interesse era puramente na saúde e no bem estar do doente, claro.
Guaraná para um pequeno mal estar.
Coca-Cola para desconforto estomacal e azia. 
Acho que funcionava mesmo; os arrotos sonoros não deixavam dúvidas de que o paciente estava melhorando.


                                           


                                



domingo, 6 de novembro de 2011

Rarical

Deixamos nosso Pernambuco em 1973, logo após a partida de meu amado avô Paipreto.
Chegamos à terra da garoa, nosso "Santo São Paulo", como dizia mamãe e demos início à nossa nova vida em terras paulistanas.
Chegamos eu, mamãe, Mãevelha e meu dois irmãos mais velhos: Naldão e Rogério, o Bello.
Naldão tinha a saúde frágil e tinha dificuldade para se alimentar. Rogério e eu éramos magricelas, "pau de virar tripa", só tínhamos osso, cabelo e piolhos. (depois eu falo sobre os insetos chupadores de sangue de cabeças inocentes. Que nojo!).
Mamãe fica preocupada com nossa saúde e procura saber da vizinhança onde tem uma farmácia no bairro; hospitais só os públicos e todos longe. O transporte público para nosso bairro era difícil, demorado, desanimador. E não mudou muito não, até hoje o busão demora um tempão.
Mamãe é informada de que tem uma farmácia e um jovem farmacêutico muito bom, quase um médico. Esse farmacêutico, o Pedro, atua até hoje e é ele que me aplica a injeção mensal de Sandostatin LAR.
Mamãe tinha muita confiança nele e a qualquer problema de saúde que surgisse, lá ia ela falar com Pedro da farmácia.
Nós dizíamos para nossa mãe levar sua saúde a sério, procurar um médico de verdade. Pedro era farmacêutico, não podia fazer muita coisa.
Mamãe vai até a farmácia e relata o caso dos filhos magrinhos recém chegados do nordeste e sai de lá com dois frascos de remédio: Rarical B12 na embalagem cor de rosa e outro na embalagem azul. Nunca soube o porquê das cores do remédio; será que era para meninos e meninas, separadamente?
Tomamos o remédio; uma colher de sopa antes das refeições. Mas acontece que gostamos muito do sabor do remédio e um dia Mãevelha pega a mim e a Rogério virando o frasco de Rarical goela abaixo. Delícia!
Nossa avó nos dá broncas e conta tudo para mamãe.
Elas resolvem esconder o remédio e só nos dar nas horas marcadas.
Mãevelha está lavando roupas e nós estamos sós dentro de casa; falo para Rogério vigiar os movimentos de nossa avó enquanto eu procuro o remédio.
Achei. Chamo meu irmão e entornamos o Rarical. Bebemos tudo.
O resultado foi variado: broncas, chineladas e dor de barriga. Mamãe fica preocupada com uma overdose de remédio e os efeitos que poderia causar, mas nada de mais aconteceu; estamos todos vivos hoje, graças a Deus. Não muito saudáveis, mas vivos.