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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Maçã Verde

                               



Fui para a cama mais cedo e tomei um remédio para aliviar a dor de cabeça chata que eu estava tendo.
Melhorei bem, ainda bem.
Adormeci.
Sonhei com papai, mamãe e meus irmãos. Todos juntos e felizes.
Uma longa rua de terra e ladeira. Eu caminhava por essa rua na companhia de algumas pessoas e via cachorros abandonados . 
Eram cães de todos os tamanhos, cores, pelos... Todos ficavam alegres ao me ver e eu os chamava para vir comigo. 
Descia até o fim da rua e subia de volta com os cachorros até a casa. Ficava preocupada com a reação de papai, ele certamente não aprovaria aquela cachorrada toda.
A rua e as casas eram como antigamente, tudo simples, bonito, cheio de gente. Jardins, muitas plantas e muitas árvores nas ruas de terra.
Eu entrava em casa e via uma cesta com maçãs verdes e vermelhas e mamãe me dava uma bronca: "A senhora ainda não comeu da maçã verde, né mocinha? Comer maçã verde é bom pra tu".
Acordei e era hora de levantar.
Os gatos estavam ao meu redor e Alice miava avisando que os potes estavam vazios.
Levantei e segui minha rotina diária mas fiquei com esse sonho na cabeça.
Tem muito mais que a rua de terra, os cachorros, as casas, as maçãs...
Tiramos pessoas da nossa vida porque fizeram burrada e ainda fazem... Tem gente que não aprende, por mais que falemos e tentemos alertar.
Lembro de quando a vida era mais simples e os problemas pareciam pequenos porque tínhamos papai e mamãe sempre por perto.
É isso. 



                                 


                                          

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Maçãs

                                          


Todos os sábados íamos à feira.
Mamãe sempre levava um de nós para ajudá-la com as sacolas.
Às vezes mamãe comprava só o necessário para a semana e outras vezes, quando o dinheiro sobrava, comprava frutas que para nós era coisa de luxo, só rico podia comprar.
Nossa feira seguia uma rotina: primeiro era comprado o mais pesado, como batatas, cebolas e laranjas, e depois o mais leve, como tomates e verduras.
Começávamos pelas batatas que eram compradas de uma senhora portuguesa que sempre chamava mamãe de patrícia.
Mamãe tinha uma inegável cara de portuguesa, com certeza.
Depois das batatas comprávamos as laranjas, bananas, tomates e verduras. Quando sobrava, éramos presenteados com pastel e caldo de cana. 
Naquela época era tão saborosa essa cominação: pastel + caldo de cana. Hoje parece que perdeu um pouco do sabor.
Gostava de passar pelas barracas de frutas e admirar aquela variedade de cores, cheiros e sabores. Uvas, abacaxis, peras, goiabas, mamões, maçãs. Ah... as maçãs. Eram um luxo.
Laranja e bananas...Eram o que podíamos comprar.
Perguntava a mamãe: "Mãe, sobrou algum dinheiro?"
"Sobrou não, filha. Por quê? O que você queria comprar?"
"Maçãs, mãe".
"Tem nada não, filha. Mas tenho fé em Deus que um dia vou poder comprar todas as frutas que meus filhos pedirem".
Olhava mais uma vez para a barraca de frutas e me encantavam aquelas maçãs vermelhas, cheirosas.
Eu pensava comigo: "Um dia, quando crescer, vou trabalhar e vou ter dinheiro para comprar muitas maçãs e vou ajudar mamãe".